A inquilina que tomava banho com a porta aberta
Era uma pensão imunda que cheirava a sopa requentada e a desinfetante barato. O corredor era forrado com um papel de parede do qual ninguém mais lembrava a cor: a umidade o havia transformado num marrom de nicotina, poeira e mofo. As portas eram finas, de madeira ruim, com fechaduras que emperravam e frestas por onde se infiltravam as conversas, os gemidos, as tosses de madrugada.
Rubén arrastava o cansaço como se fossem correntes amarradas aos tornozelos. O escritório o deixara vazio, e a pensão não lhe oferecia refúgio, mas uma continuação da derrota. Subiu a escada com a camisa amassada e a pele pegajosa do calor úmido. Lá fora, a cidade fervia numa panela de buzinas, vendedores e cães famintos brigando por sacos de lixo.
Foi então que a viu pela primeira vez.
Dayana estava sentada dois degraus acima dele. Tinha uma sacola de plástico no chão, com laranjas transbordando pela transparência, e desfazia com calma uma trança do cabelo afro, como se não tivesse pressa alguma. Quando ergueu a cabeça, os olhos se encontraram.
Havia nela algo que não combinava com aquele ambiente: era luminosa demais, viva demais para aquela casa coberta de restos de naufrágio. Uma pele mulata que brilhava como cobre polido, uns olhos que não se desviavam por pudor e uma boca cheia que parecia recém-inventada para o pecado. Do degrau onde estava, com os joelhos apenas afastados, adivinhava-se o começo de umas coxas grossas e firmes sob a saia, e no decote da blusa marcava-se o peso de uns peitos grandes que subiam e desciam com a respiração.
—O senhor também mora aqui? — perguntou ela, com uma voz grave carregada de sotaque caribenho.
A pergunta soava inocente, mas tinha fio: não era curiosidade, era um teste, como se medisse de que matéria ele era feito. Rubén respondeu com um aceno de cabeça, incapaz de dizer algo à altura. Ao passar por ela sentiu o cheiro. Sabão fresco, fruta madura, canela, um leve rastro de suor. Um cheiro vivo, humano, diferente da mistura rançosa da pensão. Um cheiro de xana limpa e pele de mulher jovem que ficou grudado no nariz e no pau dele.
No quarto, ele se jogou na cama sem se despir. O colchão afundado o engolia, e dali ouvia vozes abafadas através das paredes. Pensou em Dayana. Na curva dos ombros dela, no ritmo dos quadris quando se inclinava sobre a sacola. Não era um desejo animal, imediato; era algo mais espesso, uma mistura de atração e inquietação, como se aquela mulher carregasse uma promessa perigosa. O pau endureceu sem pedir licença, marcando a calça, e ele acabou baixando o zíper para se masturbar pensando nela, imaginando aqueles peitos escuros quicando sobre a cara dele, até gozar com um gemido seco sobre o estômago e dormir sujo, com as mãos pegajosas de sêmen.
***
As manhãs na pensão eram um desfile de pequenas misérias. A porta batendo de alguém que saía tarde, os gritos de um casal, o rádio com uma salsa desafinada. Rubén se levantava com o estômago vazio. A água da torneira saía morna, com um gosto metálico que nem o café instantâneo conseguia encobrir.
No caminho para o escritório passava pela praça central, onde se juntavam velhos com garrafas envoltas em sacolas, mulheres vendendo fruta barata e policiais que olhavam com desprezo. Cada passo era um lembrete: ele tivera ambições, escrevera versos aos vinte, sonhara fugir para outra vida. Agora suava números num escritório cinza, com uma gravata que cheirava a derrota.
O chefe o tratava como um móvel. As piadas pesadas dos colegas escorriam por fora e queimavam por dentro. Na hora do almoço comia sozinho, pão com queijo e um refrigerante morno. A glória passada era apenas um eco: uma bolsa que nunca terminou, um prêmio literário de juventude, uma mulher que o deixara por não querer carregar um sonhador fracassado.
