Pedi a um desconhecido que me fizesse esquecer
Não esperava nada daquela noite. O bar estava cheio, mas não era barulhento; tinha aquela penumbra que torna os desconhecidos mais atraentes e os desejos mais fáceis de confessar, se alguém te olha tempo suficiente.
Apoiei-me no balcão e girei o copo entre os dedos, concentrada no gelo que derretia. Estava prestes a pedir outra dose quando senti uma presença atrás de mim.
Não foi um roçar nem um olhar indiscreto, mas um calor sutil que me fez endireitar as costas. Virei-me devagar e o encontrei a um palmo de distância.
—Amor mal resolvido? —a voz dele era grave, mal audível por cima do saxofone que tocava num canto.
Sorri com um brilho rápido e cínico.
—Algo assim. Cura-se com esquecimento e álcool, não é?
Ele não sorriu.
—O esquecimento pode esperar —sussurrou, baixando o olhar até meus lábios—. Às vezes, o melhor remédio para uma lembrança ruim é uma nova que a cubra. Algo intenso. Algo que fique melhor na boca do que o uísque.
—E o que você sugere como… remédio? —perguntei.
O olhar dele desviou por um instante para uma mesa redonda, meio oculta atrás de uma coluna. Sentado ali, com uma taça de conhaque na mão, havia outro homem. Mais corpulento, com uma camiseta escura colada aos braços, nos observava com uma calma quase insolente.
—Meu amigo —disse ele, voltando os olhos para os meus. A mão dele se fechou em meu pulso com uma firmeza possessiva, como se temesse que eu fugisse diante da presença de um terceiro—. O esquecimento é uma tarefa pesada para uma só pessoa.
Meu pulso, que antes martelava de nervosismo, agora pulsava com uma excitação diferente. Era um jogo, e a aparição do amigo dele era a primeira regra inesperada.
—E ele também é médico? —perguntei, erguendo uma sobrancelha.
Um sorriso lento e perigoso desenhou-se nos lábios dele.
—É o melhor farmacêutico.
Ele soltou meu pulso, mas só para deslizar a palma pelas minhas costas e me guiar com uma pressão segura.
—Vem. Você precisa de uma dose dupla de distração.
Enquanto caminhávamos, senti o olhar dos dois sobre mim, como um par de mãos invisíveis que já me despia. Ao chegarmos à mesa, meu acompanhante me atraiu mais para perto antes de me soltar. Meu quadril roçou o dele, e o contato bastou para me deixar sem fôlego.
—Sou Adrián. Ele é Bruno. E você, bela anônima, vai parar de pensar no que perdeu.
—Eu preciso… —disse, tomando um gole do licor— que me façam esquecer até meu nome.
Adrián se inclinou e falou ao meu ouvido.
—Nesse caso, você tem a noite inteira para que lhe demos nomes novos.
Bruno pousou o copo sobre a mesa com um golpe surdo, quebrando o feitiço do sussurro.
—Aqui há barulho demais e testemunhas demais —disse—. Os bons remédios não se tomam em bares. Tem que ser em um lugar tranquilo, sem gente, sem garçons, onde possamos nos concentrar em você.
Adrián assentiu com um sorriso lento. Bruno se pôs de pé com um movimento ágil e me estendeu uma mão grande e quente.
—Meu apartamento fica a cinco minutos. É amplo, tem vista para a cidade e, o mais importante, ninguém vai nos incomodar.
Meus olhos foram de um para o outro. Ir a um apartamento era cruzar uma linha que eu buscava desde que entrei no bar, mas que agora parecia enorme diante de mim.
—E então, paciente? —perguntou Adrián com sua voz sedutora—. Você confia no tratamento?
Senti um acesso de ousadia, impulsionado pelo uísque e pelo desejo reprimido.
—Só se prometerem que o remédio será amargo no começo e doce no fim —respondi, aceitando a mão de Bruno.
—Vai ser tão doce quanto você quiser —disse ele, e do jeito que falou a doçura soou como uma ameaça.
***
O elevador pareceu silencioso demais para a urgência que me queimava o sangue. Bruno abriu a porta com um código rápido.
