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Relatos Ardientes

A noite em que minha esposa me exibiu para as amigas

Meu nome não importa tanto quanto o que vou contar a vocês. Tenho trinta e oito anos, sou magro, com o cabelo escuro um pouco grisalho nas têmporas, e levo uma vida que, de fora, parece completamente normal. Trabalho com finanças. Tenho um apartamento grande nos arredores. Sou casado com Valeria há sete anos.

O que ninguém sabe é que, por baixo da minha calça social, eu usava naquela noite uma gaiola de castidade de aço. Três semanas e quatro dias trancado. Sei com precisão porque conto. Toda manhã, quando tomo banho; toda tarde, quando me sento à escrivaninha; toda noite, quando tento dormir com aquele metal frio apertando a minha pele e o corpo sem saída possível. O pau tenta inchar dentro do aço e não consegue, o anel morde na base, os ovos ficam tensos e pesados, e essa pressão que nunca termina vira um zumbido constante que te acompanha aonde quer que você vá.

Valeria tem trinta e cinco anos, o cabelo preto cortado na altura dos ombros, e um jeito de olhar para você que faz você se sentir exatamente tão pequeno quanto ela quer que você se sinta. Quando ela sorri com aquela curva lenta dos lábios, eu sei que está pensando em algo que ainda não me contou. Naquela noite, ela usava um vestido justo cor vinho, decote pronunciado, e entre os seios, numa corrente fina de prata, pendia a chave da minha gaiola.

Sempre a leva ali. É um detalhe que só eu conheço, ou pelo menos era o que eu pensava até aquela noite.

Ela tinha organizado um jantar para suas três amigas mais próximas. Clara, morena, língua afiada, que trabalha com direito e tem o hábito de fazer perguntas que, na verdade, são acusações. Nadia, pequena e barulhenta, com uma risada que preenche qualquer ambiente e uma curiosidade que não entende limites. E Sofia, curvilínea e direta, que sempre parece estar avaliando tudo o que tem diante de si com um olhar que não pede permissão para nada.

Para a ocasião, Valeria tinha contratado serviço. Dois garçons jovens e atléticos, e uma cozinheira que comandava a cozinha aberta com a eficiência silenciosa de quem não precisa pedir permissão para nada. O primeiro dos garçons era alto, loiro, com um sorriso que parecia perfeitamente ensaiado. O segundo, mais escuro e calado, com olhos que se moviam devagar, mas não perdiam nada.

Eu fazia o papel de anfitrião perfeito. Camisa branca bem abotoada, calça social, taça de champanhe na mão quando era oportuno. Sorria nos momentos certos, enchia as taças quando esvaziavam, fazia o papel que Valeria esperava de mim diante das pessoas. O metal frio da gaiola cravava a cada passo. Três semanas de cárcere produzem uma espécie de zumbido constante no corpo, uma frustração que tinge tudo e transforma qualquer roçar em uma pequena tortura sem saída.

O jantar foi longo e, à sua maneira, agradável. A cozinheira preparou um peixe com um molho que cheirava a vinho branco e ervas, seguido de uma carne que se desfazia sozinha. O champanhe corria solto. As quatro mulheres falaram de trabalho, de viagens, de uma exposição que tinham visto na semana anterior. As risadas vinham e iam com essa facilidade que têm as pessoas que se conhecem bem e não precisam construir conversa. Eu me mantive por perto, servindo, retirando pratos, sendo útil na medida certa.

De vez em quando, Valeria me lançava um olhar do outro lado da mesa. Não dizia nada. Só olhava, com aquela calma dela que às vezes me parece mais aterradora do que a raiva.

***

Foi depois do jantar, quando todas se transferiram para o sofá com as taças e a conversa ficou mais íntima, que Valeria disse o que disse.

—Sabe, meninas, eu sou completamente mimada. Marcos é o marido mais dócil que vocês possam imaginar. Literalmente qualquer coisa, sem vacilar, sem retrucar.

Ela brincava com a corrente entre os dedos enquanto dizia isso. Clara ergueu uma sobrancelha perfeitamente depilada.

—Qualquer coisa? Isso é dizer bastante.

