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Relatos Ardientes

A visita à minha amiga que eu não deveria contar

4.3(3)

Valeria e eu nos conhecíamos desde a universidade. Mais de dez anos de amizade, daquelas que sobrevivem a mudanças, novos namorados e longas distâncias. Ela se casou com Marcos há quatro anos, um engenheiro que trabalhava em plataformas petrolíferas na costa. A cada rotação ele ficava fora de casa por dois ou três meses. No começo ela lidava bem com isso. Saía com o grupo, organizava jantares, aparecia em todos os planos. Mas quando o bebê nasceu, oito meses atrás, deixamos de vê-la.

Sabíamos que ela estava ali, claro. Mandava fotos do menino no grupo do WhatsApp, respondia com emojis, às vezes deixava um áudio comprido contando que não dormia. Mas não saía. E ninguém ia visitá-la, porque todos nós tínhamos a vida cheia de coisas que pareciam mais urgentes.

Num sábado de manhã ela me escreveu no privado. «Se você não vier, ninguém vem», dizia a mensagem. Marcos tinha ido para outra rotação duas semanas antes. Ela estava havia catorze dias sozinha com o menino, sem mais companhia além das ligações da mãe e de algum áudio solto do grupo. Eu disse que passaria depois do almoço. Comprei um pelúcia ridícula numa loja no caminho e apareci na porta dela às quatro da tarde.

Ela abriu com o bebê apoiado no quadril e o cabelo preso num coque que caía de lado. Usava uma camiseta cinza que escorregava de um ombro e um short de algodão desbotado. Não estava maquiada. Não precisava. Valeria sempre teve esse tipo de beleza que funciona melhor sem enfeite: maçãs do rosto altas, olhos escuros, uma boca que sorria com facilidade e fazia você se sentir a pessoa mais importante do lugar. Depois da gravidez, o corpo dela tinha mudado, mas não para pior. Os quadris estavam um pouco mais largos, os seios mais cheios, a pele com aquele brilho particular que a maternidade recente dá. O short grudava na bunda dela de um jeito que me fez desviar o olhar mais rápido do que eu gostaria.

— Entra, entra, que eu já fiz café — disse, saindo da frente da porta.

A casa cheirava a perfume de bebê e a alguma coisa doce que eu não soube identificar. Ela deixou o menino na cadeirinha da sala e me serviu duas xícaras sem perguntar como eu queria. Sentamos no sofá, cada um em uma ponta, como já tínhamos feito centenas de vezes. Mas havia algo diferente. Havia um silêncio novo entre nós, um espaço que antes era preenchido pelos outros amigos, pelas conversas cruzadas, pela música ao fundo, e que agora estava vazio.

A conversa começou por onde sempre começa: o menino, o trabalho, os fofocos do grupo, quem tinha ficado com quem no último jantar em que ela não foi. Mas aos poucos foi descendo para camadas que normalmente não tocávamos. Ela me contou sobre as noites em claro, o cansaço que não passa com nenhum cochilo, como sentia que o próprio corpo já não lhe pertencia. E depois me falou de Marcos.

— Quando ele liga, só pergunta pelo menino — disse, olhando o fundo da xícara —. Quanto ele comeu, se dormiu bem, se está com febre. De mim ele não pergunta nada. Nem como estou, nem o que preciso, nem se me sinto sozinha.

— Ele deve imaginar que você está bem. Quer dizer, que você está bem.

— Esse é o problema. Ele imagina.

Ela ficou em silêncio por um instante, passando o polegar pela borda da xícara.

— Às vezes eu penso que virei invisível — acrescentou sem me olhar—. Que sou um eletrodoméstico a mais nesta casa. Útil, funcional, mas que ninguém vê. Faz quatro meses que ele não me come, sabe? Quatro meses. E antes disso, outros tantos porque a gravidez dava não sei o quê nele. Nem uma punheta ele me faz mais.

Não soube o que responder a isso. Pousei a mão no joelho dela e apertei por um segundo, um gesto que entre nós sempre tinha sido inocente, de consolo. Mas dessa vez ela me olhou com uma expressão que eu nunca tinha visto. Não era tristeza exatamente. Era algo mais profundo, mais faminto. Como se ela estivesse há meses sem ninguém tocá-la daquele jeito tão simples, e esse contato mínimo tivesse aberto uma fissura que ela nem sabia que existia.

