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Relatos Ardientes

A viúva, o capataz e a estância em disputa

Mariela acordava todas as manhãs na casa principal da estância La Caldera com o canto dos chajás e o cheiro de terra molhada depois das tempestades da noite. Tomás e Lucía corriam pelo pátio de tijolos, ainda alheios ao que significava ter perdido o pai. Carla, sua irmã, preparava o primeiro mate na cozinha espaçosa, e Damián, o capataz, já estava no galpão, conferindo o trator quando o sol nascia.

O que havia entre ela e Damián começara de forma furtiva, quase um ano antes, quando Rubén ainda vivia. Depois do enterro, deixou de ser segredo. Alguns peões cochichavam, mas Mariela já não ligava. A doença do marido a tinha esvaziado por dentro, e aquele homem de mãos calejadas e costas largas lhe devolvera a vontade de continuar respirando.

Ela se lembrava da última noite de Rubén com uma mistura de pena e culpa. O câncer o consumira durante meses, e ela lhe segurava a mão enquanto ele delirava. Num momento de lucidez, o marido lhe pediu que não ficasse sozinha, que não se punisse quando ele se fosse. Mariela demorou a entender que aquelas palavras tinham sido um consentimento.

— Não fique presa nesta casa esperando um fantasma — ele lhe dissera.

E ela, muito tempo depois, decidiu obedecê-lo.

***

Na noite do velório, quando os últimos vizinhos foram embora e as crianças finalmente dormiram, Mariela desceu descalça até o quarto do fundo, o do capataz. Empurrou a porta sem bater. Damián estava sentado à beira da cama, fumando, ainda com a camisa preta do enterro.

— Eu sabia que você ia vir — disse ele, sem erguer a voz.

Ela não respondeu. Soltou o robe e deixou-o cair no chão. Ficou nua sob a luz amarela do abajur, os mamilos já duros pelo ar fresco da noite, o mato entre as pernas ainda úmido de tê-lo imaginado por horas. Damián a olhou por um longo instante, como se medisse se ela tinha certeza, e então ela lhe tomou o rosto entre as mãos e o beijou. Foi um beijo lento, faminto, arrastando meses de tensão contida, com a língua entrando inteira em sua boca e os dentes mordendo seu lábio até deixar um gosto de sangue.

Ele a puxou pela cintura e a sentou de pernas abertas sobre as próprias coxas. Beijou-lhe o pescoço, os ombros, desceu pelo peito e prendeu um mamilo com a boca, sugando com força, puxando com os dentes até ela gemer e se esmagar contra o volume já endurecido na braguilha. Damián passou a mão entre as coxas dela e enfiou dois dedos de uma vez na boceta encharcada.

— Você está toda molhada, viuvinha — sussurrou contra a teta dela—. Faz quanto tempo que vem se segurando.

— Meses — ela arfou, mexendo o quadril contra a mão dele, cavalgando os dedos —. Meses pensando na sua pica todas as noites ao lado dele.

Ela arrancou a camisa preta puxando pelas pontas; dois botões saltaram no piso de cerâmica. Desabotoou o cinto, baixou a calça até os joelhos e tirou-lhe a rola de uma só vez. Ele estava duro, grosso, com uma veia marcada no dorso e a glande brilhando de líquido pré-ejaculatório. Mariela se escorregou até o chão, entre as pernas abertas dele, e a levou à boca sem preâmbulo. Chupou-o inteiro de cima a baixo, encharcando bem com saliva, deixando a ponta tocar o fundo da garganta até os olhos se encherem de lágrimas. Damián juntou o cabelo dela num coque improvisado com a mão e a observou de cima, de boca aberta, respirando pelo nariz.

— Assim, puta — rosnou ele —. Mama ela como se estivesse me esperando a vida toda.

Ela fez isso. Lambeu-lhe os ovos, colocou-os um a um na boca, subiu chupando pela veia até a ponta e a engoliu de novo inteira. Quando o sentiu prestes, Damián a ergueu de um puxão, a jogou na cama e lhe abriu as pernas de par em par.

— Devagar — pediu ela —. Quero me lembrar desta noite.

Damián passou a língua pelo interior das coxas, sem pressa, subindo aos poucos até soprar de leve sobre a boceta inchada. Depois desceu a boca inteira, abriu os lábios dela com os dedos e chupou o clitóris até fazê-la arquear as costas. Enfiou a língua nela, tirou, voltou ao biquinho, enquanto dois dedos iam e vinham no buraco, apertando-lhe o ponto lá de cima. Mariela cravou os dedos no cabelo dele e empurrou o rosto dele contra si.

