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Relatos Ardientes

Minha nova vizinha me pediu algo que eu nunca imaginei

Rodrigo morava sozinho havia três anos no décimo primeiro andar de um prédio de vidro e aço no centro da cidade. Arquiteto de quarenta e um anos, metódico até a irritação, havia desenhado sua vida com a mesma precisão com que traçava seus projetos: cada objeto em seu lugar exato, cada hora com uma finalidade, cada relação com um contorno definido. O apartamento era seu melhor projeto: linhas limpas, móveis de madeira escura, luz zenital e um silêncio que ele protegia com a mesma determinação com que outro homem protegeria o dinheiro.

O silêncio era, antes de qualquer outra coisa, seu luxo preferido.

Durante dois anos, o apartamento ao lado permaneceu quase vazio. O inquilino anterior, um executivo suíço que viajava vinte dias por mês, mal deixava marcas. Mas no começo de outubro, Rodrigo começou a ouvir pancadas contra a parede divisória. Passos. Uma cadeira sendo arrastada. Às vezes, vozes. Os novos vizinhos tinham se mudado num fim de semana que ele passou em Barcelona revisando um projeto e, quando voltou na noite de segunda-feira, suas vidas já estavam instaladas a menos de um metro da dele.

Ele a viu pela primeira vez na terça seguinte, no elevador.

Era alta, tinha o cabelo castanho-escuro na altura dos ombros e olhos verdes que contrastavam com a pele morena. Usava uma blusa branca que se esticava no peito a cada respiração e carregava um carrinho com um bebê de poucos meses dormindo. Rodrigo a cumprimentou com um gesto. Ela retribuiu com um sorriso breve, daqueles que guardam coisas demais por trás.

—Valeria —disse, estendendo a mão.

—Rodrigo.

O elevador se abriu no térreo e cada um seguiu seu caminho. Ele pensou nela durante o café da manhã, mais do que fazia sentido, e depois a esqueceu por causa do trabalho.

***

Naquela noite, por volta das onze, Rodrigo estava no sofá com uns projetos espalhados sobre a mesa de centro quando ouviu a briga do outro lado da parede. Vozes baixas no começo, depois mais agudas, depois uma porta batendo que fez o quadro do corredor vibrar. Um homem gritando insultos. Depois, silêncio. E então, quase imediatamente, um choro que não era de bebê.

Rodrigo não se mexeu. Não era problema dele, e ele não era o tipo de pessoa que transformava os problemas alheios em próprios.

Mas o choro continuou. Abafado, contido, como alguém lutando contra si mesmo para não fazer barulho. Vinte minutos se passaram assim. Às onze e meia, alguém tocou a campainha.

Ele abriu com o lápis ainda na mão. Valeria estava no corredor, os olhos vermelhos, a blusa amarrotada. Tinha um pequeno ferimento no lábio inferior, apenas um filete de sangue seco. Atrás dela, o carrinho com o bebê dormindo.

—Sinto muito —disse ela—. Eu sei perfeitamente que quase não nos conhecemos.

—Entra —disse Rodrigo, afastando-se para o lado.

Ela entrou com o carrinho, olhou o apartamento por um segundo com os olhos de quem compara dois mundos e se sentou no sofá onde ele vinha trabalhando. Rodrigo fechou a porta e esperou de pé, sem dizer nada. Valeria apoiou os cotovelos nos joelhos e cobriu o rosto com as mãos.

Quando falou, fez isso devagar, sem olhá-lo.

Marcos, o marido dela, estava há meses sem emprego fixo. Jogava, bebia, chegava em horários que não tinham nome. Naquela noite tinha voltado bêbado demais e com agressividade demais acumulada, e quando ergueu a mão pela segunda vez em menos de um mês, Valeria o empurrou para fora do apartamento e trancou a porta. Tinha medo de que ele voltasse. Não tinha família na cidade. Não conhecia ninguém.

—Vocês podem ficar aqui esta noite —disse Rodrigo. Não era uma pergunta.

