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Relatos Ardientes

As quatro o amarraram no porão e começou o castigo

Damián Vázquez havia saído da prisão havia apenas três meses, e nesse tempo não havia mudado um grama do que era. Tinha trinta e seis anos, um físico trabalhado em academias caras e um sorriso que usava como isca. Tinha sido nadador, havia jogado futebol semiprofissional, e carregava uma fortuna herdada que incluía duas casas, carros zero quilômetro e um iate atracado no clube náutico. Essa mesma fortuna lhe servira para algo mais útil que luxos: comprar um juiz.

Ele havia sido condenado por agredir três mulheres adultas, todas com mais de vinte e cinco anos, todas seduzidas e depois violentadas em seu apartamento no centro. A pena foi de cinco anos. Saiu em dois anos e meio por «bom comportamento». Quem acompanhou o caso de perto sabia que o bom comportamento tinha a cor do dinheiro.

A prisão não o arrependara. Só o ensinara a ser mais cuidadoso, a não deixar rastros, a apagar mensagens. Da próxima vez não cometo o erro de deixá-las falar, pensava às vezes, enquanto dirigia à noite pela orla. Não imaginava que alguém, em algum lugar, estava pensando exatamente a mesma coisa sobre ele.

***

Lucía, Carla, Noelia e Sabrina se conheciam desde o colégio. Tinham se encontrado numa sala de aula de uma escola pública, as quatro ouvindo a mesma música, as quatro com a mesma raiva mal disfarçada dos homens que se achavam donos do mundo. Uma professora de literatura lhes emprestara os primeiros livros que puseram palavras naquela raiva, e desde então foram inseparáveis.

Tinham aprendido a se defender cedo. Quando um namorado de Lucía levantou a mão para ela por ter saído para dançar sem avisá-lo, as outras três não discutiram. Carla cravou-lhe um chute entre as pernas que o dobrou em dois; Noelia lhe deu um segundo antes que ele terminasse de cair. O rapaz ficou de joelhos, pálido, sem ar, se segurando com as duas mãos.

—Na próxima vez que tocar em uma de nós — disse Noelia, abaixando-se até a altura do rosto dele— você vai sair do bairro de ambulância.

Depois disso entenderam uma coisa: juntas eram outra coisa. Começaram a treinar kickboxing, não por esporte, mas por método. Aperfeiçoaram uma única técnica até torná-la infalível. E durante anos se contentaram em humilhar algum arrogante de boate, esvaziar sua carteira, deixá-lo excitado e largado. Até que o caso de Damián saiu em todos os jornais, e as quatro concordaram, sem precisar dizer em voz alta, que dessa vez a coisa seria diferente.

***

Durante um mês fizeram inteligência. Anotaram as rotinas de Damián como se levassem um diário: a que horas treinava, em quais noites dirigia sozinho, quando desligava o telefone. O plano era simples, e por isso perigoso: qualquer improviso o arruinava.

Lucía seria a isca. Era a que melhor correspondia ao tipo de beleza que Damián caçava, e sabia usá-la. A ideia era levá-lo a um terreno baldio com a promessa de algo fácil e, uma vez ali, enquanto ela o mantivesse distraído, Carla — a mais forte das quatro — enfiaria no pescoço dele uma seringa com anestésico de ação rápida. Dormindo, ele seria um peso morto fácil de transportar até a casa de campo que Sabrina herdara, perdida entre morros, sem vizinho por quilômetros, com um porão de paredes grossas que parecia construído para o que pensavam fazer.

Esperaram a noite certa. Damián saiu da academia depois das onze, com a bolsa no ombro e o carro estacionado a meia quadra. Lucía apareceu encostada no capô, brincando com as chaves, fingindo um problema no motor. Ele mordeu a isca em menos de um minuto. Quando se aproximou o suficiente para acreditar que a noite era dele, sentiu a picada fria no pescoço, conseguiu virar a cabeça, e o terreno baldio lhe escapou das mãos como água.

***

Despertou nu.

Essa foi a primeira informação que seu cérebro conseguiu organizar: estava completamente nu, sentado em uma cadeira de madeira, com os braços algemados para trás e os tornozelos amarrados com corda às pernas dianteiras. Uma lâmpada nua pendia do teto. O piso era de cimento. Cheirava a umidade e terra.