—Bem-vinda à clínica —disse Adrián, surgindo bem atrás de mim.
Bruno enfiou a mão no bolso e tirou um lenço de seda escura.
—O primeiro passo do esquecimento é parar de ver —disse, e sua voz virou um trovão suave—. Ajoelha, bonita.
A ordem foi tão direta que meus joelhos se dobraram antes que meu cérebro registrasse a decisão. Caí sobre a madeira polida, sentindo o frio na pele e a humilhação excitante da submissão imediata. Bruno ficou na minha frente e, sem mais uma palavra, amarrou o lenço em volta dos meus olhos. A escuridão foi total, densa.
—Isso —a voz de Adrián, mais perto. Eu não sabia onde ele estava, só sentia seus dedos erguendo meu queixo—. Agora você é só sensações. E nós somos as únicas mãos que as controlam.
—Bonita… —o hálito quente de Bruno roçou minha orelha—. Agora só existe a nossa vontade. Entendeu?
Eu não conseguia falar. A garganta se fechara num nó de nervos e fervor. Só consegui assentir, um movimento mínimo do queixo.
—Diga que entendeu —ordenou Adrián, áspero.
—Sim —consegui sussurrar, com uma vulnerabilidade que eu não esperava—. Eu entendo.
Bruno não respondeu. Em vez disso, senti as mãos dele envolverem meus quadris.
—O esquecimento começa pela memória da sua própria roupa. Você não vai precisar dela.
Uma série de puxões suaves e firmes. O zíper do meu vestido soou como um grito no silêncio do quarto. O tecido deslizou pelos meus ombros e caiu no chão, deixando meu torso exposto. A única barreira que me restava era a roupa íntima. O ar frio me atingiu, mas a excitação me mantinha ardendo.
Os dedos de Adrián percorreram minhas costas e subiram até a nuca. A mão dele se fechou em meu cabelo e puxou minha cabeça para trás, expondo minha garganta.
—Sua boca é nossa para usar —disse, bem sobre meus lábios. Ele não pedia permissão; me informava um fato—. Queremos ouvir você ofegar, implorar e, acima de tudo, obedecer. Você consegue fazer isso, menina?
—Eu vou fazer —respondi, e minha voz saiu mais firme, tingida da decisão que só a rendição dá.
Fiquei na escuridão, ajoelhada e nua da cintura para cima, uma oferenda à espera. O suspense era o verdadeiro sedativo.
O primeiro contato não foi na minha pele, mas no tecido da minha calcinha. Bruno se ajoelhou atrás de mim; seu hálito quente chegou à base da minha nuca.
—O segundo passo é o castigo pela lembrança. Não é dor, é uma lição.
Ele deslizou algo fresco e liso pelo interior da minha coxa. Então, num golpe seco, senti um estalo agudo na carne. Não foi forte, mas a surpresa e a humilhação me roubaram o fôlego. Meu corpo enrijeceu e um gemido me escapou.
—Um ponto a menos do seu passado —sussurrou, e o golpe se repetiu mais abaixo, perto da curva da nádega.
Balancei para a frente, buscando apoio no chão. Antes que minhas palmas tocassem a madeira, a mão de Adrián caiu sobre minha nuca e me empurrou para baixo.
—Não se mexa —a voz dele era um bisturi afiado, cortando qualquer resistência.
***
—De pé —disse Bruno depois de um silêncio eterno, puxando-me pela cintura.
Levantei devagar, os músculos doloridos pela tensão. A cegueira intensificava meu equilíbrio; cada passo era um ato de fé. Senti os dedos dele roçarem a última peça de roupa, e então o som suave do tecido cedendo. Com um movimento experiente, ele a baixou pelos meus quadris. Fiquei totalmente exposta, salvo a venda.
—Abra as pernas —ordenou Adrián, agora à minha direita. Sem doçura, só uma diretriz sem objeções.
Minhas pernas se afastaram sozinhas. Fui empurrada de costas até meus calcanhares baterem numa parede fria.
—Apoie-se.
Encostei-me no muro. O frio nas costas contrastava com o calor que me corria pelas veias. Os braços estendidos, as pernas abertas, meu corpo inteiro era um convite.
