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Relatos Ardientes

Levei-as mascaradas ao carnaval de Veneza

O zumbido surdo dos motores criava uma bolha isolante a onze mil metros sobre o Atlântico. Cruzávamos em um voo direto, uma linha reta de aço que nos arrancava de Buenos Aires e nos lançava ao inverno italiano. Na cabine de primeira classe, a luz era uma penumbra azul, e os demais passageiros dormiam sob seus cobertores. Eu ia no centro, ladeado por minhas duas posses: minha Pantera à direita, minha boneca à esquerda.

Sob os cobertores de lã fina, o jogo havia começado muito antes do cruzeiro. Os controles dos dispositivos repousavam no meu colo, ocultos das comissárias que patrulhavam o corredor com passos silenciosos. Ambas usavam um ovo vibrador enfiado até o fundo na boceta e uma cápsula menor pressionada contra o clitóris, presos por calcinhas de renda que eu mesmo lhes havia colocado no banheiro do aeroporto. Aumentei o controle da boneca alguns níveis e senti-a se retesar ao meu lado.

— Está sentindo? — sussurrei em seu ouvido. — Estamos cruzando o equador. Outro hemisfério. Suas velhas resistências já não servem para nada. Aqui em cima, só existem você e a minha vontade. Esse ovo que você tem dentro da boceta é o meu pau em miniatura, está ouvindo? E ele vai ficar fodendo você até pousarmos.

Vi seus dedinhos cravarem-se no apoio de braço. Seus cachos castanhos tremiam enquanto sua cabeça buscava um ar que parecia lhe faltar. Seus olhos castanhos, enevoados pela falta de sono, procuraram os meus com uma mistura de pânico e devoção. A vibração era um ruído surdo camuflado pelo ronronar da fuselagem, mas eu sabia que, dentro dela, era um terremoto. Deslizei a mão por baixo de seu cobertor, sob o vestido, e enfiei dois dedos entre suas coxas. A renda estava encharcada, uma poça quente que escorria pela parte interna de suas pernas até o couro do assento.

— Olhe só como você está, putinha — sussurrei, tirando os dedos brilhantes de excitação e levando-os à boca. — Escorrendo num voo de primeira classe. Se a comissária a visse, saberia na hora que tipo de porca viaja comigo.

— Não se mexa — ordenei friamente. — Se uma comissária perguntar se você está bem, vou passar o resto da viagem com você amarrada no banheiro, com as tetas para fora e a bunda aberta para qualquer um que entrar fodê-la.

Minha Pantera, por outro lado, observava com uma calma predatória. Não precisava que eu aumentasse a intensidade para saber qual era o seu lugar; gostava de ver a outra desmoronar. Com um movimento fluido, deslizou para baixo do meu cobertor, abriu o zíper da minha calça e tirou meu pau já duríssimo. Senti o calor de sua boca reivindicando-me, a língua traçando a veia grossa desde a base até a glande antes de me engolir por inteiro. Sua garganta se abriu para me receber, e percebi a ponta do meu caralho bater contra o fundo de seu palato enquanto ela controlava os engasgos com uma disciplina aprendida à força de sessões. Subia e descia num ritmo lento e calculado, apertando os lábios em torno do meu pau, chupando com sucções profundas que produziam um ruído úmido camuflado pelo motor do avião.

— Isso — murmurei, pousando a mão em sua nuca para marcar o ritmo. — Mostre àquela boneca quem manda neste voo. Engula até a base, não solte meu pau nem para respirar. Olhe bem para ela, putinha. Veja como sua superiora se engasga com o meu caralho enquanto você mal consegue se manter sentada sem chorar.

A boneca observava o volume sob meu cobertor com uma fascinação mórbida, adivinhando cada investida da cabeça da Pantera contra meus quadris. Seu corpo convulsionava com os pulsos que eu lhe enviava pelo celular. Estava presa entre a inveja e a agonia do desejo contido. Sempre que uma comissária passava, prendia a respiração até ficar vermelha, e eu aproveitava para aumentar o nível do vibrador da Pantera, que respondia chupando-me com mais força, engolindo os gemidos com meu pau cravado em sua garganta.

