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Relatos Ardientes

Ela pediu as algemas naquela primeira noite

O disparo de Sofia rasgou o silêncio da cobertura. Marcos uivou quando a bala roçou seu ombro e a máscara de frieza que ele sempre carregava se partiu em um segundo. Seus olhos se encheram de uma raiva animal que Valeria já tinha visto antes, mas nunca tão de perto.

—Você é uma idiota! —rugiu ele, virando-se para a loira.

Sofia tinha largado a arma. Os dedos estavam dormentes e os olhos fechados, os dentes cerrados, esperando o golpe. O golpe não veio. O que veio em seu lugar foi o estalo de uma rajada automática. Rodrigo disparou da entrada da cobertura e Marcos caiu no concreto sem emitir um som.

O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que o barulho anterior.

Sofia se arrastou até Valeria. Não caminhava, se arrastava, com a urgência de alguém que precisa confirmar que a outra pessoa continua viva. Quando chegou ao lado dela, envolveu-a em um abraço desajeitado e desesperado, enterrando o rosto em seu pescoço.

—Me perdoa... me perdoa, Vale... por favor —chorava Sofia, com uma voz que parecia não ser usada havia meses.

Valeria não tinha forças para erguer os braços. Mesmo assim, ergueu. Rodeou Sofia e encostou a testa na dela. As lágrimas das duas se misturaram sobre o concreto frio.

—Já passou —sussurrou Valeria—. Estou aqui.

A sombra de Rodrigo se projetou sobre as duas mulheres. Ele se aproximou com o fuzil ainda soltando fumaça, sem pressa, com aquela calma dele que sempre parecia ligeiramente obscena dadas as circunstâncias.

—Vamos embora —ordenou—. Isso vai explodir a qualquer momento.

Valeria olhou para ele do chão e sentiu que o ódio acumulado durante semanas encontrava um novo destino.

—Você demorou pra caralho, filho da puta —cuspiu ela.

Rodrigo nem se abalou. Esboçou algo que poderia ser interpretado como um sorriso.

—Esse era o plano, Valeria. Eles não podiam suspeitar.

Valeria se pôs de pé, ignorando a dor em cada músculo, e esbofeteou o rosto dele com a palma aberta. O golpe ecoou por cima do rugido dos incêndios. Rodrigo recebeu a bofetada sem se mover.

—Você me usou —disse ela, cada palavra carregada de veneno—. Por um momento eu achei que você tivesse mesmo me vendido praquela gente. Você me assustou mais do que qualquer pessoa já me assustou na vida.

—Eu sei —respondeu Rodrigo em voz baixa—. E sinto muito. Mas precisávamos que você fosse uma vítima real para que A Irmandade baixasse a guarda. Era a única forma de chegar ao núcleo e destruí-los por dentro. Você precisava viver o mesmo que Sofia para que engolissem a isca.

Valeria o encarou por vários segundos, procurando a mentira. Não encontrou. Olhou de lado para Sofia, que se agarrava ao seu braço como a uma boia salva-vidas, e então voltou ao seu mentor.

—Você é um desalmado, Rodrigo —disse por fim—. E também o melhor estrategista que eu conheço. Vai se foder.

Rodrigo assentiu uma única vez e as guiou através do caos da cobertura até o helicóptero que tinha acabado de pousar.

***

Se passaram sessenta dias. As manchetes falaram de uma operação de elite, de mais de cem vítimas libertadas, de uma rede desarticulada. Os nomes de Valeria e Sofia não apareceram em lugar nenhum. Elas estavam atrás de paredes brancas com cheiro de antisséptico, recolhendo os pedaços.

Valeria recebeu alta física antes do fim do primeiro mês. Seu corpo era algo treinado para aguentar. Comparecia às sessões de terapia com as costas eretas e o tom neutro de alguém que revisa um relatório.

—Estou pronta para voltar ao serviço —dizia, de braços cruzados.

Sofia demorou mais. Passava as manhãs olhando pela janela, e o menor ruído metálico a fazia sobressaltar. O condicionamento de semanas sob as ordens de Vera deixara uma marca que não se apagava na base da vontade.

