O motorista do ônibus de dois andares e a noite de dezembro
Terminei meu turno, fazia um frio brutal na plataforma, e o motorista me disse que eu podia ficar no ônibus dele para me esquentar. Eu não fazia ideia do que viria.
Terminei meu turno, fazia um frio brutal na plataforma, e o motorista me disse que eu podia ficar no ônibus dele para me esquentar. Eu não fazia ideia do que viria.
Saímos seis para o bar da Rosa. Às três da manhã, ainda éramos os mesmos seis na casa da Valeria, mas ninguém mais estava vestido.
Demorei dois segundos para reconhecê-lo do outro lado do balcão. Ele usava saia justa e meia arrastão, e estava se deixando tocar por um desconhecido.
Estava há semanas sem respirar por causa do trabalho. Numa noite quis comemorar sozinho. Entrei no primeiro bar que vi e saí diferente.
Tive de dormir no chão do meu próprio quarto. Minha irmã e o marido dela estavam na cama. Esperávamos por esse momento havia meses. Naquela noite, chegou.
Apertei a campainha com os dedos trêmulos. Sabia que do outro lado daquela porta me esperava alguém capaz de me transformar no que eu sempre sonhei ser.
Empurrei a cortina sem fazer barulho. Sofia estava de costas, com a água caindo pelos ombros, sem saber o que estava prestes a acontecer com ela.
Quando Rodrigo abriu a porta, eu soube que não havia volta. Minha vida estava prestes a mudar de um jeito que eu nunca tinha imaginado.
Apostamos sob a coberta para ver se eu adivinhava a cueca que ele estava usando. Não imaginei que essa aposta terminaria com o peso dele sobre mim no quarto do hotel.
Andrés abriu a porta com aquele sorriso que me desmontava. Sofia não estava. Eu também não tinha ido por ela.
A promessa ela havia feito semanas antes, num momento de fraqueza que não esquecia. Agora estava ali, e Karim não ia deixá-la se arrepender.
Estava apaixonado por Andrés havia meses quando ele me disse que o ex viria jantar. Não imaginei que aquela noite terminaria com nós dois o proclamando nosso rei.
Quando voltei da cozinha e vi a mão de Marco sobre a coxa de Rodrigo, senti um ciúme que não soube se queria apagar ou alimentar.
Tive quarenta e sete anos sendo exatamente quem eu supostamente devia ser. Uma noite com a lingerie da minha esposa nas mãos mudou isso para sempre.
Eu tinha vinte anos e nunca tinha estado com um homem. Naquela noite, fechando a academia, o único associado que restava entrou nos chuveiros ao mesmo tempo que eu.
Ele estava sentado à parte, olhando a água com resignação. Era tímido, era virgem e era perfeito para o que eu e minha amiga pensávamos há horas.
Ele passou uma pedra pelas minhas costas, murmurou algo que eu não entendi e, de repente, eu só queria uma coisa: que aquele homem me tomasse. Não sei se foi feitiçaria. Sei que não resisti.
Durante anos carreguei uma curiosidade sem nome. Quando Diego apareceu na enseada, sozinho e livre, algo mudou antes mesmo de a noite acabar.
Fiquei na soleira com a taça de vinho na mão e o olhei de longe. Ele ergueu a vista. Eu sorri. Não foi preciso dizer mais nada.
Quando cheguei ao apartamento dele naquela tarde de sábado, eu tinha me depilado por inteiro e não usava roupa íntima. Sabia exatamente a que ia. Ou achava que sabia.