Como me tornei a amante do meu colega
Tenho vinte e sete anos, trabalho no setor de eventos desde que terminei a faculdade, e até o ano passado nunca tinha misturado trabalho com prazer. Não por falta de oportunidade, mas porque sempre achei que certas linhas deviam ser mantidas no lugar. Era uma dessas convicções que soam muito bem até aparecer alguém capaz de destruí-las com um único olhar.
Consegui o cargo no Salón Imperial quase por acaso. Uma amiga me falou do lugar: um dos maiores espaços para eventos da cidade, com capacidade para duas mil pessoas e uma agenda lotada todos os fins de semana. O trabalho era de coordenação e atendimento ao cliente, com código de vestimenta rígido. Saias ou calças de corte formal, blusas elegantes, salto sempre. Eu gostava da ideia. Sempre foi fácil para mim me arrumar bem, e me vestir assim todos os dias era um bônus que nenhuma das minhas amigas entendia, mas eu apreciava.
As primeiras semanas passei aprendendo o ritmo do lugar. A equipe operacional chegava antes de nós, montava o salão, movia mesas, instalava equipamento de som e decoração. Era um trabalho físico, e isso aparecia nos corpos de quem o fazia. Foi assim que comecei a reparar em Marcos.
Ele devia ter uns quarenta e tantos anos, embora eu nunca tenha perguntado. Moreno, magro, com uma barba grisalha bem aparada que lhe dava um ar de homem que já viveu o bastante para não precisar ficar se exibindo. Não era o mais alto da equipe, mas era o mais tranquilo. Enquanto os outros se moviam com aquela pressa nervosa imposta pela pressão de um evento, ele trabalhava com uma calma que me chamava a atenção. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Isso, combinado com os braços dele, me distraía mais de uma vez quando eu deveria estar respondendo e-mails. Braços fortes, não exageradamente musculosos, mas do tipo que a gente nota sem querer e depois não consegue mais deixar de notar. Mais de uma tarde me peguei apertando as coxas sob a mesa, pensando nessas mãos dele, imaginando como elas seriam nas minhas tetas, na minha bunda, entre as minhas pernas.
Nós havíamos nos cruzado nos corredores algumas vezes. Trocamos cumprimentos curtos, algum comentário sobre o trabalho. Nada mais. Até a noite do Festival de Outono.
***
Era um evento privado de uma grande empresa, com música ao vivo. A banda que ia tocar estava há anos na minha lista de favoritas, e quando soube que eles se apresentariam no salão naquela sexta-feira, pedi à minha chefe que me deixasse ficar como apoio da equipe operacional. Tecnicamente eu não tinha nada a ver com aquilo. Mas ela me fez esse favor.
Cheguei naquela noite diferente do que costumava chegar. Saia curta, uma blusa leve e tênis em vez de salto, porque eu sabia que ficaria de pé por várias horas e queria aproveitar o show sem pensar nos pés. Encontrei Marcos coordenando a montagem do palco e me aproximei com a desculpa de aprender algo sobre o trabalho dele.
—Você entende de cabos? — ele me perguntou sem erguer os olhos do chão.
—Nada — admiti.
Ele riu. Uma risada curta, sem exagero.
—Então anda atrás de mim e não toca em nada.
Foi assim que passei as duas primeiras horas do evento: seguindo-o, vendo como resolvia imprevistos de última hora, ouvindo-o dar instruções naquele tom de quem não precisa gritar para ser obedecido. Ele era bom no que fazia. Seguro em cada movimento. E eu o olhava demais para aquilo continuar sendo algo inocente.
Quando a banda subiu ao palco e o público começou a lotar a pista, fiquei parada ao lado de Marcos, encostada na parede do fundo. Ele já não tinha muita coisa para fazer naquele momento. Perguntei baixinho se ele achava que iam me denunciar por pegar alguma coisa no bar. Ele me olhou de lado.
—O que você quer beber?
—Uma cerveja.
—Pega duas.
Dividimos o primeiro copo grande encostados naquela parede, com a música batendo no peito. Depois fui buscar outro. E depois de um tempo eu trouxe mais um só para mim, porque Marcos tinha dito que não queria mais e eu ainda queria continuar sentindo aquele calor que subia devagar do estômago e afrouxava algo que eu carregava tenso havia muito tempo.
Quando a banda estava no meio do repertório, eu cantava junto em voz baixa e ele me olhava com aquele sorriso que eu não sabia bem se era de ternura ou de outra coisa. Provavelmente de outra coisa.
—Você está bêbada — ele disse.
—Um pouco — reconheci.
—Quer sentar?
