Confessei o que fiz com um desconhecido no cinema
Nunca contei isso a ninguém. Nem à minha melhor amiga, nem ao homem com quem eu saía naquela época, nem à psicóloga a quem eu ia às terças-feiras. Guardei aquilo por anos como se guarda uma foto que você não deveria ter. Mas há tardes em que o calor sobe pelo meu pescoço do mesmo jeito que naquele dia, e então eu volto a estar ali, na poltrona treze de uma sala quase vazia, prestes a fazer algo que ainda não entendo por completo.
Era um agosto pegajoso em Valência, daqueles em que o asfalto parece macio e respirar custa. Eu tinha entrado no cinema mais para fugir do abafamento do que pelo filme. Sentei numa fileira do meio, sozinha, com uma saia curta de lycra preta que se ajustava aos meus quadris e um top do mesmo material, cor de pele, tão fino que era quase uma mentira de tecido. Do lado de fora, ardia. Lá dentro, o ar-condicionado zumbia como um segredo frio.
A mudança de temperatura me atingiu em cheio. Senti meus mamilos endurecerem na hora, marcando-se descarados sob o tecido, e cruzei os braços por um segundo, como se pudesse esconder o que o meu próprio corpo acabara de denunciar. Ri sozinha, sem jeito. Você está sozinha numa sala vazia, de quem você está se escondendo? E por baixo da saia, sem querer, apertei as coxas: minha xana já pulsava, sensível, úmida por um calor que eu vinha carregando havia dias e que aquele frio não apagava — ao contrário, o tornava ainda mais evidente.
Então ele chegou.
Vi-o entrar pelo canto do olho: alto, de pele escura e movimentos tranquilos, com uma camiseta justa que desenhava as costas largas e uma calça de linho clara que caía solta sobre as pernas. Havia duzentas poltronas livres na sala. Ele escolheu a que ficava colada à minha. Sentou sem pedir licença, sem aquela desculpa sem jeito que os homens soltam quando invadem o seu espaço, como se aquele assento tivesse sido reservado para ele a tarde inteira.
O cheiro dele chegou antes de qualquer palavra. Uma mistura de madeira, algo cítrico e um fundo mais quente, quase animal, que entrou na minha cabeça desde a primeira baforada. O verão tinha deixado um brilho finíssimo de suor nos braços dele, e esse brilho intensificava o aroma, deixava tudo mais denso. Engoli em seco e fixei os olhos na tela ainda apagada.
Ao se acomodar, ele abriu as pernas com naturalidade e uma delas roçou minha coxa nua. Foi só um roçar. A pele quente dele contra a minha, que ainda estava fria por causa do ar-condicionado. E, ainda assim, um arrepio me percorreu do estômago à nuca, tão forte que escapou de mim um suspiro baixo, quase um gemido, que naquele silêncio soou como uma confissão.
Ele ouviu. Virou a cabeça devagar e me olhou com olhos escuros que a penumbra deixava ainda mais profundos.
— Desculpa — murmurou, com uma voz grave que eu senti mais no peito do que nos ouvidos —. Não queria invadir você.
Mas não tirou a perna. Pelo contrário: apoiou a mão grande e morna na minha coxa, justo onde a saia terminava, abrindo um pouco os dedos para cobrir mais pele do que o necessário. Não era um gesto desajeitado. Era uma pergunta feita com a palma da mão.
— Você não tem nada do que se desculpar — respondi, e minha voz tremeu de um jeito que me deu raiva e me excitou ao mesmo tempo —. É que estou um pouco nervosa. E com o seu encostar me deu um sufoco que eu nem sei de onde saiu.
As palavras saíram sozinhas, sinceras demais, minhas demais. Surpreenderam até a mim.
Ele sorriu. Um sorriso lento, daqueles que tomam o seu tempo, deixando à mostra dentes muito brancos.
— Um sufoco — repetiu em voz baixa —. Aqui dentro está frio, e você parece estar pegando fogo. Está ardendo muito?
O polegar dele começou a desenhar círculos pequenos sobre minha pele, sem pressa, me medindo. O filme enfim começou, uma sequência de luzes azuladas que iluminavam em intervalos o perfil dele, os lábios, o contorno da mandíbula. Não estávamos vendo nada. Toda a minha atenção estava presa àqueles dez centímetros de coxa onde a mão dele decidia a minha noite.
— Muito — admiti, e soou como rendição.
***
A mão subiu. Devagar, explorando a parte interna da coxa, enquanto o joelho dele pressionava o meu e abria minhas pernas só um pouco. Ele se inclinou até meu ouvido, e o hálito quente dele bateu no frio da sala.
— Me diz para parar — sussurrou — e eu paro.
