A tia Beatriz me ensinou a obedecer em seu porão
Bati na porta sabendo que, desta vez, tinha ido longe demais, e que a mulher que abriria não aceitaria desculpas: só obediência.
Bati na porta sabendo que, desta vez, tinha ido longe demais, e que a mulher que abriria não aceitaria desculpas: só obediência.
Havíamos ensaiado cada gesto, cada palavra, cada limite. O jogo era nosso e só nosso. Até que duas desconhecidas surgiram entre as árvores e mudaram tudo.
Achei que chegar na hora morta me protegeria dos olhares. Não contei com elas entrando para limpar justo quando eu saía do banho.
A mulher que me acorrentou naquele porão não buscava prazer: queria me ensinar, golpe a golpe, que meu corpo já não me pertencia e que sua palavra era a única lei.
Cada vez que eu vadiava, pagava com urtigas, chicotadas e suas botas enlameadas. E o pior era que uma parte de mim já esperava pelo próximo castigo.
Encontrei minha amiga tremendo no banheiro daquela festa. Quando perguntei quem a deixou assim, jamais imaginei que ela dissesse o nome do nosso professor mais temido.
Ela guardou o cartão por semanas, repetindo que jamais iria. Numa sexta-feira, sem saber por quê, vestiu seu melhor vestido e atravessou aquela porta.
Rodeada de vampiros naquele velho matadouro, com a coleira verde apertando meu pescoço, entendi que meu corpo já não me pertencia. Só podia implorar por mais alguns dias.
Ele atravessou muralhas que ninguém vencera para cravar a espada nela. Ela apenas estalou os dedos, e o herói descobriu quem mandava de verdade naquele trono.
Quando a porta voltou a se abrir, Rubén entendeu que a noite anterior tinha sido só o começo do que aquelas mulheres pretendiam fazer com ele.
Ela sabia que aqueles dois homens a desprezariam assim que ela cruzasse a porta, e era exatamente isso que a fazia voltar de novo e de novo em busca de mais.
Eu estava meio nua no carro de um homem que eu não conhecia, em um estacionamento cheio de gente, e ele me disse para relaxar porque meu exame estava só começando.
Trabalho há anos entre mortos e achava que já tinha visto de tudo. Até que aquele homem, deitado na minha mesa de aço, se moveu quando afundei o bisturi em seu peito.
A primeira vez que ela colocou a coleira em mim, eu soube que não havia volta: eu desceria sempre que ela chamasse, pronto para obedecer a qualquer ordem que saísse da boca dela.
«Não estamos fazendo nada, é um pedaço de silicone», ela me disse. Mas a forma como me olhava enquanto abria a caixa dizia exatamente o contrário.
Ele tinha vinte e poucos anos, uma esposa magra nadando lá embaixo e uns olhos famintos que me imploravam sem saber. Naquela tarde, eu lhe ensinei quem manda.
Eu disse que naquela noite não ia sair. Então ele bateu à minha porta com um vestido rosa na mão e aquele sorriso que já sabia de antemão que ia me ganhar.
Me arrastaram para a sala de exame por não respeitar as regras. Não sabiam que era justamente o que eu queria: que alguém enfim decidisse por mim.
Ela usava a máscara e tinha ordem de não se mover. Sabia que, desta vez, não haveria ternura — só a lição que ela mesma havia pedido por dias.
O nosso era o segredo que carregávamos para todo lado, mas naquela noite, longe da cidade, decidimos compartilhá-lo com mais alguém.