—Prova —disse Nadia, com aquela risada curta que ela tem—. Faz ele fazer alguma coisa escandalosa.

Sofia se inclinou para a frente, os cotovelos sobre os joelhos.

—Algo realmente humilhante. Que ele se despele. Aqui, agora, na frente de todas nós.

Não. Ela não pode estar pensando em me pedir isso. Não com os garçons aqui, com a cozinheira a dez metros, com toda essa gente olhando.

Mas Valeria já estava me olhando. Encontrou meus olhos do sofá com aquela calma que vem aperfeiçoando há anos.

—O que acha, amor? Me diz que sim?

Minha garganta travou. O champanhe que eu tinha bebido ficou imóvel no estômago.

—Valeria... por favor... tem gente aqui —consegui dizer, em voz baixa, como se o volume fosse mudar alguma coisa.

—Tem quatro pessoas que me importam —respondeu ela, sem elevar a voz—. E dois garçons que são pagos para ser discretos.

Clara sorriu, mas não disse nada. Nadia já olhava para onde eu estava parado, antecipando. A unha de Sofia fazia um círculo lento na borda da taça.

—Se você se recusar —continuou Valeria, com aquela inflexão perfeitamente controlada que usa quando não está negociando—, eu acrescento mais um mês ao cárcere. Talvez dois. Imagina como isso vai se sentir daqui a uma semana.

Não era preciso imaginar nada. Eu já sabia como se sentia. Três semanas produzem uma necessidade que entra nos sonhos, que transforma o atrito da roupa em algo que precisa ser administrado a cada instante. Mais um mês era impensável.

Engoli em seco. O crepitar suave da lareira preencheu o silêncio.

Atravessei a sala com as pernas que não respondiam bem até o fim.

—Vem aqui, no centro —disse Valeria.

Fui para onde ela indicou. As quatro mulheres me observavam. O garçom loiro tinha parado perto do bar, com uma taça meio seca na mão. A cozinheira continuava em seu posto, mas já não estava olhando os fogões.

—A camisa primeiro. Dobra e deixa na mesa de centro.

Meus dedos encontraram o primeiro botão. Estavam tremendo levemente; eu tentei não deixar isso à mostra. O tecido se abriu, escorreu pelos meus ombros com um sussurro. O ar frio da sala arrepiou meus braços. Dobrei a camisa com cuidado, coloquei-a sobre o vidro da mesa.

—A calça.

O fecho do cinto soou alto demais no silêncio que caiu sobre a sala. Deslizei a calça pelas pernas, dobrei-a também. Fiquei de cueca e meias sociais pretas. O ridículo da situação era absolutamente claro para mim e, a julgar pelo sorriso de Nadia, também para ela.

—A boxer —disse Valeria—. As meias você deixa.

As meias. Claro. Para ficar ainda mais absurdo.

Baixei a roupa íntima devagar e fiquei de pé onde estava.

A gaiola de aço ficou exposta sob a luz das luminárias. Brilhava com frieza. O anel apertava na base com aquela pressão constante que eu já sinto até quando não penso nela. Os ovos pendiam embaixo, inchados, pesados, a pele esticada por três semanas sem descarregar nada. E porque a situação era exatamente o que era, porque três semanas trancado e sua esposa mandar você se despir diante das amigas é algo que o corpo processa de uma forma que a lógica não consegue explicar por inteiro, havia uma gota grossa e transparente pendurada na ponta da gaiola, um fio viscoso de líquido pré-seminal que se esticava lentamente até o chão.

—Olhem —disse Sofia, inclinando-se um pouco—. Completamente cheio. Está pingando o pau dentro do metal.

Clara soltou um som entre riso e espanto.

—Eu implorava para você não fazer isso e agora ele está assim —disse para Valeria—. Fascinante. Olha o rosto dele e olha lá embaixo, não combinam em nada.

Nadia não disse nada. Limitou-se a me percorrer de cima a baixo com os olhos, com aquela expressão de quem está tomando nota para guardar em algum lugar.

—Dá uma volta nele —pediu Clara a Valeria.

—Vira, Marcos. Devagar. Deixa ver teu cu também.