E ali, no meio de tudo, estava Dayana. Sempre surgia como um golpe de ar fresco no brejo. No corredor, com uma toalha no ombro e a pele úmida, e o mamilo escuro marcando sob o tecido molhado. Na cozinha compartilhada, cortando legumes com uma calma impossível naquele lugar, agachada de tal forma que se via o começo das nádegas por cima do short. Na escada, encostada no corrimão, mordendo uma fruta e olhando a rua como se esperasse algo que nunca chegava, com a língua passando pelo suco dos lábios de um jeito que fazia Rubén pensar em outra coisa.
Uma noite ele a ouviu rir lá embaixo. Uma risada cristalina, limpa, que destoava dos resmungos dos outros. Fechou o livro que não lia e desceu. Encontrou-a de camiseta branca, sem sutiã, com o cabelo afro solto, cortando laranjas sobre uma tábua lascada. A luz amarela da lâmpada dava à pele dela um tom de bronze líquido e atravessava a camiseta, deixando ver o contorno redondo dos seios e dois mamilos grandes, escuros, endurecidos pelo ar fresco da cozinha.
—Quer um pouco? — disse ela, erguendo um gomo para ele.
Rubén hesitou, mas pegou a fruta. O suco escorreu por seus dedos, pegajoso, ácido. Dayana o olhava direto, sem a menor timidez, como se soubesse o que estava provocando e não precisasse fazer mais nada. Quando ele terminou de chupar o gomo, ela tomou sua mão e, sem deixar de olhá-lo nos olhos, levou os dedos manchados à boca, um por um, chupando-os devagar, com a língua quente e úmida se enrolando em cada falange, como se estivesse ensaiando outra coisa. Depois soltou a mão dele, riu baixinho e voltou ao corte, como se nada tivesse acontecido. Subiu para o quarto com o sabor da laranja na boca, o pau dolorosamente duro contra o zíper e a certeza de que já não conseguiria dormir sem pensar nela.
***
Desceu outra noite, daquelas em que o ar parecia cola. Dayana estava sozinha diante da mesa de fórmica, cortando pão com uma faca cega.
—Não dorme? — perguntou Rubén.
—E o senhor? — respondeu ela sem erguer os olhos.
—Eu tenho insônia de sobra para exportar. Podia abrir uma empresa.
A moça soltou uma risada baixa, meio incrédula.
—E quem compraria isso?
—Os que ainda acham que tempo para pensar serve para alguma coisa. Ou os poetas, que é quase a mesma coisa.
—O senhor fala como se fosse rico.
—Sou rico em desgraças. Em Valência tenho uma família que me esqueceu com uma eficiência admirável. Dois filhos que mal me respondem, uma mulher que aprendeu a viver sem mim muito antes de eu ir embora. Isso, sim, é riqueza pura.
Dayana sorriu, mostrando dentes perfeitos.
—Então veio aqui chorar de noite.
—Não. Vim ver se neste canto do mundo ainda resta alguém que lembre que estamos vivos. E veja: dou de cara com uma moça que corta pão como se fosse um rito sagrado.
—Não enche, é pão duro.
—Mas a senhora o transforma em outra coisa. Corta como se fosse oferecer na missa.
O silêncio que se seguiu estava carregado, mas não era incômodo. Ela mordeu um pedaço e mastigou devagar.
—Eu não sou de missa. Sou do interior. Lá o povo não reza, espera. Espera que algo aconteça, qualquer coisa. E, enquanto isso, a vida vai se gastando.
—Isso que a senhora chama de gastar a vida, eu chamo de literatura.
—Literatura não põe comida na mesa.
—Também não, pão duro, se não for molhado no café — respondeu ele.
Dayana o mirou com essa mistura de diversão e desafio.
—O senhor fala bonito. Como os homens que dizem o que a gente quer ouvir.
