O que o vizinho viu naquela tarde na cozinha
Ela se abaixou para recolher os pedaços da xícara quebrada sem saber que, do batente da porta, alguém a observava sem respirar.
Ela se abaixou para recolher os pedaços da xícara quebrada sem saber que, do batente da porta, alguém a observava sem respirar.
Quando soube qual seria a prenda, fiquei muda. Não por incapacidade, mas porque ele me expunha com um homem que conhecia metade da cidade. Ainda assim, cheguei pontualmente no primeiro dia.
As duas toalhas no cabide me avisaram que eu não estava sozinho. O inteligente seria ir embora. Em vez disso, fiquei colado ao vidro.
Subi no banco sem fazer barulho, encostei o olho na grade de plástico e então a reconheci: era ela, a mulher que eu observara de relance durante toda a tarde.
Eles entraram no meu carro achando que só tomariam um banho e comeriam algo quente. Eu já tinha decidido que aquela tarde não terminaria com eles vestidos.
Combinamos algo simples: uma chamada perdida quando eles começassem, e eu apareceria na minha varanda como se fosse por acaso. Aquela noite mudou tudo.
Eu tinha vinte e seis anos e achava que conhecia meus limites. Bastaram um desconhecido na areia e o olhar cúmplice do meu marido para descobrir que eu não conhecia nada.
Meu namorado achava que eu não teria coragem. Apostou que eu só deixaria o jardineiro excitado pela janela, mas naquela tarde ele acabou ajoelhado diante de mim.
Anos atrás, escrevi dez mandamentos para não prejudicar ninguém. O primeiro é nunca intervir. O segundo, permanecer escondido. Esta é uma das noites que jamais confessarei.
Marcos me pediu que eu não julgasse nem perguntasse nada quando o amigo dele chegasse. Naquela mesma noite, do quarto ao lado, entendi que tipo de visitas eles recebiam às sextas-feiras.
O marido nos abriu a porta de casa com uma única intenção: ver dois desconhecidos darem prazer à sua mulher. Ela fingia hesitar, mas seu olhar já havia decidido.
Achei que estava olhando sem que ninguém percebesse. Quando entrei no vestiário para esconder minha ereção, ela já me esperava com duas amigas.
Uma rajada de vento arrancou a toalha dela no último degrau. Ela não se cobriu. Apenas me olhou, como se esperasse havia semanas que eu descesse àquela hora.
Da minha varanda dava para ver a cama dela. Naquela noite, saí para tomar ar como sempre, sem imaginar que ela acenderia a luz e se despiria diante de mim.
Eram nove da manhã de um domingo e eu era o único na rua. Por isso fui o único a vê-la sair da loja quase nua, sem saber que eu a observava.
Levantei a persiana só um pouco, como sempre. Mas naquela noite Marina estava diante do espelho e, pela primeira vez, não desviou o olhar da minha janela.
Todos no escritório falavam do corpo da mulher de Marcos. Eu só queria conferir com meus próprios olhos, mesmo que para isso tivesse de inventar uma demissão.
Minha mãe achava que eu ainda estava na aula. Ela não sabia que a porta do armário estava entreaberta e que naquela tarde eu vi tudo de dentro do quarto.
Marina não tinha dormido de tanta emoção. O que nenhuma das três imaginava era que aquela enseada escondida ia nos despir muito mais do que a roupa.
Só precisava usar um banheiro naquela tarde de calor. O que aquele velho da oficina fez com o celular me deixou presa e à mercê dele por dias.