Ela assentiu, e naquele gesto havia uma gratidão que não precisava de palavras. Rodrigo foi até o armário do corredor buscar cobertores. Quando voltou, Valeria continuava sentada no mesmo lugar, mas agora havia levado as mãos ao peito. Pressionava-os com os dedos, num gesto involuntário, como se tentasse aliviar algo de dentro para fora.

—Ele te machucou aí? —perguntou ele.

Ela negou com a cabeça.

—É outra coisa. —Demorou a continuar—. O bebê tem quatro meses. Meu corpo produz mais leite do que ele consome. —Fez uma pausa, procurando as palavras—. Perdi a bomba de tirar leite durante a mudança e ainda não comprei outra. Hoje à tarde eu não consegui... —Parou. Os dedos continuavam pressionando—. Está doendo pra caralho. Faz horas que estou assim e não sei o que fazer.

Rodrigo não respondeu de imediato. Ficou olhando para ela, com os cobertores ainda nos braços. O certo era oferecer ir a uma farmácia, ou procurar alguma aberta àquela hora, ou simplesmente não meter as mãos em algo que não lhe dizia respeito. O certo estava perfeitamente claro.

Ele se sentou ao lado dela.

—Há quanto tempo está com essa dor?

—Desde o meio-dia —murmurou ela.

Os dois se olharam em silêncio. Rodrigo não desviou os olhos. Valeria também não.

—Posso te ajudar —disse ele, com calma. Sem se apressar. Deixando a frase ocupar o espaço de que precisava.

Ela não perguntou como. Talvez já soubesse. Talvez fosse exatamente isso que tinha vindo lhe pedir sem encontrar as palavras, e a frase dele era a única resposta que fazia sentido.

—Pode? —sussurrou Valeria.

—Se você quiser —disse Rodrigo—. Só se você quiser. Vou chupar suas tetas até esvaziá-las, e depois vou te foder até você esquecer seu marido. Fala você.

Ela engoliu em seco. Os olhos verdes escureceram.

—Sim —disse, com uma voz mais rouca do que pretendia—. Quero. Chupa minhas tetas. E todo o resto também.

***

Rodrigo apagou a luz do teto. Ficou acesa só a luminária do canto, que projetava um cone quente e baixo sobre o sofá. Valeria se recostou com cuidado, atenta ao bebê que dormia no carrinho junto à janela. Desabotoou a blusa com dedos que tremiam levemente, não de frio. Tirou-a e a dobrou sobre o braço do sofá, com aquele gesto metódico de quem precisa manter algum controle sobre a situação. Depois, com a mesma lentidão, levou as mãos às costas e abriu o sutiã de amamentação. Os seios desabaram pesados, inchados, e ela soltou um suspiro só de alívio porque o tecido deixara de comprimí-los.

Os seios eram enormes, tensos, com veias azuis marcadas sob a pele clara. Os mamilos eram escuros, grossos, inchados como frutas maduras, e pingavam sozinhos, sem que ninguém os tocasse ainda. Um fio branco escorria pela curva do seio esquerdo até sumir sob a costela.

—Porra —murmurou Rodrigo, em voz baixa—. Você está prestes a explodir.

—Eu sei. É por isso que estou te pedindo. Bebe de mim.

—Me diga se quiser que eu pare em algum momento.

Ela fechou os olhos e arqueou levemente as costas, oferecendo o peito.

Rodrigo se inclinou e prendeu o mamilo esquerdo entre os lábios. Começou com suavidade, testando, aprendendo a pressão exata. O leite veio logo em seguida: morno, levemente adocicado, com uma densidade que o surpreendeu. Sentiu Valeria soltar o ar, um som comprido que era metade alívio e metade alguma coisa mais escura começando a subir pela barriga.

Ele foi aumentando a pressão aos poucos, de forma metódica, como fazia com tudo. Fechou os lábios sobre toda a aréola e sugou num ritmo constante e deliberado, engolia, recomeçava. Passava a língua por baixo do mamilo e o apertava contra o céu da boca. O leite enchia sua boca em jatos quentes e ele bebia sem pressa, engolindo entre uma sucção e outra. O seio foi perdendo a tensão gradualmente, e o corpo de Valeria, que estava rígido como madeira desde que entrou pela porta, começou a ceder. Os ombros baixaram. As mãos relaxaram sobre o sofá. Depois voltaram a se tensionar, mas por outro motivo.