— Damián, por favor… — a boneca conseguiu dizer num sussurro quebrado. — Eu vou gozar, não aguento mais…

— Para você, sou Damián, e para você o “por favor” não existe — interrompi-a, levando o dispositivo ao máximo durante dez segundos brutais. — Nem pense em gozar sem permissão. Cerre os dentes e beba a sua própria vergonha. Isto é apenas o prefácio do que espera você nos canais.

Sob o cobertor, a Pantera acelerou. Senti seus dedos se fecharem ao redor dos meus ovos, massageando-os com uma pressão precisa enquanto sua boca continuava a trabalhar-me. Ela sabia que eu estava perto; conhecia cada tremor do meu pau como se ele fosse um instrumento seu. Agarrei seus cabelos com força e empurrei-a até o fundo, fodendo sua garganta com estocadas curtas e controladas. Minhas coxas se retesaram e gozei em jatos diretamente em sua boca, descarga após descarga de sêmen quente que ela engoliu sem desperdiçar uma gota, com a disciplina de uma devota que jamais desperdiça seu deus.

Quando minha Pantera emergiu, com os lábios brilhantes e aquele olhar triunfante, limpou o canto da boca com uma lentidão insultante para a outra. Recolheu uma gota branca do queixo com o dedo e colocou-a na boca sem deixar de olhar para a boneca. A boneca estava desfeita, encharcando o assento de luxo, tremendo sob o cobertor enquanto o avião iniciava a descida rumo ao velho continente. Pus a mão entre suas pernas e deixei o vibrador no mínimo, uma pulsação cruel que a manteria no limite sem deixá-la terminar.

***

A descida sobre o Adriático foi num piscar de olhos. As nuvens se abriram e Veneza surgiu, uma joia de pedra e terracota flutuando sobre um pântano prateado. Ao pousarmos no Marco Polo, o ar gélido da Itália fez com que elas estremecessem. O calor portenho já era uma lembrança distante. No cais do aeroporto, esperava-nos uma lancha particular de mogno envernizado, brilhante e afiada como uma navalha.

O trajeto foi o prelúdio perfeito para o isolamento que eu buscava. Vê-las as duas na popa, envoltas em casacos, mas ainda com as pernas trêmulas, era uma visão de pura posse. O condutor manobrou pelos canais até o Grande Canal. Ali, diante da cúpula da Salute, erguia-se o Palazzo Ca' Sagredo, onde eu havia reservado a suíte mais alta do hotel.

— Bem-vindos, signor Damián — disse o concierge ao nos receber no cais privativo.

Subimos direto para a suíte. Assim que a porta se fechou com um clique eletrônico, o silêncio do luxo absoluto tomou conta de nós. Mas não foi o interior que lhes roubou o fôlego, e sim o que havia além das janelas. Levei-as à varanda: uma plataforma de pedra que parecia flutuar sobre a água verde do canal, onde toda Veneza ficava a seus pés e você ficava à vista de toda Veneza.

— À balaustrada. As duas — ordenei, apontando para a borda de mármore que dava para o vazio.

O vento do canal golpeou seus rostos. Dali, qualquer turista numa gôndola poderia erguer os olhos e nos ver.

— Olhem para baixo — disse, posicionando-me atrás delas. — Isto é estar sob o meu comando na Itália. Vocês estão no palco mais famoso do mundo, mas são invisíveis para todos, menos para mim. A vertigem não é por causa da altura. É por causa das roupas que vocês vão perder em um minuto.

— Damián, está muito frio aqui fora — murmurou a boneca, abraçando a si mesma enquanto olhava aterrorizada para o fluxo constante de barcos.

— O frio é um lembrete de que você está viva e de que me pertence — respondi com dureza, agarrando-a pelos cabelos para obrigá-la a olhar para o horizonte. — Minha Pantera não reclama. Ela sabe que o frio é apenas a tela para o calor que vou lhe dar.

Obriguei-as a tirar os casacos e as roupas de viagem ali mesmo, sobre o mármore, diante da imensidão do Grande Canal. A nudez naquele ambiente era uma humilhação elegante; seus corpos brancos contrastavam com a arquitetura gótica dos palácios vizinhos. A Pantera manteve-se ereta, o queixo erguido, aceitando a exposição com uma dignidade feroz que fez meu sangue ferver. Seus peitos empinados endureceram imediatamente com o frio, os mamilos escuros fincados no ar gelado como pontas. A boneca, por outro lado, tentava cobrir-se com as mãos, encolhendo-se diante da possibilidade de algum gondoleiro curioso olhar para cima, seus seios redondos tremendo junto com o resto do corpo.