— Não para, não para, não para — repetia, mexendo o quadril contra a boca dele.

Ela gozou na primeira, gritando baixo, com as coxas apertando a cabeça dele. Damián não parou: continuou lambendo-a enquanto o tremor a sacudia, até senti-la completamente amolecer. Só então subiu, agarrou a pica com a mão e passou a glande por toda a vulva encharcada, esfregando-a no clitóris.

— Me enfia — ela arfou —. Agora, por favor.

Ele a penetrou centímetro por centímetro, olhando nos olhos dela, deixando-a sentir cada milímetro entrando. Quando chegou ao fundo, ficou quieto, apoiado contra o colo do útero, e Mariela fechou os olhos e suspirou como se algo dentro dela finalmente se encaixasse.

Moviam-se juntos num ritmo profundo e uniforme. Cada investida a fazia gemer mais alto, e ela envolveu a cintura dele com as pernas para senti-lo inteiro, para cravá-lo até a raiz. Damián se apoiou nos cotovelos e mordeu-lhe o pescoço, o lóbulo da orelha, enquanto os ovos batiam ritmados contra sua bunda.

— Mais forte — murmurou ela —. Não para.

Ele acelerou, sustentando-a pelas ancas, fodendo-a com investidas secas que faziam a cama velha ranger. Mariela gozou de novo, desta vez com um grito que abafou contra o ombro dele, cravando as unhas nas costas dele. Damián a seguiu segundos depois, afundando até o fundo e descarregando a porra inteira dentro dela, jato após jato, com a boca aberta contra seu pescoço. Ficaram abraçados, suados, com o sêmen escorrendo pelas coxas dela, ouvindo os grilos do campo. Pela primeira vez em muito tempo, ela adormeceu sem pesadelos.

***

A paz durou pouco. Numa tarde de calor insuportável, um carro preto e empoeirado freou diante da porteira de La Caldera. Desceram dois homens: um advogado de terno impecável que se apresentou como doutor Peralta e seu sócio, um sujeito da capital a quem todos chamavam de porteño. Traziam pastas com documentos supostamente assinados por Rubén meses antes de morrer, nos quais a propriedade era transferida para uma empresa por dívidas de jogo que nunca tinham existido.

— Senhora, lamentamos sua perda, mas a lei é clara — disse Peralta, com voz oleosa.

Os papéis tinham carimbos adulterados e assinaturas grosseiramente imitadas. A família se reuniu na sala de jantar. Carla empalideceu ao lê-los. Damián, mais frio, conferiu as folhas com cuidado e logo marcou com a unha as datas inconsistentes.

— Isso é falsificado da cabeça aos pés — disse —. Nenhum juiz sério engole isso.

Mariela conhecia de perto a injustiça. Aos dezenove anos, tinha trabalhado como empregada doméstica para uma família que a demitiu acusando-a de um roubo que jamais cometera, e levou anos para limpar seu nome. Essa ferida antiga lhe ensinara a não baixar a cabeça.

— Eles não vão tirar nada da gente — disse, apertando a xícara de mate até os nós dos dedos estalarem —. Esta terra é dos meus filhos.

***

Naquela noite, com a cabeça cheia de advogados e prazos, Mariela voltou a procurar Damián. Encontrou-o acordado, sentado na cama com um copo de vinho na mão. Ao vê-la entrar sob o robe entreaberto, com os peitos à mostra e o cabelo solto, ele sorriu com essa mistura de segurança e desejo que ela conhecia bem.

— De novo, viuvinha? — perguntou, com a voz rouca.

— Preciso esquecer tudo por um momento — respondeu ela, e se ajoelhou diante dele.

Ela abriu a calça dele, tirou a pica já semierecta e a tomou na boca sem preâmbulos. Primeiro devagar, chupando a ponta com os lábios cerrados, saboreando a gota de líquido salgado. Depois com mais fome, engolindo-a inteira, deixando-a bater no fundo da garganta até engasgar e soltá-la cuspida, brilhante, entre fios de saliva. Ela a sacudia contra o rosto dele, esfregava-a nas bochechas, nos lábios, e voltava a enfiá-la até o fundo. Damián segurou a cabeça dela com as duas mãos, sem forçar, deixando-a marcar o ritmo, vendo sua pica desaparecer repetidas vezes entre aqueles lábios vermelhos.

— Assim, isso, chupa tudo — rosnava ele —. Como você mama bem, puta linda.

Ela subiu com a língua pela veia, chupou-lhe os ovos inchados um a um, colocou-os na boca enquanto o masturbava com as duas mãos. Quando o sentiu prestes a explodir, ele a ergueu com suavidade, arrancou-lhe o robe e a virou.