—Não. Eu falo porque não me resta outra coisa. Em Valência me sobravam palavras e ninguém queria ouvi-las. Aqui me faltam, mas a senhora ao menos me dá a impressão de que as recolhe.
Ela baixou os olhos para a faca, girando-a entre os dedos.
—Eu vim para melhorar, estudar. Enfermagem. Mas o dinheiro não deu e acabei aqui, servindo mesas, limpando casas, sobrevivendo. Às vezes sinto que minha vida ficou na estrada, como aquelas iguanas esmagadas que a gente vê do coletivo.
—Não se engane — disse ele, baixando a voz —. Sua vida está aqui, nos seus olhos, em como corta o pão, em como ri. O resto é teatro barato.
Ela o encarou por muito tempo, sem piscar. Havia um brilho nesses olhos que não era só desejo nem compaixão. Era a suspeita de que alguém a estava vendo de verdade.
—O senhor é estranho — disse por fim —. Os homens daqui só querem… já sabe. Enfiar e pronto. O senhor fala como se eu fosse um livro.
—Um livro bonito. Mas com páginas grudadas de suor.
Dayana soltou uma gargalhada, jogando a cabeça para trás, mostrando o pescoço longo e a clavícula que brilhava sob a lâmpada. Rubén a olhava, e naquele gesto entendeu que estava perdido.
Conversaram até a madrugada. Ela cantarolou velhas cúmbias do seu povoado; ele recitou de memória versos de Neruda, Benedetti, Sabines. Ela não entendia tudo, mas ria mesmo assim, como se as palavras fossem música e só. Antes de ir embora, juntou o pão e a faca, e se virou um instante na porta.
—Boa noite, seu Rubén — disse, com um sorriso que não era apenas cortesia.
***
Numa terça-feira, ao voltar do trabalho, ele a encontrou no quintal dos fundos estendendo roupas em uns arames enferrujados. Estava descalça, com um short jeans que deixava ver a pele brilhante das coxas e uma camiseta velha colada ao torso úmido. Cantava baixinho um bolero antigo.
—Parece estátua, seu Rubén. Nunca viu uma mulher pendurar roupa?
—Vi sim. Mas nunca alguém fazendo isso como quem pinta um quadro invisível.
Ele ergueu o lençol seguinte para ajudá-la. Os dedos dos dois se roçaram de leve, um contato elétrico que os deixou imóveis. Olharam-se de muito perto, com o cheiro de sabão e suor entre eles. Dayana não retirou a mão; ao contrário, a deslizou para cima, pelo antebraço peludo de Rubén, até o cotovelo, e ele sentiu aqueles dedos morenos como uma língua morna percorrendo-lhe a pele. Ela baixou os olhos para o volume que se desenhava na calça dele e não disfarçou, sorriu de leve, quase com pena, quase com fome. Rubén engoliu em seco e recuou um passo; ela baixou os olhos com uma timidez que parecia nova nela, mas antes passou a língua no lábio superior e deu uma mordidinha no inferior.
Nessa noite voltou a encontrá-la na cozinha, descascando bananas. Falaram do povoado de onde ela fugira, da música da infância, dos livros que ele abandonara. Em certo momento ele a fez rir tanto que Dayana se inclinou e apoiou a testa no ombro dele. O contato foi breve, mas suficiente para sentir o calor do corpo dela atravessar o tecido da camisa, e o peso macio de um seio pressionado contra o braço.
—O senhor me cai bem — disse ela, séria de repente —. Não é como os outros. É como se me visse de verdade.
Rubén quis responder, mas a voz falhou. Lá fora começava a chover, e a água batia nos telhados de chapa como um tambor.
—Seu Rubén — disse ela por fim —. Faz um favor? Amanhã… me acompanha a um lugar? Não posso ir sozinha.
Não disse mais nada. Juntou as bananas e saiu, deixando atrás de si um cheiro de pele úmida e canela. Ele ficou imóvel, sabendo que esse favor era apenas o início de algo que iria transbordar os dois.
