Liguei para Marcos três dias depois daquela noite
Faz três dias desde a festa de Réveillon no sétimo andar, e eu continuo sem conseguir dormir direito. Acordo às quatro da manhã com a camisola grudada no corpo, a xoxota úmida de sonhar com ele, o coração disparado, os dedos procurando o telefone na mesinha antes mesmo de eu despertar de verdade. Leio o número salvo sob um nome que não é o dele. Apago a tela. Fecho os olhos. Enfio a mão entre as coxas e me encontro encharcada de novo, os lábios inchados, o clitóris pulsando como se estivesse pedindo aquilo há horas. E tudo recomeça.
Durante o dia eu dou conta das coisas: preparo o café da manhã, respondo e-mails, faço compras. Meu marido liga de Monterrey todas as noites com suas atualizações, e eu respondo com a entonação certa e faço as perguntas esperadas: o hotel, o voo, se ele comeu bem. Rodrigo é um bom homem. Sempre foi. Estar viajando mais da metade do tempo há quatro anos não o torna um mau marido, só distante. Isso eu entendo. Mas entender não muda o que eu sinto cada vez que o silêncio desta casa me devolve, com uma precisão que me irrita, a sensação exata dos dedos de Marcos abrindo minha xoxota naquele quarto do fundo, a pica dele me enchendo a boca, a gozada escorrendo pelo meu queixo.
O primeiro dia depois da festa eu passei me convencendo de que tinha sido algo pontual: o álcool, a euforia do Ano-Novo, meses demais de rotina conjugal procurando uma válvula de escape. Coisas que acontecem. No segundo dia, me peguei procurando desculpas para sair para o corredor nos horários aproximados em que eu o tinha visto entrar antes. Fiquei um instante parada junto à porta, ouvindo o elevador, com a calcinha molhada colada na virilha, e subi de novo com aquela sensação ridícula de adolescente. No terceiro dia, naquela manhã fria de dois de janeiro, acordei com a certeza de que, se não ligasse para ele, ia acabar enfiando três dedos até o fundo pensando nele — e isso eu já tinha feito duas noites seguidas, sem que bastasse.
Conheci Marcos na festa dos Figueroa. Marcos tinha aquele jeito de ficar parado numa sala cheia de gente e, apesar disso, ocupar a sala inteira. Não por ser alto nem por ser o mais barulhento. Era a forma como olhava: direto, sem pressa, como se soubesse exatamente o que você estava pensando e achasse razoavelmente interessante saber. Ele me ofereceu uma bebida sem perguntar se eu queria, e quando eu abri a boca para protestar, se limitou a esboçar aquele meio sorriso dele que, em retrospecto, eu deveria ter interpretado como um aviso.
Não vou entrar em todos os detalhes daquela noite, embora pudesse: às duas da manhã acabamos num quarto no fundo do corredor, com a música da sala entrando filtrada pela porta, meu vestido erguido até a cintura e a calcinha pendurada num tornozelo. Marcos me sentou na beirada de uma cômoda, abriu minhas pernas com as duas mãos e se ajoelhou sem dizer uma palavra. Ele comeu minha xoxota como se estivesse pensando nisso havia semanas, lambendo devagar de baixo para cima, me abrindo com os dedos para enfiar a língua inteira, sugando meu clitóris até eu gozar na boca dele, mordendo a própria mão para não gritar. Depois se levantou, desabotoou a calça sem perder a calma, me pôs de quatro sobre a cômoda e enfiou em mim de uma vez só. Ele me comeu contra o espelho por um tempo longuíssimo, olhando nos meus olhos pelo reflexo toda vez que eu tentava baixar a cabeça, até gozar dentro com um rosnado apertado e então me fazer ajoelhar e limpá-lo com a boca. Não porque sejam coisas extraordinárias. Mas porque exigem prestar atenção de verdade na pessoa que está na sua frente. E Marcos, ao contrário do meu marido, prestava muita atenção.
Rodrigo tinha ligado na noite anterior com as novidades de sempre: o voo atrasado por mais uma semana, as reuniões intermináveis, o cliente complicado. Desliguei sem qualquer culpa notável, o que me disse algo que eu preferi não analisar demais naquele momento. Tomei banho devagar, pensando. Debaixo da água quente passei a mão nos seios, belisquei os mamilos até endurecerem, desci os dedos pelo ventre e os enfiei na xoxota imaginando que eram os dele. Gozei encostada nos azulejos, mordendo o lábio, e mesmo assim não bastou. Me olhei no espelho com mais cuidado que o habitual: o cabelo molhado sobre os ombros, os mamilos ainda eriçados, os trinta e quatro anos que eu tinha aprendido a aceitar e que Marcos, bem mais novo, tinha segurado com as duas mãos como se fossem a coisa mais valiosa do quarto.