— Não se cubram — sentenciei, ativando os dispositivos com uma pulsação lenta, mas profunda. — Mãos na balaustrada e bundas para trás. Quero que Veneza testemunhe como vocês vibram. Quero que sintam o ar do Adriático em cada poro enquanto o motor lembra a vocês que não há refúgio possível.

Posicionei-me atrás da Pantera e passei a mão entre suas nádegas, deslizando dois dedos por sua rachadura até encontrar a boceta encharcada. Penetrei-a sem aviso e senti o vibrador que ela trazia dentro bater contra meus nós dos dedos. Arqueei suas costas, puxando-lhe os cabelos para trás, e fodi sua boceta com os dedos ao ritmo do vaporetto que passava lá embaixo, enquanto a boneca chorava em silêncio ao seu lado, obrigada a olhar sem poder se tocar. A Pantera empurrava a bunda contra minha mão, buscando mais, gemendo baixo, com os dentes cerrados para não despertar os palácios adormecidos.

***

O ar do canal havia deixado seus corpos num estado de extrema hipersensibilidade. Fiz com que voltassem para o interior da suíte, onde o calor do aquecimento contrastou brutalmente com a pele gélida de suas coxas. Sobre a cama de dossel, duas caixas de madeira de sândalo esperavam. Eram peças compradas de um artesão de Castello, projetadas para ocultar a alma e realçar a submissão.

— Veneza no carnaval é um teatro de sombras — disse, abrindo a primeira caixa. — Aqui, se você não tem rosto, não tem limites.

Tirei a primeira máscara. Couro preto e prata, orelhas pontudas, uma expressão de ferocidade nobre. A da Pantera. Coloquei-a em minha favorita, ajustando as fitas de seda com uma firmeza que a fez arfar. Seus olhos escuros, por trás das órbitas rasgadas, adquiriram uma profundidade animal. Combinava perfeitamente com o colar de prata que ela jamais tirava.

— Esta é a sua coroa, minha Pantera — sussurrei, beijando a borda do couro. — Sob esta máscara, você é dona da noite, desde que se lembre de quem segura a sua coleira.

Para a outra, tirei uma máscara Volto branca, lisa, sem expressão. O vazio absoluto. Ao colocá-la na boneca, sua identidade universitária desapareceu. Já não era uma garota de cachos e rosto redondo. Era um objeto, uma superfície de porcelana fria que só servia para receber minhas ordens.

— Você não precisa de rosto, putinha — sentenciei, dando-lhe um tapa seco na nuca para que baixasse a cabeça. — Seu único vestígio de identidade nesta cidade serão seus gemidos quando eu a foder. Nada mais.

Antes de vesti-las com os pesados trajes de época que eu havia alugado — brocado e veludo que pesavam quilos —, deitei-as de costas na cama, uma ao lado da outra, e separei suas pernas. Retirei cuidadosamente os ovos usados durante o voo e os substituí por modelos maiores e mais pesados. Antes de enfiá-los nelas, cuspi em cada boceta e esfreguei a saliva misturada com sua própria excitação pelos lábios inchados. A Pantera abriu-se com facilidade, engolindo o aparelho até que apenas o cordão de silicone ficasse para fora. Foi mais difícil com a boneca; sua boceta se contraía devido à superestimulação, então primeiro penetrei-a com três dedos, abrindo-a à força, até conseguir introduzir o vibrador sem resistência.

— Aí está o seu tampão, putinha — disse, dando um tapa seco na boceta já fechada sobre o aparelho. — Nem pense em deixá-lo cair, ou vou enfiá-lo na sua bunda no meio da praça.

Configurei os dispositivos via Bluetooth. Na tela do celular, as duas barras de intensidade brilhavam em vermelho.

— Em Veneza, o prazer é um segredo levado sob a roupa — disse-lhes, enquanto as obrigava a abrir as pernas para prender os aparelhos. — Ninguém na praça de São Marcos saberá por que vocês tremem quando forem roçadas. Só eu terei o controle da pulsação de vocês no meio da multidão.

Apertei os cordões dos espartilhos até que suas respirações se tornassem curtas e superficiais. O rangido da seda e o peso das saias envolveram-nas, ocultando a tecnologia que já começava a vibrar num modo constante de “pulsação”. Eram duas visões de um século passado prontas para o pecado moderno.

