A festa a portas fechadas que era só de mulheres
Quando Mariela pegou o microfone e disse que o bar ficava fechado só para nós, entendi que aquela noite nenhuma de nós voltaria para casa sendo a mesma.
Quando Mariela pegou o microfone e disse que o bar ficava fechado só para nós, entendi que aquela noite nenhuma de nós voltaria para casa sendo a mesma.
Cada manhã ela a via sair da cozinha com a camisola colada ao corpo e se contentava com migalhas. Até que o cafezal as deixou sozinhas o dia todo.
Eu podia ouvir as risadas através da parede. Quando me aproximei da porta entreaberta, o que vi me tirou o fôlego: minhas duas melhores amigas, meio nuas, se olhando.
Ficamos na fila dos toboáguas a manhã toda, mas foi na água, com a mão dela escorregando pela minha cintura, que entendi o que ela realmente queria de mim.
Ela trancou a porta e guardou a chave no bolso. — A partir de agora você faz o que eu mandar — sussurrou, e uma parte de mim, cansada de decidir, quis obedecer.
Apoiei os pés no colo dela sem pensar, como tantas outras noites. Mas dessa vez Daniela me olhou de outro jeito, e eu soube que não havia mais volta.
Eu tinha quarenta e tantos, marido e dois filhos, e nunca tinha olhado para outra mulher. Naquela noite, encostada no balcão de um pub, tudo o que eu achava saber sobre mim desmoronou.
Saí para pegar minha jaqueta e ir embora sem atrapalhar. Então vi a mão de Daniela perdida sob a roupa de Paula, e meus pés se recusaram a sair da porta.
Quando prendi a cabeça dela entre minhas coxas, achei que ela resistiria. Em vez disso, senti seu hálito quente contra a minha calcinha e um gemido baixo.
Eu não conhecia ninguém naquele jantar de garotas, até que ela entrou pela porta e nossos olhares ficaram presos um no outro por cima dos pratos.
A boate fechou às duas e ninguém queria ir embora. Pedimos o quarto com jacuzzi, duas garrafas a mais e lançamos uma ideia que mudou tudo.
Sempre a desejei em silêncio, ouvindo-a do meu quarto. Naquela madrugada, com duas doses a mais, parei de fingir que era só curiosidade.
Ela achava que eu ainda estava dormindo enquanto se tocava no chão, ao lado da minha cama. Eu não me mexi. Ainda não queria que ela parasse.
Entrei no banheiro do bar buscando um momento de calma e a encontrei ali, de olhos fechados e pernas abertas, sem a menor intenção de parar quando me viu.
Quando ela desabou no meu ombro e confessou que o marido não a tocava mais, eu soube que aquela massagem terminaria de um jeito bem diferente.
Há meses tomávamos café juntas depois de deixar as crianças. Naquela manhã, ela pareceu diferente, e o que me escreveu no celular mudou tudo entre nós.
Fazia mais de dez anos que eu não a via. Encontrei-a diante da estante dos vibradores e, sem pensar, ofereci meu número.
Eu usava um vestido vermelho justo demais e tinha acabado de fazer quarenta e dois anos quando aquela loira apoiou a mão na minha cintura e me apertou contra ela.
Ela disse entre risos que adorava dormir de conchinha, colou o corpo ao meu e, no escuro daquele quarto emprestado, entendi que não era brincadeira.
Compartilhavam a mesma aula três dias por semana e se olhavam às escondidas. Até que uma delas decidiu que já estava cansada de fingir que nada acontecia.