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Relatos Ardientes

Eu via minha esposa pela câmera sem que ela soubesse

Este relato escrevi graças às conversas que mantive com uma leitora que me confiou por e-mail sua fantasia realizada. Então pode-se dizer que está baseado em fatos reais.

A manhã em Córdoba se filtrava pelas cortinas leves do apartamento de Nueva Córdoba, tingindo a sala de um dourado morno que cheirava a café recém-feito e à umidade da chuva da noite anterior.

Carolina e Diego, depois de oito anos de casamento, haviam cultivado uma cumplicidade alimentada por confidências e por um erotismo discreto, calibrado, que os mantinha colados como dois fios do mesmo tecido.

Diego, arquiteto de profissão e observador por natureza, encontrava um prazer particular em imaginar Carolina exposta a olhares alheios, em situações que pareciam inocentes mas que ele coreografava à distância. Para ela, por outro lado, o excitante era a permissão. Saber-se observada à beira do proibido e devolver a Diego cada detalhe, depois, como um tributo guardado só para ele.

Nessa manhã, o problema apareceu na área de serviço. A luz do teto piscava com um zumbido elétrico que cortava o silêncio do apartamento. Antes de sair para o escritório, Diego conferiu algo que Carolina ignorava: uma câmera minúscula camuflada numa grelha do exaustor. Ele a havia instalado meses antes sem contar a ela. Era seu segredo. Uma ferramenta para confirmar, em silêncio, que ela desempenhava o papel que ele imaginava, e para saborear o espetáculo em dupla perspectiva, sentindo do escritório como o próprio corpo respondia à cena.

—Chamei o técnico, chega em uma hora — disse enquanto ajeitava o colarinho da camisa.

Os olhos dele demoraram-se em Carolina, que se movia pela cozinha com uma calça branca tão justa que parecia uma segunda pele e uma camiseta fina da mesma cor, sem nada por baixo. A escolha não era casual. Carolina sabia que o algodão, sob certa luz, deixava ver mais do que cobria. O ar fresco fazia os mamilos se marcarem sem ajuda, duas sombras suaves contra o tecido.

—Fica tranquilo, amor. Eu resolvo — respondeu ela, roçando o antebraço dele com um sorriso que era quase uma senha.

Diego beijou seus lábios, demorando-se um segundo a mais que o habitual, e saiu. Na rua, antes mesmo de entrar no carro, abriu o aplicativo da câmera no celular.

***

Carolina, sozinha no apartamento, preparou o cenário com a calma de quem sabe o que faz. Na área de serviço, um cômodo estreito com azulejos brancos que refletiam a luz da janela grande, deixou penduradas no varal — bem ao lado do painel elétrico defeituoso — uma fileira de tangas de renda preta e vermelha, recém-lavadas, ainda pingando no chão. O ar cheirava a sabão floral com um fundo mais íntimo, almíscarado, que parecia grudado nos tecidos e que ela conhecia bem. As peças se moviam apenas um pouco, como pequenas bandeiras insolentes, e ela se permitiu um sorriso antes de voltar à cozinha.

Quando a campainha tocou, ela abriu com naturalidade. Rodrigo, o técnico, era um homem robusto, de cerca de quarenta e poucos anos, com mãos largas e um uniforme azul que cheirava levemente a metal e óleo. Seus olhos castanhos percorreram o corpo dela em uma fração de segundo, registrando a camiseta branca, a sombra dos mamilos contra o tecido, o contorno da cintura.

—Bom dia, senhora. Vim pela curto-circuito na área de serviço — disse com uma voz grave, de cordobês calmo.

Carolina o guiou pelo corredor. O som das botas ecoava contra o assoalho, e ela sentiu a pele da nuca se arrepiar sabendo que ele a observava caminhar.

A área de serviço se encheu de luz natural. Rodrigo se ajoelhou diante do painel, abriu a caixa de ferramentas com um clique metálico e, quase sem querer, ergueu os olhos até o varal. As tangas continuavam balançando, ainda úmidas. Inalou sem pensar. Diego, do escritório, viu na tela do celular o exato momento em que o pomo de Adão do técnico subiu e desceu.

Fisgou você. Está fisgado.

