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Relatos Ardientes

A fantasia que reservei a sós no sauna

Eu vinha arrastando o corpo de um lado para o outro a semana inteira. Trabalho demais, academia demais, noites demais dormindo pouco. Estava com os ombros travados e uma dor surda na lombar que nem o banho quente conseguia desfazer. Por isso, naquela tarde de sexta-feira, enquanto olhava o teto da sala sem vontade de me mexer, me ocorreu que o sauna do prédio poderia ser exatamente o que eu precisava.

Era uma daquelas comodidades do edifício que quase ninguém usava. Era reservado por uma hora, ficava privativo, e àquela altura da semana o mais provável era que ninguém mais pedisse. Calor, vapor, silêncio. A ideia me pareceu perfeita. E talvez eu não tenha que estar sozinha.

Pensei em Daniel. Eu sabia que ele também vinha exausto, que vinha arrastando as costas incomodadas havia dias. Um tempo de calor faria bem a ele também. Hesitei um instante com o telefone na mão, sem saber como ele receberia o convite. Mas, depois de pensar bastante, mandei.

—Fiquei pensando em estrear o sauna do prédio pra soltar os músculos. Topa? —escrevi, e apertei enviar antes de me arrepender.

Fiquei olhando para a tela, com o polegar a ponto de apagar a mensagem. Pensei que talvez fosse demais, demasiado evidente. Mas a gente já tinha falado sobre isso alguma vez, sobre como ficava feio o rastro de uma “mensagem apagada”, aquela marca que denunciava mais do que qualquer palavra. Então deixei ali, exposta, sem rede.

Eu tinha pensado em descer às sete, sozinha ou acompanhada. Eram apenas três da tarde. Havia tempo de sobra para uma resposta.

Às quatro chegou a primeira.

—Mmm… parece interessante… vai ter mais gente?

—Hehe, não. É reservado, fica privativo —respondi.

Sorri ao digitar. Era óbvio que ele tinha lido nas entrelinhas, que o convite tinha deslizado para outro terreno. E não era isso, no fundo, o que eu queria? O celular voltou a vibrar.

—E tem câmeras?

Senti o calor subir às bochechas, uma risada nervosa escapando sozinha, aquela antecipação apertando o estômago.

—Mmm… não. É privativo.

—Melhor ainda.

E, embaixo, a carinha de um diabinho.

Ótima resposta. Isso promete. Era preciso fechar o plano.

—Reservei para as sete. Você me acompanha?

—Me deixa organizar a tarde e te aviso.

Maravilhoso. O plano era relaxar, mas acompanhada seria outra coisa. Deixei o telefone virado para baixo e tentei ler por um tempo, embora a cada poucos minutos eu o virasse de novo para checar a tela. Nada.

Seis horas. Seis e meia. Sete menos quinze. Nada.

***

Às sete, como eu tinha planejado, desci. Eu não ia mudar meus planos porque ele não respondesse. Mandei uma última mensagem, quase por formalidade: “Descendo. Te espero”. Eu sabia que Daniel nunca aparecia de surpresa. Sempre avisava, sempre combinávamos o horário antes. Então aquela porta, pensei, não ia se abrir para ninguém além de mim.

Levei só uma toalha e um frasquinho de essências para o vapor. Antes de entrar, conferi se a porta que separava o sauna e o banheiro do resto da academia estava bem fechada. Tirei a roupa devagar, deixei tudo dobrado no banco do lado de fora e entrei enrolada na toalha, com o calor batendo no rosto imediatamente.

Como eu estava sozinha, escolhi o melhor lugar: a plataforma de cima, onde o calor era mais denso. Me acomodei num canto, apoiei a cabeça na madeira e me estiquei o quanto pude. Dali eu via a pequena janela da porta, e essa visão me deixava estranhamente segura. Ninguém entraria sem que eu percebesse.

Fechei os olhos. Deixei o vapor me cobrir, o peso da semana escorrer pela nuca. O sauna estava realmente quente e, muito rápido, comecei a suar. Sentia os braços e as pernas úmidos, as gotas deslizando devagar sob a toalha, pelo esterno, entre os seios. Abri o tecido só um pouco, para o ar circular.

E, ao fazer isso, pensei nele.

Pensei em como tudo seria diferente se Daniel estivesse ali. Imaginei procurar um jeito de me acomodar de frente para ele, para que ele me visse bem e para eu poder olhá-lo também. Eu gostava do corpo dele, gostava demais. Imaginei-o suando na plataforma da frente, a pele brilhando sob a luz fraca, o peito subindo e descendo devagar com o calor.

Imaginei abrir as pernas só um pouco, como sem querer, o suficiente para ele entender. Deixando a toalha escorregar até me revelar os mamilos, que já começavam a endurecer. E imaginei que ele fazia o mesmo, que afastava um pouco a própria toalha, fingindo distração, e que eu, claro, notava, e não conseguia parar de olhar o pau dele endurecendo.