Não disse nada. Em vez disso, abri as pernas um pouco mais e deixei a mão cair até o apoio de braço, tirando-o do caminho. Foi a resposta mais clara que dei na vida sem abrir a boca.
Os dedos dele encontraram a borda da minha calcinha sob a saia e ele ouviu quando prendi o ar ao sentir o toque no tecido já encharcado. Não soltou nenhuma obscenidade de filme. Apenas emitiu um som baixo, gutural, quase de surpresa, como se ele também não esperasse me encontrar tão molhada assim.
— Caralho — murmurou contra meu pescoço —. Você está escorrendo. Está assim o tempo todo, não é?
Assenti sem olhar para ele. Ele mordeu o lóbulo da minha orelha com uma delicadeza que contrastava com o que a mão dele fazia por baixo, e o dedo afastou o tecido encharcado e entrou entre os lábios da minha xana, escorregando pelo molhado, até encontrar exatamente o clitóris, esse ponto em que eu era pura tensão. Começou a acariciá-lo com a ponta do dedo, devagar, desenhando o mesmo círculo de novo e de novo, até eu notar que os quadris se moviam sozinhos contra a mão dele.
Tive que cravar os dentes no lábio para não gemer. A vertigem inicial voltou, multiplicada. A tela seguia despejando diálogos que ninguém naquela fileira ouvia.
Ele não tinha pressa. Desenhava círculos lentos sobre o clitóris inchado, lia cada reação do meu corpo, recuava quando eu chegava perto demais para começar de novo. Quando finalmente enfiou um dedo, devagar, senti minha xana se fechar em volta dele, apertando, sugando-o para dentro sem conseguir evitar. Enfiou um segundo, e com o polegar continuou trabalhando meu clitóris. A mão dele se encheu de mim; eu ouvia perfeitamente o som molhado dos dedos entrando e saindo, um borbulhar obsceno que naquele silêncio parecia um alto-falante.
— Tão quieta — murmurou contra meu pescoço —, e olha para você. Sua boceta está fazendo barulho, não o filme.
Com a mão livre, ele me segurou pela nuca e me beijou. Um beijo profundo, faminto, a língua dele entrando na minha boca no mesmo ritmo que os dedos entravam em mim lá embaixo. Ele cheirava àquele perfume que já tinha me perdido, e notei o pau dele se marcando duro, comprido, contra o linho da calça, roçando minha perna toda vez que ele se mexia.
Não aguentei ficar parada. Baixei a mão discretamente e a apoiei sobre o volume, sentindo o calor e o tamanho por cima do tecido. Era maior do que eu imaginara. Passei a mão de cima a baixo por cima da calça, apertando a ponta com a palma, e ele rosnou dentro da minha boca, acelerando o ritmo dos dedos.
— Fica quieta — me avisou num fio de voz — ou eu não vou conseguir parar.
Apertei mais forte. Eu não queria que ele parasse. Procurei o zíper dele com desajeito, abaixei e enfiei a mão por dentro da cueca boxer. Quando envolvi o pau dele com os dedos, ele fechou os olhos por um segundo. Estava duríssimo, quente, grosso; senti como pulsava e como a ponta já estava escorregadia. Comecei a masturbá-lo devagar, apertando na base e subindo até a glande, espalhando o líquido pré-seminal por toda a pele, enquanto ele continuava me fodendo com dois dedos.
— Assim, não para — eu implorei no ouvido dele, tão baixo que quase não saiu —. Enfia mais fundo.
Ele acrescentou um terceiro dedo. Minha xana ardia de tão aberta que ele me deixava. Senti o primeiro orgasmo subir como um cabo sendo esticado, e ele me tampou a boca com a palma dois segundos antes de meu gemido escapar. Gozei sobre a mão dele em silêncio, apertando o pau dele com os dedos com a mesma força com que apertava os dedos dele com a xana, tremendo inteira contra a poltrona.
Quando tirei a mão da calça dele, ela estava brilhante. Ele tirou os dedos, ainda pingando de mim, e passou por entre meus lábios antes de levá-los à boca.
— Você tem gosto de verão — murmurou.
***
A sala estava escura e nós éramos os únicos naquela fileira. O risco de alguém virar a cabeça, de um funcionário entrar com a lanterna, me deixava mais no limite do que eu queria admitir. Ele se recompôs, me olhou de cima a baixo e, com um só movimento, ergueu minha saia até a cintura, arrancou minha calcinha já inútil e enfiou-a no bolso da calça como se fosse um troféu. Depois me virou para a poltrona dele.
Vi-o terminar de desabotoar-se na penumbra e sacar o pau por completo. No reflexo azulado da tela ele parecia ainda maior, grosso, tenso contra o ventre, com uma veia marcada por baixo. Passei a língua nos lábios sem pensar. Ele percebeu.
