Naquele sábado entrei sozinha em um cinema pornô
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
Eram três da manhã, a casa em silêncio, e eu com o telefone colado ao peito esperando que aquela voz sem corpo me dissesse, enfim, tudo o que eu vinha imaginando havia semanas.
Deixei a camisola à vista no banheiro, calculei cada gesto e esperei para ver até onde o rapaz do quarto B se atreveria a ir.
Eu estava suada e ofegante quando a voz dele me alcançou pelas costas. Ele não queria me convidar para jantar: queria comprar a noite inteira — e eu quis me deixar comprar.
Eu já estava há meia hora caminhando quando o calor entre as minhas pernas deixou de ser ideia e virou urgência. O muro de concreto estava frio; eu ardia.
Nunca pensei que um objeto tão idiota como um pente pudesse me deixar tremendo, sozinha no meu quarto, mordendo os lábios para não gritar.
Fechei os olhos acreditando que estava sozinha. Quando senti a sombra na porta, já era tarde para fingir que eu não estava pensando nele.
Ela desceu para a sala com um sorriso diferente e a mão escondida atrás das costas. “Adivinha o que eu trouxe”, disse. Naquela noite, entendi em quem ela estava se transformando.
Meu pai me ensinou que os monstros ficam no armário se você não abrir a porta. O que eu nunca confessei é o quanto desejo que o meu tenha coragem de sair.
A criatura não caça você. Só a observa correr e espera você perder as forças. Ela sabe desde o começo como isso termina.
Era meu primeiro dia no chalé quando ouvi respingos na piscina. Espiei e vi os dois nus, se beijando, completamente alheios à minha presença.
Cheguei à casa dos pais dela e a vi na porta, usando aquele vestido curto que me deixava louco. Sem nada por baixo. Exatamente como eu havia pedido.
Vivíamos há anos em silêncios e jantares frios. Quando ele entrou para arrumar a lareira, algo se quebrou em mim. E eu deixei acontecer.