— Quer que eu seja bruto? — perguntou ao ouvido dela, mordendo-lhe o lóbulo.

— Sim — ela arfou —. Assim, hoje. Bem bruto. Me arrebenta.

Ele a inclinou sobre a cama, de bruços, com a bunda levantada e os joelhos separados. Acariciou-lhe as costas até a cintura e, num único golpe, enterrou a pica inteira na boceta encharcada, até os ovos. Mariela gritou abafado contra o travesseiro. Damián ficou dentro dela um segundo, sentindo-a apertá-lo, e começou a comê-la com investidas profundas e secas que sacudiam todo o corpo dela. Agarrou-lhe as ancas e a cravou contra si, obrigando-a a recebê-lo até o fundo. A cama rangia, o som úmido do sexo enchia o quarto.

Mariela mordeu o travesseiro, empurrando o corpo para trás para senti-lo mais fundo. Damián puxou-lhe o cabelo com firmeza, arqueando a cabeça dela para cima, exatamente como ela gostava nessas noites em que precisava que alguém a tirasse da própria cabeça. Com a outra mão, deu-lhe uma palmada seca na nádega, e outra, deixando a marca vermelha.

— É isso que você precisava, não é? — rosnou ele —. Que eu te foda como se fode uma puta.

— Não para — respondeu ela entre gemidos —. Faz eu esquecer de tudo. Me enfia tudo.

Damián se retirou um instante, passou o polegar no anel do cu dela e o apertou devagar, sem entrar, apenas massageando enquanto voltava a afundar a rola na boceta. Mariela gritou, tremendo, e empurrou a bunda para trás pedindo mais. Ele acelerou, fodendo-a tão forte que a cama se mexeu sobre as pernas, até ela gozar com um uivo longo, a boceta apertando em espasmos ao redor da pica. Damián se retirou na hora certa, virou-a de barriga para cima e acabou em jatos sobre os peitos e o ventre dela, sem deixar de encará-la nos olhos, com a pica latejando dentro do punho dele.

Terminaram desabados sobre os lençóis, ela com o sêmen morno correndo pelos seios, ele passando o dedo por cima e levando-o à boca. Abraçaram-se, rindo baixo como dois adolescentes. Aquela era a dinâmica deles: ele a tomava com força quando ela pedia, e a tratava como cristal quando era preciso. Em meio à guerra judicial, esses encontros eram o único lugar onde Mariela baixava a guarda.

***

Nem tudo era harmonia na casa, porém. Carla carregava seu próprio peso. Seu companheiro, Néstor, havia caído meses antes no jogo clandestino: mesas de fim de semana num galpão abandonado perto de Las Talas. O que começou como uma forma de descarregar tensões tinha se tornado vício. Ele perdia somas grandes que depois tentava recuperar apostando mais, e voltava à estância bêbado, esbravejando, procurando briga.

Carla confessou isso à irmã numa tarde de mate e lágrimas. Ele não a batia, mas a tratava como uma sombra: humilhava-a diante dos peões, controlava cada peso, revistava seu celular. Tinha feito dela alguém que já não se reconhecia no espelho.

— Eu me apaguei, Mari — disse com a voz quebrada —. Faz anos que não me sinto mulher. Ele não me toca, não me olha, não me fode. Só me dá medo.

Mariela a abraçou com força.

— Isso não vai continuar assim. Esta casa também é sua, e aqui ninguém desrespeita você.

Nessa mesma noite, depois de gozar abraçada a Damián com a pica ainda dentro, Mariela virou a cabeça sobre o travesseiro e falou com firmeza.

— Quero que você pare o Néstor — disse ela —. Minha irmã não merece viver com medo na própria casa. Fale com ele. E, se for preciso, imponha um limite de verdade.

Damián acariciou-lhe as costas e assentiu devagar.

— Tudo bem — respondeu —. Amanhã eu resolvo com ele. Ninguém maltrata a tua família enquanto eu estiver aqui.

***

O confronto veio sozinho. Numa noite, Néstor voltou de Las Talas bêbado e endividado, e começou a gritar com Carla no meio do pátio, diante de todos. Damián saiu do galpão sem pressa, segurou-o pelo braço e o afastou com um puxão.

— Acabou — disse, encarando-o de frente —. Você pega suas coisas e vai embora ainda esta noite. Com esta mulher você não grita mais.