Enquanto esteve inconsciente, as quatro tinham tomado seu tempo. Tiraram-lhe a roupa com uma prolixidade quase burocrática: a camisa desabotoada botão por botão, as meias dobradas dentro de cada sapato, o cinto enrolado sobre uma mesa. Deixaram o último para o fim, e se divertiram com isso. Com uma tesoura foram cortando o tecido da cueca ao redor, sem pressa, até deixá-lo exposto. Tiraram fotos. Depois terminaram de cortar e guardaram os pedaços numa sacola.

—Bem-vindo —disse Lucía, sentada de costas numa cadeira, os braços cruzados sobre o encosto—. Você dormiu como um bebê.

Damián demorou a falar. Quando falou, a voz saiu pastosa.

—Que porra é essa? Vocês sabem quem eu sou?

—Sabemos exatamente quem você é —respondeu Noelia, sem erguer os olhos do aparelho que estava verificando sobre a mesa—. Por isso você está aqui e não em casa.

Ele puxou o metal das algemas. Não cedeu um milímetro. Tentou com os pés; a corda estava frouxa, pensou, e por um segundo acreditou que poderia se soltar. Balançou-se para a frente, calculou mal o peso, e a cadeira tombou de lado. Caiu contra o cimento com um baque seco que ecoou por todo o porão.

As quatro entraram antes que ele terminasse de reclamar.

—Aí está —disse Carla, olhando-o de cima—. O campeão tentando fugir.

Ergueram-no entre as quatro e voltaram a endireitar a cadeira. Damián bufava, com o ombro machucado e um arranhão na bochecha.

—Isso foi um erro —disse Lucía, colocando uma mecha atrás da orelha—. Aqui, cada coisa que você fizer tem um preço. E este você vai pagar agora. Meninas, o que votamos?

—Eu digo eletricidade —disse Sabrina, aparecendo do fundo com uma caixa de metal nas mãos. Da caixa saíam dois fios terminados em presilhas; em cima havia um botão e um pequeno medidor de agulha—. Para ele entender com o corpo o que não entende com a cabeça.

—Aprovado por unanimidade —disse Noelia.

***

Pela primeira vez desde que acordara, a arrogância desapareceu do rosto de Damián. Ele olhou para o aparelho, olhou para as presilhas, e algo em seu estômago se fechou como um punho.

—Esperem, esperem —disse, e a voz saiu uma oitava mais alta—. Tenho dinheiro. Muito. O que vocês quiserem. Contas, dinheiro vivo, o que for. Não façam nenhuma loucura, vamos conversar.

—Dinheiro? —Lucía riu sem vontade, uma risada curta e afiada—. Com dinheiro você comprou o juiz. Com dinheiro você comprou o promotor. Dois caras iguais a você deixaram você sair às ruas. E agora vem oferecer a mesma coisa para nós. —Abaixou-se até ficar à altura dos olhos dele—. Não basta. Não desta vez.

Sabrina se aproximou com as presilhas. Tomou-lhe o peito com frieza de enfermeira e prendeu uma em cada mamilo. O metal estava gelado, e Damián se enrijeceu antes que qualquer coisa acontecesse.

—Com esse peitoral devia aguentar bastante —comentou, conectando os fios à caixa—. Vamos começar por aqui.

Girou o botão. A corrente atravessou-o como um açoite do centro do peito. O corpo inteiro se contraiu contra as amarras, os músculos do pescoço marcados como cordas, os olhos virando em branco por um instante. O grito saiu rouco, rebateu nas paredes de cimento e se cortou sozinho quando Sabrina baixou o botão.

—Demais —disse Carla, avaliando-o de braços cruzados—. Não queremos ele morto. Queremos ele acordado.

—Fica tranquila, eu controlo —respondeu Sabrina, e girou de novo, desta vez só um pouco.

A segunda descarga foi mais longa e mais baixa. Damián tremia, ofegava, a cabeça caindo para a frente e elas a erguiam puxando-o pelo cabelo. Deram-lhe uma terceira, depois uma pausa. Os mamilos tinham ficado avermelhados, a pele marcada ao redor do metal. O peito subia e descia como o de um animal acuado.

—Isso —disse Sabrina, soltando as presilhas— é o que acontece quando você tenta fugir. A próxima descarga não vai ser aqui em cima.

—Vai ser mais embaixo —acrescentou Noelia, e as quatro riram ao mesmo tempo.