O bebê começou a se mexer e a choramingar. Valeria o pegou da cadeirinha, embalou-o um momento contra o peito e me olhou com alguma dúvida.

— Tenho que dar de mamar. Se importa?

— Claro que não. Você está na sua casa.

— Eu sei, mas tem gente que fica estranha com essas coisas.

— Eu não sou esse tipo de gente — disse —. Acho a coisa mais natural do mundo. E, para ser sincero, você está numa forma incrível para tudo o que carrega nesses meses. Então não se preocupe comigo.

Algo mudou no olhar dela quando eu disse isso. Um brilho breve, quase imperceptível, como quando você empurra uma porta que achava fechada e ela cede.

Ela tirou a camiseta pela cabeça num só movimento e a deixou cair sobre o encosto do sofá. Não usava sutiã. Foi um gesto tão fluido, tão sem drama, que levei alguns segundos para processar que ela estava sentada na minha frente com o tronco completamente nu. Seus seios eram generosos, cheios, com a pele tensa e as aréolas escurecidas e largas pela amamentação. Os mamilos estavam duros, inchados, apontando ligeiramente para cima por causa do peso. O menino procurou o mamilo com a boca aberta e se agarrou a ele na hora. Valeria soltou um suspiro de alívio.

— Ainda bem — disse com ar cansado —. Estou farta de ter que me podar dentro da minha própria casa por causa do que os outros possam pensar.

Tentei manter os olhos no rosto dela. Não consegui totalmente. Ela percebeu.

— Não me olha assim — disse com meio sorriso, sem erguer os olhos do menino.

— Assim como?

— Como se nunca tivesse visto peitos na vida.

Eu ri. Ela também. A tensão afrouxou por um momento, mas por baixo do humor havia algo que não se desfazia. Algo quente e pesado que tinha se instalado entre nós sem pedir licença. Eu já sentia a rola despertando contra o tecido da calça, o sangue descendo sem pedir licença a mim também.

— Você está linda, de verdade — disse —. Parece mentira que tenha tido um bebê há oito meses.

— Isso porque você não vê minhas olheiras de perto.

— As olheiras te dão um ar interessante.

As bochechas dela ficaram coradas. Fazia muito tempo que ninguém lhe dizia algo assim, e dava para notar pela forma como desviou o olhar, como mordeu o lábio inferior para não sorrir demais. Senti que eu tinha lhe dado algo de que ela precisava mais do que café ou conversa: a certeza de que alguém estava olhando para ela como mulher, não como mãe.

O bebê soltou o peito direito e ela o passou para o esquerdo. Um fio fino de leite desceu pela curva do seio que ficou livre. Ela limpou com as costas da mão, mas não totalmente. A gota escorreu até a parte de baixo do peito e sumiu no vinco da pele. O mamilo direito, agora livre, continuava duro, molhado, brilhando sob a luz da tarde com uma gota morna na ponta.

Eu não deveria estar olhando isso desse jeito.

Mas eu não conseguia parar. E ela sabia disso.

— O que foi? — disse com um tom que já não era casual —. Você também quer provar?

Ela falou meio de brincadeira. Mas os olhos não estavam brincando. Havia um convite disfarçado de humor, jogado no ar, esperando para ver se eu o pegava ou deixava cair como se nada fosse.

— Você deixaria? — respondi, e minha voz saiu mais grave do que o normal.

Ela não respondeu com palavras. Agarrou o seio livre com a mão, o ergueu e me ofereceu, apertando a carne com os dedos até outra gota espessa aparecer no mamilo. Sustentou meu olhar sem piscar.

Aproximei-me devagar, dando tempo para ela recuar. Ela não recuou. Cubri o mamilo com os lábios e a primeira coisa que senti foi o leite, morno, com um dulçor suave que não se parecia com nada que eu pudesse descrever. Chupei com cuidado e o leite me encheu a boca, transbordou, escorreu pelo canto dos lábios e desceu pelo queixo até o pescoço.

— Que desastre — disse ela rindo, mas a mão já estava na minha nuca, me empurrando contra ela —. Chupa mais forte. Como se fosse você que estivesse tirando.

