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Relatos Ardientes

A noite em que uma desconhecida me fez seu escravo

Marcos era um homem jovem, mas apagado. Sua vida havia se tornado uma sucessão de rotinas previsíveis: trabalho, um jantar rápido, um par de séries sem emoção e a cama. Por fora, parecia um garoto correto, sem problemas. Por dentro, carregava um vazio que nenhum desses hábitos conseguia preencher.

Naquela madrugada de insônia, navegava sem rumo diante da tela do notebook. Clique após clique, procurando algo que o fizesse se sentir diferente. E então ela apareceu.

Vesna.

Seu perfil não tinha fotos explícitas, não precisava delas. Bastava uma imagem: uns lábios vermelhos sobre fundo preto e uma frase que parecia escrita só para ele.

Não procuro homens. Procuro carteiras obedientes. Se quiser minha atenção, pague por ela. Se quiser sentir, se entregue. O poder tem preço.

Um arrepio percorreu Marcos. Não era um anúncio qualquer nem mais uma mulher. Era uma presença, uma vertigem que o sugava. Seus dedos hesitaram sobre o teclado, mas os olhos não conseguiam se afastar daquelas palavras. Pela primeira vez em meses, o coração batia forte, como se tivesse encontrado algo perigoso. E justamente por isso, irresistível.

Ele sabia que, se fechasse a janela, perderia a única faísca real que sentira em muito tempo. As mãos tremiam. No fim, quase sem pensar, escreveu:

— Oi… vi seu perfil.

A mensagem era desajeitada, insegura. Ele soube disso no instante em que apertou enviar. Sentiu o calor da vergonha subir pelo pescoço, como se tivesse interrompido uma rainha com uma frase de menino. A resposta não demorou, embora lhe parecesse uma eternidade.

— E o que você quer com isso? Roubar meu tempo de graça? — respondeu ela.

As palavras foram um golpe seco, frio, um muro. Marcos engoliu em seco, mas havia algo magnético naquela dureza. Seu corpo reagiu de forma contraditória: a rejeição a tornava ainda mais desejável. Tentou responder com algo espirituoso, mas cada ideia lhe escapava da mente.

— Só queria falar com você… — digitou por fim.

A resposta veio ainda mais dura.

— Eu não falo com ninguém. Falo com carteiras que sabem qual é o seu lugar. Se quer minha atenção, tribute. Se não, desapareça da minha tela.

Marcos ficou imóvel. Aquela palavra — carteira — o atravessou. Nunca ninguém o havia reduzido a algo tão impessoal. Um objeto onde se guarda dinheiro, nada mais. E, ainda assim, percebeu um formigamento estranho no estômago, um calor que descia até a virilha sem que pudesse evitar.

A lógica lhe dizia para fechar a página, para esquecer aquela mulher altiva. Mas seu corpo estava aceso, a respiração acelerada. Vesna não era como as outras: não buscava agradar, não distribuía sorrisos falsos. Exigia. Mandava. E ele sentia a necessidade de obedecer.

Na tela apareceu uma última linha, como uma sentença.

— Você tem cinco minutos para decidir se vale alguma coisa. Tributo mínimo: cinquenta euros. Se não fizer isso, será bloqueado.

O relógio marcava 2:47 da madrugada. O coração lhe golpeava o peito com violência. Será que ele realmente faria aquilo? Enquanto encarava o cronômetro imaginário, soube que a decisão já estava tomada.

***

Ele tinha o cartão na mão. Olhava para ele como se fosse um objeto proibido. Nunca havia pago por atenção, e muito menos em um jogo tão estranho. Mas o que sentia não se parecia com nada: era estar à beira de um precipício, com a vertigem devorando o estômago e o empurrando a saltar ao mesmo tempo.

O ultimato de Vesna não era mero capricho. Era um filtro. Ou ele demonstrava que merecia o olhar dela, ou voltava à rotina cinzenta, derrotado e vazio. Os dedos se moveram quase por instinto. Digitou os números, validou o envio. Cinquenta euros.