Assenti. Minha cabeça girava de um jeito agradável, daquela forma em que tudo parece mais fácil e as distâncias entre as pessoas diminuem sem ninguém decidir isso conscientemente.
***
Ele me levou até a recepção dos escritórios, um espaço amplo com sofás grandes e confortáveis, afastado do barulho do salão principal. Havia câmeras nos cantos, mas Marcos as conhecia bem: sentamos no único sofá que dava as costas para o objetivo mais próximo. De um lado, uma sala envidraçada com persianas fechadas projetava sombras de pessoas trabalhando lá dentro. Se alguém olhasse, pareceria que dois funcionários descansavam entre um turno e outro.
Afundei no sofá com a cabeça para trás e os olhos no teto. O cansaço de ficar horas em pé se misturava ao efeito das cervejas e a outra coisa mais difícil de nomear. Um calor que não tinha nada a ver com a temperatura do lugar, mas com aquela umidade que já começava a molhar minha calcinha só de tê-lo colado ao meu lado.
Marcos estava colado em mim. Não de um jeito incômodo. Só perto. Muito perto.
Foi gradual. Tão gradual que eu não poderia dizer em que momento exato a mão dele pousou na minha perna. Começou no joelho, desenhando círculos lentos, e a cada passada subia um pouco mais. Minha saia foi subindo quase sozinha, centímetro por centímetro. Eu não o impedi. Fiquei com a cabeça apoiada para trás, olhando o teto, deixando que ele continuasse.
—Você tem pernas incríveis — ele murmurou, quase para si mesmo.
Eu sentia o calor da mão dele como se estivesse marcando minha pele, e entre as pernas começava a crescer uma umidade que não tinha nada a ver com o calor do salão. Os dedos chegaram à borda da calcinha e ali ficaram, brincando com o elástico, roçando de leve, medindo o quanto eu aguentava. Eu aguentava pouco. Quando ele passou um dedo por cima do tecido, sobre a minha boceta já encharcada, um suspiro escapou de mim e eu nem soube disfarçar.
—Você está encharcada — ele disse baixinho, sem tirar o dedo —. Dá para notar daqui.
Ele puxou o tecido para o lado e enfiou um dedo inteiro em mim, devagar, até o fundo. Meu corpo inteiro se retesou. Ele começou a movê-lo devagar, apertando o clitóris com o polegar, olhando de relance para a porta do escritório caso alguém saísse. Enfiou um segundo dedo. Eu mordi o lábio e abri mais as pernas sem conseguir evitar, querendo que entrasse mais, que ele não parasse. Virei devagar, dando as costas para ele, apoiando o quadril contra o corpo dele. A outra mão dele encontrou minhas ancas e depois minha bunda, e apertou com uma segurança que me tirou o fôlego. Não era bruto. Era deliberado. Como alguém que sabe exatamente o que quer e não precisa pedir permissão duas vezes.
—Vem aqui — ele disse, tirando os dedos e levando-os à boca sem pressa, chupando-os na minha frente.
Hesitei por um segundo. Pensei nas sombras atrás das persianas, nas câmeras, na lógica me dizendo que aquilo era uma péssima ideia. Mas a lógica sempre sai perdendo quando alguém fala no seu ouvido com aquela voz baixa e aperta suas ancas como se já conhecesse seu corpo de memória.
Sentei no colo dele.
As mãos dele percorreram minhas coxas de cima a baixo, devagar, sem pressa. Ele enfiou as mãos por baixo da blusa, ergueu meu sutiã de um puxão e agarrou minhas tetas diretamente na pele, beliscando meus mamilos entre os dedos até ficarem duros como pedra. Meu corpo respondeu antes que eu pudesse decidir qualquer coisa. Senti a ereção dele sob o tecido da calça, firme, grossa, pressionando-me entre as nádegas, e movi o quadril sem pensar, me esfregando contra ela, querendo mais contato. Ele prendeu a respiração. Começou a beijar meu pescoço, devagar, seguindo a linha até o ombro, mordendo a pele logo atrás da orelha, e o quadril dele respondeu ao meu com um ritmo suave que fazia todo o resto desaparecer.
—Você está deliciosa — ele sussurrou contra minha nuca —. Minha rola está duríssima com o jeito que você se mexe.
Ele enfiou a mão outra vez por baixo da saia, afastou a calcinha e voltou a cravar dois dedos na minha boceta. Agora eu estava tão molhada que dava para ouvir. Cada vez que ele entrava e saía, soava como um molhar baixinho, e eu mordia a mão para não gemer. Ele me falava no ouvido sem deixar de movimentá-los, dizendo coisas que me faziam apertar os dedos ao redor dele por dentro.
—Que apertadinha você está. Vou te foder aqui mesmo se você continuar assim.