Uma tarde, a Dra. Fuentes interceptou Valeria no corredor e foi direta.

—Fisicamente ela está bem —disse—. Psicologicamente, está em hipervigilância constante. Se voltar sozinha para o apartamento, vai regredir. Ela precisa de um ambiente seguro. Precisa não ficar sozinha.

Naquela noite, Valeria entrou no quarto de Sofia. A luz da lua iluminava a cama onde a loira se encolhia com os joelhos contra o peito. Valeria se sentou na beira do colchão e pegou a mão dela.

—Os médicos dizem que você pode sair em dois dias —disse.

Sofia enrijeceu os ombros.

—Eu não quero voltar pro meu apartamento —respondeu em voz baixa—. Sinto que Marcos ou Vera vão sair de dentro do armário a qualquer momento. Tenho medo de trancar a porta.

—Você não vai voltar pra lá —disse Valeria—. Falei com Rodrigo e com a administração. Quero que você venha morar comigo. Meu prédio tem segurança e, o mais importante: eu vou estar lá.

Sofia a olhou em silêncio, processando as palavras. Pela primeira vez desde o resgate, o vazio em seus olhos se encheu de algo que poderia ser chamado de alívio.

—Você realmente quer me lá? —perguntou—. Depois de tudo o que você viu... de como eu estava...

Valeria afagou seu rosto e afastou uma mecha de cabelo loiro.

—Principalmente depois disso. Você não é o que eles fizeram você acreditar. Você é a mulher que eu amo, e eu não vou deixar você enfrentar isso sozinha.

Sofia fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, havia um sorriso pequeno e trêmulo em seus lábios. Atirou-se aos braços de Valeria com um suspiro longo, como se tivesse prendido a respiração durante meses.

—Obrigada, Vale —sussurrou—. Acho que eu não aguentaria mais uma noite sem ouvir sua respiração por perto.

***

O sol da tarde entrava oblíquo pelas persianas do apartamento de Valeria e desenhava linhas no tapete do quarto de hóspedes, que a oficial já tinha começado a chamar de «o quarto da Sofia». A loira terminou de arrumar sua última mala e ficou de pé no centro do quarto, respirando o cheiro de madeira e lavanda.

—Eu agradeço tanto, de verdade, Vale —sussurrou, com uma voz que ainda guardava o eco da fragilidade.

Valeria a observava da soleira da porta. Aproximou-se e se sentou ao seu lado na beira da cama, afundando um pouco o colchão sob seu peso.

—Você não tem nada a agradecer —respondeu, tomando-lhe a mão—. A dívida é minha.

Sofia inclinou a cabeça, confusa.

—Do que você está falando? Você arriscou tudo pra me tirar de lá.

—Estou falando da cobertura —disse Valeria, com os olhos dourados fixos nos azuis de Sofia—. Quando Marcos me tinha sob as mãos e tudo parecia perdido, foi você quem pegou a arma. Você quebrou alguma coisa por dentro pra fazer isso. Você me devolveu a vida, Sofia.

Sofia se lembrou do peso da arma, do estrondo, do medo. E também da faísca que acendeu alguma coisa em seu peito naquele instante, algo que ela acreditava ter se apagado para sempre. A proximidade de Valeria era magnética. A oficial diminuiu a distância e segurou o rosto dela entre as mãos, inclinando-se devagar.

Mas no instante em que os lábios de Valeria roçaram os seus, Sofia sentiu um clarão de pânico elétrico. Recuou de repente, encolhendo-se sobre si mesma. O contato físico súbito ainda acionava nela algo que não era desejo, e sim alarme.

Valeria retirou as mãos na mesma hora.

—Desculpa —disse—. Fui rápido demais. Não devia...

Fez menção de se levantar para lhe dar espaço, mas a mão de Sofia a deteve, agarrando seu pulso.

—Não vai embora —suplicou Sofia—. Foi só o reflexo. Só o medo. Não é que eu não te queira.

Ficaram em silêncio por um momento. Então Sofia respirou fundo, tomou uma decisão visível no rosto, e foi ela quem se aproximou. Passou os braços em volta do pescoço de Valeria e a beijou com uma intensidade que vinha sendo contida havia meses, um beijo que tinha gosto de sobrevivência e de alguma coisa que ainda não tinha nome.

