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Relatos Ardientes

Armamos uma armadilha e acabei virando a presa

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Para entender o que aconteceu naquela noite, preciso explicar primeiro o jogo. Tomás e eu o tínhamos aperfeiçoado durante anos até transformá-lo em algo quase perfeito: ele convidava algum conhecido — alguém que lhe parecesse o perfil adequado —, e eu fazia a minha parte. Eu me vestia com intenção, me movia pela casa com essa mistura exata de naturalidade e provocação que desestabiliza os homens sem que eles consigam apontar exatamente por quê. O objetivo nunca era que algo acontecesse. O objetivo era ver até onde aguentavam. Voltar depois para o nosso quarto com aquela tensão acumulada entre nós.

Esse era o jogo. Nunca tínhamos cruzado aquela linha.

Até Diego.

Tomás o conheceu na academia onde treina às terças. Falou dele comigo naquela mesma tarde, de passagem, enquanto beliscava alguma coisa antes do jantar: grande, calado, esse tipo de homem que não precisa falar muito porque sua presença fala por ele. Me mostrou uma foto do grupo. Vi um homem de costas largas, maxilar quadrado, expressão tranquila. Disse que ele parecia perfeito para a armadilha.

Levei tempo para perceber o quanto eu estava errada sobre quem era a armadilha.

Na noite do jantar, me vesti com cuidado. Eu tinha um vestido preto que Tomás tinha escolhido havia tempo pensando exatamente nesse tipo de ocasião: justo nos lugares que importavam, curto o suficiente para que sentar fosse uma decisão consciente. Por baixo, o mínimo. Tomás o havia separado naquela manhã, enquanto eu tomava banho, deixando-o sobre a cama como se fosse uma instrução. Vesti-o sem dizer nada. Nós nos entendemos assim há anos.

Diego chegou pontualmente com uma garrafa de vinho tinto e o ar de alguém que não suspeita que existe um plano.

Os primeiros trinta minutos foram de uma normalidade quase decepcionante. Falaram da academia, de trabalho, de alguma coisa sobre um jogo da semana anterior. Eu servi o jantar, me movi entre a cozinha e a sala de jantar com desculpas razoáveis, me abaixei para pegar algo que não tinha caído, me sentei de um jeito que o vestido subisse um pouco mais do que devia. Diego acompanhava a conversa com Tomás sem perder o fio. Mas os olhos dele me procuravam toda vez que eu me afastava.

Era discreto aquele olhar. Educado, quase. Mas estava ali.

Abrimos a segunda garrafa de vinho durante o jantar. A conversa relaxou e o volume baixou um pouco, como acontece quando o vinho faz seu trabalho aos poucos. Eu fui elevando o tom do jogo gradualmente: mais contato visual, a mão pousada um segundo a mais no ombro dele quando me levantava, o riso um pouco mais próximo do que o necessário. Diego respondia com a calma de alguém que sabe exatamente o que está acontecendo, mas decide não dizer nada ainda.

Tomás me olhava de vez em quando com aquela expressão que só aparece quando o jogo está funcionando como queremos: algo entre satisfação e antecipação.

Depois do jantar, coloquei música e convidei Diego para dançar. Ele disse que sim sem hesitar. Assim que ficamos de pé, notei a diferença de proporção entre nós dois: ele era bem mais alto que eu e suas mãos envolviam minha cintura com espaço de sobra. Dancei colada nele, me movendo com a intenção exata para que ele não pudesse ignorar o que eu estava fazendo. Não exagerei. Não era necessário. Apenas mantive o contato e deixei que a música e o vinho fizessem o resto.

Olhei para Tomás por cima do ombro de Diego. Meu marido mantinha os olhos fixos em nós com uma atenção que reconheci de imediato.

Dei de ombros na direção dele. Uma pergunta muda.

Ele ergueu os seus. Uma resposta igualmente muda: vá em frente.