Que alguém saia do escritório. Que alguém nos interrompa e me devolva a lucidez antes que seja tarde demais. Ninguém saiu.
***
Depois de um bom tempo entre roçadas e sussurros, Marcos pegou minha mão e me levou até o fim do corredor. Havia uma escada de serviço que ligava à parte de trás do prédio, uma área que àquela hora ninguém usava e que não tinha câmeras. Eu soube disso porque ele sabia, e porque naquele momento isso me importava muito pouco.
Ele me encostou na parede com uma decisão que me arrancou o ar. Ficamos frente a frente na penumbra, com o som abafado do show chegando de longe como se pertencesse a outro mundo. Ele baixou minha calcinha de uma vez, sem drama. Ela caiu nos meus tornozelos e eu a tirei com um chute. Não protestei. Eu estava tão pronta que o frio da parede nas costas foi a única coisa que me ancorou à realidade por um instante.
Ele abriu a calça e tirou a rola sem cerimônia. Era grande. Larga. Grossa na base, com a ponta inchada e uma veia correndo por baixo. Fiquei tão surpresa que acho que isso apareceu no meu rosto, porque ele soltou uma risada baixa e controlada.
—Quer isso? — perguntou, segurando a rola com a mão e encostando a glande na minha coxa, deixando um rastro úmido na minha pele.
Em vez de responder, eu me ajoelhei. Não sei de onde aquilo veio. Só me deixei cair e a coloquei na boca de uma vez, o máximo que consegui, até ficar sem ar. Ele soltou um grunhido baixo e pôs uma mão na minha nuca, não me empurrando, só me segurando. A língua dele circundava a ponta, subia, descia, chupava tudo enquanto a outra mão agarrava a base e apertava. Tinha gosto de sal e pele limpa. Tirei por um momento, olhei para ela molhada com minha saliva brilhando na penumbra, e passei a língua por baixo, de cima a baixo, enquanto ele deixava a cabeça cair contra a parede do corredor.
—Assim, assim — ele murmurou —. Chupa tudo.
Eu obedeci. Levei até o fundo outra vez, até meus olhos se encherem de água e eu precisar me afastar por um segundo para respirar. Um fio de saliva pendia do meu lábio. Ele limpou com o polegar e enfiou o dedo na minha boca. Eu também chupei o dedo dele.
—Levanta — pediu com a voz rouca —. Eu preciso de você por dentro.
Ele me ergueu segurando meus braços e me encostou de novo na parede. Me beijou. Eu o beijei como há muito tempo não beijava ninguém: com fome, com os dentes, buscando a língua dele, mordendo o lábio inferior até ele responder com a mesma intensidade. As mãos dele no meu cabelo, as minhas no peito dele, e lá fora o mundo seguindo seu curso sem perceber nada. Ele ergueu uma perna minha, prendendo-a na cintura, e com a outra mão guiou a ponta até a minha boceta encharcada. Esfregou a glande para cima e para baixo, entre os lábios, sobre o clitóris, sem enfiá-la ainda. Eu quase implorei.
—Enfia logo, por favor.
Quando ele me penetrou, o ar que eu tinha nos pulmões saiu de uma vez. Cheio. Fundo. Ele me abriu aos poucos no começo, empurrando com paciência, deixando-me sentir cada centímetro que entrava. Quando chegou até o fundo, ficou ali por alguns segundos, imóvel, respirando na minha boca, deixando minha boceta se acostumar com ele. Depois começou a se mover com uma força que eu não esperava, sem suavizar, sem perguntar se eu estava bem. Como se soubesse exatamente do que eu precisava. E ele tinha razão.
—Mais forte — eu pedi.
Ele não precisou ouvir duas vezes. Entrava e saía até o fundo, com o quadril batendo no meu contra a parede num ritmo que me fazia subir aos poucos para algo que eu não conseguia controlar. Cada investida me fazia subir meia coluna pelo cimento. Eu ouvia minha própria bunda batendo na parede, o molhado da minha boceta engolindo a rola inteira, a respiração pesada de Marcos no meu pescoço. Comecei a gemer e ele tampou minha boca com a palma da mão, sem parar de se mover, me olhando nos olhos na escuridão com aquela calma dele que, dentro de mim, parecia uma contradição perfeita.
—Fica quieta, gata — ele me disse baixinho, sem deixar de meter —. Vão escutar a gente. Aguenta até gozar.
Isso foi suficiente. Eu gozei com uma força que me dobrou os joelhos, mordendo a mão dele para não gritar, sentindo a boceta se contrair em ondas ao redor da rola dele, apertando-o por dentro, sugando-o. Ele continuou, empurrando mais forte, aproveitando que eu ainda me convulsionava para afundar até o fim outra vez e outra vez.