Valeria correspondeu com a mesma intensidade. Quando se separaram para respirar, viu Sofia começar a desabotoar a blusa com dedos trêmulos, mas firmes.

—O que você está fazendo? —perguntou Valeria.

Sofia devolveu um sorriso carregado de malícia, o primeiro genuíno em meses.

—Vale... você sabe perfeitamente o que eu estou fazendo. Eu quero que você me foda até apagar todo o resto da minha cabeça.

Elas se despiram devagar, com a luz da tarde dourando cada centímetro de pele. Valeria desabotoou a blusa botão por botão e afastou o tecido dos ombros dela, deixando à mostra os seios redondos e firmes da loira, com os mamilos já endurecidos pela expectativa. Ajoelhou-se e abocanhou um deles, sugando com avidez enquanto a língua girava em círculos lentos ao redor da auréola. Sofia soltou um gemido sufocado e arqueou as costas contra sua boca.

—Ai, Vale... assim... —ofegou, enterrando os dedos no cabelo negro da oficial.

Valeria passou para o outro seio e mordeu o mamilo com a força exata para arrancar um grito breve. Lambeu o mamilo entre os dentes, puxando-o, enquanto a mão livre descia pelo ventre plano de Sofia e desabotoava sua calça. Contemplou o corpo de Sofia —as marcas que restavam, as curvas que conhecia— e se inclinou para beijá-la de novo, desta vez com a língua invadindo sua boca, saboreando-a. O impulso as levou a se deitarem sobre a cama, com Valeria se posicionando sobre ela.

Mas quando suas mãos começaram a percorrer a pele de Sofia, percebeu que a loira desviava o olhar. Uma sombra de dúvida atravessou seu rosto.

—O que foi? Se você não estiver pronta, a gente para —murmurou Valeria com suavidade.

Sofia apertou os punhos contra os lençóis. O rubor subiu por seu pescoço até as bochechas.

—Você pode me pôr as algemas? —disse por fim, soltando o ar de uma vez.

Valeria ficou imóvel por um segundo. Depois, um sorriso lento e compreensivo se desenhou em seus lábios.

—Tem certeza?

Sofia assentiu com firmeza. Desta vez, as algemas não seriam imposição. Seriam dela.

Valeria pegou o cinto tático e tirou as algemas de aço. O clique metálico ao prendê-las ao redor dos pulsos de Sofia ecoou no quarto. Ao sentir a restrição do metal frio contra a pele, Sofia experimentou algo que não esperava: uma onda de excitação pura, a vulnerabilidade convertida em desejo sob o controle da única pessoa em quem confiava. Sentiu um fio de umidade molhando suas coxas.

Valeria se ergueu por um momento e se despiu por completo, deixando a luz da tarde iluminá-la. O corpo da oficial era o de alguém que treinara a vida inteira: forte, de linhas definidas, com uma elegância devastadora. Os seios pequenos e altos, o ventre marcado, o triângulo escuro entre as coxas já brilhando com seu próprio sumo.

—Você está incrível —sussurrou Sofia, passando os olhos por cada centímetro—. Porra, que gostosa você está.

Valeria voltou para a cama e foi retirando o resto da roupa de Sofia com uma lentidão que beirava a crueldade. Desceu a calça centímetro por centímetro, beijando cada pedaço de pele que ficava exposto. Ao tirar a calcinha, notou a prova evidente da excitação dela: o sexo de Sofia brilhava ensopado, os lábios inchados e separados, um rastro de umidade grudando no tecido quando o afastou por completo. Abriu um sorriso.

—Você está pegando fogo, Sofia. Olha pra você, o cuzinho todo molhado pra mim.

—Sim... eu te desejo tanto —respondeu a loira, e então, sem pensar, o condicionamento dos meses anteriores veio à tona de uma forma nova—. Ama... eu te desejo.

A palavra «ama» ecoou no quarto. Valeria parou.

—«Ama»? —repetiu em voz baixa.

Sofia sentiu o rosto arder de vergonha.

