Minha prima me esperava há anos por essa visita
Quando ela saiu do banho com o robe amarrado de qualquer jeito e os mamilos marcando o tecido, eu soube que já não poderia vê-la como a prima dos verões na praia.
Quando ela saiu do banho com o robe amarrado de qualquer jeito e os mamilos marcando o tecido, eu soube que já não poderia vê-la como a prima dos verões na praia.
Saí de casa com a calcinha vermelha e o coração disparado: meu tio jamais me chamava em dia de folga, e eu já sabia qual era a verdadeira intenção.
Quando minha filha cruzou a porta rindo, eu ainda trazia na pele o rastro do homem com quem ela iria se casar.
Ele voltou do clube com aquele sorriso torto e uma história sobre meu irmão que não devia me contar. Naquela noite, entendi até onde ele era capaz de me empurrar.
Ela levantou o vestido no primeiro semáforo e eu entendi que aquela volta de carro não era para fazer compras. Minha mãe tinha outros planos para nós dois.
Eu tinha passado vinte horas viajando e só pensava em voltar para os braços dela. Não imaginava que esse reencontro me faria cruzar uma linha que eu jurava nunca cruzar.
Eu tinha quinze anos quando ouvi aquela frase. Nunca imaginei que, numa noite qualquer, meu próprio pai me faria entender o que ela significava de verdade.
Coloquei a máscara, dei as ordens e deixei que ela se entregasse sem saber quem a tocava. O que veio depois superou qualquer fantasia que tivéssemos imaginado.
Maquiei-me, escolhi o vestido preto mais justo e desci para o restaurante sabendo que aquela noite com o outro casal não terminaria à mesa.
Eu vinha protegendo as costas dele entre a pior matilha do presídio. No dia em que me contou quem era de verdade a mulher das visitas, tudo mudou.
Quando ele cambaleou contra mim naquele ônibus lotado, senti algo que não devia sentir. Desde aquele dia, não consigo pensar em outra coisa.
Deixei a xícara na mesinha, ajoelhei ao lado da cama e entendi que naquela manhã nada nunca mais seria como antes naquela casa.
Lá fora chovia e ela me olhava como nunca ninguém da minha família havia me olhado. Eu sabia o que ela ia me pedir, e sabia que não ia conseguir negar.
Desci para buscar água e a encontrei inclinada sobre a mesa, esperando. Fazia semanas que ela me dizia que não, e naquela noite decidiu que sim.
Três meses sem nos vermos e, assim que ela desceu do avião, eu soube que algo ia acontecer. O que não calculei foi a testemunha na praia.
Laura acordou com o corpo pesado e um silêncio estranho no apartamento. A porta do outro quarto estava entreaberta. As camas, vazias.
Estávamos fazendo abdominais e então eu o vi. Não era meu filho naquele momento, era um homem. E esse pensamento me perseguiu por dias.
Rebeca começou a dançar no centro da sala e eu parei de pensar no jantar. Marcos nos observava do sofá com os olhos acesos.
Ela voltou do hospital com as mãos engessadas até o cotovelo. E eu descobri, vendo-a depender de mim, o quanto eu sabia pouco sobre olhar para a minha própria mãe.
Quando ela se agarrou a mim dentro d’água e notei sua respiração mudar, soube que o verão dos nossos dezoito anos não terminaria como nenhum outro.