***

O trajeto do hotel até a praça de São Marcos foi uma procissão de tensão crescente. Caminhávamos pelas calli, as vielas estreitas onde o som de nossos passos sobre a pedra úmida se misturava ao zumbido secreto que emanava de seus corpos. Ao desembocarmos na praça, a imensidão do espaço e a densidade da multidão nos atingiram como uma onda. Era o epicentro do carnaval: milhares de pessoas envoltas em sedas, plumas e ouro, movendo-se sob a sombra da basílica e do campanário.

Tirei o celular e deslizei os dois controles até o nível nove. A Pantera se retesou, arqueando as costas sob o brocado, enquanto seus dedos enluvados se cravavam em meu braço. A boneca, por trás da máscara branca, soltou um gemido abafado que ficou preso no ar gélido.

— Caminhem — ordenei em seus ouvidos. — E não ousem tropeçar.

Entramos no mar de gente. O risco era embriagador. Em São Marcos, o contato físico é inevitável; estranhos mascarados roçavam-nos ao passar, suas capas de veludo chocando-se contra as de minhas mulheres. Cada roçar acidental era uma descarga de adrenalina, uma invasão de seu espaço pessoal enquanto suas bocetas eram marteladas pela vibração que eu controlava do bolso.

— Damián, por favor, tem gente demais — sussurrou a boneca, sua máscara embaçada pela respiração irregular. — Está saindo líquido, está escorrendo pelas minhas coxas…

— Esse é o objetivo, putinha — respondi, mudando para um padrão de pulsos violentos. — Que a poça apareça por baixo do vestido. Que vocês sintam que qualquer um desses homens poderia descobrir seu segredo bastando olhar nos seus olhos. Que sintam a vergonha de estar escorrendo sob esses vestidos de milhares de euros enquanto um turista lhes pede uma foto.

A Pantera, apesar de suportar o mesmo castigo, mantinha a cabeça erguida. Sua máscara prateada desafiava a multidão, mas seu passo era lento, pesado, sinal de que cada centímetro avançado era uma luta contra o próprio clímax. Obriguei-a a caminhar um passo à frente da outra, marcando a hierarquia mesmo em meio ao caos. Passei a mão por sua cintura e desci até apertar uma nádega por cima do brocado, sentindo a carne firme e quente mesmo através das camadas de tecido.

Quando um grupo de mascarados cruzou conosco, eu os detive.

— Olhem para ela — disse aos desconhecidos, apontando para a boneca. — Parece que o frio de Veneza a afetou, não?

Os estranhos riram por trás de suas máscaras de Dottore, assentindo com cortesia veneziana. Não suspeitaram que a garota de branco não tremia de frio, mas porque eu estava apertando o botão do orgasmo no meio da praça mais famosa do mundo. Ela apertava as coxas desesperadamente, tentando não gozar, tentando não gritar quando o aparelho martelava seu clitóris na potência máxima. A humilhação em seus olhos castanhos, visíveis por trás da máscara, era uma delícia. Ela estava à beira do colapso, enquanto a Pantera a observava com superioridade cruel, desfrutando do fato de que, na escala da vergonha, a outra sempre estava um degrau abaixo.

Arrastei-a até um canto entre duas colunas do pórtico, meio escondidos pela sombra, mas ainda à vista de qualquer pessoa que passasse perto. Levantei seu vestido por trás o suficiente, baixei sua calcinha até os joelhos e enfiei dois dedos na boceta encharcada, empurrando o vibrador até o fundo.

— Goze agora — ordenei em seu ouvido, mordendo-lhe o lóbulo por baixo da máscara. — Goze aqui, diante de toda essa gente, ou deixarei o aparelho ligado durante todo o jantar.

Ela gozou em silêncio, sacudida por espasmos que percorriam o corpo inteiro, com a máscara de porcelana batendo contra a pedra da coluna. Sua boceta escorreu sobre meus dedos, um líquido espesso e quente que desceu por suas coxas até as ligas. Limpei-os em seu próprio espartilho antes de subir-lhe a calcinha, agora inutilizável de tão encharcada, e devolvê-la à procissão sem lhe dar tempo para se recuperar.