Néstor ameaçou responder, mas Damián tinha quase um palmo a mais de altura e não tremeu. Houve um breve empurra-empurra, algumas trombadas, e o outro entendeu que não tinha o que fazer. Pegou uma mochila, xingou entre os dentes e subiu em sua caminhonete. O motor sumiu na escuridão da estrada de terra e não voltou.

Carla ficou tremendo, e Mariela a abraçou sem dizer nada. Damián viu a poeira baixar e voltou para o galpão como se nada tivesse acontecido. Sabia que acabara de mudar o equilíbrio da casa, mas também que tinha cumprido sua palavra.

***

Os dias seguintes foram de pura defesa. Contrataram um perito calígrafo que confirmou o que Damián já suspeitava: as assinaturas de Rubén estavam imitados, com irregularidades microscópicas que qualquer tribunal detectaria. Os golpistas, encurralados, mandaram alguns capangas para Las Talas espalharem o boato de que a estância estava falida. Ninguém acreditou. O povo da cidade gostava de Mariela.

Numa tarde, enquanto o sol caía sobre os canaviais, Damián foi ao armazém de secos e molhados buscar mantimentos e novidades. O dono, um velho que sabia de todos os mexericos, contou que tinham visto Néstor pegar o ônibus da madrugada rumo à capital, com uma mochila no ombro e cara de derrota. Ele tinha ido embora sem avisar ninguém.

— Melhor assim — pensou Damián, e voltou à estância com a certeza de que aquele homem não daria mais problema.

Encontrou as duas irmãs na varanda, tomando mate sob a luz laranja do entardecer. Contou o que tinha ouvido. Carla baixou os olhos para o mate, com as mãos ainda trêmulas.

— Foi o melhor que podia acontecer — disse Mariela, abraçando-a —. Ele estava te apagando aos poucos. Agora você pode recomeçar.

— Dói mesmo assim — murmurou Carla —. Às vezes sinto que parte da culpa é minha, por ter aguentado tanto.

— Não se culpe. O medo e o costume prendem qualquer um. O importante é que já passou. Somos uma família de verdade: você, eu, as crianças e Damián.

***

A audiência na capital da província terminou de desmontar a fraude. As perícias, as datas inconsistentes e duas testemunhas que se retrataram deixaram em evidência o doutor Peralta e o porteño. O juiz decidiu a favor de Mariela: La Caldera permanecia intacta, livre de qualquer reivindicação. Quando saiu do fórum, Mariela desabou em lágrimas nos braços de Damián, desta vez de alívio.

Com a batalha vencida, a casa respirou diferente. Numa noite, sob as estrelas do campo, Damián se ajoelhou diante dela.

— Não quero continuar entrando no seu quarto às escondidas — disse —. Quero que você seja minha mulher de verdade, na frente de todo mundo.

Mariela aceitou entre lágrimas. Casaram-se na capela do povoado, numa cerimônia simples: Tomás e Lucía levaram as alianças, Carla foi a madrinha e Damián vestiu um terno emprestado que lhe assentava justo. Naquela mesma noite, na cabana ao lado do riacho, mal atravessaram a porta e ele já lhe levantava o vestido branco até a cintura. Empurrou-a contra a parede de madeira, arrancou-lhe a calcinha de renda de um só puxão e se ajoelhou para chupá-la ali mesmo, em pé, com uma perna apoiada no ombro dele.

— Você é minha mulher — dizia entre uma lambida e outra, o rosto encharcado, a língua cravada no clitóris dela —. Minha, toda minha. Daqui até eu morrer.

Mariela se segurava nos ombros dele para não cair, gemendo alto porque ninguém podia ouvi-los, tremendo cada vez que ele afundava a língua em sua boceta. Ela gozou contra a boca aberta dele, escorrendo pelo queixo, e ainda trêmula ele a ergueu nos braços e a levou para a cama. Tirou-lhe todo o vestido, despiu-se também e a penetrou de barriga para cima, devagar, sem deixar de beijá-la na boca. Moveu-se dentro dela com calma, com a pica chegando ao fundo em cada investida lenta, saboreando cada centímetro. Lambuzou-lhe os peitos, chupou-lhe os mamilos, mordeu-lhe o pescoço.

Virou-a de quatro e comeu-lhe o cu por um bom tempo, com as mãos entrelaçadas sobre as costas dela como rédeas, vendo-a arquear-se e empurrar para trás. Depois a colocou por cima, montada de pernas abertas, e a deixou cavalga-lo até que os muslos de Mariela tremessem e ela gozasse pela segunda vez, movendo o quadril em círculos, com os seios batendo no rosto dele. Ele apertou as ancas dela para baixo e acabou dentro com um gemido longo, afundado até os ovos, sentindo a boceta ordenhá-lo por inteiro. Ficaram abraçados, ainda unidos, respirando no mesmo compasso.