Me afastei com naturalidade para servir uma taça. Atrás de mim, ouvi a voz baixa de Tomás dizendo algo a Diego, as palavras abafadas pela música. Depois a resposta de Diego: uma risada curta e alguma coisa que soou como um alívio genuíno.

Quando me virei, Diego já estava caminhando na minha direção.

Não havia urgência nos passos dele. Isso foi o primeiro que notei, e o que me arrepiou antes mesmo de ele chegar onde eu estava. Aproximou-se devagar, com a calma de alguém que já sabe como a noite vai terminar e não sente necessidade de apressar nada. Me segurou pela cintura com uma mão e com a outra afastou com delicadeza a taça que eu estava prestes a levar aos lábios. Deixou-a sobre a bancada sem olhar.

— Você passou a noite toda fazendo isso — disse em voz baixa —. Já chega.

Naquele momento, entendi que as peças do tabuleiro tinham mudado de mão. Já não era eu quem conduzia o jogo.

Ele me beijou sem pedir permissão, mas sem brutalidade. Sua boca era firme, quente, e sabia exatamente o que estava fazendo. Havia experiência naquele beijo, uma segurança que não tinha nada de arrogância e sim muito de convicção. Retribuí o beijo. Não porque o jogo exigisse, mas porque não encontrei nenhum motivo para não fazê-lo. A língua dele empurrou entre meus lábios com uma precisão que me arrancou um gemido curto, quase ofendido por eu ter me rendido a ele tão depressa.

As mãos dele começaram a se mover pelo meu corpo com uma deliberada metódica. Não era impaciência o que havia nos dedos dele, mas intenção: cada parte que ele alcançava era uma afirmação de que sabia o que estava buscando. Desabotoou meu vestido com dedos firmes, fez o tecido escorregar pelos meus ombros e o desceu pelos quadris sem nenhuma dificuldade, até deixá-lo no chão. Quando fiquei em lingerie diante dele, ele parou por um momento e me olhou em silêncio, sem desviar os olhos. Aquele silêncio me aqueceu mais do que qualquer carícia.

Ele começou a tirar a própria roupa. Ajudei com a camisa, com o cinto, com a calça, sentindo sob meus dedos a tensão dura do corpo dele. E então eu vi.

Há coisas que a gente não espera, mesmo achando que já viu de tudo. O que Diego tinha era uma presença física que não se encaixava totalmente no ordinário: grande, grosso, de um peso visual que fez algo dentro de mim reagir por conta própria, sem me consultar. Só de olhar, senti que estava ficando molhada. O pau dele era longo, pesado, de uma grossura obscena, a pele tensa e a ponta já brilhando pela umidade que surgia na cabeça. Fiquei olhando por um segundo a mais, engolindo em seco, com aquela mistura de fome e desafio que subiu pela minha garganta.

Ele me puxou para perto outra vez. Me beijou de novo e as mãos continuaram explorando sem cerimônia, apertando meus seios por cima do sutiã, afundando os dedos na minha cintura, descendo depois para a bunda para marcá-la com uma força que me fez arquear contra ele. O jogo de sedução que eu tinha construído durante horas tinha se evaporado por completo. Agora era eu que seguia o ritmo dele, e não o contrário, e isso tinha uma sensação que eu não tinha antecipado: alívio.

Ele me deitou de costas no sofá e se colocou entre minhas pernas, abrindo-as com uma segurança brutal. Baixou a cabeça e mordeu meu pescoço, a clavícula, a borda do sutiã, deixando uma fileira de calor úmido na pele. Depois tirou minha roupa de baixo com uma lentidão cruel, como se quisesse me ver perder a paciência. Quando deixou minhas coxas nuas, abriu minhas pernas um pouco mais e me olhou ali embaixo com uma concentração que me fez tremer.

— Você está encharcada — murmurou.

Não respondi. Não consegui.