***

O burburinho começou a desaparecer atrás de nós enquanto penetrávamos na penumbra das vielas que levavam aos cais ocultos. Num canto escuro, perto de uma ponte solitária, uma gôndola negra como azeviche esperava. O gondoleiro, com o rosto por trás de uma máscara de Medico della Peste, indicou-nos que subíssemos sem pronunciar uma palavra. Era o cúmplice silencioso que Veneza sempre oferece a quem busca o pecado.

Assim que a embarcação se afastou do cais e deslizou por canais secundários, o silêncio tornou-se opressivo, rompido apenas pelo zumbido dos motores que eu acabara de colocar em vibração constante e profunda.

— Sentem-se diante de mim — ordenei, acomodando-me no banco de couro enquanto a gôndola entrava num canal tão estreito que quase podíamos tocar as paredes com as mãos.

A Pantera sentou-se com as pernas abertas, deixando o brocado espalhar-se, desafiadora. A boneca encolheu-se ao seu lado, buscando o anonimato que sua máscara lhe prometia. Tirei o celular e, com um movimento sádico, vinculei a intensidade ao movimento do remo. Cada vez que a gôndola avançava, a vibração subia de repente.

— Damián, aqui ninguém nos vê — sussurrou minha Pantera, sua voz carregada de uma luxúria que o ar frio não conseguia aplacar. — Por favor… quero sentir você, não só a máquina. Quero seu pau dentro de mim. Quero que me foda até eu esquecer meu nome.

— Em Veneza, você sente aquilo que eu decido que sentirá — respondi, olhando-a fixamente por trás de minha própria máscara. — Mas você tem razão. A escuridão do canal é um desperdício se não a usarmos.

Deslizei até o chão da gôndola, ficando aos pés dela. Primeiro levantei as pesadas saias da boneca, empurrando-as até sua cintura. O cheiro de umidade do canal misturou-se ao aroma embriagante de sua rendição; ela estava encharcada, o líquido escorrendo pelas coxas rosadas enquanto o dispositivo continuava a martelá-la. Arranquei sua calcinha de um puxão, a seda cedendo com um estalo seco, e enfiei-a em sua boca por baixo da máscara para que abafasse os gemidos.

Tirei-lhe o vibrador de um puxão e deixei-o cair no fundo da gôndola. Sua boceta ficou aberta, palpitante, tão vermelha e brilhante que parecia uma ferida. Abri minha braguilha, tirei o pau já duríssimo e afundei nele com uma única estocada, até o fundo, arrancando-lhe um uivo abafado pela seda. Fodi-a com estocadas brutais, agarrando-a pelos quadris e cravando-a contra o banco da gôndola, que balançava ao ritmo de meus golpes. Cada pancada arrancava dela um jato quente que encharcava meus ovos e molhava minha calça.

— Assim — grunhi, sem parar de bombear. — Aprenda a transar como se fode uma puta. Que sua boceta se alargue até só o meu pau caber dentro dela.

Quando ela estava prestes a gozar, saí de repente, deixando-a vazia e tremendo. Agarrei-a pelos cabelos e joguei-a no chão da gôndola, com a bunda erguida para mim. Voltei-me para minha Pantera, que observava com os olhos injetados de desejo.

— Venha aqui. Fique de quatro ao lado dela.

Arregaçei sua saia e arranquei o vibrador com a mesma brutalidade. Montei-a por trás, meu pau deslizando de uma vez em sua boceta encharcada, e comecei a fodê-la com estocadas profundas, agarrando-a pelos cabelos como se fossem rédeas. Sua bunda empinada batia contra meus quadris, um som úmido que ricocheteava nas paredes do canal. A Pantera gemia sem pudor agora, arqueando as costas, empurrando-se para trás para me receber ainda mais fundo.

— Use sua mascote, minha Pantera — disse em seu ouvido, sem parar de investir. — Mostre a ela como se serve Damián no escuro.

Sem sair de dentro dela, minha favorita inclinou-se em direção à boneca, agarrou-lhe a cabeça e afundou-a entre as próprias coxas, obrigando-a a lamber seu clitóris enquanto eu a fodia por trás. A imagem era de pura depravação veneziana: duas mulheres mascaradas, uma com a agressividade da prata e outra com o vazio do branco, entregues a mim numa embarcação que parecia flutuar entre dois mundos. A boneca lambia com o desespero de uma condenada, a língua batendo contra meu pau cada vez que eu saía quase inteiro antes de voltar a afundar-me nela. A Pantera gozou primeiro, sufocando um uivo contra o tijolo úmido do canal, com espasmos que apertaram sua boceta ao meu redor como um punho.