***
Às oito da manhã ela o esperava na entrada, com uma blusa amarela e uma saia preta apertada demais. Trazia o cabelo preso e uma bolsinha pequena que apertava como se guardasse um segredo.
—Ainda não sei para onde vamos — disse ele.
—Melhor. Assim o senhor não se arrepende no caminho.
Chegaram ao centro, a uma porta metálica sem placa, pintada de azul desbotado. Subiram uma escada estreita que cheirava a urina e gordura frita até uma sala com uma mesa lascada e duas cadeiras mancas. Atrás havia um homem magro, com bigode amarelado de tabaco.
—Vim tratar dos papéis — disse Dayana.
O homem a examinou de cima a baixo sem pudor e depois pousou os olhos em Rubén.
—E ele?
—Um amigo.
Ela tirou uns documentos amassados e os colocou sobre a mesa. O homem os folheou com desdém.
—Isso está incompleto. Sem padrinho, sem assinatura, não anda.
—Ele assina — disse ela, apontando para Rubén.
—Assinar o quê? — perguntou ele, surpreso.
—Que se responsabiliza por mim — respondeu ela, olhando-o direto, com uma mistura de súplica e desafio —. Que não sou uma vagabunda qualquer, que tenho alguém aqui.
Tudo começou a se encaixar: Dayana queria regularizar sua situação, talvez uma autorização, talvez um emprego estável. E naquela selva de trâmites e humilhações, ele podia ser a peça que faltava: um estrangeiro com documentos, com um nome que soava mais respeitável que qualquer outro naquela sala.
Rubén pegou a caneta. A mão tremia. Assinou. O homem guardou os papéis e murmurou algo sobre «mais uns dias de tramitação» e «uma taxa adicional». Desceram a escada em silêncio.
Na rua, ela parou.
—Obrigada.
—A senhora me usou — disse ele, numa mistura de raiva e compaixão.
—Não. Pedi um favor. E o senhor aceitou.
Rubén soltou uma risada seca.
—A senhora é perigosa, Dayana.
—Eu sei. Mas o senhor também.
***
O favor mudou a atmosfera. Rubén sentia como uma corda invisível que o prendia a ela. Não era um simples papel assinado: era um pacto secreto, quase indecente. Ela se movia pela pensão com um ar diferente, distribuindo sorrisos, mas para ele olhava de outro modo, com uma faísca de cumplicidade que ninguém mais percebia.
Ele, por sua vez, estava preso num turbilhão. De um lado, o fascínio de vê-la entrar na cozinha com um vestido leve, ouvir a risada dela atravessar as paredes. Do outro, a desconfiança. Estaria ela o usando? Era uma sobrevivente astuta que enxergara nele um degrau? Essa ambivalência o mantinha acordado, com o corpo tenso e o pau duro contra o lençol quase todas as noites, batendo punheta sozinho pensando no cheiro de canela daquela xana que imaginava escura, apertada, molhada, esperando por ele.
Numa noite voltou carregado de cansaço e de duas cervejas mornas tomadas num bar imundo. Ao passar diante do banheiro compartilhado, parou. A porta estava entreaberta. Lá de dentro saía vapor, o cheiro inconfundível de sabão e água quente. E um som: o chapinhar suave, o roçar de mãos ensaboando pele.
Ficou imóvel, paralisado, como um ladrão surpreendido pelo próprio desejo. Empurrou apenas a porta. E ali estava ela.
Sob a luz amarelada, o corpo dela brilhava como ouro velho. O cabelo amassado pela água caía em cachos pesados sobre os ombros. A pele úmida reluzia em cada curva: os seios firmes, pesados, coroados por dois mamilos grandes e escuros apontando para a frente; o ventre liso; os quadris redondos; as pernas fortes. A água descia pela linha das costas e se perdia entre as nádegas cheias, apertadas, que pareciam desobedecer à gravidade. Entre as coxas, um triângulo de pelos negros e espessos pingava, e por baixo adivinhavam-se os lábios inchados de uma xana mulata, escura por fora e rosa por dentro, brilhando de água e de outra coisa.