Virei. O ar carregado da sala. O rosto ardendo. A unha de Sofia percorreu meu quadril com um toque leve, quase casual, como se estivesse verificando alguma coisa, e depois desceu pela curva da bunda com a mesma lentidão. Nadia se levantou do sofá, veio descalça sobre o tapete e deu um leve toque na gaiola com a ponta do dedo, arrancando de mim um arquejo involuntário: o metal vibrou, o anel pressionou, os ovos bateram contra o aço, e a dor e algo que não era só dor se misturaram num instante que durou tempo demais. Outra gota espessa caiu no chão entre meus pés. Nadia riu baixinho e deu outra batidinha, desta vez embaixo, contra os ovos, e eu me dobrei um pouco sobre mim mesmo com um gemido que não consegui engolir.

—Ele está com os colhões inchados como pedras —comentou Nadia, com uma fascinação tranquila—. Toca, Clara.

Clara também se levantou. Os dedos frios dela apalparam meus ovos com uma curiosidade quase clínica, apertando de leve, rolando-os entre o polegar e o indicador enquanto eu mordia o lábio para não fazer mais barulho. Sofia se aproximou pelo outro lado e passou as unhas pela parte interna da coxa, subindo devagar, até roçar a base da gaiola.

—Olha como ele treme —disse Sofia—. Com nada. A gente toca com dois dedos e ele já não sabe onde se esconder.

As risadas se misturaram ao crepitar do fogo.

—Completamente obediente —sentenciou Valeria, com uma satisfação tranquila—. E absolutamente patético. Que é exatamente como tem que ser.

Fiquei de pé, nu salvo pelas meias sociais, enquanto a conversa voltava a correr ao meu redor como se eu não estivesse ali ou como se fosse apenas parte da mobília. Falaram de outras coisas. Esqueceram-se de mim com a mesma naturalidade com que se esquece um quadro na parede. O garçom loiro passou duas vezes para encher taças sem me olhar no rosto, embora seu sorriso nunca tivesse desaparecido. A cozinheira observava da ilha da cozinha, de braços cruzados, com uma expressão que não chegava a ser neutra.

Valeria mandou eu trazer guardanapos. Mandou eu ficar quieto enquanto procurava a chave entre os seios, com um gesto lento e deliberado, fazendo-a oscilar diante dos meus olhos por um segundo que se alongou mais do que o necessário.

—Ainda não —disse, e a guardou de novo.

***

Quando a noite já levava perto de uma hora nessa fase, Valeria olhou para o garçom loiro que empilhava taças perto do bar.

—Como você se chama?

—Adrián —respondeu ele, sem deixar de sorrir.

—Adrián. —Valeria pousou a taça na mesa com suavidade—. O que você acharia de ficar mais um pouco?

O silêncio que se seguiu tinha uma textura específica. Adrián não respondeu de imediato. Seu olhar foi de Valeria para mim e de novo para Valeria.

—Depende do que você precisa.

—Preciso que você me foda na frente do meu marido —disse ela, sem rodeios, com a mesma voz com que teria pedido outra garrafa de vinho—. E quero que você me meta bem fundo, sem nenhum cuidado. Os três, se estiverem de acordo —acrescentou, olhando também para o garçom moreno e para a cozinheira, cuja expressão severa tinha se transformado em algo mais próximo do interesse—. Tem para todas.

O que começou em seguida foi algo para o qual não existe preparação possível, nem mesmo quando você já passou anos sabendo que pode acontecer.

Valeria pegou Adrián pela mão e o levou até o sofá sem me olhar. O vestido cor vinho subiu quando ele a empurrou de leve contra as almofadas. As mãos dele no tecido, as costas dela arqueando. Ela me ordenou com um gesto, sem palavras, que eu me retirasse para o canto.

—Daí —disse ela—. Sem se mexer. E não perca nenhum detalhe.

Fui para o canto. A gaiola apertando a cada batida do coração.