Carolina se mexeu com um ar de inocência ensaiada. Esticou-se para alcançar um frasco de detergente na prateleira alta e a calça lhe apertou os glúteos. O tecido, finíssimo, deixou ver com clareza a ausência de roupa íntima. Sob a luz direta, o contorno do púbis cremoso e uma pequena tatuagem na lateral da virilha — uma flor minúscula que Diego conhecia de cor — apareceram como um segredo contado sem querer. Rodrigo, de baixo, ficou olhando um segundo a mais. Engoliu em seco.

Diego, no escritório, sentiu o primeiro puxão na calça. Ajustou-se na cadeira, fechou o caderno de projetos sobre a mesa e aumentou um pouco o brilho do celular. O ângulo da câmera era amplo. Captava o técnico, Carolina e o varal em um só plano.

Carolina fingiu não notar nada. Por dentro, sentia o calor se concentrando no baixo ventre e o tecido grudando, traidor, na pele já morna. Abaixou-se para alcançar um cabo no chão e ofereceu a Rodrigo — e à câmera — uma imagem muito mais nítida. A calça entrou entre os glúteos com uma clareza quase obscena, marcou a linha e mostrou, com precisão que parecia desenhada, o círculo apenas dilatado da entrada posterior sob o tecido.

Rodrigo ficou imóvel por um instante. Só um instante. Depois voltou ao painel, mas a respiração já estava mais audível, e o volume sob o uniforme azul não dava mais para disfarçar por completo. Diego, diante do celular, abafou um gemido contra os nós dos dedos.

O conserto levou cerca de quarenta minutos. Carolina rondou a área de serviço com desculpas mínimas: uma toalha para pegar, uma ferramenta para alcançar, um roçar de ombro ao passar. Quando ele se despediu na porta, com um “pronto, senhora” rouco, os olhos dele voltaram uma última vez para a camiseta branca. Carolina fechou a porta e se apoiou nela, vibrando. A calça estava úmida. Diego, no escritório, só então conseguiu respirar.

***

Nessa noite, o apartamento afundou na calma macia de um churrasco tardio e de uma taça de malbec compartilhada. Eles foram para o quarto cedo. A luminária de mesa desenhava sombras longas sobre os lençóis brancos. Diego já tinha desabotoado a camisa e Carolina ainda estava com a camiseta e a calça da manhã, agora um pouco mais amassadas, ainda perfumadas pelo rastro do próprio corpo.

—Vem — disse ela, puxando-o para a cama.

Beijaram-se devagar, com uma intimidade que conhecia cada passo. Diego deslizou a mão por baixo da camiseta, encontrou os mamilos já endurecidos, rodeou-os com o polegar.

—Me conta — sussurrou contra o pescoço de Carolina —. Me conta o que ele viu hoje.

Ele sabia cada detalhe. A câmera tinha gravado tudo. Mas importava ouvi-lo da boca dela, com as palavras entrecortadas e a respiração ofegante, porque essa segunda camada — a versão que ela escolhia contar — era uma parte diferente do jogo.

Carolina gemeu baixo, arqueando as costas.

—Assim que entrou na área de serviço, cravou os olhos nas tangas. Juro que vi ele inspirar, Diego. A respiração dele acelerou como se não pudesse evitar.

Diego tirou a camiseta dela com lentidão, beijou um mamilo, deixou a língua traçar círculos. A mão desceu até a borda da calça.

—Continua — pediu.

—Ajoelhei do lado do painel, passei uma ferramenta pra ele. E quando me estiquei pra pegar o detergente senti como ele me olhava. Sei que viu tudo. A pele, a tatuagem, tudo. As pupilas dele dilataram. Ele engoliu em seco, amor. E eu comecei a me molhar só de saber que ele estava ali.

Diego tirou a calça dela com um movimento limpo. A intimidade de Carolina já estava brilhante, inchada, pronta. Ela o montou sem mais demora, guiando-o para dentro com uma lentidão que arrancou um gemido dos dois. O movimento começou pausado, um vai-e-vem medido, enquanto Carolina continuava narrando.

—Quando me abaixei pelo cabo, ofereci mais. A calça entrou inteira entre os glúteos, ele viu a divisão completa. E a tatuagem. E eu senti o volume no uniforme. Pulava, Diego. Pulsava sob o tecido e dava pra notar tudo.

