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Relatos Ardientes

A tarde em que descobri o que meu pente podia fazer

Era uma dessas tardes de domingo em que eu não tinha absolutamente nada para fazer. Minha colega de quarto tinha ido para a casa dos pais até segunda-feira, a chuva caía devagar contra a janela e eu estava há horas largada na cama, com o celular na mão, sem um plano mais ambicioso do que deixar o tempo passar sozinho.

Eu estava navegando em um daqueles aplicativos em que a gente acaba deslizando o dedo sem pensar, procurando algo novo que não aparecia em lugar nenhum. Memes que eu já tinha visto, notícias que não me importavam, fotos de pessoas que eu mal conhecia. Eu estava prestes a largar o telefone e tirar uma soneca quando, quase por acaso, apareceu uma publicação que não tinha nada a ver com o resto.

Era um trecho de pornô entre duas mulheres.

Fiquei olhando para aquilo por mais tempo do que imaginava. Não foi uma decisão consciente; foi mais uma inércia, como quando algo chama sua atenção e o corpo reage antes da cabeça. Sem perceber, eu já tinha entrado no perfil, e o perfil estava cheio de vídeos no mesmo estilo, um atrás do outro.

Bom, no fim, ninguém está me vendo.

Esse primeiro clipe tinha despertado algo. Um calor concreto, baixo, que eu custava a ignorar. E eu não ia desperdiçar uma tarde livre, uma casa vazia e essa sensação que começava a crescer entre as minhas pernas.

Continuei vendo mais vídeos, cada um um pouco mais intenso que o anterior. Duas garotas se beijando com uma urgência que parecia real, mãos que entravam por baixo da roupa, olhares que diziam mais do que qualquer palavra. Cada cena nova me deixava um pouco mais molhada, até que a calcinha começou a me incomodar de tão encharcada que eu estava.

Levei uma mão por cima do lençol, sem pressa, e a desci até a minha calcinha. Acariciei por cima do tecido e notei o quanto eu estava molhada, o quanto tudo ali embaixo estava quente. Fiz movimentos lentos e circulares no clitóris, ainda com o tecido entre a mão e a pele, enquanto deixava rodando um vídeo de duas mulheres usando um brinquedo comprido entre as duas.

Vê-las era hipnótico. Eu via o brinquedo entrar e sair, como elas mordiam os lábios, como moviam os quadris para querer mais. E, enquanto eu olhava, uma ideia muito simples se cravou na minha cabeça: eu queria sentir algo assim. Queria algo dentro.

O problema era que eu não tinha nenhum brinquedo. Nunca tinha me animado a comprar um, uma daquelas coisas que a gente deixa para sempre para depois por vergonha ou preguiça. Mas a urgência já era forte demais para deixar passar, e a minha mente, quente e sem filtros, começou a procurar soluções.

Varri o quarto com os olhos, ainda me acariciando devagar, avaliando cada coisa que via. E então, sobre o pequeno móvel ao lado da cama, encontrei.

Meu pente.

Não era um pente qualquer. Tinha um cabo longo e liso, de espessura mediana, e na ponta da base uma bolinha arredondada, como uma pequena esfera para não se perder no meio do cabelo. Em qualquer outro momento teria sido o objeto mais inocente do mundo. Naquele momento, porém, pareceu ter sido feito de propósito para o que eu estava pensando.

Eu o peguei com as pernas tremendo de pura ansiedade. Era ridículo me sentir assim por causa de um pente, mas meu coração batia como se eu estivesse fazendo algo proibido, algo que eu não devia. Segurei-o diante dos meus olhos, girando-o entre os dedos, e não consegui evitar passar a língua nos lábios, imaginando como seria dentro de mim.

Eu o lambi. De cima para baixo, devagar, deixando o cabo coberto de saliva, sem pressa, aproveitando a própria espera. Cada segundo que eu demorava para dar o próximo passo me deixava mais nervosa, mais quente, mais impaciente comigo mesma.

Afastei a calcinha com uma mão e, com a outra, apoiei o cabo entre os lábios. Não o enfiei de imediato. Deixei que me acariciasse, deslizando de cima para baixo, sentindo como se molhava com tudo o que meu corpo soltava. A textura lisa contra aquela zona tão sensível me arrancou um suspiro comprido, um daqueles que saem sozinhos.

Brinquei um pouco assim, passando a ponta sobre o clitóris, pressionando de leve, desenhando círculos até não aguentar mais. Então, de um único movimento, enfi ei.

O choque me pegou de surpresa e soltei um gemido alto, mais alto do que eu pretendia. Por um segundo foi desconforto, aquela sensação de estar sendo aberta de repente. Mas durou muito pouco. Quase de imediato, o desconforto se transformou em prazer, em um prazer espesso e profundo que me fez fechar os olhos.