— Antes — disse com a voz rouca, puxando minha nuca para baixo —. Quero ver você.
Deslizei até o chão entre as poltronas, com os joelhos contra o carpete áspero, e agarrei o pau dele com uma mão enquanto lambia os próprios lábios de novo. Não o fiz esperar. Coloquei-o na boca de uma vez, o máximo que consegui, e senti uma praga apertada escapar entre os dentes dele. Comecei a chupá-lo devagar, lambuzando tudo de saliva, puxando-o para fora com um som molhado e engolindo de novo. Lambi a ponta em círculos, apertando os lábios sobre a glande, e desci pelo tronco, lambendo tudo, até os ovos, que chupei um a um enquanto continuava masturbando o pau dele com a mão.
— Olha para mim — pedi de baixo, com a boca cheia.
Ele baixou o olhar e enfiou os dedos no meu cabelo. Começou a marcar o ritmo ele mesmo, empurrando minha cabeça até o fundo, e eu deixei, com os olhos marejados e o queixo molhado de saliva. Quando senti o pau dele se tensionar ainda mais e os quadris começarem a se mover por conta própria, ele me puxou para fora com um tranco.
— Sobe — ele ofegou —. Agora.
Subi nele, com a saia amassada na cintura, a boceta aberta e nua, e desci devagar, deixando-me atravessar centímetro por centímetro. O pau dele me abriu inteira. Mordi os lábios para engolir o som que escapou de mim. As mãos grandes dele seguraram meus quadris, marcando o ritmo, me freando quando eu ia rápido demais.
Nos movíamos em silêncio, um vai e vem lento e profundo, os quadris dele subindo para me encontrar enquanto eu tentava fazer o encosto não ranger. Eu me sentia cheia, empalada, cada descida me tocava num ponto que me fazia morder os lábios com ainda mais força. A boca dele afastou meu top, capturou um dos meus mamilos e sugou com a língua, mordendo devagar, puxando-o. Com a outra mão ele agarrava um seio, apertando inteiro, e cada toque daquele ar frio na pele em chamas tornava tudo ainda mais elétrico.
— Mais forte — eu pedi no ouvido dele, sem reconhecer a minha própria voz —. Fode mais forte.
Ele me obedeceu, segurando minha cintura com uma mão e tapando minha boca com a outra para abafar o que eu já não conseguia controlar. Começou a me atacar de baixo, subindo os quadris contra mim, enfiando até o fundo. Eu apoiava as mãos no encosto atrás da cabeça dele e me deixava cair no ritmo dele, sentindo o pau dele chegar a um lugar em que eu quase não conseguia respirar.
— Goza de novo — ele sussurrou —. Monta em mim, me ensopa inteiro.
O segundo fim veio como uma onda que me arrastou sem avisar. Tremi inteira, desfeita, me apertando contra ele, e senti que gozava com um jato quente por dentro que encharcou as coxas e a poltrona dele. Ele aguentou mais duas, três estocadas, e então me afundou até o fundo e me encheu toda, enterrando o rosto no meu pescoço com um gemido apertado entre os dentes enquanto cravava os dedos nos meus quadris. Senti o pau pulsando dentro de mim, despejando em ondas, e esse calor extra prolongou meu orgasmo até me deixar sem ar.
Ficamos assim por um tempo, ofegantes, ainda unidos, enquanto os créditos começavam a subir pela tela. Eu sentia o sêmen dele começando a escorrer por dentro quando me remexi um pouco, e ele, percebendo, segurou meus quadris para eu ficar parada.
— Ainda não — murmurou —. Aguenta ele dentro de você um pouco.
A mão dele percorria minhas costas com as pontas dos dedos, devagar, como se quisesse memorizar cada vértebra. Eu tinha o rosto escondido no pescoço dele, respirando o perfume que tinha me deixado louca desde o primeiro segundo.
Quando enfim me afastei um pouco e o pau dele saiu de mim com um som molhado, ele me olhou com aqueles olhos que pareciam sugar toda a luz da sala.
— Você não me disse seu nome — sussurrou, com a voz ainda rouca.
Sorri.
— Nem você o seu.
— Isso se resolve depois — disse, e voltou a me beijar, sem pressa, como se não tivesse lugar melhor para ir.
***
As luzes de limpeza começaram a acender aos poucos. Arrumamos a roupa às pressas: eu desci a saia, que tinha ficado grudada e amassada, e ele se ajeitou com uma calma que era quase uma provocação. Levantou primeiro, me estendeu a mão e me ajudou a ficar de pé. Minhas pernas tremiam, e ele percebeu; passou um braço firme pela minha cintura e me levou até a saída. Senti a porra dele continuando a escorrer pela parte interna das minhas coxas a cada passo; sem calcinha, sem nada me cobrindo, cada movimento era um lembrete do que acabara de acontecer.