No instante seguinte, um e-mail de confirmação caiu na caixa de entrada. Um suor frio lhe percorreu a testa. Ele havia cruzado a linha. Não havia volta.

Durante um minuto eterno, a tela permaneceu muda. Pensou que talvez ela o tivesse enganado, que seu dinheiro desapareceria no vazio. O arrependimento o atingiu de repente, mas, antes de afundar, veio a notificação.

— Bem. Finalmente você está se comportando como algo útil.

Marcos engoliu em seco. Uma simples mensagem, mas o tom era devastador. Não era um elogio, era o reconhecimento frio do dono que afaga a cabeça de um cachorro após obedecer. E, estranhamente, isso o excitou ainda mais.

— Agora você não é mais Marcos — continuou ela —. Você é minha carteira. Seu nome não importa, sua opinião não importa. Você só existe para me dar o que eu quero. E vai gostar disso, porque nasceu para isso, mesmo que ainda não entenda.

Cada palavra penetrava mais fundo do que a anterior. Marcos não conseguia desviar os olhos. Seu corpo reagia sozinho, duro, excitado, como se cada letra fosse uma carícia envenenada.

— Quero que você diga. Escreva. Declare o que é.

Ele hesitou. Os dedos pairaram sobre o teclado. No fim, escreveu, quase com vergonha:

— Sou sua carteira. Só sirvo para lhe dar o que você merece.

O silêncio durou apenas alguns segundos, mas dentro dele foi um vazio interminável. Até que a resposta chegou.

— Assim eu gosto. Obediente. Útil. Você já não é dono de nada… nem mesmo da sua vontade. Cada euro que me der será mais um passo rumo à sua libertação.

O calor no corpo de Marcos era insuportável, misturado a um pudor absoluto. Sentia-se humilhado, reduzido. E, no entanto, nunca estivera tão excitado. Sabia que aquilo era só o começo.

***

Fechou os olhos. O eco das palavras de Vesna ainda ressoava como um mantra obscuro: você já não é dono de nada. Aquela frase o atravessava mais forte que qualquer carícia.

O simples fato de ter entregue dinheiro — seu dinheiro — o deixava tremendo. Levantou-se, deu alguns passos no silêncio do quarto. Toda vez que pensava nesses cinquenta euros que já não lhe pertenciam, nessa mulher que mal lhe dera algumas linhas, sentia um formigamento elétrico percorrer a coluna. Era absurdo, ridículo. Mas irremediavelmente real.

Deixou-se cair na cama com o celular na mão, relendo a mensagem uma e outra vez. Cada repetição era um chicote invisível que o marcava. Sua mão desceu instintivamente, acariciando a ereção que o torturava desde que apertara enviar.

Era diferente de qualquer outra masturbação. Não se tratava de imagens nem de fantasias próprias. Dessa vez, tratava-se de submissão. De obedecer. De ter comprado, literalmente, o próprio prazer.

Enquanto se tocava, não conseguia parar de pensar nela, nesses lábios vermelhos do perfil, na voz que ainda não conhecia, mas que imaginava firme e cruel. Sua respiração ficou entrecortada e, por um instante, ele esteve prestes a gozar.

Mas então parou. Algo o conteve. Um pensamento o atingiu como um lembrete brutal: ele não tinha permissão.

Vesna não havia ordenado isso. Nem sequer mencionara o prazer dele. Só havia exigido dinheiro. Cerrou os dentes, à beira do clímax, e se obrigou a parar. A frustração era quase insuportável e, ao mesmo tempo, deliciosa. Ele compreendeu que agora havia regras. Que seu prazer dependia dela. E essa descoberta o excitava mais do que qualquer orgasmo.

***

O chat permaneceu em silêncio pelo resto da madrugada, como se Vesna tivesse desaparecido assim que recebeu o dinheiro. Toda notificação inútil — um e-mail, um aviso de aplicativo — fazia seu coração acelerar, acreditando que era ela. Era sempre um miragem.