Adrián ergueu o vestido dela até a cintura. Embaixo, Valeria não usava nada. A luz das luminárias caía sobre o interior das coxas abertas, sobre o cu já brilhante e depilado que eu estava sem tocar havia três semanas. Adrián baixou a calça com uma pressa contida e deixou o pau duro apontado para cima, grosso, a cabeça já vermelha, muito maior do que a minha mesmo sem a gaiola. Valeria olhou para ele com um pequeno gesto de aprovação, lambeu os lábios sem discrição e estendeu a mão para envolvê-lo com os dedos.

—Olha o que o meu marido está perdendo —disse ela, olhando para mim, não para ele—. Vem, amor, olha direito.

Ela bombeou o pau dele devagar duas ou três vezes, a cabeça já pingando. Depois o guiou até a boca e o engoliu de uma vez, até a base, com um som úmido e profundo que encheu a sala. Adrián soltou um gemido rouco e agarrou o cabelo dela com as duas mãos. Ela o deixou marcar o ritmo, a garganta se abrindo para ele, a saliva escorrendo do canto da boca até o queixo e descendo pelo pescoço, enquanto me olhava do fundo do sofá com os olhos semicerrados e um sorriso em torno do pênis que me fez fechar os punhos contra a parede.

Quando ele estava duro o bastante, ela se soltou com um estalo úmido, passou o dorso da mão pela boca e abriu as pernas.

—Enfia agora. Sem camisinha. Do jeito que ele quiser.

Adrián se colocou entre as coxas dela e empurrou de uma vez só. Valeria jogou a cabeça para trás com um grito curto, agudo, e cravou as unhas nas costas dele. O pau entrou inteiro até a base, depois saiu quase inteiro, e depois entrou de novo, e o sofá começou a bater contra a parede num ritmo seco. Os seios de Valeria saltavam para cima do decote do vestido a cada estocada, os mamilos duros como pedras. As pernas dela se fecharam ao redor dele, os calcanhares cravando nos quadris dele, exigindo mais fundo.

—Assim —arquejava ela—. Me arrebenta, não seja cuidadoso, mete forte, que eu estou sem nada há semanas.

Adrián levantou uma perna dela, apoiou no ombro e dobrou-a quase ao meio para entrar ainda mais fundo. Cada investida produzia uma pancada seca de pele contra pele e um som líquido que enchia a sala. Eu observava do canto, a gaiola cravada, os ovos queimando, meu próprio pau tentando endurecer dentro do aço e conseguindo apenas doer mais. Sentia a pulsação nas têmporas, no pescoço, na ponta enclausurada. Outro fio de líquido desceu pelo metal.

Nadia, por sua vez, não perdeu tempo. Tinha arrastado o garçom moreno para o tapete, aberto a calça dele com dedos rápidos e agora cavalgava sobre ele com a saia amassada na cintura, subindo e descendo com a boca aberta num som que ia ficando mais alto a cada movimento. As mãos dele tinham levantado a blusa dela e apertavam os seios pequenos sem delicadeza, puxando os mamilos enquanto ela se empalava até o fundo de novo e de novo. O pau do moreno entrava e saía brilhante e escuro entre as coxas dela, e Nadia gemia coisas sem sentido, com a cabeça jogada para trás, até se curvar para a frente e morder o ombro dele quando a primeira onda a sacudiu inteira.

—Continua —exigiu ela, sem parar de se mover—. Não para, não para, não para.

Na outra ponta do sofá, a cozinheira havia tirado o jaleco branco e usava, como eu suspeitara desde o começo, um arreio de couro preto perfeitamente ajustado aos quadris. Do arreio pendia um pau grosso de silicone escuro, brilhando sob a luz. Clara estava inclinada sobre o braço do sofá, a saia subida sobre as costas, a calcinha pendendo num tornozelo, e a cozinheira enfiava o pau postiço nela com um ritmo pausado e impiedoso que fazia as pernas de Clara tremerem visivelmente a cada investida. As mãos dela apertavam as ancas de Clara com uma firmeza que deixava marca. Sofia tinha se ajoelhado diante de Clara, no tapete, e comia o cu dela por baixo enquanto a outra a penetrava por trás. Os dedos de Clara estavam enredados no cabelo de Sofia, guiando-a, apertando o rosto dela contra si, gemendo de boca aberta e olhos fechados.

