Naquele sábado entrei sozinha em um cinema pornô
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
Eram três da manhã, a casa em silêncio, e eu com o celular colado ao peito esperando que aquela voz sem corpo me dissesse, enfim, tudo o que eu vinha imaginando havia semanas.
Deixei a camisola à vista no banheiro, calculei cada gesto e esperei para ver até onde o rapaz do quarto B se atreveria a ir.
Eu estava suada e ofegante quando a voz dele me alcançou pelas costas. Ele não queria me convidar para jantar: queria comprar a noite inteira — e eu quis me deixar comprar.
Levei meia hora caminhando quando o calor entre minhas pernas deixou de ser só uma ideia e virou urgência. O muro de cimento estava frio; eu ardia.
Nunca pensei que um objeto tão idiota como um pente pudesse me deixar tremendo, sozinha no meu quarto, mordendo os lábios para não gritar.
Fechei os olhos acreditando que estava sozinha. Quando senti a sombra na porta, já era tarde para fingir que eu não estava pensando nele.