Obedeci. Fechei os lábios ao redor da aréola inteira e puxei com a boca, sugando até sentir o jato quente encher meu paladar. Valeria jogou a cabeça para trás e soltou um gemido baixo, daqueles que escapam sem querer, da garganta. Passei a língua ao redor do mamilo, desenhando círculos, sentindo as veias azuis que cortavam a pele dela. Apertei com os lábios. Mordisquei devagar, só de leve, e senti o corpo inteiro dela se tensionar, o ar ser contido e depois sair num suspiro longo.

— Porra, como eu estava precisando disso — sussurrou —. Você não imagina o quanto eu precisava.

O bebê tinha adormecido no outro braço dela, com a boca entreaberta e a respiração funda. Valeria se levantou com cuidado, o depositou na cadeirinha, cobriu-o com a manta e conferiu que ele continuava dormindo. Depois fechou a porta de correr que separava a sala do corredor, deixando o menino do outro lado. Quando se virou para mim, já não havia rastro de brincadeira nem de dúvida na expressão.

Sentou-se ao meu lado. Encostada. Com um joelho sobre o sofá e o tronco ainda nu, os seios balançando levemente a cada movimento. Pôs a mão na minha coxa e foi subindo sem pressa, sem parar de me olhar, até que os dedos roçaram o volume que eu tinha na calça. Fechou a mão em volta, apertou, e sorriu ao notar o quanto eu estava duro.

— E eu, você não vai me dar nada? — disse baixinho —. Vai me deixar assim depois de eu ter te dado de mamar?

A frase ficou pairando entre nós por um segundo. Senti a pressão da mão dela na virilha e o sangue pulsando nos ouvidos. Eu já estava duro havia um bom tempo. Desde antes de tocar no seio dela. Talvez desde que ela abriu a porta com aquela camiseta escorregando do ombro. Sem pensar mais, desabotoei a calça, desci a cueca até as coxas e a tirei. A rola saltou contra a barriga, inchada, dura, com a ponta já umedecida.

Valeria baixou o olhar. Entreabriu os lábios sem perceber. Passou a língua devagar pelos próprios lábios.

— Que rola você andava escondendo — murmurou —. E eu sem saber disso todos esses anos.

Ela se inclinou sobre mim e a agarrou com uma mão na base. Começou com uma lambida lenta de baixo até a ponta, tomando o tempo dela, reconhecendo o terreno. A língua larga, úmida, seguindo minha veia de baixo até a glande. Fechou os lábios ao redor da cabeça e sugou uma vez, duas, testando. Depois a colocou inteira na boca, com um movimento fluido que me fez me agarrar à almofada do sofá e soltar um rosnado.

— Caralho, Valeria…

Ela sabia exatamente o que fazia. Alternava entre sucções profundas, nas quais me engolia até sentir a ponta encostar no fundo da garganta, e passadas longas com a língua esticada, subindo por todo o comprimento até a ponta e descendo de novo. A mão dela acompanhava o que os lábios não alcançavam, girando na base, apertando na medida certa. Respirava pelo nariz, ritmada, sem pressa, como se tivesse a tarde inteira pela frente e nenhuma intenção de desperdiçá-la.

De repente ela tirou da boca com um estalo e me olhou de baixo com os lábios brilhando de saliva.

— Você vai gozar pra caralho, né? — disse enquanto me punhetava devagar com a mão —. Com tudo o que você está segurando, dá para ver que vai ser uma barbaridade. Eu quero tudo na boca, entendeu? Não vai desperdiçar nada.

— Tudo seu — consegui dizer.

Ela a colocou de novo na boca. Agora sem piedade. Desceu a cabeça até o nariz tocar os pelos do meu púbis e ficou assim por alguns segundos, engolindo com a garganta colada à glande. Quando levantou, um fio de saliva pendia do lábio inferior até a ponta da minha rola. Ela quebrou com o polegar e levou o dedo à boca. Depois desceu mais, acolheu os ovos com a mão e começou a massageá-los com delicadeza enquanto se concentrava na cabeça, me chupando como se eu fosse um doce, girando a língua ao redor da glande.