Ela não se cobriu. Não pareceu surpresa. Em vez de fechar a porta, continuou esfregando os braços, a espuma branca contrastando com a pele escura, o sabonete escorrendo pelo peito, deslizando pelo sulco entre os seios até perder-se no umbigo.
Rubén engoliu em seco. Quis desviar o olhar e não conseguiu. Era como estar diante de um altar profano, perturbador e sagrado ao mesmo tempo. Tudo nela o reclamava: a carne úmida, o brilho animal da pele, a calma com que aceitava ser vista.
Dayana ergueu a cabeça e o viu. Não gritou, não se cobriu, não se mexeu. Sustentou-lhe o olhar, grave, desafiadora, como se toda a cena tivesse sido planejada para ele. Seus lábios se curvaram num sorriso mínimo, perigoso. E então, como se nada fosse, voltou a esfregar a coxa com as duas mãos, subindo devagar, sem deixá-lo de olhos, até os dedos sumirem entre as pernas e ela acariciar a xana com uma lentidão obscena, abrindo os lábios para ele, mostrando-lhe o rosa brilhante do interior.
—Feche a porta, seu Rubén — disse com a voz rouca —. Por dentro.
Ele obedeceu como um sonâmbulo. A tranca fez um estalo seco e não havia mais volta. O banheiro se encheu de vapor e da respiração dos dois. Dayana o esperava com as costas apoiadas nos azulejos esverdeados, a água caindo entre eles, uma mão ainda metida entre as coxas.
—Vem — disse ela —. Todo esse tempo falando bonito. Agora quero ver o que o senhor tem por baixo da calça.
Rubén se aproximou devagar, com as mãos tremendo. Ela começou a desabotoar a camisa dele, um botão após o outro, sem pressa, mordendo o lábio. Quando abriu o zíper e baixou a calça, o pau pulou para fora, duro, grosso, marcado de veias, com a cabeça arroxeada aparecendo do prepúcio. Dayana soltou uma risada baixa, satisfeita.
—Olha só como ele está. E ainda queria disfarçar.
Ela se ajoelhou diante dele no chão molhado, sem se importar em encharcar a pele. Tomou a pica com as duas mãos, mediu sua grossura, apertou, fez sair uma gota de líquido claro que lambeu sem perder tempo. Depois abriu aquela boca cheia e a enfiou inteira de uma vez só, até o fundo, até Rubén sentir a garganta contra a ponta.
—Porra… — gemeu ele, agarrando-se à cortina do banheiro para não cair.
Ela começou a chupar com fome de verdade, não com a coreografia tímida de uma puta iniciante, mas com aquela sabedoria de mulher que sabia exatamente o que fazer com um pau na boca. Chupava subindo e descendo, lambia os ovos, passava a língua por baixo da glande e voltava a engoli-lo, deixando fios grossos de saliva pendurados no queixo. Os peitos escuros balançavam a cada investida, os mamilos duros como pedras, molhados de água e espuma.
—Assim… assim eu queria devorar o senhor desde o primeiro dia — murmurou ela, tirando-o por um segundo para falar e voltando a enfiá-lo —. Desde que subiu aquelas escadas com cara de cão surrado. Eu sabia que tinha um pau gostoso escondido aí dentro.
Rubén não conseguia falar. Pôs as duas mãos na cabeça dela, afundou os dedos no cabelo afro encharcado e começou a foder a boca dela devagar, olhando-a. Ela deixava, com os olhos abertos, sem soltar o olhar dele, engolindo cada empurrão até a raiz. Quando ele esteve prestes a gozar, ela percebeu, tirou o pau da boca e apertou a base com os dedos.
—Ainda não. Ainda não goza, seu poeta. Que esta xana está há semanas te esperando.