O primeiro contato não foi uma mão. Foi o calor úmido de uma boca. Bruno começou a lamber o interior da minha coxa direita, onde a pele era mais delicada. Não foi um beijo nem uma sucção, mas uma passada ampla e lenta da língua, do joelho até a virilha. O contraste entre a barba roçando em mim e a umidade ardente me fez arquear as costas contra a parede.
Um gemido abafado escapou da minha garganta.
—Isso. Esqueça seu nome —sussurrou Adrián à minha esquerda, sem sair do lugar de observador, como um maestro.
A boca de Bruno subiu pelo meu ventre deixando um rastro morno. Quando chegou ao meu peito, capturou um mamilo com uma sucção profunda e uma mordida suave que me fez bater a cabeça contra a parede. Passou ao outro com a mesma devoção torturante.
Enquanto ele trabalhava meus seios, os dedos de Adrián encontraram o centro úmido do meu desejo. Não foi uma carícia suave; foi um toque firme, de quem reivindica o que lhe pertence. A combinação das duas bocas e das duas mãos rompeu qualquer barreira que ainda me restasse.
—Agora sofra —disse Adrián, enquanto seus dedos se moviam num ritmo que não deixava pensar—. Sofra e esqueça tudo o que não formos nós.
Justo quando o prazer se concentrou num ponto vibrante, quando eu estava a segundos de explodir, os dois pararam. A perda súbita daquela pressão foi um choque que me deixou em tensão extrema e numa frustração ardente.
—Não tão rápido —disse Adrián ao meu ouvido, tranquilo, saboreando meu desespero.
***
Começamos a caminhar. Meus pés descalços tropeçaram algumas vezes, mas eles me sustentavam, um de cada lado, guiando-me pela escuridão da venda. Os passos eram lentos, deliberados, construindo o suspense. Por fim me detiveram. Sob minhas mãos senti uma superfície de madeira com um sutil aroma de cera. Uma mesa, eu soube; ou um altar improvisado.
—Suba.
Não me deram tempo de usar as mãos. Entre os dois me ergueram num movimento coordenado e me deitaram de costas. O contato com a madeira fria e dura sob as costas me fez puxar o ar com força.
Senti Bruno pegar meu tornozelo direito. Um clique metálico, suave. Uma tira de couro se fechou com firmeza e puxou minha perna para a quina da mesa. Depois repetiu com a esquerda, na quina oposta. A sensação de estar esticada e exposta me deixou sem fôlego. Depois prenderam meus pulsos, um em cada canto superior.
Fiquei deitada em forma de X, os membros ancorados aos quatro cantos da mesa, o corpo vendado transformado numa oferenda tensa. Eu não podia me mover um centímetro. A imobilização total elevou a humilhação a um nível insuportável e, ao mesmo tempo, despertou uma rendição incondicional.
—Aqui vamos pintar sua nova lembrança —disse Adrián, acariciando minha coxa com uma lentidão perversa—. Você tem a noite inteira para que lhe demos um nome. E para que esqueça o seu.
Ouvi o som de uma tampa sendo desrosqueada. Uma gota de óleo morno caiu no centro do meu esterno. Depois outra, no abdômen. As mãos de Bruno, encharcadas, espalharam-no com lentidão e perícia do pescoço até a borda das virilhas, passando pelas costelas e pelos ombros.
Enquanto ele me untava o tronco, os dedos oleosos de Adrián se dirigiram ao meu centro. Primeiro um reconhecimento suave; depois, círculos lentos e precisos que me faziam me contorcer contra o limite das correias. Bruno se concentrou nos meus mamilos, esfregando-os e puxando-os com um prazer sádico. Eu era um campo de batalha de sensações misturadas: o atrito de um, a umidade do outro.
—Geme —ordenou Bruno—. Queremos ouvir que você já esqueceu tudo.
E então o jogo mudou. Senti um objeto liso e frio pressionado contra minha entrada.
—Isso vai ser o verdadeiro analgésico —disse Adrián—. Sabe o que é o esquecimento? É algo que te quebra por dentro e te remonta de novo.
