O que começou como um jantar terminou na minha cama
Eram os amigos do meu filho. Tinham vinte anos e me olhavam como se eu fosse a única coisa que queriam no mundo. Eu devia ter subido sozinha para o meu quarto. Não subi.
Eram os amigos do meu filho. Tinham vinte anos e me olhavam como se eu fosse a única coisa que queriam no mundo. Eu devia ter subido sozinha para o meu quarto. Não subi.
Quando vi minha avó beijando aquele homem no espelho do corredor, eu deveria ter voltado para o meu quarto. Em vez disso, fiquei olhando.
Tinham passado três dias desde a primeira vez. Três dias imaginando, sentindo ardor toda vez que fechava os olhos. Naquela tarde, o clube estaria vazio.
Quando subi no barco em Luxor, achei que iria descansar. Três noites depois eu estava nua num terraço sobre o Nilo, sem saber qual corpo me tocaria.
Entrei naquele bar do calçadão procurando frutos do mar e acabei fechando quinze dias com uma desconhecida. Três anos depois, ainda não contei isso a ninguém.
Fazia doze anos que ninguém a olhava assim. Rodrigo tinha vinte, chegou com uma escada e um sorriso, e ela só queria que consertassem o telhado.
Não fiz por dinheiro. Fiz porque tudo me dava igual. Vê-la feliz com outro naquele bar foi o estopim de uma fase que eu não deveria ter vivido.
Quando paramos ao lado deles, a garota já mexia os quadris ao som de uma música. Mateo usava as unhas pintadas. Aquela viagem não ia acabar como tínhamos planejado.
Minha avó tomou a decisão, como sempre. Eu só segui o instinto. O que aconteceu naquela casa durante a tempestade continua sendo só nosso.
Pus a peruca, os saltos e as curvas postiças. Não imaginei que, antes do amanhecer, eu estaria latindo num jardim com os joelhos na terra.
Quando a doutora trancou a porta, entendi que aquela consulta não seria como nenhuma outra. E não foi.
Jogamos pôquer valendo roupa com meus vizinhos. Ninguém disse que mais estava em jogo, mas quando fiquei nu no centro da sala, já não precisávamos das cartas.
Ele chegou recém-separado, com uma mala e tempo livre demais. Desde a manhã na piscina, eu soube que aquela semana não ia ser nada entediante.
Eu estava ali, com o balde de champanhe nas mãos, ouvindo cada gemido, cada rangido da cama. E não fui capaz de me afastar.
A voz de Daniela narrava o episódio do vestiário enquanto, ao redor, os corpos das amigas se enlaçavam sem vergonha nem limites.
Cheguei ao apartamento deles com vontade de beber cerveja e matar o tempo. Saí com a bunda dolorida, a boca com gosto de porra e um sorriso que não conseguia esconder.
Na primeira noite, jurei voltar para casa. No sétimo dia, já não lembrava por que tinha comprado a passagem de volta. Isto é o que aconteceu entre aquelas duas noites.
Viajei sozinha em busca de templos e acabei num terraço sobre o rio, cercada de mãos que não eram as minhas e bocas que sabiam exatamente onde me encontrar.
Soltou a gargalhada, baixou a voz e me olhou com aquele sorriso de puta satisfeita que eu já conhecia. Eu soube que ela ia me contar tudo o que tinha calado.
Quando Damián sussurrou que Mateo podia me ter, algo mudou no olhar dele. A timidez sumiu, e deixei de comandar o jogo.