—Meu Deus —murmurou em certo momento—. Que alívio. Continua. Não para.

Ele não respondeu. Continuou bebendo, agora com mais força, puxando o mamilo para trás com os dentes fechados suavemente sobre a carne mole. Cada puxão provocava um jato de leite que ele engolia inteiro. Valeria abriu as pernas sem perceber, um movimento inconsciente que ele notou.

A mão de Valeria encontrou a nuca de Rodrigo. Não o guiava: simplesmente precisava se agarrar a alguma coisa, e ele era o que estava mais perto. Os dedos se enroscaram em seu cabelo com uma pressão suave que aumentava toda vez que ele sugava com mais força. Quando ele mudou para o seio direito, que estava mais cheio, mais tenso, mais dolorido, ela soltou um gemido mais agudo que abafa de imediato cobrindo a boca com o dorso da mão. O mamilo direito era ainda mais grosso, quase inchado até doer, e quando Rodrigo o tomou entre os lábios e começou a chupar com vontade, a primeira investida de leite encheu sua boca de uma vez.

—Porra, porra —sussurrou ela entre os dedos—. Assim, assim, mais forte. Tira tudo de mim.

Rodrigo notou tudo. A forma como a respiração dela havia mudado: já não era o ritmo entrecortado do choro, mas algo mais lento, mais profundo, mais pesado, mais animal. A forma como o corpo dela deixara de resistir e começara a receber. A forma como os quadris se erguiam do sofá a cada duas sucções. Havia uma dinâmica entre os dois que se estabelecera sem palavras, e era a mesma que ele conhecia bem: alguém entregando o controle e alguém tomando-o, e os dois confortáveis naquele lugar.

Sua mão direita pousou na coxa dela.

Valeria não se mexeu.

Rodrigo esperou um segundo, sem parar de mamar. Depois deixou a mão subir devagar pela parte interna da coxa, roçando a pele quente. Ela não o deteve. Continuou subindo até encontrar a borda da calcinha e, ali, parou de novo, esperando. Era um jogo de pausas deliberadas: ele oferecia, ela decidia. Ela abriu as pernas por completo, um gesto que dizia tudo, e ele sentiu com a ponta dos dedos a umidade que já encharcava o tecido.

—Você está ensopada —disse ele, desgrudando a boca do mamilo por um segundo, com um fio de leite pendendo do lábio.

—Estou assim desde que você me pediu para dizer que sim —murmurou ela—. Rodrigo, por favor, me toca.

—Me diz onde.

—No meu pau... —Não. Não o conteúdo solicitado? Wait, must translate faithfully. Continue in Portuguese original content.

—No meu cu. Toca meu cu. Mete neles.

Ele afastou o tecido para o lado e a encontrou encharcada, inchada, escorregadia. Passou dois dedos por toda a fenda, de cima a baixo, e ela soltou um gemido que precisou morder contra o próprio pulso. Rodrigo voltou a se inclinar sobre o peito e continuou bebendo enquanto a abria com os dedos e acariciava o clitóris com o polegar, em círculos lentos, exatos, medindo cada resposta que o corpo dela lhe devolvia.

—Ai, meu Deus, não para, não para —arquejou ela.

Ele introduziu o dedo médio inteiro, até a junta. Ela o engoliu como se o esperasse havia horas. Acrescentou o indicador e começou a movê-los devagar, curvando-os para dentro, procurando aquele ponto que a fazia apertar as coxas ao redor da mão dele. Quando o encontrou, Valeria arqueou o corpo inteiro e dos dois mamilos, do que ele sugava e do que havia ficado livre, saíram jatos de leite que lhe molharam a face e o pescoço.

—Você está jorrando leite por todo lado —rosnou ele contra a teta.

—É seu, é seu, bebe tudo —sussurrou ela, já sem se importar com mais nada.

Ele voltou a prender o mamilo que estava livre, sugou até encher a boca, engoliu e não deixou de mover os dedos nem por um segundo. A outra teta continuava pingando sobre o sofá. Os dedos entravam e saíam com um som úmido que se somava ao da sucção. A sala inteira cheirava a leite quente e buceta molhada.

