A noite em que descobri a que sabe um homem dormindo
Desci o zíper da sua calça bem devagar, com medo de acordá-lo. Aquela madrugada mudou para sempre o que eu entendia por prazer.
Desci o zíper da sua calça bem devagar, com medo de acordá-lo. Aquela madrugada mudou para sempre o que eu entendia por prazer.
Subi na árvore atrás do internato para confirmar o que já sabia. Não imaginei que vê-la com ele no balcão despertaria algo entre a raiva e o desejo que nunca tinha sentido.
Lucía se aproximou do espelho nua e me chamou pelo nome que só ela usa. Naquela noite, sem nossos pais em casa, deixamos de ser apenas irmãos.
Faltava uma hora para o jantar, as crianças viam desenhos na sala e eu atravessei o jardim procurando minha mulher. A porta da lavanderia estava entreaberta.
Eu queria que a imaginassem de longe. Não esperava que ela organizasse a cena, nem que meu cúmplice da tela aparecesse com uma lanterna na mão.
Quando ela sussurrou que estava molhada e pediu desculpas, entendi que a fantasia tinha saído do nosso controle. E o desconhecido ainda nem tinha feito o pior.
Disquei o número dela quando calculei que ela já estaria debaixo dele. Queria ouvi-la gemer enquanto outro homem a pagava sem saber que eu era cúmplice do plano.
Depois de uma década de sexo ruim com homens, me cruzei com Renata, sua gaveta de brinquedos e um dedo num lugar onde ninguém tinha chegado ainda.
Passei meses deixando-a dançar sozinha, esperando que algum insistisse o suficiente. Nessa noite, um homem mais alto que eu conseguiu.
As iniciais do amante não estavam escritas por extenso, mas coincidiam com as do homem que, naquele momento, fumava na minha varanda.
Ouvi a água correr e soube exatamente o que ia fazer. Entrei sem ruído, me ajoelhei nos azulejos e deixei que o vapor fizesse o resto.
Ela saiu do vestiário de costas, com um biquíni que nunca tinha me mostrado. Senti ciúme. E, sem saber por quê, comecei a sentir outra coisa.
Entrei com a chave que ele deixou no vaso. O que eu não esperava era encontrá-la me esperando, de braços cruzados e a mandíbula travada.
A caixa estava fechada havia meses no fundo do armário. Abri por curiosidade e, uma hora depois, tinha o celular gravando tudo o que meu corpo era capaz de sentir.
Naquela manhã, abri as cortinas com a ideia de espiar as camareiras. Não imaginei que seria uma desconhecida na janela da frente que não tiraria os olhos de mim.
Naquela manhã ela acreditava estar sozinha. Tranquei o escritório, pedi que não me passassem ligações e abri o aplicativo justo quando ela entrou no quarto.
Sussurrei minha fantasia no ouvido dela no meio do vagão lotado. Ela se surpreendeu, depois mordeu meu lábio e eu soube que naquela noite íamos para um hotel.
Pedi uma foto do meu marido e me veio a de outro homem: um desconhecido perfeito. Nessa noite, não imaginei até onde aquela imagem me levaria enquanto eu dormia.
Minha colega dormia quando ele tocou a campainha com um buquê de fresias. Abri de suéter e descalça. Nessa noite, prometi nunca mais deixar um homem entrar na minha cama.
Diante do espelho do hotel, aquele biquíni não me caía bem. Nada me caía bem desde que decidiram que tipo de corpo eu merecia ter.