Com um empurrão firme, o brinquedo me penetrou. Gritei contra a venda, um grito de espanto e prazer violento. Enquanto ele se movia dentro de mim num ritmo profundo, Bruno voltou aos meus seios, beliscando e torcendo com uma crueldade brincalhona. A penetração mecânica, a pressão no clitóris e a dor deliciosa nos seios eram uma sobrecarga.
—Olha como você se mexe —disse Adrián, sem fôlego, perto do meu rosto—. Seu corpo é uma marionete. Nós puxamos os cordões.
O clímax voltou a se aproximar, implacável.
—Por favor! —implorei, sem saber se pedia que parassem ou que continuassem.
—O que você quer que a gente te dê? —perguntou Bruno contra meu ouvido.
—O esquecimento —ofeguei.
O brinquedo parou dentro de mim. O silêncio foi tão ensurdecedor quanto o barulho de um segundo antes.
—Pare —ordenou Bruno, retirando as mãos dos meus seios—. O esquecimento se conquista com sacrifício, e seu corpo ainda resiste.
***
Senti os cliques que liberavam meus tornozelos. Minhas pernas caíram moles sobre a madeira, e a liberação parcial foi um alívio que durou pouco. As mãos oleosas de Bruno envolveram minhas panturrilhas e, com uma força irresistível, ele ergueu minhas pernas. Flexionou meus joelhos e empurrou minhas coxas contra o peito, me dobrando, comprimindo meu ventre e expondo por completo minha parte de trás.
—É aqui que se enterram as lembranças ruins. No mais fundo —disse Adrián, inclinando-se.
Senti o toque quente e úmido da língua dele, não onde eu esperava, mas na borda mais íntima e proibida. O choque foi absoluto; meu corpo se enrijeceu por instinto.
—Relaxe —ordenou Bruno, empurrando mais minhas pernas—. Se você quer o esquecimento, tem que se abrir para ele por inteiro.
Uma gota de lubrificante, e então a ponta do brinquedo pressionando aquela nova entrada. Com um empurrão lento e implacável, começou a me penetrar. A ardência inicial me fez gritar na escuridão da venda; lágrimas de tensão se juntaram sob o tecido. Enquanto ele se enterrava, me alargando e me preenchendo de um jeito desconhecido, Adrián retomou a carícia precisa no meu clitóris. A dor se misturou na mesma hora ao prazer mais intenso.
—Agora grite o nome dele —disse, movendo o brinquedo num ritmo ao mesmo tempo doloroso e cadenciado.
Eu já não sabia o que gritar. A lembrança do meu suposto amor mal resolvido era uma poeira, apagada pela realidade que me invadia.
—Adrián! Bruno! —gritei, com a voz rasgada, o corpo tremendo.
—Bom trabalho —disse Bruno, apertando minhas pernas—. Agora você é nossa.
O brinquedo saiu devagar e a sensação de vazio me deixou tremendo, gemendo de frustração por ficar outra vez à beira.
—Muito cedo para o final —disse Adrián, carregado de uma expectativa predatória. Senti as mãos dele na venda—. É hora de você ver o prêmio.
Ele a arrancou de um puxão. A luz do apartamento me cegou por um instante. Quando minha vista se adaptou, o mundo se inundou de detalhes: o espaço amplo, a mesa onde eu estivera deitada e a presença imponente dos dois homens. Eles me desamarraram os pulsos.
Bruno tirou a roupa, revelando um corpo esculpido, oleado e brilhante sob a luz, e uma ereção dura. Adrián se sentou na poltrona de couro e também se despiu, expondo um corpo mais esguio, mas igualmente firme. Recostou-se com uma calma insultante.
Bruno me pegou no colo; meu corpo escorregadio colou no dele e o contraste de óleo e suor era eletrizante. Ele me levou até a poltrona e me colocou no chão, diante de Adrián.
—Abra a boca —ordenou este, com uma autoridade irrefutável, segurando meu cabelo para manter minha cabeça na altura certa.
Obedeci. Inclinei-me e comecei a lamber e sugar com a devoção que ele exigia. Enquanto isso, Bruno posicionou-se atrás de mim, acariciou minha lombar e, com um empurrão decidido, me penetrou. Fiquei empalada entre os dois, meu corpo trabalhando para ambos ao mesmo tempo em submissão total.