—Mais língua —arquejava Clara—. Aí, aí, não sai daí.

A cozinheira acelerou o ritmo por trás. O pau postiço entrava inteiro e saía brilhante, e Clara começou a gemer cada vez mais alto, empurrando a bunda para trás para recebê-la e projetando o púbis para a frente contra a boca de Sofia. Quando gozou, gozou com um grito longo, rouco, que fez Valeria se virar por um momento para olhar do sofá com um sorriso aprovador.

E eu no canto. Rígido e inútil dentro da gaiola. O metal úmido do pré-seminal que não parava de pingar. A frustração transformada em algo que ocupa todo o espaço disponível e não tem nenhuma saída. Os ovos tão carregados que doíam a cada batida do coração.

O grupo se reorganizou várias vezes ao longo da noite, com aquela fluidez que os corpos têm quando a decisão já foi tomada e não há mais o que negociar. Valeria acabou de quatro no tapete, com Adrián a comendo por trás, as duas mãos dele apertando as ancas dela, enquanto o garçom moreno enfiava o pau na boca dela pela frente. Ela os recebia aos dois ao mesmo tempo, a garganta se abrindo para um e a bunda empurrando para trás para o outro, até Adrián soltar um rosnado gutural e despejar a porra inteira dentro do cu dela, empurrando até o fundo a cada pulsação. Quase ao mesmo tempo, o moreno gozou na boca dela, e ela engoliu o que pôde, deixando o resto escorrer pelo queixo até cair sobre os seios. Gritou com o pescoço jogado para trás e os olhos fechados, num orgasmo longo que a sacudiu também, os dedos agarrados no pelo do tapete.

Depois ela me olhou de onde estava, com o rosto ainda brilhando de porra e as coxas manchadas.

—Vem aqui, amor —disse, com a voz ainda quebrada—. Preciso de você. Tenho um trabalinho para você.

Fui me aproximando de joelhos. O chão de madeira dura. Os joelhos doendo já fazia tempo.

Primeiro ela me levou até Nadia, que jazia escancarada sobre o tapete, a respiração ainda acelerada, as pernas abertas e um sorriso que não pedia desculpas por nada. Entre as coxas dela, a porra do garçom moreno escorria do cu em um fio espesso e branco.

—Dá a língua para minha amiga —disse Valeria—. Limpa ela direito. Não deixa uma gota.

Nadia abriu mais as pernas com uma risada suave e me pôs a mão na nuca para me aproximar. O calor que ela irradiava era intenso. Afundei o rosto entre suas coxas. A língua encontrou o que havia: sal, umidade, o sabor misturado de dois corpos que não era apenas o dela, a textura viscosa da porra alheia escorrendo sobre a minha língua. Engoli sem pensar muito nisso, porque pensar teria tornado impossível. Chupei devagar, percorrendo os lábios inchados, metendo a língua para tirar o que ainda restava dentro. Nadia gemeu por cima de mim e apertou ainda mais a minha cabeça contra ela.

—Em cima também —murmurou—. Ali, no clitóris, com a ponta.

Obedeci. Passei a língua pelo clitóris inchado em círculos lentos, do jeito que eu sabia que Valeria gostava, até Nadia começar a erguer os quadris contra a minha boca e apertar minha cabeça com as coxas. Ela gozou outra vez, mais curto dessa vez, com um gemido agudo que lhe escapou entre os dentes, molhando todo o meu rosto.

—Bom menino —disse, ainda rindo, me dando um tapinha condescendente na bochecha—. Muito bom menino.

O grupo observava e comentava em voz baixa. Alguém disse alguma coisa que eu não ouvi direito porque o sangue zunia nos meus ouvidos. A cozinheira tinha tirado o arreio e servido uma taça para si. Sofia lambia os dedos, com os olhos semicerrados na minha direção.

Depois Valeria me puxou para perto dela. Sentou-se na beira do sofá e abriu as pernas até não poder mais. O cu estava vermelho, inchado, brilhante, e a porra de Adrián começava a escorrer para baixo, grossa e espessa, formando um fio branco que descia pelo lado interno da coxa até a dobra do joelho.