Sua mente começou a girar em círculos. Será que ela o considerara indigno? Será que cinquenta euros eram uma miséria para ela? Claro que eram, pensou, e a vergonha voltou a invadi-lo. Mas aquela humilhação não o apagava; o acendia. Era como ficar acorrentado à espera de uma palavra dela, um animal que não sabia quando viria a próxima migalha. E ele aceitava.

Adormeceu quase ao amanhecer, e a última sensação que o acompanhou não foi descanso, mas dependência: um desejo ardente de que ela voltasse a reivindicá-lo.

O som de uma notificação o despertou. A luz tênue do amanhecer mal entrava pela janela. Instintivamente agarrou o celular, o coração acelerando como se já soubesse quem era.

— Ainda está aí, carteira? — dizia a mensagem.

Uma onda de calor o percorreu. O simples fato de ela reconhecê-lo apagou de uma vez a angústia das horas anteriores. Ele se sentia visto.

— Sim, estou aqui — respondeu.

A resposta foi imediata, cortante, como um chicote que cai sem aviso.

— Então prove. Cem euros. Agora.

Marcos sentiu o ar lhe escapar. O dobro da noite anterior. Uma parte dele quis se rebelar: é demais, isso é uma loucura. Mas outra parte, a que já se havia acorrentado a ela, ardia de desejo. A lógica lutava: com esse dinheiro ele poderia abastecer a geladeira, pagar contas. A excitação sussurrava mais alto: com esse dinheiro ele compraria a atenção dela, o controle dela.

— Você tem três minutos. Não me faça perder tempo ou eu esqueço você — acrescentou ela.

Com as mãos trêmulas, abriu o aplicativo do banco. Digitou o valor. Confirmar. Cem euros. Um suor frio lhe percorreu as costas, a respiração ofegante como se tivesse acabado de correr. Não havia volta. De novo.

— Obediente. Assim eu gosto. Você é uma boa carteira… mas ainda insignificante. Estamos só começando — respondeu Vesna.

Marcos sentiu um golpe retorcido de orgulho. Ela o havia chamado de obediente, não com carinho, mas com o desprezo de quem valoriza um servo cumpridor. E isso o fez gemer em silêncio, com os dentes cerrados. Seu membro pulsava, suplicante. Mas ele não se moveu. Sabia que não tinha permissão. Só podia esperar que ela decidisse o que fazer com ele. E, nessa espera, a dependência crescia.

***

O dia transcorreu lento, cinza, como todos em sua vida. Foi trabalhar, fingiu sorrisos, respondeu e-mails mecanicamente. Por dentro, só pensava nela, no chat, em se receberia outra mensagem.

Ao voltar para casa, exausto mas ansioso, desbloqueou o celular por reflexo. Uma notificação o fez prender a respiração.

— Levante-se. Entre na videochamada. Não mostre o rosto. Só quero que você me escute.

Uma chamada. Era íntima demais, real demais. As mãos suavam enquanto aceitava o convite, certificando-se de cobrir a câmera. A tela acendeu em preto. E então ele a ouviu.

— Carteira.

Sua voz era firme, profunda, carregada de um magnetismo que atravessou o peito de Marcos como uma corrente. Ela não precisava gritar. Era um sussurro afiado, uma ordem que se cravava sem resistência.

— Você provou que serve para alguma coisa — continuou, pausada, cada palavra caindo como um chicote lento —. Mas não se engane. Você não fez isso por mim. Fez porque não é nada sem mim.

Marcos engoliu em seco. A respiração acelerava até se tornar audível no microfone.

— Você respira como um cachorro — disse ela, com um toque de deboche —. Te excita estar aqui, mesmo eu não tendo deixado você me ver. E é isso que você é: um caixa desesperado que não merece prazer sem minha permissão.

As palavras o atravessavam, cruéis e perfeitas. Marcos se ajoelhou diante da cama sem pensar, como se a voz o empurrasse para o chão. O corpo tremia.

— Quero que você diga — ordenou ela, baixando ainda mais a voz, fazendo-a soar como um segredo venenoso —. Diga em voz alta para não esquecer: sou sua carteira, vivo para servi-la.