Ele sorriu de leve e passou a língua pela minha vulva, primeiro uma vez devagar, depois outra mais firme, me abrindo com a boca como se estivesse provando meu gosto. Agarrou meus quadris para me imobilizar e continuou lambendo, chupando o clitóris com uma precisão que me arrancou um gemido alto e desordenado. Me mexi sobre o rosto dele sem querer, buscando mais pressão, mais ritmo, enquanto ele me comia como se soubesse exatamente quanto podia me dar sem me deixar gozar cedo demais.

Quando levantou a cabeça, a boca estava úmida e os lábios brilhantes.

— Quero você em cima de mim — disse, baixo, direto.

Me sentei meio tonta, com o coração golpeando as costelas. Ele já se acomodava no sofá, abrindo espaço entre as coxas, segurando o pau com a mão e esfregando-o uma vez contra minha entrada, devagar, como aviso. O primeiro roçar me fez soltar o ar entre os dentes. Ele segurou meu quadril e me guiou para baixo.

Quando entrou, fez isso aos poucos, mas mesmo assim senti o alongamento imediato, áspero, denso. Tensioneis de cabeça aos pés durante alguns segundos, engolindo a vontade de me afastar. Ele ficou imóvel, sustentando meu olhar enquanto esperava meu corpo ceder. A pressão era intensa, quase demais, uma invasão lenta e brutal que me preencheu a um ponto que me deixou sem defesa. Quando finalmente me acomodei sobre ele, soltou um rosnado grave que vibrou entre minhas pernas.

Comecei a me mover. Primeiro com cuidado, depois com mais fome. Ele me segurava pelos quadris e me ajudava a marcar o ritmo, me erguendo e me abaixando sobre o pau com golpes profundos que me faziam sentir cada centímetro. O som dos nossos corpos se chocando encheu a sala: pele contra pele, respiração cortada, o estalo úmido da fricção cada vez que eu descia por completo. Apoiei as mãos no peito dele para me sustentar e ele apertou minhas nádegas com força, me obrigando a cavalgar mais rápido.

— Isso — disse ele. — Assim.

Olhei para Tomás. Ele continuava sentado na poltrona pequena ao lado da janela, a poucos metros de nós, observando sem sequer se tocar. O rosto dele não mostrava surpresa; mostrava fome. A imagem do meu marido me olhando assim, enquanto Diego me fodia devagar por baixo e eu me desfazia sobre ele, atravessou meu corpo como um golpe. Senti o orgasmo começar a subir, a se contrair na base da barriga, mas Diego não me deixou chegar tão rápido.

Ele me tirou do sofá com um puxão firme e me virou. Fiquei de joelhos, inclinada sobre o braço, com a bunda alta e o rosto voltado para o encosto. Ele se colocou atrás e me abriu ainda mais as pernas. A ponta do pau dele voltou a roçar em mim por trás, úmida, dura, e me penetrou de novo com um golpe controlado que me arrancou um gemido rouco.

— Era assim que você queria me ver, amor? — perguntei a Tomás, com a voz quebrada.

— Exatamente assim — respondeu. Não desviou os olhos de mim.

Diego retomou o movimento naquela posição e o ângulo era diferente, mais profundo, mais direto. Cada investida empurrava meu corpo para a frente e fazia o sofá tremer. Eu apoiava as mãos no braço, na almofada, procurando algo a que me agarrar enquanto ele me fodendo com uma cadência medida, forte, sem hesitação. Uma mão apertou minha nuca, me obrigando a manter as costas arqueadas; a outra voltou aos meus seios, amassou-os com força e beliscou um mamilo até que eu gemesse o nome dele sem pudor.

Foi vários minutos depois que notei a mudança de intenção nas mãos dele. Um novo ângulo, um contato diferente, mais acima. Virei a cabeça para olhar por cima do ombro. Ele respirava mais pesado, o maxilar tenso, o pau entrando e saindo com um som úmido que já me deixava louca.

— Tudo? — perguntei.

— Se você quiser — disse ele. Sem pressa. Sem pressão.

— Me dá tudo.