Ela se levantou, virou-se e apoiou as palmas nos azulejos, arqueando as costas, jogando o cu para trás. Aqueles dois bundões firmes e redondos se abriram, mostrando-lhe a xana molhada e, mais acima, o olho escuro e franzido do cu. Mexeu os quadris como se dançasse uma cúmbia lenta, convidando-o.
—Enfia. Agora. Sem historinha.
Rubén colou-se a ela por trás. O pau entrou sozinho, sem resistência, numa xana quente e apertada que se fechou ao redor dele como um punho de veludo. Os dois gemeram ao mesmo tempo, um rosnado animal que ricocheteou nos azulejos. Dayana estava molhada por dentro de um modo brutal, e ao mesmo tempo tão estreita que ele teve de ficar imóvel um segundo para não gozar de uma vez.
—Mexa… não fica aí parado — ofegou ela, empurrando-se para trás —. Fode-me forte. Me arrebenta.
Ele começou a metê-la devagar e logo perdeu o controle. Agarrou-lhe os quadris com as duas mãos e a pregou na parede, entrando até o fundo com golpes secos que faziam os ovos baterem no clitóris dela. Cada investida arrancava um respingo úmido da xana, um barulho sujo e lindo que se misturava aos gemidos e à água do chuveiro escorrendo pelas costas dos dois. Os peitos de Dayana se achatavam contra os azulejos, deixando dois círculos de vapor cada vez que ele a empurrava.
—Isso… assim… mais forte… — gemia ela, com o sotaque caribenho abrindo caminho entre os arquejos —. Mais fundo, papi, que hoje você me deve tudo.
Rubén agarrou uma mecha de cabelo e puxou-lhe a cabeça para trás. Mordeu-lhe o pescoço, a nuca, o ombro. Com a outra mão buscou um peito e o apertou, beliscando o mamilo duro entre o indicador e o polegar até arrancar-lhe um uivo. Ela enfiou os dedos entre as próprias pernas e esfregou o clitóris enquanto ele continuava a metê-la, e em questão de segundos começou a tremer da cintura para baixo, com a xana se apertando em espasmos ao redor do pau que a penetrava.
—Ai… ai… vou gozar… vou gozar com você dentro, seu Rubén…
Ela gozou com um grito grave, longo, que se quebrou na garganta. A xana virou um torniquete líquido, sugando a pica, ordenhando-a. Rubén aguentou ainda alguns movimentos, fechando os olhos, tentando prolongar aquilo, mas era impossível. Tirou-a a tempo, virou-a de um puxão e a colocou de novo de joelhos diante dele.
—Abra a boca — ordenou, com uma voz rouca que não reconhecia como sua.
Ela obedeceu, os olhos brilhando, a língua de fora, os peitos molhados subindo e descendo. Rubén se masturbou duas, três vezes diante daquele rosto e gozou com um rugido. O primeiro jorro de sêmen caiu na língua dela, o segundo na bochecha, o terceiro ficou pendurado no queixo e pingou sobre os peitos escuros. Dayana não fechou a boca até ele terminar de se esvaziar; depois passou a língua pelos lábios, engoliu o que tinha dentro e sorriu como uma gata satisfeita.
—Tem gosto amargo, como o senhor — disse, e soltou uma risada baixa enquanto a água lavava o sêmen de seu peito.
Rubén se deixou cair contra os azulejos, com as pernas de gelatina, a respiração entrecortada, o pau ainda pingando. Dayana se levantou, tranquila, colou-se a ele e passou um seio molhado pelos lábios dele, como quem alimenta uma criança pequena.
—Isso não é um favor — sussurrou-lhe ao ouvido —. Isso era outra coisa. E vai se repetir. Todas as noites que eu quiser.
Rubén sabia, com uma certeza que lhe gelou a nuca, que aquela imagem — Dayana tomando banho com a porta aberta para ele, ajoelhada, engolindo-o inteiro, mordendo o lábio enquanto ele a arrebentava contra os azulejos — iria corromper para sempre sua solidão e sua alma.
(Continua)