Ele me virou. Apoiou as duas mãos na parede, chutou meus pés para que eu abrisse mais as pernas e me dobrou um pouco pela cintura, deixando minha bunda erguida. Levantou minha saia por completo até a cintura. Senti a mão dele abrir minhas nádegas, e depois a ponta procurando de novo a entrada. Quando ele me penetrou por trás, nessa posição, atingiu um lugar diferente. Mais fundo. Um gemido longo escapou de mim, e ele o abafou cobrindo minha boca outra vez.
—Que boceta gostosa você tem — ele me disse ao ouvido, empurrando o quadril contra minha bunda —. Vou te foder todas as vezes que você me deixar.
As mãos dele nas minhas ancas, minha testa apoiada na parede fria, e ele empurrando por trás com a mesma insistência, sem pausa. Eu o sentia mais fundo assim. Cada investida me levantava nas pontas dos pés. Ele tampou minha boca de novo quando ouviu meus sons abafados contra o cimento. Com a outra mão, me procurou por diante, enfiou os dedos entre os lábios, encontrou o clitóris e começou a esfregá-lo em círculos no mesmo ritmo em que me comia. Eu não me importava. Queria mais disso.
—Goza de novo — ele pediu —. Goza na minha rola.
Eu cheguei lá outra vez. Desta vez minhas pernas tremeram de verdade, tanto que se dobraram, e ele teve que me segurar com um braço cruzado na frente para eu não cair no chão. Eu apertava a boca contra o antebraço dele, mordendo o tecido da camisa, enquanto o orgasmo sacudia meu corpo inteiro e encharcava a rola dele de novo. Ele aguentou mais alguns segundos, cerrando os dentes, e então eu o ouvi rosnar baixinho.
—Vou gozar, vou gozar dentro — ele disse com a voz tensa, sem tirar, sem hesitar.
Senti ele inchar dentro de mim e depois o calor da porra me enchendo, jorro após jorro, enquanto ele continuava empurrando cada vez mais devagar, se esvaziando por inteiro, deixando tudo lá dentro. Terminou com um som baixo e contido que foi a coisa mais íntima de toda a noite.
Ficamos quietos por um momento. Ele ainda dentro, respirando no meu pescoço, com as mãos nas minhas coxas me sustentando. Quando finalmente saiu, senti o esperma escorrendo por dentro da minha coxa, morno, devagar. Ele se abaixou, pegou minha calcinha do chão e me entregou sem dizer nada. Eu a vesti com as pernas tremendo, sentindo o tecido absorver o que ele acabara de deixar dentro de mim. Lá fora, a banda tocava sua última música.
Arrumamos a roupa em silêncio. Ele guardou a rola, ainda úmida e meio mole, e ajeitou o cinto. Eu desci a saia, passei os dedos pelo cabelo, respirei fundo duas vezes. Voltamos para o corredor principal como se nada tivesse acontecido, com aquela calma estranha que vem depois de algo que não deveria ter acontecido e que, no entanto, parece completamente inevitável quando você se lembra.
***
Já era tarde. O pessoal começava a recolher o salão, desmontar o palco, varrer o confete do chão. Marcos ainda precisava ficar para terminar. Eu tinha que ir embora.
Ele me acompanhou até a porta lateral. Antes de eu sair, segurou meu braço com delicadeza.
—Você quer ser minha amante? — perguntou. Sem rodeios. Como tudo o que ele fazia.
Ele era casado. Eu sabia disso havia semanas. Tinha ouvido ele mencionar a esposa em conversas de corredor, sem detalhes, daquela maneira como as pessoas citam uma parte da própria vida que existe, mas não ocupa o centro de conversa nenhuma. Não era problema nem responsabilidade minha. Era a decisão dele e dela. A minha eu já tinha tomado duas horas antes, quando não o impedi.
—Com muito prazer — eu disse.
Saí para a noite. A rua estava fria e o barulho do trânsito me devolveu à realidade de repente. Caminhei até meu carro ainda sentindo o peso das mãos dele nas minhas coxas, a pressão da parede contra minha testa, a porra quente ainda escorrendo devagar por dentro da calcinha, o calor que demorou vários minutos para me abandonar por completo.
Não me arrependi naquela noite. Não me arrependi na semana seguinte, quando voltamos a nos encontrar entre um turno e outro com a mesma facilidade com que tínhamos feito na primeira vez. Nem na seguinte. Há coisas que começam com cerveja e uma banda tocando ao fundo, e que a gente acaba transformando em hábito sem nem perceber o momento exato em que cruzou a linha.
Essa foi uma dessas coisas. E eu não mudaria isso.