Então ele mudou o ritmo. Levantou uma das minhas pernas sobre o ombro e me abriu de forma obscena, me deixando completamente exposta enquanto me penetrava mais fundo, atingindo um ponto que me fez ver branco por um instante. O que veio em seguida foi honesto: doeu. Uma dor aguda e intensa que me tensionou da cabeça aos pés durante os primeiros segundos. Diego ficou parado, sem se mover, deixando que eu mesma encontrasse o ponto em que a pressão começa a se transformar em outra coisa. Demorei mais do que esperava. Mas encontrei.

Quando retomou o movimento, foi com uma cadência medida, aprendendo em tempo real como meu corpo respondia a cada variação. A dor não desapareceu por completo, mas deixou de ser o principal. O que tomou o lugar dela foi a sensação de estar completamente submetida a algo que me superava, sem chance de controlar o que viria a seguir. Havia algo naquela impotência — escolhida, buscada — que me levou ao limite mais rápido do que eu esperava.

Olhei para o reflexo escuro da janela: o vestido jogado no chão, minha lingerie desarrumada, o corpo de Diego atrás de mim se movendo com uma força constante. Tomás continuava olhando, a respiração agitada, a mandíbula fechada. Aquela imagem — meu marido nos observando assim, eu naquela posição, Diego atrás com aquela calma brutal — foi o que me levou à beira. Soltei um grito que não tentei abafar. Diego manteve o ritmo até eu terminar, e quando ele terminou, fez isso com a mesma intensidade contida com que tinha feito tudo o resto: um longo puxão de calor vindo de dentro que senti por segundos que não soube contar.

Fiquei imóvel sobre o braço do sofá, recuperando o fôlego. Tomás veio se sentar perto e passou a mão no meu cabelo.

— Tudo bem? — perguntou.

— Muito bem — respondi.

Diego não foi embora de imediato. Houve um segundo tempo, mais pausado na forma, mas não no fundo: posições diferentes, mais exploração, mais atenção ao que funcionava e ao que não funcionava. Ele me pôs de joelhos outra vez, me fez chupar seu pau até ficar molhado e latejante, segurou minha nuca enquanto o enfiava na minha boca devagar e depois mais fundo, até me fazer lacrimejar. Depois me deitou de novo e me penetrou outra vez, dessa vez de lado, com uma perna levantada e a mão de Tomás acariciando meu cabelo enquanto eu me retorcia sob ele. Cheguei ao limite mais duas vezes, cada uma de um jeito diferente. A segunda foi com ele de costas e eu por cima, olhando para a janela com a cidade acesa além do vidro, cavalgando-o com força, sentindo como a umidade me abria a pele e como ele me preenchia por baixo com golpes cada vez mais duros.

Quando tudo terminou e Diego foi embora, me sentei na beirada do sofá com o último gole de vinho que restava na minha taça. Tomás me observava da poltrona com aquela calma satisfeita que eu conheço bem.

— Digo para ele voltar? — perguntou.

Pensei por um momento.

— Sim — disse. — Mas da próxima vez não vamos mais armar a cilada.

Tomás ergueu uma sobrancelha.

— O que fazemos então?

— Ligamos para ele e dizemos diretamente para vir.

Tomás sorriu. Era a primeira vez em anos que eu interrompia o jogo por escolha própria.

A dor física durou vários dias. Toda vez que eu me movia de certo jeito, era um lembrete preciso do que tinha acontecido naquele sofá. Não me incomodou. Era o tipo de lembrança que se agradece.

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Comentários(6)

MadrugadaInsone

adorei!! já quero a continuação

Rafa_SP

kkkkk o título já entregou tudo mas li do mesmo jeito, valeu demais

LeitorEscondido

Esse Diego ficou muito bem construído. A cena da cintura me deu um frio, escritura boa demais

FicandoViciada

por favor faz uma segunda parte, quero muito saber como terminou pra valer!!

SoDeOlhada

me lembrou de uma situação parecida que vivi... essas reviravoltas acontecem mesmo na vida real kk

CorujaDaMadrugada

ler isso de madrugada foi pessima ideia, agora nao consigo dormir

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