No corredor, já com luz, nos olhamos de verdade pela primeira vez. Ele era ainda mais bonito do que eu imaginara no escuro: traços marcados, uma barba curta perfeitamente aparada, uma corrente fina de prata brilhando contra a pele. Eu, com o top cor de pele que ainda marcava mamilos que não tinham se rendido, me senti exposta e, ao mesmo tempo, estranhamente poderosa sob o olhar dele. Ele baixou os olhos para minhas coxas por um segundo, viu o brilho úmido escorrendo, e sorriu.
— Está dando para ver — murmurou —. Eu adoro.
Saímos para o saguão. Do lado de fora já era noite, mas o verão continuava pegajoso, sem trégua. Ele parou junto à porta, me virou de frente para ele e me encostou numa parede de azulejos frios. A mão dele voltou à minha coxa, subindo até a barra da saia, e continuou por baixo até encontrar minha xana nua e ainda encharcada dele e de mim.
— Não quero que isso termine aqui — disse, sem rodeios, enquanto dois dedos entravam de novo em mim, escorregando na própria porra dele —. Vem comigo.
Não perguntei para onde. Só assenti. Ele me pegou pela mão e descemos até o estacionamento subterrâneo, até um carro escuro com os vidros fumê. Ele abriu a porta do passageiro, mas antes de eu entrar me empurrou com delicadeza contra a lateral, ergueu minha saia outra vez e me beijou com uma fome que não tinha diminuído em absoluto.
— Você ainda está tremendo — murmurou contra minha boca —. Você me deixa louco. Outra vez.
Ele me virou de frente para a lataria fria do carro, abriu minhas pernas com um chute suave nos tornozelos e me inclinou sobre o capô. Apoiei as mãos no metal e arqueei a bunda para trás sem pensar. Ele baixou a calça o suficiente, segurou o pau e primeiro o passou pelos lábios da minha xana, encharcando-o no que ainda restava dentro de mim, e depois o cravou de uma só vez, fundo, até o fim.
Escapei num gemido alto; o estacionamento estava vazio àquela hora, mas minha voz rebateu entre as colunas de concreto. Ele me tampou a boca com uma mão enquanto com a outra segurava meu quadril, marcando um ritmo que não deixava espaço para dúvida. Começou a me foder por trás com estocadas longas, puxando-o quase todo para fora e enfiando de novo até o limite. Eu sentia os ovos batendo no meu clitóris a cada investida, e o som de pele com pele enchia o estacionamento.
— Isso não é só o cinema — ele ofegou no meu ouvido, mordendo minha nuca —. Entende? Essa boceta já é minha por esta noite.
Assenti como pude contra a palma que me tapava a boca. Ele subiu uma mão por baixo do top, beliscou um mamilo até eu ofegar e então desceu até o clitóris e começou a esfregá-lo enquanto continuava me golpeando. Os dedos dele escorregavam por eu estar tão molhada. A lataria do carro colava nos meus mamilos, fria, enquanto ele me queimava por dentro.
— Goza de novo — ele ordenou no meu ouvido —. No meu pau. Agora.
Voltei a atingir o limite, desta vez rápido e quase violento, mordendo a palma da mão dele para não gritar. Minha xana se fechou em torno dele em espasmos, apertando-o tanto que eu o ouvi rosnar. Ele se enterrou até o fundo uma última vez, com um empurrão brutal, e ficou imóvel, com um som rouco que eriçou minha pele inteira enquanto eu sentia a segunda porra quente pintando minhas paredes por dentro.
Quando ele tirou, um fio grosso escorreu pela minha coxa. Ele se abaixou, pegou aquilo com dois dedos e passou nos meus lábios, e eu, sem pensar, os abri e chupei olhando nos olhos dele.
— Você vai acabar comigo — murmurou.
Só então entramos no carro. Ele deu partida, pôs uma mão na minha coxa enquanto dirigia e, sem tirar os olhos da estrada, disse:
— Primeiro vamos para a minha casa. Depois a gente vê o quanto você aguenta.
Eu só sorri, afastei um pouco as pernas para que a mão dele subisse e entrasse de novo entre minhas coxas encharcadas, e pensei que aquele “sufoco inexplicável” acabara de se transformar na noite mais longa da minha vida.
Se passaram anos. Nunca mais o vi, nem soube o nome dele, nem ele o meu. Às vezes me digo que eu deveria me arrepender, que aquilo foi uma loucura nada a ver comigo. E então o calor volta ao meu pescoço, volta aquele cheiro de madeira e verão, volta a sensação dos dedos dele afastando um tecido encharcado na escuridão, e eu entendo por que nunca contei isso até hoje: porque algumas confissões, enquanto você as guarda, ainda pertencem a você.