Tirei-o dela, virei-a de costas e penetrei a boneca outra vez, encharcada com minha própria saliva e com o líquido da Pantera. Fodi a putinha com a Pantera montada de pernas abertas sobre seu rosto, obrigando-a a lamber tudo o que restava entre suas pernas. Quando senti a ejaculação subindo, saí da boneca e gozei em jatos sobre as máscaras de ambas, marcando a porcelana branca e o couro prateado com o sêmen espesso e quente que as duas receberam de boca aberta.

A música de uma festa distante chegava abafada, um eco de civilização que contrastava com a crueza da gôndola. Minhas mãos perderam-se entre a renda e o veludo, distribuindo prazer e dor em igual medida, obrigando-as a lamber cada gota da minha ejaculação da máscara da outra antes de permitir que se recompusessem.

***

O retorno ao hotel foi um trajeto de silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo chapinhar da água contra o casco. Ao entrar na suíte, o calor do interior pareceu quase ofensivo depois do frio cortante dos canais. Mas não lhes dei tempo para se aclimatarem. Com um gesto seco, ordenei que fossem para a varanda. O Grande Canal continuava ali, uma serpente de água escura guardada por palácios adormecidos sob a lua.

— Fora as máscaras. Fora os vestidos. Tudo — sentenciei.

Elas despiram as identidades de seda e couro, deixando os tecidos pesados caírem no chão como peles mortas. Ali ficaram, nuas sob o céu de Veneza, a pele arrepiada pela brisa do Adriático e os corpos marcados pelas horas de vibração constante. A Pantera mantinha o queixo erguido, embora suas coxas traíssem o cansaço com um leve tremor e o líquido misturado ao meu sêmen escorresse lentamente pela parte interna das pernas; a boneca, pequena e vulnerável, evitava olhar para o horizonte e tinha os mamilos arroxeados de tanto serem mordidos.

— Apoiem-se na balaustrada. Bunda para cima, pernas abertas. Olhem para o horizonte — ordenei.

Tirei do bolso um chicote curto de couro rústico que havia trazido comigo. O estalo do couro contra o ar foi o único aviso antes do primeiro golpe. Comecei com a boneca; o impacto seco sobre a nádega esquerda deixou uma marca vermelha instantânea que contrastava com sua palidez. Passei à Pantera, dando-lhe um golpe idêntico, medindo a força para que a dor fosse um lembrete da minha presença. Os açoites caíam alternadamente, num ritmo cruel que ia das nádegas à parte interna das coxas, passando pelos lábios inchados da boceta, arrancando-lhes suspiros que ricocheteavam no mármore.

— Damián… — sussurrou minha favorita, cerrando os dentes enquanto suas nádegas ardiam sob o castigo.

Dei-lhe uma chicotada diretamente sobre a boceta aberta. Ela uivou abafadamente, o corpo inteiro convulsionando com o ardor, e, em vez de fechar-se, empurrou a bunda ainda mais para trás, pedindo mais. Repeti o golpe no mesmo lugar, e uma gota de líquido escapou e desceu por sua coxa. Não parei até que ambas as bundas e ambas as bocetas estivessem de um vermelho vivo, um mapa da minha autoridade gravado em sua carne diante da cúpula da Salute. Estavam quentes, palpitando de sangue e excitação contida. Aproximei-me da mesa de mármore da varanda, onde uma tigela de prata guardava o que eu havia pedido ao serviço de quarto: rodelas de limão tiradas diretamente do congelador, cobertas por uma fina camada de geada.

— Vire-se, putinha — disse.

Obriguei-a a abrir as pernas enquanto a Pantera observava, obrigada a manter sua posição. Peguei a primeira rodela. O frio era extremo, quase queimava ao toque. Deslizei-a lentamente, com sadismo, pela linha de fogo que o chicote deixara em sua nádega e, então, sem aviso, pressionei-a contra sua boceta, que continuava pulsando por causa do dispositivo recém-retirado.