Peguei o telefone às dez da manhã. Disquei devagar, ainda me dizendo que podia desligar a qualquer momento.
Chamou duas vezes.
—Alô? —A voz dele, rouca e tranquila, me fez fechar os olhos e apertar as coxas.
—Marcos. Sou a Valentina. Da festa dos Figueroa.
Houve um silêncio breve.
—Eu sei quem você é.
Respirei.
—Achei que talvez eu pudesse... —Comecei, sem saber exatamente como terminar a frase.
—Você está sozinha? —ele me cortou.
—Sim.
—Quer que eu te coma de novo?
A pergunta me acertou no estômago. Na verdade, não era exatamente uma pergunta. Era a confirmação de algo que ele já dava como certo. E o pior, o que me fez apertar os dedos em volta do telefone sem conseguir evitar, é que ele estava certo.
—Sim —eu disse.
A palavra saiu menor do que eu pretendia.
—Fala direito.
Engoli em seco. Senti a umidade escorrer por dentro da coxa.
—Quero que você venha e me foda.
—Essa é a minha menina. Em vinte minutos. Deixa a porta entreaberta. E nada de lingerie.
Ele desligou antes que eu pudesse acrescentar qualquer coisa.
Fiquei um momento apoiada na bancada da cozinha, com o telefone ainda na mão e o coração fazendo coisas que não combinam com uma mulher de trinta e quatro anos, casada e com financiamento. Depois subi correndo. Troquei o pijama por um vestido escuro e justo, só o suficiente para deixar a intenção clara sem parecer que eu tinha pensado demais nisso. Sem lingerie, como ele mandou. Penteei o cabelo. Desci, deixei a porta entreaberta como ele disse, e me sentei no sofá para esperar, sentindo o ar fresco subir por baixo do vestido e roçar minha xoxota nua.
Os vinte minutos viraram trinta. Levantei. Andei de um lado a outro da sala. Sentei de novo. Liguei a televisão e desliguei no segundo seguinte. Pensei em mandar uma mensagem perguntando se ele ainda vinha e achei evidente demais. Pensei em fechar a porta, subir, me enfiar na cama e fingir que nada daquilo tinha acontecido.
Mas não me mexi. Só cruzei e descruzei as pernas, sentindo a umidade já grudar na parte interna das coxas.
Ouvi antes de ver: passos lentos no corredor, sem nenhuma pressa. A porta se abriu. Marcos entrou sem bater, fechou a porta com aquele gesto de quem não tem nada a provar, e ficou um instante na entrada me olhando.
Ele usava uma camiseta escura e jeans. As mãos dentro dos bolsos. Vinte e seis anos e aquela calma de quem está acostumado a que as coisas saiam como espera. Ele me percorreu de cima a baixo com os olhos, fez uma breve pausa nas minhas coxas expostas, e então se aproximou devagar, sem dizer nada.
Parou diante de mim. Afastou meu cabelo do rosto com um só dedo.
—Você demorou três dias —disse.
—Resisti o que pude.
Um sorriso lhe atravessou a boca. Breve, satisfeito. Então ele me beijou devagar, com aquele jeito dele que não tem nada a ver com beijos de quem quer impressionar. Era o beijo de alguém que sabe o que tem e não precisa provar. A boca dele pressionou a minha com paciência cruel, se abrindo só um pouco, me saboreando, e eu senti imediatamente a corrente quente descer pelo ventre e me encharcar entre as pernas como se tivesse aberto uma torneira dentro de mim.
Ele se sentou ao meu lado no sofá. Me olhou.
—Mostra —disse.
—Como?
—Três dias pensando na minha pica —explicou, com aquela calma que começava a me tirar do sério—. Mostra como está sua xoxota.
Entendi perfeitamente o que ele queria. E, embora uma parte de mim quisesse protestar por princípio, outra parte — a que vinha me acordando havia setenta e duas horas às quatro da manhã com os dedos na virilha — não teve o menor problema. Levantei o vestido até a cintura. Minhas pernas tremeram um pouco quando as afastei. Marcos não disse nada. Só olhava minha xoxota nua, brilhante de umidade, esperando, com aquele silêncio dele que pesava mais do que qualquer ordem.