—Eu não quis dizer isso. Espera, eu não...

O dedo indicador de Valeria pousou suavemente sobre seus lábios, cortando a desculpa. Instintivamente, Sofia abriu a boca e chupou o dedo dela, deslizando a língua ao redor da articulação.

—Não se desculpa —disse Valeria com a voz rouca, sentindo a língua de Sofia trabalhar nela—. Eu gosto de como isso soa na sua boca. Aqui, nesta cama, essa palavra é nossa. Não deles.

Valeria a reivindicou em um beijo longo que dissolveu qualquer resto de dúvida. Seus lábios desceram pelo pescoço de Sofia, mordendo-o com a força exata para deixar marca, e seguiram descendo. Lambeu o vão entre os seios, depois cada mamilo de novo, sugando e puxando com os dentes até Sofia se retorcer sob seu corpo, puxando as algemas por reflexo de querer agarrar a cabeça dela. A língua de Valeria traçou uma linha reta pelo ventre, parou no umbigo por um momento e seguiu descendo. Abriu as pernas dela com as mãos, empurrando os joelhos para cima e para os lados, e a deixou completamente exposta.

—Que buceta linda você tem —murmurou, contemplando-a de cima—. Toda molhada pra mim.

—Por favor, Vale... —ofegou Sofia—. Não me faz esperar mais.

Valeria se ajeitou de bruços entre as coxas de Sofia e passou a língua inteira pela fenda, da entrada da buceta até o clitóris, com uma lentidão calculada. Sofia gritou e as algemas tilintaram contra a cabeceira. Valeria repetiu o movimento, desta vez afastando os lábios com os dedos para alcançar a carne rosada por dentro. Sugou o clitóris entre os lábios, puxando-o com sucções curtas, e depois o açoitou com a ponta da língua num ritmo constante. A loira levantava os quadris, buscando mais contato, e Valeria enfiou dois dedos na buceta dela de uma vez, sem aviso.

—Ai, caralho! —gritou Sofia, sacudindo a cabeça contra o travesseiro.

Valeria bombeou os dedos dentro dela, curvando-os para cima para acertar aquele ponto esponjoso que fazia Sofia estremecer por inteiro, enquanto continuava sugando o clitóris. A loira estava ofegante, gemendo, soltando obscenidades que meses atrás nunca sairiam de sua boca.

—Isso, isso, aí... mais fundo, caralho... enfia os dedos até o fundo...

Valeria enfiou um terceiro dedo e acelerou o ritmo. A buceta de Sofia sugava os dedos a cada investida, apertando-se ao redor deles, ensopando-lhe a palma. Trabalhou com paciência e precisão, levando Sofia até a beira do clímax, e justamente no instante em que os músculos da loira começavam a se enrijecer de forma iminente, parou. Tirou os dedos de súbito e levantou a boca do clitóris, deixando Sofia suspensa no vazio.

—Não! —protestou a loira—. Não para, por favor, não para...

Ergueu o olhar com uma expressão cheia de cumplicidade, os lábios brilhando com os fluidos de Sofia.

—Implora pra mim, Sofia.

Sofia reconheceu o jogo. Já não havia medo, só entrega voluntária à mulher que a salvara.

—Por favor... ama... não para —implorou, se retorcendo contra os lençóis—. Eu lhe suplico... continue. Me acabe com essa buceta com a língua, ama, eu lhe suplico... me faça gozar na sua boca...

Valeria sorriu e voltou a enfiar o rosto entre as coxas dela. Enfiou três dedos de novo, sem piedade, e devorou o clitóris com a boca aberta, sugando, lambendo, gemendo contra a carne. Sofia chegou ao clímax com um grito rouco que lhe rasgou a garganta, arqueando as costas tanto que as algemas se cravaram em seus pulsos. A buceta pulsou ao redor dos dedos de Valeria em ondas longas, e uma corrente quente encharcou sua mão e sua boca. Valeria não se afastou: continuou lambendo com suavidade, prolongando o orgasmo, engolindo cada gota que Sofia lhe oferecia, até a loira começar a tremer de sensibilidade e a pedir piedade entre risos sufocados.

