O disfarce de escrava que minha mulher tinha preparado para mim
Entrei em casa seguindo uma música solene e a encontrei deitada na cama, acorrentada em ouro e me olhando como se eu fosse o único dono dela.
Entrei em casa seguindo uma música solene e a encontrei deitada na cama, acorrentada em ouro e me olhando como se eu fosse o único dono dela.
Fazíamos apenas duas semanas de casados quando descobri do que era capaz o gênio dela, e o primeiro tapa foi só o começo daquela tarde.
“Tira a roupa”, ela disse sem elevar a voz. E ele, depois de quinze anos juntos, soube que o fim de semana inteiro pertencia a ela.
Naquela manhã, decidi levar eu mesma o café até a sala dele, diante de todos, para que entendessem que tipo de mulher eu pretendia ser ao lado dele.
Bastou um comentário no escritório para que ele decidisse que sua mulher passaria pela sala de cirurgia. Não pelo bebê: para continuar sendo o único dono do corpo dela.
Maite sabia que, quando Andrés baixava a voz até aquele sussurro grave, a decisão já estava tomada e a ela só restava obedecer.
Meu amante me deixou querendo mais, mas meu marido sabia exatamente como me tratar: sem romantismo, sem piedade, como a submissa que eu sou.
Ela passava anos decidindo quem obedecia e quem implorava. Nenhum cliente sabia que, atrás do espelho, alguém estudava o jeito de destroná-la.
Voltei do bar com uma cerveja na mão e a vi dançando com ele. Não aconteceu nada… ou aconteceu? A pergunta me cravou por dentro e, para minha vergonha, também me excitou.
Eu levava trinta anos fechando projetos para a empresa. Na minha viagem de despedida, não imaginei que quem viajasse ao meu lado ia me despedir de outro jeito.
Sempre achamos que ninguém nos via. Foi essa mentira que contávamos a nós mesmos o começo de tudo o que veio depois, noite após noite.
Começou como uma brincadeira no parque: «Quer que eu embale para levarmos pra casa?». Meses depois, uma câmera escondida transformaria isso em outra coisa.
Desde a pista já buscávamos as mãos com discrição; o que não terminamos no carro seguimos no meu quarto, sem pressa e sem nada no corpo.
Subimos para estender a roupa com qualquer pretexto. Entre as caixas d’água da laje, descobri que ela estava tão impaciente quanto eu para parar de fingir.
Percebi que algo ia mal no instante em que vi o rosto dele ao entrar. Não houve cumprimento, só uma frieza calculada e uma ordem: «Diga em voz alta do que você é responsável».
Começou com um tornozelo torcido na quadra e terminou muitas semanas depois, numa noite em que a casa dela ficou vazia e já não houve motivo para segurar o desejo.
A janela do nosso quarto dava bem de frente para o terraço dele. Naquela noite entendi que a ideia de ser observada me excitava mais do que eu jamais admitiria.
Aceitei a fantasia do meu namorado acreditando que nós dois sairíamos ganhando. Nessa madrugada, enquanto eu gritava em um quarto, ele ouvia tudo do outro lado da porta.
Deixei as cortinas abertas de propósito e fingi não vê-lo. Ele, parado na sua laje, não perdia um só detalhe do meu corpo nu.
Toda semana olhávamos as fotos da entrada sem ousar entrar. Na noite em que cruzamos a porta, descobri até onde eu era capaz de ir com ele me olhando.