—Abre com os dedos —acrescentou—. Quero ver direito.
Levei as duas mãos à virilha e abri os lábios com os dedos, me expondo por inteiro. Vi a expressão dele escurecer. Minhas coxas se abriram um pouco mais por pura necessidade, e o ar frio da casa me arrepiou a pele enquanto um fio de umidade escorria até o ânus.
—Enfia dois dedos —ordenou—. Devagar. Me olha enquanto faz isso.
Eu fiz. Deslizei o dedo médio e o indicador pelos meus lábios encharcados e os enfiei até os nós dos dedos, soltando um suspiro entrecortado. Olhei para ele. Foi mais difícil do que eu esperava e, ao mesmo tempo, exatamente o que eu precisava. Havia algo na atenção de Marcos, naquele jeito de não desviar os olhos da minha xoxota aberta, que tornava tudo mais real. Não calculado para parecer bonito. Só presente e concreto. Comecei a mexer os dedos, entrando e saindo, com a palma roçando o clitóris a cada movimento.
—Mais rápido —disse—. Sem parar até eu mandar.
Acelerei. O som úmido dos meus dedos chafurdando dentro de mim encheu a sala, e a vergonha de ouvir aquilo me deixou ainda pior. Marcos continuava sentado, sem se tocar, sem me tocar, só me olhando me despedaçar sozinha no sofá dele. Quando eu estava prestes a gozar, com os quadris empurrando contra a própria mão e a garganta se fechando, ele falou.
—Para.
Gemido de frustração. Tirei os dedos devagar, brilhantes e pegajosos.
—Chupa.
Levei os dedos à boca e os chupei um a um, saboreando minha própria umidade enquanto ele olhava sem piscar.
Quando ele se inclinou para mim e afastou minha mão para substituí-la pela dele, fez isso como se tivesse todo o tempo do mundo. Enfiou dois dedos entre meus lábios e começou a se mover devagar, me explorando, se ensopando de mim, encontrando em seguida o ponto exato que me fez soltar o ar num tremor. Depois roçou o clitóris com a ponta do dedo, sem pressa, desenhando círculos pequenos e firmes que me arrancaram um gemido úmido e vergonhosamente alto.
—Isso —murmurou—. Assim. Olha como você está pingando, Valentina.
O polegar dele entrou um pouco mais, me abrindo, dando a mim o ritmo que queria impor. Curvou os dedos contra aquela parede interna que poucos homens encontram e começou a pressionar com insistência metódica, enquanto a palma continuava castigando meu clitóris. Quando acelerou, foi porque ele quis, não porque eu pedi. Joguei-me para trás contra o encosto do sofá, as mãos buscando a almofada, os dedos apertando o tecido enquanto eu sentia o calor me invadir entre as pernas, a umidade escorrendo e me fazendo perder o controle da maneira mais suja possível. O braço de Marcos se movia com violência controlada, e minha xoxota fazia um estalo obsceno cada vez que os dedos dele entravam até o fundo.
—Marcos... —comecei.
—Ainda não —disse, sem parar o que fazia—. Aguenta.
Obedeci. Não porque fosse obrigada. Mas porque queria. Havia uma diferença entre as duas coisas, e nós dois sabíamos disso. Ele me manteve aberta com uma mão enquanto a outra continuava me trabalhando com uma precisão indecente, entrando e saindo, empurrando contra mim, obrigando-me a sentir cada pulsação no centro da xoxota. Meus quadris subiam sozinhos, procurando a mão dele, me fodendo com os dedos dele.
—Pede —disse.
—Me deixa gozar, por favor.
—De novo.
—Me deixa gozar, Marcos, eu te imploro, por favor, não aguento mais.
—Goza.
Quando finalmente ele me deixou chegar lá, foi com uma intensidade que apagou, por um bom tempo, qualquer pensamento coerente. Minhas pernas tremeram. Me arqueei no sofá com um gemido partido, sentindo a sacudida subir do ventre até a garganta, a coxa se contraindo contra a mão dele enquanto eu gozava com um espasmo quente e profundo. Senti a umidade me encharcar a mão e o sofá, um jato morno escorrendo pelas nádegas, e a vergonha de ter molhado tanto me fez morder o lábio. Marcos não tirou os olhos de mim nem por um segundo. Me sustentou até o tremor se desfazer em uma respiração entrecortada e úmida, e então tirou os dedos devagar, brilhantes até o pulso, e os passou pelos próprios lábios antes de chupá-los ele mesmo.