— Eu te amo, Damián — murmurou ela enquanto ele a abraçava —. Mesmo que tudo tenha desabado em pedaços, eu te amo como nunca amei ninguém.

— E eu a você — respondeu ele —. Você é minha mulher, meu tudo.

***

Alguns dias depois, chegou a La Caldera o irmão mais novo de Damián, Bruno, um homem tranquilo, de ombros largos e olhar sereno, que vinha de Mendoza para ajudar no campo. Era bonito, tinha voz grave, e trazia uma calma que contrastava com o temperamento do irmão. Durante o jantar, a conversa fluiu, e Carla, pela primeira vez em muito tempo, se descobriu rindo.

Damián percebeu. Mais tarde, no corredor, falou baixinho com a cunhada.

— Bruno está sozinho há anos. É um cara bom, paciente, sabe tratar uma mulher. Se quiser esquecer tudo o que passou, dê uma chance a ele. Ele não vai te decepcionar.

Carla corou, mas assentiu.

Naquela noite, enquanto Mariela e Damián aproveitavam a lua de mel na cabana, Carla aceitou o convite silencioso de Bruno. O que começou como uma conversa na cozinha terminou no quarto dela. Ele trancou a porta, aproximou-se devagar e a beijou longamente, com as mãos segurando seu rosto. Foi soltando os botões da blusa um a um, sem pressa, beijando cada trecho de pele que ia descobrindo: a clavícula, a curva do peito, a borda do sutiã. Quando desabotoou o soutien e viu os seios dela, parou por um segundo.

— Você é linda — disse em voz baixa —. Não sei como alguém conseguiu fazer você se sentir o contrário.

Carla começou a chorar em silêncio, e ele enxugou as lágrimas com os polegares antes de se abaixar para chupar-lhe os mamilos, um e outro, girando a língua, mordiscando de leve. Deitou-a na cama, tirou a saia e a calcinha, e desceu beijando-lhe o ventre, os quadris, o interior das coxas. Abriu-lhe as pernas e a comeu com paciência infinita, a língua plana passando por toda a vulva, depois a ponta brincando com o clitóris, depois dois dedos entrando e saindo devagar enquanto continuava sugando por cima.

Carla não lembrava da última vez que alguém havia feito aquilo por ela. Agarrou-se aos lençóis, ofegante, mexendo o quadril contra a boca dele sem conseguir evitar. Gozou longamente, gemendo o nome dele, com as pernas apertando a cabeça dele. Quando Bruno subiu e se despiu, ela viu a pica dura e sentiu um formigamento novo, sem medo. Abriu os braços para ele.

Ele se meteu entre suas pernas e a penetrou devagar, olhando-a, parando sempre que sentia a mínima resistência. Fodeu-a com investidas fundas e pausadas, apoiado em um cotovelo, acariciando sua face com a outra mão. Sussurrava coisas ao ouvido dela: que ela era divina, que estava tão apertada, que como ele se sentia. Virou-a de lado, de conchinha, entrando por trás com uma perna erguida, enquanto lhe acariciava o clitóris com dois dedos. Carla gozou de novo, tremendo por inteiro, e ele continuou devagar até acabar dentro dela com um gemido rouco contra sua nuca. Abraçou-a por trás, ainda dentro, e beijou seu ombro. Carla adormeceu assim, contida, redescobrindo um prazer que julgava perdido, respirando pela primeira vez sem medo.

Ao amanhecer, quando Damián e Mariela voltaram para a casa, encontraram Carla e Bruno tomando café da manhã juntos na cozinha. Os olhares cúmplices e os sorrisos tímidos diziam tudo.

***

La Caldera permaneceu intacta, símbolo do que uma família pode defender quando se mantém unida. Mariela, com seus filhos, sua irmã, Damián e agora Bruno, encarou o futuro com a certeza de que o pior havia passado. Semanas depois, um exame em Las Talas confirmou o que ela já suspeitava: estava esperando um filho de Damián. A notícia encheu a casa de uma alegria nova.

Na adversidade, os desejos que um dia lhes trouxeram culpa acabaram unindo-os ainda mais. A vida no campo lhes ensinou que defender o que é seu não exige só papéis, mas coragem, lealdade e a honestidade de se permitir recomeçar. Com um filho a caminho e dois amores florescidos sob o mesmo teto, a família olhou o horizonte dos canaviais e, pela primeira vez em muito tempo, não teve medo do amanhã.

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