Diego fechou os olhos. Na cabeça dele, a voz dela se sobrepunha às imagens nítidas da câmera. A dupla camada o desmanchava. O membro reagia com um pulso constante. Ele a virou de bruços, se acomodou atrás, penetrou-a por trás com estocadas profundas que arrancaram um grito abafado de Carolina contra o travesseiro.

—E quando ele roçou meu ombro sem querer — continuou ela, com a voz quebrada —, olhou meus seios. O pomo de Adão subiu. Não sei como ele se segurou.

***

Diego não conseguia tirar da cabeça uma imagem específica. Só uma. A da calça esticada ao máximo quando ela se abaixou pelo cabo. O contorno do ânus marcado sob o tecido, redondo, evidente, desenhado com uma clareza que a câmera tinha captado sem esforço. E pensava, com uma mistura de orgulho e calor possessivo, que Rodrigo — ajoelhado a um metro dali — também tinha visto aquilo. Que um homem desconhecido, com mãos calejadas e uma vida comum, havia levado para casa a fantasia de imaginar Carolina entregue a esse outro tipo de intimidade. Essa ideia, a do estranho especulando em silêncio, partia seu fôlego em dois.

—Vira — disse, rouco —. Quero mais.

Carolina se ajeitou de quatro sobre os lençóis, os joelhos afundados no colchão, a coluna arqueada com uma entrega que parecia lida de memória. Diego abriu a gaveta do criado-mudo, tirou um frasco de lubrificante com cheiro de baunilha e deixou cair um pouco na palma da mão. Esquentou antes de tocá-la.

—Relaxa — murmurou —. Devagar.

Espalhou o gel com movimentos circulares, paciente, sentindo o músculo ceder sob a ponta dos dedos. Enquanto a preparava, voltou à imagem da manhã. Ele viu. Viu igual a mim. E imaginou coisas. Essa certeza, a de que Rodrigo havia alimentado em silêncio uma fantasia sobre o corpo de Carolina, o empurrava a reivindicá-la com uma avidez que ele nem reconhecia em si mesmo.

Entrou centímetro por centímetro. Carolina abafou um suspiro contra o lençol. A primeira ardência se dissipou rápido em ondas de prazer denso, um preenchimento que roçava terminações nervosas que não são tocadas em outro ato. Para Diego, o aperto morno era um atrito exquisito, diferente, intensificado pelo pensamento de que esse mesmo lugar tinha sido insinuado, naquela manhã, diante de um homem que não era ele.

O suor escorria pelas costas dele e pingava na pele de Carolina. Ela esticou uma mão para trás, buscou os dedos dele, entrelaçou-os nos seus.

—Pensa em como ele te olhou — sussurrou Diego, sem revelar nada ainda —. Pensa no que ele viu quando você se abaixou.

—Sim, amor… deu curiosidade — gemeu Carolina —. Mas isso é só nosso.

O ritmo se acelerou. As ancas se chocavam com um som rítmico, úmido, que se misturava à respiração entrecortada dos dois. O orgasmo os alcançou quase ao mesmo tempo. Para Carolina, uma contração profunda que se estendeu da entrada até o clitóris em ondas. Para Diego, um pulso intenso que o esvaziou dentro dela, preso à lembrança nítida daquela marca sob a calça branca. Caíram sobre os lençóis, enlaçados, as respirações desordenadas se acalmando devagar.

Diego beijou as costas dela, saboreou o sal. Carolina se aconchegou contra o peito dele.

—Na semana que vem — murmurou ele, traçando círculos em sua barriga — chamamos um encanador. Algo do banheiro. Você com uma toalha solta, ou um short fino que fique transparente com a água.

Carolina semicerró os olhos. Sorriu com aquele sorriso maroto que só lhe saía depois.

—Sim. Sutil, como hoje. Vou deixar ele olhar o suficiente para desejar. E depois te conto tudo. Cada olhar, cada roçada.

Discutiram os detalhes em voz baixa. Um encanador jovem, talvez. Uma inclinação medida sobre a pia. Tecido molhado grudando onde deveria grudar. Diego sentiu o pulso se reativar, lento, em um canto remoto do corpo. Sabia que sua câmera também estaria lá, como uma testemunha silenciosa, dobrando todo o prazer.

—Vai ser perfeito — disse, e a beijou de novo na escuridão perfumada do quarto.

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