Carla se agachou entre as pernas abertas de Damián e pegou o pau dele com uma mão indiferente, como quem pega uma ferramenta sem saber se presta. Apertou-o, moveu-o, deixou-o cair contra a coxa com desprezo. Damián teve um espasmo de humilhação que lhe subiu do estômago ao rosto.

—Olhem isso, meninas —disse Carla—. Com essa rola ele acabou com três mulheres. Com a mesma rola vai acabar aqui dentro, não é, campeão?

—Não... —começou ele, e a voz se partiu—. Não, por favor, não me...

—Não o quê? —Lucía agarrou-o pelo cabelo e jogou a cabeça dele para trás—. Não quer que a gente veja sua rola? Já vimos, filho da puta. Tiramos fotos. Agora vamos ver do que ela serve.

Sabrina lambeu dois dedos e passou-os pelo prepúcio com uma lentidão clínica. Damián cerrou os dentes, lutou contra o corpo, mas a pele o traiu: o pau começou a inchar entre os dedos de Sabrina, indiferente ao que pensava o dono.

—Olhem o pobre desgraçado —riu Noelia—. Tanto faz quem pega. Fica duro até com as que vão matá-lo.

—É um cachorro —disse Carla—. Cachorro não escolhe. Vai para onde é tocado.

Sabrina fechou a mão ao redor e começou a chupá-lo com o punho firme, sem nenhuma ternura, como se ordenha uma máquina. A outra mão beliscava as bolas dele sempre que ele tentava fechar as coxas. Damián gemia sem querer, com os olhos apertados, o rosto vermelho de vergonha e do esforço para não responder ao estímulo.

—Olha pra mim, filha da puta —ordenou Sabrina, e deu-lhe um tapa na parte interna da coxa que soou como um chicote—. Olha pra minha cara enquanto eu te bato uma punheta. Como você fazia com as garotas quando tapava a boca delas.

Ela abriu os olhos dele com a mão livre, forçando as pálpebras, e continuou masturbando-o contra a vontade dele. Damián sentia o orgasmo subir-lhe pelas costas como uma traição, e as quatro perceberam antes dele.

—Vai gozar —anunciou Sabrina, divertida—. Olhem o estuprador, vai gozar sozinho para a gente.

—Não, não, não —ofegou ele—. Não, por favor, parem, parem...

—Ah, não. Agora você termina —Lucía apertou a mandíbula dele com uma mão—. Agora você goza como uma putinha, na nossa frente, e depois a gente continua conversando.

Sabrina apertou o ritmo, seca, dura, sem uma gota de saliva, e Damián gozou com um uivo gutural que não reconheceu como seu. O jato saiu em esguichos sobre o próprio ventre, sobre as coxas, sobre a mão dela que nem se deu ao trabalho de afastá-lo. Quando terminou, Sabrina limpou os dedos no cabelo dele, arrastando o sêmen pela têmpora e pela testa.

—Pronto —disse—. Já está marcado.

Damián chorava em silêncio, com a cabeça caída, o peito subindo em solavancos. Nunca na vida se sentira tão pequeno, nem mesmo na primeira noite da prisão. Aquilo tinha sido pior que qualquer descarga, porque o corpo o havia abandonado em público, diante das quatro mulheres que decidiam se ele viveria ou não.

—Agora —disse Lucía, tirando a camiseta com calma, ficando de sutiã preto— vem a parte para nós.

Subiu em cima dele, de pernas abertas, ainda de jeans, e apoiou a boceta coberta de tecido exatamente sobre o pau mole e sensível. Damián deu um sobressalto de dor. Ela riu, apertou mais, e começou a se mover em cima dele com lentidão, esfregando-se contra ele, usando-o como móvel.

—Isso é a única coisa que você vai fazer direito esta noite —sussurrou ao ouvido dele, mordendo-lhe o lóbulo—. Aguentar o peso.

Ela gozou assim, roupa contra pele, com a boca aberta contra o pescoço dele, cravando os dentes no ombro quando o orgasmo a sacudiu. Quando terminou, desceu, ajeitou a roupa e lhe deu dois tapinhas na bochecha, quase com ternura.

—Obrigada, campeão.

—Minha vez —disse Noelia.

Desabotoou o jeans, baixou-o junto com a calcinha até os joelhos, e sentou de costas sobre o rosto de Damián, apoiando a bunda na boca dele. Com uma mão tapou-lhe o nariz. A outra passou por trás, agarrou-o pelo cabelo e pressionou a cabeça dele contra sua boceta.