—Chega, chega, Vale... eu não aguento mais...

Valeria se afastou e subiu pelo corpo dela, deixando nos lábios o rastro do próprio sabor de Sofia. Beijou-a e a loira lambeu os próprios fluidos da boca da oficial com avidez.

***

A noite se estendeu entre risadas e uma intimidade que foi apagando, camada por camada, o peso dos meses anteriores. Sofia, ainda com as algemas, insistiu em retribuir. Valeria tirou as algemas por um momento para que ela pudesse se mover, e a loira se deixou cair de joelhos ao pé da cama, puxando Valeria pelas coxas até fazê-la sentar na beirada.

—Agora me deixa —disse, com os olhos brilhando—. Abre as pernas, Vale.

Valeria obedeceu. Sofia passou as mãos pelas coxas dela, subindo, até afastá-las por completo. A buceta da oficial estava tão molhada quanto a dela estivera há pouco, e Sofia se aproximou e deu um beijo longo nos lábios inferiores, saboreando-a. Passou a língua inteira de baixo para cima, e quando chegou ao clitóris, começou a lambê-lo em círculos precisos que fizeram Valeria jogar a cabeça para trás e soltar um longo ofego.

—Porra, Sofi... que bem você faz isso...

Sofia enfiou dois dedos na buceta dela enquanto continuava chupando o clitóris, imitando o ritmo com que Valeria a tinha feito gozar. A oficial agarrou sua cabeça e começou a mover os quadris contra a boca dela, fodendo seu rosto sem vergonha. Sofia gemia contra a carne, encantada, aceitando o ritmo que lhe impunham. Quando percebeu que Valeria estava perto, redobrou a sucção no clitóris e curvou os dedos dentro dela até a oficial gozar em uma convulsão que sacudiu todo o corpo, apertando as coxas ao redor da cabeça da loira. Sofia engoliu tudo, lambendo a buceta com dedicação até a última pulsação.

Houve momentos de brincadeira leve: pequenas palmadas que não buscavam dor, mas uma cumplicidade que fazia Sofia rir de verdade, as primeiras risadas em muito tempo. Valeria colocou as algemas nela de novo, desta vez na frente, e a deixou de quatro na cama. Deu uma palmada firme em cada nádega, deixando a pele vermelha, e então se agachou e passou a língua pela fenda do cu até a buceta, arrancando dela um gritinho de surpresa.

—Vale! Eu não achei que você fosse...

—Aqui tudo é meu, escrava —murmurou Valeria contra a pele dela—. Tudo.

Subiu outra vez pelas costas dela, mordendo a nuca, e enfiou três dedos na buceta por trás enquanto o polegar pressionava o anel do cu. Bombeou assim, com os dedos entrando e saindo, até Sofia gozar de novo, gritando contra o travesseiro, com as algemas mordendo o lençol.

Horas depois, o cansaço doce as deixou deitadas. Valeria apoiada no encosto, Sofia encolhida sobre seu peito, ouvindo seu coração. O mundo lá fora existia, mas naquele quarto parecia muito distante.

Mesmo assim, o silêncio de Sofia ficou denso. Valeria percebeu.

—O que foi? —perguntou, acariciando-lhe o cabelo com delicadeza—. Você está muito quieta.

Sofia puxou ar, como se precisasse de coragem para soltar o que lhe queimava por dentro.

—Eu preciso te pedir uma coisa. Na minha mala, no compartimento lateral... tem uma coisa que eu preciso que você traga.

A seriedade na voz dela desconcertou Valeria. Ela se levantou, atravessou o quarto nua e abriu o compartimento lateral. Os dedos roçaram uma textura conhecida que a fez dar um passo para trás. Tirou dali a coleira de couro preto.

—O que isso está fazendo aqui? —perguntou, virando-se com o cenho franzido—. Por que você guardou isso?

Sofia a olhou da cama com os olhos úmidos, mas a voz firme.

—Durante meses eu odiei essa coleira. Era o símbolo de tudo o que fizeram comigo. Mas agora que não a uso, eu me sinto vazia. Desprotegida.

Fez uma pausa, com os olhos fixos nos de Valeria.