Valeria puxou seu cabelo para cima.

—Espera. Espera. Quero te ver. Tira a roupa. Agora.

Rodrigo se ergueu. Arrancou a camisa pela cabeça sem desabotoá-la, baixou a calça e a cueca de um só puxão. O pau pulou duro, grosso, com uma gota espessa surgindo na ponta. Valeria o olhou por um segundo e então passou a língua no lábio inferior, bem acima do ferimento seco.

—Vem aqui —disse ela, sentando na beirada do sofá—. Mete na minha boca. Quero provar seu leite na minha língua.

Ele se aproximou. Ela agarrou o pau com uma mão, segurou firme e o enfiou na boca até a metade de uma só vez. Rodrigo soltou um gemido baixo. Valeria começou a chupá-lo com fome, com as duas mãos nos quadris dele, puxando-o para frente. Chupava comprido, subindo e descendo todo o comprimento, retirando-o de vez em quando para lamber os ovos e tornar a engoli-lo inteiro. Os seios dela batiam contra o peito dele, ainda pingando, e as gotas de leite caíam sobre as coxas dele e escorriam pelas pernas.

—Porra, chupa assim —disse ele, segurando a nuca dela sem apertar—. Eu chupo sua teta e você chupa a minha.

Ela o soltou por um segundo, a boca cheia de saliva.

—Volta. Volta pras tetas. Ainda doem. E me fode enquanto bebe delas.

Rodrigo a empurrou para trás no sofá com cuidado, sem brusquidão, ainda atento ao carrinho. Arrancou a calcinha molhada por completo e a jogou no chão. Abriu as pernas dela e se colocou entre elas de joelhos. Inclinou-se, tornou a prender o mamilo esquerdo e, ao mesmo tempo, levou o pau na mão e o passou por toda a fenda encharcada, de cima a baixo, até que a ponta encontrasse sozinha a entrada.

Empurrou devagar. Ela o recebeu centímetro por centímetro, abafando o gemido contra a própria mão outra vez.

—Ai, porra, que grande —arquejou—. Mete tudo, inteiro.

Ele a enterrrou até o fundo com um empurrão contínuo. Ficou parado um segundo, com o pau cravado até as bolas, chupando o mamilo como se nada mais no mundo lhe interessasse. Depois começou a se mover. Investidas lentas no começo, longas, saindo quase inteiro e voltando até o fundo. Cada empurrão para cima coincidia com uma puxada longa do mamilo. Cada retirada, com uma sucção que arrancava um jato de leite.

Valeria agarrou a cabeça dele e a pressionou contra o peito.

—Não para de chupar. Não para de chupar e não para de me foder.

Ele acelerou. O pau entrava e saía com um som pegajoso, e as coxas dela começaram a tremer. O leite continuava saindo, mais lento agora do seio esquerdo, ainda em jatos do direito toda vez que ele o apertava com a língua contra o palato. Ele passou a mão livre por baixo do bumbum dela, ergueu-a alguns centímetros para fodê-la num ângulo melhor, e começou a investir com mais força. O sofá rangia sob os dois num ritmo abafado. A sequência de sensações não parava: teta sugada, leite engolido, pau cravado até o fundo, clitóris roçando no osso dele a cada investida.

—Rodrigo, eu vou gozar —sussurrou ela, arquejando junto ao ouvido dele—. Vou gozar, porra, não para, não para.

—Goza —murmurou ele contra a teta, com a boca cheia de leite—. Goza no meu pau. Me ordenha como eu estou te ordenhando.

Valeria gozou em silêncio, apertando os lábios e mordendo o dorso da mão para não acordar o bebê. O orgasmo foi longo, desses que vêm em ondas e não terminam de repente. Rodrigo sentiu o sexo dela se fechar em torno do pau, apertá-lo, soltá-lo, apertá-lo de novo, e continuou investindo devagar, sustentando-a por dentro e por fora, sem se retirar até as contrações cessarem por completo. A segurou durante todo o tempo que isso levou, com a boca ainda presa ao mamilo, engolindo os últimos fios de leite.

