O vizinho que meu marido tanto odiava
Carlos me dizia que ele era um homem perigoso. Tinha razão. Mas ninguém me olhava assim havia meses, com aquela fome crua que não sabe disfarçar.
Carlos me dizia que ele era um homem perigoso. Tinha razão. Mas ninguém me olhava assim havia meses, com aquela fome crua que não sabe disfarçar.
Fazia doze anos que ninguém a olhava assim. Rodrigo tinha vinte, chegou com uma escada e um sorriso, e ela só queria que consertassem o telhado.
Ele vinha me pedindo há meses. Quando vi aquele celular na vitrine, soube exatamente o que podia oferecer em troca dele.
Quando aquele garoto de vinte anos apareceu no batente da minha porta pela segunda vez, com as mãos trêmulas e a voz cortada, eu soube que a noite mudaria.
Encosta teu pé no meu lado, ele disse. Depois o braço. Depois a mão. E então entendi que não estávamos comparando nada.
Ele devia ter uns sessenta anos e um olhar que não escondia nada. Quando me chamou para a casa dele, eu soube exatamente o que ia acontecer.