—O esquecimento precisa de um toque de dor para fixar a lembrança —disse Bruno.
Um golpe seco caiu na minha nádega direita. O contraste com o prazer foi brutal; gritei, um som estrangulado. O segundo golpe veio na esquerda, ardente, e me empurrou a apertar a pelve contra ele, buscando refúgio na própria fonte da dor. Bruno retomou as investidas com a fúria do castigo; Adrián me forçava o ritmo com a mão no meu cabelo.
O castigo e a dupla estimulação me levaram ao ponto de ruptura. Mas, justamente então, eles pararam de novo.
—O esquecimento tem que ser perfeito —ofegou Bruno.
Adrián se deitou de costas sobre o tapete, o corpo oleado, a ereção apontando para o teto.
—Venha e fique onde deve estar —disse, dando um tapinha firme na minha perna.
Obedeci na hora. Sentei-me sobre ele com um gemido de dor prazerosa, sentindo-me completamente preenchida, e comecei a me mover num ritmo próprio. Então senti Bruno se ajoelhar atrás de mim. Ele segurou meus quadris, me ergueu um pouco e, com um empurrão, me penetrou por trás.
Eu estava completamente presa: Adrián por baixo, Bruno atrás, os dois pressionando-se de lados opostos dentro de mim. Era uma posse absoluta, meu corpo um canal do desejo deles. Eu gritava e ofegava, sacudida pela dupla investida, até meu corpo começar a tremer sem controle.
Os dois aceleraram até o frenesi. Gritei os nomes deles até a voz se quebrar, e meu corpo se convulsionou num clímax prolongado e violento que me fez tombar sobre Adrián. Senti Bruno se tensionar atrás de mim, e um instante depois Adrián também, os dois se rendendo ao mesmo tempo.
***
Fiquei deitada sobre ele, exausta, enquanto Bruno se retirava com cuidado. Sem dizer uma palavra, ele me levou de volta à mesa, agora uma bagunça de óleo, e me ajudou a sentar na borda com as pernas penduradas. Tirou uma toalha morna e começou a me limpar com um cuidado quase reverente. Adrián se sentou ao meu lado e me cobriu os ombros com a manta de couro da poltrona.
—O tratamento terminou —disse ele, com a voz voltando àquele tom grave e aveludado do bar.
—E o esquecimento? —sussurrei, com a voz mal passando de um grasnido.
Bruno me olhou, e em seus olhos vi uma calma estranha. Vestiu uma cueca de seda, sentou-se diante de mim e tomou minhas mãos.
—O esquecimento já estava aí, bonita —disse, com um sorriso terno e complexo—. Você não estava com amor mal resolvido. Você tinha medo da felicidade. Medo da intensidade que sabe que é capaz de dar e receber.
Franzi a testa. Medo?
Adrián se inclinou, o rosto muito perto do meu.
—Essa decepção amorosa que você inventou no bar era a desculpa perfeita para buscar algo que quebrasse sua barreira de controle. Você nos procurou para que a gente a obrigasse a ser você.
Então compreendi que o que tinha acontecido não foi só sexo, mas uma demolição e uma reconstrução da minha própria consciência. Desde o momento em que caí de joelhos e a venda cobriu meus olhos, meu mundo se reduziu a uma única ordem: sentir e obedecer. A mente, antes cheia de lembranças e desculpas, esvaziou-se de repente, incapaz de processar o turbilhão de sensações.
A cegueira foi o catalisador. Deixei de ser uma pessoa com nome e história para me tornar alguém que só esperava ordens. A excitação mais profunda não veio do prazer físico, mas da humilhação: ajoelhar-me, ser despida sem permissão, ficar amarrada como uma oferenda. Cada ato de submissão desbloqueou uma parte do meu desejo que eu não sabia que existia. E nessa rendição total encontrei uma liberdade perversa: eu não precisava decidir nada, só precisava sentir.
No fim, quando os dois me possuíam e me castigavam ao mesmo tempo, minha mente finalmente parou de buscar meu nome. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não senti falta dele.





