Aceitei ser a atriz da fantasia do meu marido
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Quando o trem foi embora sem mim, achei que a noite estava perdida. Então o vi do outro lado da plataforma, imóvel, me olhando como se me esperasse desde sempre.
Entrei no banheiro usando a tanga e saí com ela enrolada no cabelo. Eu não imaginava que a fila para entrar na sala seria a parte mais longa da noite.
Levo a tanga por baixo do culote e ninguém sabe. É meu segredo na bicicleta, o começo da fantasia que ensaio na cabeça repetidas vezes.
Disse que estava com o coração partido só para que alguém me olhasse. Não esperava que dois desconhecidos levassem minha cura tão a sério… nem que eu permitisse.
Chego em casa, fico nua na poltrona e perco a conta. É minha rotina, meu segredo, a única coisa de que realmente preciso no fim do dia.
Levei a calcinha para casa como se fosse só mais uma peça, mas assim que a aproximei do nariz soube que aquela mulher tinha planejado tudo desde o início.
Diante da tela, com um pano entre os dentes para não gritar, obedeci a cada ordem de um homem que eu nunca tinha visto. E faria isso de novo.
Tudo começou por uma foto no celular. Dez dias depois, eu não consigo acordar sem pensar no momento do dia em que vou me tocar de novo.
Comprei aquele brinquedo por puro tédio. O que eu não calculei foi que o zelador do prédio acabaria segurando-o nas mãos, me olhando nos olhos.
Li cada palavra que ele escrevia para a outra e, em vez de raiva, senti um calor entre as pernas que não reconheci. Naquele dia, deixei de ser invisível.
Naquela noite, tranquei a porta, desliguei o telefone e, pela primeira vez, me permiti descobrir como era parar de resistir.
Nunca tinha pensado nisso até minhas novas amigas mencionarem. Naquela noite, sozinha no meu quarto, a curiosidade foi mais forte que o medo.
O pacote chegou numa terça-feira. Fiquei segurando aquilo nas mãos, sem abrir, por dez minutos, sabendo que, assim que o fizesse, não haveria mais volta.
A tampa traseira aberta, o vale em chamas ao fundo e ele perguntando se eu queria transar ali. Aquela tarde foi exatamente o que nenhum dos dois esperava.