Marcos abriu a boca, a vergonha apertando-lhe a garganta.

— Sou sua carteira… vivo para servi-la.

Houve um breve silêncio. Ele sentiu o coração parar, esperando o veredicto. E então, um suspiro suave escapou pelo alto-falante.

— Assim eu gosto. Obediente. De joelhos, como deve estar.

O corpo de Marcos ardia, como se cada palavra o marcasse com ferro em brasa. Fechou os olhos, respirando com dificuldade, prestes a gozar só com aquela voz. Mas, antes de se perder, ela encerrou a chamada. Fria, abrupta, como quem retira uma bala da boca de uma criança. O silêncio voltou. Marcos ficou sozinho, de joelhos, ofegante diante da tela preta. E entendeu que estava ainda mais preso.

***

O celular vibrou de novo, justamente quando ele começava a se acalmar.

— A partir de agora você não vai mais tributar como um qualquer. Vai ter um ritual. E vai cumpri-lo todas as vezes — escreveu Vesna.

A simples palavra ritual o excitou de imediato.

— Escute bem. Antes de cada envio, você vai se ajoelhar. Vai colocar seu cartão no chão, à sua frente, e apoiar a testa nele durante um minuto. Depois vai beijar a tela do meu perfil três vezes. Só então me enviará o dinheiro. E, ao fazer isso, repetirá em voz alta: sou sua carteira, Vesna, tudo o que tenho é seu.

O corpo de Marcos tremia. A vergonha o golpeava como um chicote, mas ao mesmo tempo ele sentia uma excitação insuportável. A humilhação de beijar a tela, de se ajoelhar diante de um objeto como se fosse um altar, o fazia pertencer a ela de um modo total.

Com as mãos trêmulas, tirou o cartão do bolso. Ajoelhou-se no chão do quarto, encostou a testa no plástico. O frio lhe cravava a pele, mas era o frio de uma oferenda. Um minuto eterno. Depois ergueu o celular, abriu o perfil e beijou a tela uma, duas, três vezes. O gesto era ridículo, ele sabia. E, ainda assim, cada beijo o acorrentava mais forte.

Digitou o tributo. Desta vez, setenta e cinco euros. Confirmar. O suor escorria pela testa.

— Sou sua carteira, Vesna. Tudo o que tenho é seu — sussurrou com a voz trêmula.

A notificação chegou segundos depois.

— Perfeito. Agora você começa a entender seu lugar. Meu prazer é sua religião. Seu dinheiro é sua fé. E eu sou sua deusa.

Marcos fechou os olhos, mordendo o lábio para não gemer. O ritual o havia marcado mais do que qualquer insulto. Ele havia cruzado outra linha, mais profunda, onde a submissão já não era só dinheiro: era devoção.

***

Deitou-se na cama, ofegante, quando uma nova notificação o fez se erguer de repente.

— Agora quero que você me prove outra coisa. Você vai se masturbar. Mas lembre-se: seu prazer tem um preço.

Marcos ficou imóvel, a respiração acelerada, a ereção pulsando dolorosamente.

— Escute bem: você vai se despir. Vai se sentar na cama com as pernas abertas, o celular à sua frente, e vai se tocar. Mas você não tem permissão para gozar. Ainda não. O orgasmo se compra. Entendeu, carteira?

— Sim, Vesna… entendi — sussurrou, embora ela não pudesse ouvi-lo.

Despindo-se com torpeza, a pele eriçada, deixou-se cair na cama. A mão desceu devagar, roçando o membro duro, sentindo cada carícia como se fossem ordens gravadas em sua pele. As notificações continuavam chegando, uma a uma, como chicotadas.

— Mais rápido. Você é minha caixa obediente. Cada gemido é meu, cada gota é minha.

Marcos obedecia, ofegante, masturbando-se cada vez mais rápido, o corpo aceso como nunca. Estava à beira do clímax quando a tela vibrou de novo.

— Pare. Se quiser gozar… tribute duzentos euros.