Ali, com os olhos fechados, sabendo-me sozinha, sabendo que ninguém me via, deixei a mão descer sozinha. Encontrei a borda da toalha, afastei-a, e os dedos chegaram onde eu já estava molhada e esperando. Comecei a me tocar devagar, separando, percorrendo, até o clitóris inchado que parecia pedir para ser tocado. Imaginei que eram as mãos dele, grandes e firmes, me procurando.

Pensava em Daniel enquanto fazia isso. Pensava em como queria que ele me visse, no quanto eu gostava da ideia de seduzi-lo, de provocá-lo, de convidá-lo para o meu corpo sem dizer uma única palavra. Com a outra mão eu roçava de leve os mamilos, já completamente duros, e imaginava que era a boca dele que os prendia, que sugava, que mordia até o limite.

Deixei um dedo deslizar para dentro, curiosa para sentir a própria umidade, e soltei o ar de uma vez. O imaginei diante de mim, me olhando, gostando de me ver me tocando para ele. Imaginei como eu abriria completamente a toalha para dar lugar ao pau já endurecido dele, como eu começaria a me acariciar no ritmo do que via, os dois sustentando o olhar sem nos tocar.

Eu estava entregue por completo à fantasia. Movia os dedos cada vez com mais vontade, sentindo a umidade crescer à medida que a excitação aumentava, imaginando ele, o corpo forte e magro, a pele molhada de suor, os olhos cravados em mim. Os dois se tocando naquela cena compartilhada que só existia na minha cabeça, se provocando, brincando, alongando o momento como quem não quer que ele termine.

Diminui um pouco o ritmo de propósito, prolongando a sensação, brincando de me negar o desfecho. Era um jogo que eu só podia jogar comigo mesma, mas naquela tarde, com a imagem de Daniel tão nítida por trás das pálpebras, parecia quase um ato compartilhado. Eu o ouvia na minha cabeça, a voz baixa dizendo para eu não parar, para continuar assim, para deixá-lo assistir.

Voltei a apertar o ritmo. Os dedos escorregavam sozinhos, a umidade facilitava cada movimento, e o calor do sauna amplificava tudo: a pulsação nas têmporas, o suor correndo pelo pescoço, o ar pesado entrando e saindo do peito. Imaginei que ele se aproximava enfim, que abandonava a plataforma da frente e se ajoelhava diante de mim, que trocava a minha mão pela dele.

Uma onda subiu do ventre. Arqueei as costas de leve, mordendo o lábio para não fazer barulho, completamente perdida na imagem dele me olhando.

***

Até que algo mudou.

Uma sombra cruzou a pequena janela da porta. Demorei um segundo a mais para registrar, e quando percebi, abri os olhos de golpe. Me cobri num puxão com a toalha e me sentei num salto, o coração disparado, a vergonha e o susto subindo pela garganta antes que eu pudesse pensar numa única palavra.

Não consegui dizer nada.

A porta se abriu. E lá estava Daniel, nu, completamente excitado, com o pau duro, exatamente como eu o tinha imaginado um instante antes. Ele apoiou um ombro no batente e me olhou com uma calma que me desmontou por completo.

—Não quer dividir sua fantasia comigo? —disse em voz baixa.

Eu não soube o que responder. Me senti descoberta, exposta de um jeito em que nunca tinha estado. Ele me tinha visto me tocar pensando nele, no corpo dele, nas mãos dele, na boca dele, e eu não me sentia capaz de admitir isso em voz alta. Mas, para ele, a cena longe de incomodar parecia encantadora. E essa certeza, a de me saber desejada justo no momento mais vulnerável, afrouxou algo dentro de mim.

—Mmm… —comecei, entre excitada e nervosa, ainda com a toalha apertada contra o peito—. Eu imaginava que você estava aqui, comigo. Que eu me tocava para você, para te provocar. E que você estava gostando. Imaginar você excitado por minha causa me deixou a mil.

—Estou te olhando faz um tempo —respondeu ele, sem sair do lugar—. E sim, é maravilhoso. Ver você assim, sem saber que está sendo observada, ver o quanto você é sensual e o quanto gosta disso. —Baixou os olhos por um instante para si mesmo e voltou a me encarar—. Este é o resultado.

O ar do sauna tinha ficado espesso, irrespirável de pura tensão. Eu o percorri inteiro com o olhar, sem disfarçar mais, demorando-me onde antes só tinha podido imaginar. Daniel entrou enfim e deixou que a porta se fechasse atrás dele com um estalo suave.

Eu deslizei para a plataforma de baixo, soltei a toalha sem pudor e o puxei para mim. Peguei-o com a mão, sentindo o peso e o calor dele contra a palma, e o conduzi para a minha boca devagar, olhando para cima para não perder um único gesto do rosto dele.

A fantasia tinha acabado. Agora eu podia tê-lo de verdade.

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