—Chupa —ordenou—. Chupa e mama direito, filho da puta. E se me morder eu juro pela minha mãe que Sabrina volta a pegar suas bolas com a máquina. Ponha a língua para fora como se estivesse pedindo perdão.

Damián pôs a língua para fora. Mexeu-a como pôde, se afogando, com o nariz tampado e a boca ocupada. Noelia se esfregava contra o rosto dele com a calma de quem está cobrando uma dívida antiga, movendo a pelve em círculos lentos, marcando o ritmo com puxões de cabelo. Quando gozou, apertou a cabeça dele com tanta força contra si que ele sentiu que ia quebrar o pescoço. Levantou-se enfim, respirando fundo, e olhou para a cara lambuzada de corrimento e saliva.

—Bem melhor você assim —disse—. Calado e de joelhos. Você devia ficar com esse rosto para sempre.

Carla e Sabrina não tocaram no corpo dele. Puseram-se à frente dele, uma contra a outra, e começaram a se beijar a menos de um metro do rosto dele, com as mãos metidas uma por baixo da roupa da outra. Forçaram-no a olhar. Toda vez que ele baixava os olhos, alguma puxava-o pelo cabelo para cima, para que continuasse olhando. Sabrina terminou com os dedos de Carla dentro da boceta, gemendo baixinho contra a boca dela, e nem uma vez olharam para ele. Foi como não existir. Foi pior que tudo o resto.

Quando terminaram, Carla limpou a mão na bochecha de Damián e passou a palma pegajosa pelos lábios dele.

—Chupa —disse. Ele chupou—. Viu como é fácil obedecer? Suas vítimas também aprenderam rápido. Você ensinou.

O pau de Damián, contra toda lógica, havia voltado a subir em algum momento do último ato, traidor outra vez, apontando sozinho para o teto. Lucía indicou-o com o queixo.

—Olhem isso. Olhem o pobre filhote —disse—. Nunca aprende. Fica duro com as quatro mulheres que vão arruiná-lo.

—Que aguente —disse Sabrina—. Que aguente a noite toda duro e sem ninguém tocar nele. Isso também é castigo.

E o deixaram ali, com a rola dura e sozinha no ar, o ventre brilhando de gozo velho, o rosto pegajoso, a respiração em solavancos.

—Agora sim —disse Lucía, olhando-o de cima—. Agora sim é hora da água.

***

Levaram uma garrafa de água até sua boca e o deixaram beber. Não por piedade: queriam que ele chegasse inteiro ao que vinha depois. Enquanto engolia, as quatro discutiam entre si com uma tranquilidade que lhe gelava o sangue mais do que os gritos.

—Eu digo para deixá-lo assim um tempo —dizia Lucía—. Que pense. Que sue. O medo trabalha sozinho.

—Eu iria continuar agora —respondia Carla—. Ele está mole, está implorando. É o momento.

—Maioria manda —cortou Noelia—. Deixamos ele descansar. E quando voltar a abrir a boca para nos ameaçar, retomamos.

Damián as escutava decidir sobre seu corpo como se fosse um objeto sobre uma mesa, e entendeu, com uma clareza que lhe embrulhou o estômago, que daquele porão não sairia na força nem no dinheiro. Essas quatro mulheres não iam deixar testemunhas, e ele sabia disso melhor do que ninguém, porque era exatamente a conta que ele mesmo fizera outras vezes, do outro lado.

—Por favor —murmurou, e já não havia nada de campeão naquela voz—. Por favor.

Lucía se inclinou até que sua boca ficasse a um centímetro da orelha dele.

—Essa palavra —disse, devagar—. Aposto que mais de uma já disse isso para você. E você não parou. —Ergueu-se e olhou para as amigas—. Temos a noite toda. E isso aqui mal começou.

A sensação de ter controle absoluto sobre aquele homem percorria as quatro como uma corrente própria, mais forte que qualquer voltagem. Sabrina enrolou os fios com cuidado e os deixou sobre a mesa, à vista, onde Damián pudesse continuar olhando para eles durante a pausa. O medo, como Lucía dissera, trabalhava sozinho.

Apagaram a lâmpada do porão ao sair. Deixaram-no no escuro, amarrado, ouvindo os próprios passos se afastarem pela escada de madeira. E naquela escuridão, pela primeira vez na vida, Damián Vázquez desejou com todas as forças jamais ter saído da prisão.

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