O grito foi abafado pela minha mão sobre sua boca. A acidez do cítrico penetrando na pele hipersensível e o frio glacial criaram um choque térmico que a fez convulsionar. Enfiei a rodela entre os lábios da boceta, esfregando-a contra o clitóris até que o suco ácido se misturasse ao seu próprio líquido e escorresse por suas coxas. A acidez queimava por dentro, e ela arranhava o mármore tentando escapar do castigo enquanto seu corpo, traidor, empurrava a bunda para trás pedindo mais. O contraste entre o ardor do castigo e a queimadura química do limão deixou-a sem fôlego, enquanto as lágrimas se perdiam no vento do canal.

— Agora você, minha Pantera — disse, repetindo o processo com ela.

Ao contrário da outra, minha favorita não gritou. Soltou um rosnado profundo, os dedos agarrando o mármore com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Enfiei a rodela ainda mais fundo, abrindo-lhe a boceta com dois dedos, empurrando o cítrico gelado para dentro dela. Sua boceta cuspiu-o depois de alguns segundos, encharcado de seu próprio líquido e limão, e aproveitei para enfiar-lhe os dedos e fodê-la ao ritmo do vaporetto que passava ao longe. Sentir a acidez sobre a carne castigada diante de toda Veneza era o tributo que ela aceitava com orgulho. Obriguei-a a manter a rodela pressionada entre as coxas enquanto olhava fixamente para as luzes do Palácio Ducal ao longe.

— Sintam a acidez. Sintam o frio — sussurrei, posicionando-me atrás de ambas, abraçando-as pela cintura e enfiando um dedo na boceta de cada uma ao mesmo tempo. — É isso que significa ser propriedade. Não há prazer sem ardor, não há Veneza sem sacrifício.

***

O frio da varanda e a queimadura ácida deixaram seus sentidos em carne viva. Fiz com que voltassem para o interior, onde a luz das lâmpadas de Murano banhava o cômodo num tom âmbar, denso. Suas bundas, ainda ardendo por causa do chicote, destacavam-se contra os lençóis de seda preta da cama de dossel, uma superfície que parecia um altar preparado para o ato final.

— Para a cama — ordenei, finalmente tirando a camisa e a calça, com o pau já pronto outra vez, palpitando pelo que estava por vir. — Minha Pantera por cima. Boneca embaixo.

Elas se moveram com a coordenação nascida da obediência absoluta. Minha favorita posicionou-se sobre a outra num sessenta e nove, os corpos nus entrelaçando-se enquanto o cheiro cítrico ainda pairava no ar, misturado ao aroma denso de suas bocetas encharcadas. A Pantera olhou para a garota de branco — agora sem máscara, mostrando o rosto congestionado e os olhos enevoados — com uma mistura de desprezo e desejo possessivo. Ela sabia que, sob o meu comando, a boneca era seu brinquedo tanto quanto era o meu.

— Reivindique-a — disse-lhe, sentando-me na beira da cama para observar o espetáculo. — Mostre a esta putinha que a boceta dela me pertence, mas que você é responsável por executar a minha vontade. E você, boneca, nem pense em parar de chupar a boceta da sua superiora até que ela mande.

Minha Pantera não precisou que eu repetisse. Suas mãos, experientes e cruéis, fecharam-se sobre os peitos da outra, apertando-os e torcendo seus mamilos até arrancar-lhe um gemido quebrado. Baixou a cabeça e começou a devorar a boceta da boneca com uma ferocidade calculada: a língua traçava círculos apertados sobre o clitóris inchado e, de vez em quando, mordiscava-o com os dentes, arrancando espasmos que a faziam erguer os quadris. Ao mesmo tempo, a boneca lambia a boceta da Pantera por baixo, a língua trabalhando com o desespero de quem sabe que seu valor depende de quanto prazer consegue proporcionar.

— Olhe nos meus olhos, putinha — ordenou minha Pantera, erguendo-se por um instante para fitá-la por cima do ombro. — Sinta o que Damián faz com você através de mim.

Foi uma coreografia perfeita de submissão. Sob minha direção, a Pantera começou a fodê-la com três dedos enquanto continuava chupando seu clitóris, entrando e saindo num ritmo cada vez mais brutal, arrancando ruídos úmidos e obscenos da boceta encharcada da boneca. A outra respondia comendo a bunda da minha favorita, enterrando a língua na rachadura enquanto seus dedos desajeitados atacavam seu clitóris. Eu observava a pele de ambas cobrir-se de suor, os músculos de suas costas retesarem-se com o esforço, os líquidos misturarem-se e pingarem sobre a seda negra.