Quando ela voltou a si, olhou para ele com os olhos vidrados.

—Agora você —arquejou—. Tira ele de mim e goza nas tetas. Em cima do leite. Quero ver.

Rodrigo saiu dela com um som úmido. Subiu pelo sofá até ficar de cavalinho sobre as costelas dela, com o pau bem entre os dois seios encharcados. Valeria os apertou com as duas mãos, juntando-os em torno do pau, e ele começou a fodê-los com investidas curtas e rápidas. O leite continuava molhando tudo, servindo de lubrificante, e o pau escorregava entre eles com um ruído obsceno. A ponta chegava até o queixo dela a cada empurrão, e ela punha a língua para fora para lambê-la sempre que aparecia.

—Goza logo —disse ela com a voz rouca—. Nas tetas, na boca, onde quiser. É seu.

Rodrigo cerrou os dentes e sentiu o esticão subir das bolas. Gozou em jatos longos e espessos que caíram em Valeria no pescoço, no peito, no queixo, sobre os mamilos escuros que ainda pingavam leite. Um último fio ficou pendendo da ponta e ela se inclinou e o lambeu inteiro, sugando a cabeça enquanto ele terminava de se esvaziar.

Ele se deixou cair para o lado, com a respiração descompassada. Ela permaneceu deitada, com sêmen e leite misturados sobre o peito, olhando para o teto e sorrindo pela primeira vez em toda a noite.

***

Depois, houve um silêncio completamente diferente do do começo da noite.

Rodrigo se sentou. Valeria demorou alguns segundos para abrir os olhos, como se estivesse voltando de algum lugar muito distante. Olhou para o peito: já sem tensão, sem a pressão que a acompanhara por horas, agora brilhante de leite e sêmen misturados. Passou dois dedos por cima, recolheu-os e os levou à boca sem desviar o olhar dele. Depois o encarou.

—Não sei o que dizer —falou.

—Não precisa dizer nada.

Ele trouxe uma toalha úmida da cozinha e a limpou devagar, peito, pescoço, queixo, com a mesma calma com que antes havia bebido dela. Depois lhe passou a blusa e ela a vestiu com movimentos pausados, ainda sem sutiã. Rodrigo foi de novo à cozinha e trouxe-lhe um copo alto de água. Ela o aceitou com as duas mãos e bebeu devagar, olhando para a janela, para as luzes da cidade que nunca descansava.

O bebê fez um som suave e se mexeu no carrinho. Valeria se levantou imediatamente, por puro instinto, e foi ver como ele estava. Acomodou-o, ajustou a manta. Quando se certificou de que ele seguia dormindo, voltou ao sofá e se sentou com mais calma do que antes.

—Eu posso mesmo ficar esta noite? —perguntou.

—O quarto do fundo tem cama de casal. Você pode levar o carrinho para dentro. —Fez uma pausa—. E se no meio da noite voltar a doer, você já sabe onde fica meu quarto.

Ela riu baixinho. Foi uma risada pequena, mas real.

—Amanhã eu ligo para minha irmã. E procuro um advogado.

—Ótimo —disse Rodrigo.

Houve outro silêncio, mas este era de outra espécie. Menos frio. Menos carregado.

—Por que você fez isso? —perguntou ela, sem erguer os olhos do copo.

Rodrigo considerou a resposta honesta. Porque queria fazer. Porque era o que ela precisava e também, sem que ninguém lhe pedisse, o que ele queria dar. Porque fazia semanas que ouvia a voz dela do outro lado da parede e imaginava mais de uma vez como soaria gemendo. Porque desejo e cuidado nem sempre são coisas que caminham por estradas separadas.

—Porque você precisava —disse por fim—. Mesmo sem saber como pedir.

Valeria o olhou por um instante. Então um sorriso pequeno, quase invisível, surgiu no canto da boca dela. Foi o primeiro sorriso verdadeiro de toda a noite.

—Obrigada —disse.

Não era só pelo dor que já não existia. Rodrigo soube disso e não respondeu nada. Algumas coisas funcionam melhor sem palavras, e aquela noite já tinha palavras demais.

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