O golpe foi brutal. Seu corpo clamava por libertação, tremia à beira do orgasmo, mas a ordem o deteve como uma corrente invisível. Mordeu os lábios, desesperado, lutando entre o desejo e a lógica. Duzentos euros. Era demais. E, no entanto, ele nunca havia sentido tanta necessidade.

Com a respiração entrecortada, abriu o aplicativo bancário. Digitou a quantia com os dedos trêmulos. Confirmar. Um gemido lhe escapou da garganta ao mesmo tempo em que aparecia o e-mail de confirmação.

— Bem. Agora venha para mim. Derrame-se como a carteira obediente que você é — respondeu ela imediatamente.

Marcos não conseguiu mais se conter. Com um gemido abafado, masturbou-se com fúria até explodir, gozando com força sobre o abdômen. O corpo se sacudiu sob a onda de prazer mais intensa que já sentira na vida. O orgasmo não era dele. Era dela. Comprado, concedido. E, nessa humilhação absoluta, encontrou uma felicidade obscura, viciante.

Desabou na cama, ofegante, coberto de suor, olhando a última frase de Vesna iluminada na tela.

— Lembre-se: toda vez que quiser gozar, vai pagar. Seu prazer é meu.

***

Jazia exausto, o coração batendo forte, a respiração irregular. Tudo o que sentia de verdade era vazio e dependência. A tela voltou a se iluminar.

— Você mereceu esse orgasmo. Mas lembre-se: ele não foi seu. Foi meu. Eu decidi. Eu o comprei com seu dinheiro.

O rubor subiu-lhe ao rosto. Era verdade: cada segundo de prazer tivera um preço, e ele o pagara com devoção.

— Agora quero que você me agradeça. Escreva isso. Agradeça por gozar com minha permissão, carteira. Faça isso já.

Marcos sentiu um nó na garganta. Era a exigência final: reconhecer que até seu prazer mais íntimo dependia dela. A lógica o chamava de patético. Mas a excitação queimava por dentro. Com dedos trêmulos, escreveu:

— Obrigado, Vesna, por me deixar gozar com sua permissão. Sou sua carteira, sempre obediente.

A resposta o atravessou como uma faca.

— Assim eu gosto. Submisso, agradecido, disponível. Você é minha caixa pessoal, e será sempre que eu mandar. Você não é um homem. É a minha fonte. Meu brinquedo. E quanto mais pagar, mais vai sentir. Entendeu?

Marcos não conseguiu evitar gemer, ainda sensível, ainda tremendo. A crueza daquelas palavras o excitava de novo, embora quase não tivesse forças para se mover.

— Sim, Vesna… entendi. Sou seu. Tudo o que tenho é seu.

Uma última mensagem caiu como sentença.

— Você foi útil hoje. Mas não se engane: você não merece minha atenção constante. Agora vou desaparecer. E você vai aprender o que é sentir falta da sua dona.

Marcos se endireitou na cama, o coração acelerado.

— Por favor, não me deixe… — escreveu.

Não houve resposta. Esperou alguns segundos, depois um minuto. Escreveu de novo, desesperado.

— Vesna… estou aqui. Sua carteira. Não me ignore.

De novo, nada. E então, uma última linha, fria e devastadora.

— Silêncio, carteira. Hoje você não é digno de mais palavras. Quando eu achar conveniente, voltarei. Até lá… continue me desejando.

O chat se apagou. Ele tentou enviar outra frase, mas o sistema respondeu com um aviso brutal: bloqueado temporariamente. O vazio foi imediato. Passou minutos olhando a tela escura, esperando que fosse um erro, que ela reaparecesse. Mas nada aconteceu.

Deixou-se cair de costas, a ansiedade mordendo o peito. O desejo ainda vibrava em sua pele, misturado à frustração e a uma necessidade insuportável. Nunca havia sido tão humilhado. E nunca estivera tão vivo.

Com os olhos fechados, entendeu: Vesna já não era apenas uma mulher na tela. Era sua dona. Sua deusa. E ele estava perdido, acorrentado, ardendo pela próxima mensagem. O primeiro de muitos tributos já estava pago. Sua história, na verdade, estava apenas começando.

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