—Eu preciso saber que pertenço a alguém. Mas não a eles. Quero que seja você. Quero que você a coloque em mim.

Valeria analisou o rosto da companheira por vários segundos. O trauma deixara uma necessidade de estrutura que não desaparecia de um dia para o outro, e ela entendia isso melhor do que ninguém.

—Por favor —acrescentou Sofia—. Eu não quero tortura nem dor nem nada de tudo o que vivemos lá. Eu só quero sentir que você me protege. Que sou sua e de mais ninguém.

Valeria olhou o couro preto em suas mãos e depois o pescoço de Sofia. Entendeu o que havia por trás daquele pedido: transformar o símbolo da escravidão no símbolo da entrega voluntária, fazer com que a história da coleira fosse outra história, a delas duas.

—Não sei o que pensar de tudo isso —disse em voz baixa—. Mas se isso é o que você precisa para se sentir segura, tudo bem.

Aproximou-se e colocou a coleira no pescoço de Sofia com movimentos lentos e cuidadosos. Ao ajustar a fivela, o clique do fecho metálico ecoou no quarto como uma sentença de devoção.

Naquele instante, Sofia sentiu algo que não esperava: uma liberação emocional tão forte que não conseguiu se conter. Desceu da cama até ficar de joelhos aos pés de Valeria e começou a beijar-lhe os pés com determinação serena.

—O que você está fazendo? —perguntou Valeria, invadida por uma mistura de vergonha e algo mais difícil de nomear.

—Eu gosto de te adorar assim, Vale —respondeu Sofia, olhando para cima—. Deixa eu fazer isso. É a minha forma de dizer que você me devolveu a vida.

Vê-la assim, com as algemas ainda postas e a coleira rodeando seu pescoço, beijando-lhe os pés com aquela entrega total, fez Valeria sentir uma vibração de autoridade que nunca experimentara fora do serviço. Endireitou-se devagar e deixou essa sensação percorrê-la. Agarrou Sofia pelos cabelos com firmeza e levantou-lhe o rosto.

—Eu gosto disso, escrava —disse com uma firmeza que fez Sofia tremer de excitação—. Já que você está aí embaixo, abra a boca e me mostre o quanto está agradecida.

Sofia obedeceu na mesma hora. Valeria pôs um pé sobre a cama, abrindo-se para ela, e Sofia se aproximou de joelhos e enterrou o rosto entre as coxas dela outra vez, com as mãos algemadas apoiadas nas ancas da oficial. Lambia a buceta com uma devoção nova, agora enquadrada pela coleira que usava, gemendo contra a carne enquanto sentia o peso do couro apertando sua garganta a cada engolida. Valeria segurou sua cabeça e moveu sua boca no ritmo que queria, olhando-a de cima com os olhos semicerrados.

—Assim, escrava... chupa a minha buceta assim, pra você saber a quem pertence...

Sofia assentiu sem tirar a língua de dentro, e enfiou dois dedos enquanto continuava chupando o clitóris. Valeria gozou de novo, com menos violência, mas mais fundo, um orgasmo longo que fez suas coxas tremerem ao redor do rosto de Sofia. Quando terminou, puxou-a para cima pela coleira, com suavidade mas com domínio, e a beijou na boca ainda cheia do próprio sabor.

—Escuta bem —disse, depois de recuperar o fôlego—: o que somos aqui dentro fica entre estas quatro paredes. É o nosso segredo. Fora deste apartamento, diante do mundo, você será minha namorada. Minha igual.

Ao ouvir a palavra «namorada», os olhos de Sofia se iluminaram com uma alegria sem reservas. Ela se pôs de pé com a ajuda de Valeria, que a puxou para um abraço e encostou a testa na dela.

—Eu te amo, Vale —sussurrou a loira.

Valeria sorriu com ternura, aceitando finalmente a complexidade do que tinham.

—E eu a você... escrava.

As duas soltaram uma gargalhada cúmplice, uma risada que selava seu pacto estranho e sólido. Lá fora, A Irmandade ainda existia como sombra no mundo. Lá dentro, eram elas que sustentavam as chaves do próprio destino.

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