Eu queria que os vizinhos olhassem para a minha esposa
Contei sem pensar a um desconhecido que minha esposa dormia nua em casa, e aquela frase reacendeu algo que estava apagado havia anos entre nós.
Contei sem pensar a um desconhecido que minha esposa dormia nua em casa, e aquela frase reacendeu algo que estava apagado havia anos entre nós.
Quando vendou os olhos dela, não esperava ver o velho da varanda nos observando. E, em vez de fechar a cortina, ofereci minha namorada a ele.
Eu o vi entreabrir a porta enquanto eu estava de joelhos. Eu podia ter parado. Em vez disso, pisquei para ele e deixei que continuasse olhando.
Já fazia semanas que eu não saía e o fogo me consumia. Numa madrugada, coloquei a peruca, abri o casaco na grade e deixei a rua decidir por mim.
Na primeira manhã, encontrei-a na cozinha quase nua, movendo-se como se eu não existisse. Aí entendi que o jogo do marido dela estava só começando.
Nós dois o desejávamos desde a primeira aula, mas nunca imaginamos que seria ele quem nos pediria para escolher entre esquecê-lo ou nos mudarmos para sua casa.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava debaixo dele, sem intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me encararam da porta.
Eu tinha uma semana para decidir se deixava tudo para trás. Naquela noite, quatro homens se propuseram a me fazer esquecer a decisão, ainda que só por algumas horas.
Ele me pediu para fechar os olhos diante da vitrine. Quando abri, soube que Hugo queria me ver transformado naquilo que eu sempre desejei ser sem ousar dizer.
Diziam que o azul de seu macacão lhe trazia sorte. Mas, naquela noite, sob o jato de água e os olhares dos companheiros, ele descobriu que a sorte tinha outro nome.
Estava duas semanas sem gozar e a imaginação me pregou uma peça no meio do turno. O que eu não esperava era que alguém percebesse antes de mim.
Quando abri a porta, eu esperava uma sacola de papel e um “bom dia”. Não esperava que ele ficasse olhando para dentro e me perguntasse, em voz baixa, se eu morava sozinho.
Quando me virei para lavar as mãos, vi ele no espelho: alto, grisalho, com o zíper aberto e o olhar cravado no meu. Minha noite estava só começando.
Aos cinquenta e um, depois de muitas mulheres, escrevi para um desconhecido num site gay sem saber que essa mensagem me obrigaria a aceitar o que sempre neguei.
Minha esposa achava que o jogo terminava quando o técnico ia embora. Ela não sabia que a câmera escondida gravava tudo e que minha excitação mal começava ao vê-la do escritório.
Reservei o lugar para nosso aniversário, mas ela se adiantou: a pousada era o quartel-general de um clube privado e, naquela noite, o botão vermelho ficava ao lado da cama.
Tinha vinte e dois anos e nunca tinha estado com outro homem. Quando empurrei a porta entreaberta do 5B, soube que aquela noite não sairiam de mim como entrei.
Eu sabia que ele me observava tempo demais, que tentava disfarçar. E, como sempre, decidi que não ia deixar passar.
Nunca tinha usado uma tanga, mas naquela tarde decidi estreá-la no canto mais movimentado do mercado, justamente onde ninguém podia deixar de me olhar.