—Melhor que na minha lembrança —disse.
***
Ele me deu um momento para me recompor. Foi ao banheiro, voltou, sentou ao meu lado sem dizer nada. Eu precisei de alguns minutos antes de conseguir falar sem a voz tremer um pouco.
—Isso não era tudo pelo que eu te liguei —disse.
—Eu sei —respondeu, e se levantou.
Ele me pegou pela mão e me levou até o quarto. Ali foi diferente: mais direto, menos lento, com instruções curtas que eu seguia sem pensar muito no motivo de ser tão fácil obedecer. Há pessoas que têm essa capacidade: conseguem fazer com que o que querem e o que você precisa coincidam de um jeito que parece natural, como se sempre tivesse sido assim.
Deitei na cama e o deixei se aproximar. Ele tirou meu vestido com calma, sem pressa, percorrendo com as mãos o que olhava. Tinha um jeito de tocar que não pede permissão, mas também não esmaga: sabe onde está e para onde vai, e isso por si só já é extraordinariamente estranho quando você passa anos acostumada a outra coisa. A boca dele desceu pelo meu pescoço, depois pelo centro do peito, mordendo de leve a pele até deixar um formigamento dolorido nos mamilos. Ele os segurou entre os dedos, um e depois o outro, apertando até endurecerem mais sob seu toque. Torceu um deles com força, até arrancar de mim um gemido, e riu baixinho contra meu ventre.
—Você continua tão safada quanto no Réveillon.
—Mais —respondi, sem pensar.
—Isso a gente vai ver.
Ele desceu deixando um rastro úmido de beijos pelo umbigo, mordendo meu quadril, lambendo a parte interna da coxa a centímetros da xoxota sem me tocar, até meus quadris se erguerem sozinhos em busca da boca dele. Quando se ajoelhou entre minhas pernas, abriu-as com firmeza e apoiou o rosto entre minhas coxas. A primeira língua foi um golpe quente e direto sobre meu sexo ainda pulsante. Ele lambeu devagar, de cima a baixo, recolhendo a umidade que eu continuava soltando, e depois enfiou a língua em mim com uma atenção obscena, como se quisesse me aprender por dentro. Agarrei os lençóis com as duas mãos, o corpo inteiro se enrijecendo quando ele voltou ao clitóris e o sugou com uma boca faminta que me fez soltar um gemido rouco.
—É assim que eu gosto de você —disse, com a voz abafada contra minha pele—. Molhada e implorando.
O comentário me atravessou como uma descarga. Senti o prazer se acumular outra vez, espesso, inevitável. Marcos continuou me lambendo, alternando pressão e fôlego, enfiando dois dedos na minha xoxota enquanto a língua seguia castigando meu centro. Quando os moveu dentro de mim, me abrindo, o som úmido do meu próprio corpo me deu vergonha e mais fome ao mesmo tempo. Puxei seu cabelo sem querer, incapaz de não buscar mais, esfregando o rosto dele contra minha xoxota com uma urgência que eu não reconhecia em mim. Ele subiu um dedo molhado e começou a pressionar meu ânus com o polegar no ritmo da língua, e eu gozei de novo contra a boca dele com um grito rouco que se ouviu até a cozinha, as coxas fechando sobre as orelhas dele enquanto ele continuava me lambendo até que eu precisei afastá-lo com as duas mãos porque não aguentava mais.
Ele se ergueu só o suficiente para me olhar, com a boca e o queixo brilhando de mim.
—Me diz.
—Me come.
—Como?
—Enfia até o fundo. Me fode a xoxota até eu não conseguir andar.
Ele sorriu, e esse sorriso foi quase pior do que o resto.
Ele arrancou a camiseta, depois o jeans e a cueca, e me deixou vê-lo sem nenhuma pressa. A pica, dura e pesada, já estava completamente acordada para mim, grossa, cheia de veias, apontando para meu ventre antes de ele guiá-la com a mão. Apertou-a na base e a passou pelos meus lábios algumas vezes, me lambuzando de saliva.
—Chupa primeiro. Quero ver essa boca trabalhando nela.