—Agora eu. Como deve ser. Tudo o que ele deixou, dentro de você.

O cheiro dela era diferente. Mais familiar. Eu conheço de memória há anos, embora naquela noite estivesse misturado com o cheiro do outro, salgado e alheio. Afundei a língua devagar na entrada, tirando o que restava lá dentro, quente e espesso, deixando a boca se encher antes de engolir. A porra de Adrián desceu pela minha garganta com um sabor denso que ficou grudado no meu paladar. Valeria soltou um pequeno suspiro de satisfação e passou os dedos pelo meu cabelo com aquela combinação dela de ternura e posse que eu nunca consigo decifrar por inteiro.

—Mais para dentro —murmurou—. Com a língua bem dura. Tira de mim tudo o que ele meteu.

Enfiei a língua até onde pude. Chupava, engolia, voltava a chupar. O gosto da porra do outro dentro da minha mulher, dentro da minha boca, enquanto eu continuava trancado no metal e com os ovos prestes a estourar. Valeria começou a se mover contra o meu rosto, marcando o ritmo com os quadris, até subir uma perna no sofá e me apertar a boca contra o clitóris.

—Aí. Chupa aí como eu te ensinei.

Eu chupei como ela tinha me ensinado, com os lábios envolvendo o clitóris e a língua trabalhando por baixo, com a ponta do nariz cravada no púbis. Ela começou a arquear a respiração mais forte, a mão firme na minha nuca sem me deixar me afastar um centímetro. As coxas dela se fecharam ao redor da minha cabeça quando chegou lá, apertando tanto que por um momento eu deixei de ouvir, e ela gozou sobre a minha boca com um tremor longo que percorreu todo o corpo, empurrando as últimas gotas do outro para dentro de mim.

—Bom menino —murmurou, quase para si mesma, quando enfim afrouxou o aperto—. É aí que você está. É aí que você tem que estar sempre.

Fiquei de joelhos diante dela, com o rosto encharcado, o queixo pingando, a gaiola cravada entre as pernas, os ovos pulsando como um segundo coração. Valeria me olhou de cima com uma satisfação tranquila e passou o polegar pelo meu lábio inferior, recolhendo o que restava.

—Engole —disse.

Engoli.

***

A noite terminou depois da meia-noite. Os garçons foram embora primeiro, discretamente, depois de recolher o que podiam e abotoar as camisas de novo como se nada tivesse acontecido. A cozinheira fechou a porta da cozinha sem dizer nada, o jaleco branco perfeitamente abotoado outra vez. As amigas de Valeria se despediram com beijos no rosto, como se a noite tivesse sido completamente comum, como se o que aconteceu naquela sala fosse algo que ocorre em qualquer jantar entre amigos.

Quando a porta principal se fechou pela última vez, eu fiquei no centro da sala. Ainda nu, salvo pelas meias que já pareciam ridículas até para mim. A gaiola seguia fechada. Valeria apanhou a chave com o dedo, segurou-a por um instante diante dos meus olhos e depois a guardou de novo na corrente, contra a pele.

—Amanhã —disse.

Foi para o banheiro e fechou a porta.

Fiquei na sala com o cheiro da noite ainda suspenso no ar. As taças vazias na mesa de centro. As almofadas deslocadas do sofá. O tapete com a marca de tudo o que aconteceu ali.

Como eu vim parar aqui?, pensei, e não era a primeira vez. Como alguém se torna isso, o homem que dobra a própria roupa enquanto a esposa o observa do sofá cercada pelas amigas?

E então, como sempre que faço essa pergunta, veio a outra. Aquela que continuo sem conseguir responder com honestidade completa: eu realmente quero que alguma coisa disso mude?

A chave da gaiola brilhava sob a camisa de Valeria, invisível, exatamente onde sempre está. Exatamente onde precisa estar. E eu continuava de pé no centro da minha própria sala, com as meias calçadas, ainda com o gosto de outro homem na boca, sem necessidade de responder essa pergunta naquela noite.

Esta é a minha vida. E, a cada semana que passa trancado, fica mais difícil imaginar que poderia ser de outro jeito, ou que eu quisesse que fosse.

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