— Mais forte, minha Pantera — intervim, deslizando a mão para acariciar os cabelos da minha favorita. — Enfie o punho, se for preciso. Quero que ela chore de prazer. Quero que esqueça que algum dia teve uma vida fora deste quarto.

A intensidade atingiu um ponto de saturação. A boneca começou a convulsionar, as mãos procurando algo em que se agarrar, até acabarem cravadas nas coxas da Pantera. Gozou com um longo uivo, a boceta contraindo-se ao redor dos dedos que continuavam a fodê-la sem piedade. Quando a garota dos cachos finalmente desabou, vazia e derrotada, com o rosto encharcado pelo líquido da Pantera, minha favorita se ergueu, olhando para mim com um sorriso triunfal, a boca brilhando à luz das velas.

— Ela é sua agora, Damián — sussurrou, ofegante, enquanto se ajoelhava diante de mim sobre o colchão. — Já não lhe resta nada que não seja nosso.

Aproximei-me da cama e deitei-a de costas, abrindo-lhe bem as pernas. Enterrei meu pau nela com uma única estocada, entrando até os ovos em sua boceta acostumada, que se fechou ao meu redor como uma luva quente. Fodi-a com estocadas longas e profundas, apoiando-me em suas coxas e observando seus peitos saltarem ao ritmo de cada golpe. A boneca, ainda atordoada, aproximou-se engatinhando e, sem que eu pedisse, começou a lamber meus ovos enquanto eu bombeava dentro da Pantera, trabalhando também com a língua sobre o clitóris da minha favorita cada vez que eu saía quase por inteiro.

— Boa garota — disse, agarrando-a pelos cabelos. — Chupe. Aprenda como se fode uma mulher que sabe receber um pau.

A Pantera cravou as unhas em meus ombros, arqueando-se sob mim, gemendo meu nome entre os dentes. Quando senti que estava prestes a gozar, virei-a bruscamente e coloquei-a de quatro. Agarrei seus quadris e voltei a afundar-me nela por trás, enquanto a boneca se posicionava sob seu rosto para que a Pantera pudesse devorar sua boceta outra vez. Fodi minha favorita até fazê-la gozar três vezes seguidas, cada uma mais violenta que a anterior, e, quando ela já não aguentava mais, tirei meu pau, virei-a e gozei sobre seus peitos e seu rosto, marcando-a com jatos grossos de sêmen que a boneca se apressou a lamber como uma cadelinha cumprindo sua função.

Coloquei-a de costas e reivindiquei minha favorita com a mesma intensidade com que ela havia reivindicado a outra. A comunhão de nossas sombras estava completa. Naquela suíte do Ca' Sagredo, com o Grande Canal como testemunha muda além dos vidros, o poder foi selado através da carne das duas mulheres que melhor conheciam a minha escuridão.

***

A luz da alvorada começou a infiltrar-se pelas janelas, tingindo as paredes de um azul pálido e frio que anunciava o fim de nossa estadia. O Grande Canal, que durante a noite fora um abismo de segredos, despertava com os primeiros vaporettos carregados de suprimentos. Na cama de dossel, a Pantera descansava a cabeça sobre meu peito, sua respiração acompanhando a minha, enquanto a boneca dormia enrodilhada a nossos pés, exausta, reduzida à sua mínima expressão, com restos de sêmen ainda secando no canto dos lábios.

Saí descalço para a varanda pela última vez. Veneza despia-se de suas máscaras com a chegada do sol; a névoa subia sobre a água como o fantasma de todas as humilhações que havíamos orquestrado entre seus canais. Acendi um cigarro e deixei que a fumaça se misturasse ao ar gélido do Adriático.

Senti passos leves atrás de mim. Minha Pantera surgiu envolta num lençol de seda que mal cobria seu corpo marcado. Parou ao meu lado, olhando para a basílica da Salute com uma serenidade que só possuem aqueles que entregaram completamente a própria vontade e encontraram poder nessa entrega. O colar de prata brilhava com a primeira luz do dia.

— O carnaval acabou — ela sussurrou, apoiando a mão sobre a minha na balaustrada.

— Para o mundo, sim — respondi, fitando-a. — Para nós, o carnaval é um estado permanente. Veneza apenas nos emprestou o palco, mas a apresentação continua onde quer que eu decida levar vocês.

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