Comecei a movê-lo. Tirava quase tudo e voltava a enfiar, devagar no começo, sentindo como tudo se ajustava ao redor do cabo, como meu corpo se abria para recebê-lo. Com a mão livre eu acariciava um seio, brincava com o mamilo, apertava-o entre os dedos enquanto mantinha o ritmo lá embaixo.

Pouco a pouco fui acelerando. Tirava até a metade e empurrava de novo, mais rápido, mais firme, cada vez com menos paciência. Sentia as pernas tremerem a cada investida, e os gemidos já saíam sem que eu conseguisse contê-los.

E então descobri o melhor de tudo. A bolinha na base do pente, aquela pequena esfera que parecia não servir para nada, acertava exatamente um ponto toda vez que entrava. Um ponto que, quando era tocado, me fazia arquear as costas e soltar um gemido abafado.

Aí. Bem aí.

Eu o tirei para olhar por um instante, escorregadio e brilhante por tudo o que meu corpo tinha soltado sobre ele. Minha respiração estava curta, o cabelo grudado na testa e uma ideia nova rondando a minha cabeça. Eu não queria continuar deitada. Queria tomar o controle.

Encostei o pente na cama, com o cabo para cima, segurei-o firme com uma mão e me sentei em cima. A sensação de descer devagar, de senti-lo entrar centímetro por centímetro pelo meu próprio peso, me deixou sem ar.

Comecei a montá-lo. Subia e descia sobre o cabo, marcando eu mesma o ritmo, enfiando-o até o fundo a cada descida. Era uma sensação completamente diferente: agora eu decidia a profundidade, a velocidade, cada detalhe. Com a mão livre, puxava meus mamilos, que estavam tão sensíveis que cada puxão me percorria como uma corrente elétrica.

— T-tão... bom — gemi em voz alta, sem me importar com nada.

Fazia muito tempo que eu não me masturbava assim, com tanta cara de pau, com tanta vontade. Sozinha naquela casa vazia, eu podia gemer o quanto quisesse, e gemia. Quase queria que alguém me ouvisse, que alguém soubesse o quanto eu estava me sentindo bem e suja naquele momento.

Eu pulava e pulava sobre o pente, e sentia como tudo transbordava, sujando até o lençol debaixo de mim. O prazer se acumulava no baixo ventre, denso, cada vez mais perto de algo grande. Eu estava prestes a gozar e não queria que acabasse ainda.

Então mudei de novo. Me soltei do pente, o deixei por um segundo e me ajeitei de bruços, com o rosto enterrado no travesseiro e a bunda levantada no ar. Levei a mão para trás e o enfiei de novo, agora daquele ângulo.

Foi brutal. Nessa posição ele entrava mais fundo, tocava lugares que antes eu não alcançava, e a bolinha batia naquele ponto uma e outra vez. Eu o enfiava rápido, forte, sem descanso, enquanto abafava os gemidos no travesseiro porque já nem conseguia controlar o volume.

O formigamento no abdômen começou a crescer até ficar impossível de ignorar. Reconheci esse sinal na hora: era questão de segundos. Cerrei os dentes contra o tecido, acelerei tudo o que meu punho era capaz de fazer e me concentrei naquela última corda tensa prestes a se romper.

Mais algumas estocadas e eu gozei.

Foi em jatos, intenso, um orgasmo que me sacudiu da cabeça aos pés e manchou os lençóis embaixo de mim. Senti cada músculo apertar e soltar, uma onda atrás da outra, enquanto eu continuava com o rosto enterrado no travesseiro e um som longo e trêmulo escapava da minha garganta.

O pente escorregou para fora de mim sozinho, escorregadio, brilhante, completamente coberto por tudo o que meu corpo havia soltado. Minhas pernas, que tinham aguentado heroicamente até aquele momento, simplesmente cederam, e eu me deixei cair de lado sobre a cama bagunçada.

Fiquei ali por um bom tempo, recuperando o fôlego, com o coração martelando no peito e um sorriso bobo no rosto. O celular continuava reproduzindo vídeos ao lado do travesseiro, a chuva continuava caindo lá fora, e eu continuava tremendo levemente, ainda sensível.

Definitivamente, um dos melhores orgasmos da minha vida.

Olhei para o pente, abandonado entre os lençóis, e soltei uma risada baixa. Nunca mais eu ia conseguir vê-lo da mesma forma. Mas, acima de tudo, tomei uma decisão muito clara enquanto minha respiração voltava devagar ao normal: ainda naquela semana, sem mais desculpas nem vergonha, eu ia comprar enfim um brinquedo de verdade. Se um simples pente tinha conseguido me deixar assim, eu nem queria imaginar o que viria depois.

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