A passageira madura que entrou no meu carro naquela manhã
Ela entrou no meu carro com um vestido solto e a calma de quem já não tem pressa. Eu não imaginava que dois dias depois me pediria para desviar até a porta dela.
Ela entrou no meu carro com um vestido solto e a calma de quem já não tem pressa. Eu não imaginava que dois dias depois me pediria para desviar até a porta dela.
Desci do carro para sentar na frente e, assim que vi o volume na calça dele, soube que aquele táxi não ia me levar direto para casa.
Sentei na penumbra, decidida a não tocar em ninguém e só observar. Mas meus dedos tinham outros planos enquanto eu a via se entregar a dois homens a um metro de mim.
Mariela reconheceu aquela voz rouca antes de se virar. O verdadeiro dono do escritório havia voltado, e trouxe com ele todas as velhas regras.
Passei anos cuidando para que ninguém a olhasse demais. Naquele fim de tarde, escondido entre as ervas altas, eu não conseguia parar de olhar.
Desci no meio da madrugada para pegar um copo d'água. A porta do quarto do fundo estava entreaberta, e de dentro saíam uma luz fraca e duas risadas cúmplices.
Ela saiu do vestiário de costas, com um biquíni que nunca tinha me mostrado. Senti ciúme. E, sem saber por quê, comecei a sentir outra coisa.
Eu tinha entrado na torre para cobrar uma velha dívida. O que eu não esperava era ficar imóvel atrás da cortina, prendendo a respiração, incapaz de desviar o olhar.
Pedi que ela abrisse as pernas no posto e o frentista quase arregalou os olhos. Naquela manhã entendemos que o tesão de ser observados podia com a gente.