Afastei o cabelo do rosto dela para vê-la melhor. Tinha os olhos semicerrados e uma concentração no gesto que me pareceu tremendamente erótica. Afaguei a bochecha dela com o polegar e ela abriu os olhos para me encarar de baixo, com os lábios esticados ao redor da minha rola e uma expressão que misturava desejo e desafio. Aquela imagem sozinha quase acabou comigo: minha amiga de dez anos, mãe recente, com os seios ainda de fora e pingando leite, me chupando como se estivesse há meses faminta disso.

Deixei que ela marcasse o ritmo no começo, aproveitando cada variação, cada pausa calculada, cada sucção que me percorria o corpo inteiro. Mas chegou um momento em que algo mudou dentro de mim. Segurei a cabeça dela com as duas mãos, agarrando o cabelo, e comecei a mover o quadril em direção a ela, devagar no início, depois com mais intenção. Valeria não recuou. Afrouxou a mandíbula, pôs a língua para fora para me dar espaço, fechou os olhos e me deixou foder sua boca no meu ritmo. Cada investida um pouco mais profunda. Cada engasgo dela abafado contra a minha rola. Cada gemido gutural uma vibração que me percorria de cima a baixo.

A saliva já escorria pelo queixo dela, caía em gotas grossas sobre os seios molhados de leite. A maquiagem inexistente dos olhos tinha borrado com as lágrimas que saíam de forçar a garganta. E mesmo assim ela continuava me olhando de baixo cada vez que abria os olhos, com aquela expressão desafiadora de "me dá mais, não se segura".

— Vou gozar — avisei, dando a ela a chance de se afastar —. Valeria, vou gozar agora.

Ela não se afastou. Acelerou. Senti como me apertava a base com a mão enquanto a boca me engolia até o fundo, e gozei num espasmo longo, me esvaziando na garganta dela. O primeiro jato ela engoliu de uma vez, sem piscar. O segundo escapou pelo canto porque ela não me tirou o suficiente. Foi no terceiro que ela afrouxou os lábios e deixou o resto cair na língua, no palato, nas gengivas, para saborear. Ela recebeu tudo sem um gesto de incômodo, com os olhos cravados nos meus, engolindo aos poucos, sem parar de me sugar até eu parar de tremer. Quando me soltou, tirou-me devagar, dando um último beijo úmido na ponta, e limpou o canto do lábio com o polegar. Chupou o dedo também. Depois se recostou no sofá como quem acabara de terminar um café.

— Porra — sussurrou com meio sorriso —. Você também estava segurando muita coisa.

***

Fiquei um momento imóvel, com as mãos nas coxas, tentando fazer a respiração voltar ao normal. O menino continuava dormindo atrás da porta de correr. O relógio da cozinha fazia seu tique-taque de sempre. Pela janela entrava a mesma luz dourada do fim da tarde. Tudo estava exatamente igual ao que era antes, e nós dois sabíamos que não estava mais em absoluto.

Fui ao banheiro. Joguei água fria no rosto e me olhei no espelho sem saber muito bem o que estava procurando. Quando voltei à sala, Valeria já tinha vestido a camiseta e estava servindo outra rodada de café. Ela perguntou se eu tinha visto a última temporada de uma série que nós dois acompanhávamos. Eu disse que não. Ela me recomendou. Falamos de um restaurante novo que tinham aberto no bairro e de uma viagem que o grupo estava organizando para o feriado de outubro.

Como se os últimos vinte minutos não tivessem existido.

Ela me acompanhou até a porta quando fui embora. O bebê continuava dormindo na cadeirinha, com a boca entreaberta e os punhos fechados. Nós nos olhamos por um segundo a mais do que o necessário.

— Aparece mais vezes — disse, apoiada no batente da porta —. Me faz bem ter companhia. E, da próxima vez, se você quiser, não ficamos no meio do caminho.

— Quando você quiser — respondi.

E eu estava sendo absolutamente sincero.

Desci as escadas sem olhar para trás. No carro, fiquei alguns minutos com as mãos no volante, sem ligar o motor, olhando a fachada do prédio dela. Não sentia culpa. Também não sentia que tinha cruzado uma linha. Sentia que essa linha nunca tinha existido de verdade entre nós, que havia anos ela estava desenhada a giz no chão, e que naquela tarde de sábado nós simplesmente paramos de fingir que ela estava ali.

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