Sentei na beirada da cama e a enfiei inteira, o máximo que pude, sentindo-a tensionar minha garganta e me obrigando a respirar pelo nariz. Tirei-a brilhante, lambi da base até a ponta, mordi de leve o freio, enfiei de novo até quase ter ânsia. Marcos segurou minha nuca com uma mão e começou a movimentar minha cabeça no ritmo que queria, devagar no começo, depois mais rápido, me fodendo a boca com investidas curtas e profundas enquanto eu o olhava de baixo com os olhos marejados. Quando percebeu que eu ia gozar se continuasse, tirou a pica da minha boca com um som obsceno e um fio de saliva pendurado no meu queixo.
—Deita. De costas. Abre.
Deitei na cama. Marcos se pôs por cima, apoiando-se num cotovelo, e me penetrou devagar, centímetro por centímetro, sentindo como eu me abria para ele com uma mistura indecente de resistência e necessidade. Era grande, mais do que eu lembrava, e quando entrou por inteiro soltei um gemido longo e sujo que saiu do fundo do estômago. Os dois ficamos imóveis por um segundo, respirando no mesmo ritmo, como se o corpo reconhecesse algo que a cabeça ainda não aceitava.
Então ele começou a se mover.
Fez isso primeiro com calma, saindo só um pouco e entrando de novo, marcando um vaivém profundo que me arrancou arfadas curtas. Os quadris dele batiam nos meus com uma cadência firme, cada investida mais nítida que a anterior, e eu sentia ele me preencher por inteiro, a fricção tensionando meu abdômen e me fazendo perder a medida de tudo o que não fosse ele. Ele agarrou meus dois pulsos e os cravou no colchão acima da minha cabeça, me fodendo com mais força, os seios pulando a cada investida, o som das peles molhadas se chocando enchendo o quarto. Mudou o ângulo, levantou uma perna minha sobre o ombro e voltou a entrar mais fundo, tocando algo dentro de mim que me fez gritar o nome dele com a voz quebrada.
—Isso —disse, apertando meu quadril—. Não se cala. Quero ouvir você.
Ele me comeu assim, sem enfeite e sem compaixão, por um tempo que eu não soube medir. Ora me sustentava o olhar; ora baixava a testa ao meu pescoço para me morder, me lamber, ou me falar no ouvido com uma sujeira que me acendia ainda mais. Me chamou de safada, disse que eu era uma puta de xoxota apertada, que eu tinha cheiro de mim e dele misturados, que meu marido tinha uma mulher quente demais para não fodê-la direito, que ele gostava de me ver perder o controle. Eu respondi como pude, dizendo para ele não parar, para me dar mais, para enfiar de novo e de novo até não restar nada além do nome dele na minha boca, para me usar, para arrebentar minha xoxota, coisas que três dias antes eu jamais teria acreditado ser capaz de dizer em voz alta.
Ele recuou de repente só o suficiente para me virar de costas. Me colocou de quatro e, sem perder tempo, voltou a entrar por trás. A nova penetração me arrancou um gemido brutal; aquela posição o deixava mais fundo, mais duro, e cada investida movia meu corpo inteiro para a frente sobre o colchão. Uma mão na nuca, a outra no quadril, Marcos enfiou meu rosto no colchão, arqueou minhas costas e começou a me foder com um ritmo cada vez mais violento, o som de pele contra pele enchendo o quarto, seco e obsceno. Me deu uma palmada forte na bunda, depois outra, até deixar minha nádega ardendo e a marca da mão dele vermelha na pele.
—Outra —pedi, sem me reconhecer.
Ele me deu. E outra. E continuou me fodendo com mais força ainda, com as duas mãos cravadas no meu quadril, puxando-me para trás para me empalar inteira a cada investida. Depois afastou a mão por um instante, lambeu o polegar e começou a esfregar meu ânus com ele no ritmo da pica.
—Aqui também? —perguntou, pressionando.
—Sim —eu disse, sem pensar—. O que você quiser.
Ele afundou o polegar devagar, até o nó dos dedos, e a sensação dupla me fez gemer como uma louca. Continuou me fodendo a xoxota enquanto empurrava meu ânus com o dedo, e eu senti o orgasmo se armando em dois lugares ao mesmo tempo, imparável.
—Olha você —murmurou—. Fica tão bonita quando os dois buracos se abrem para mim.
A frase me fez perder o resto da dignidade. Gozei de novo com um espasmo que me dobrou sobre a cama, tremendo e ofegante, a xoxota se apertando ao redor da pica dele com tantas pulsões que ele teve de parar um segundo para não gozar comigo. Me sustentou aberta até a onda passar e deixar um zumbido quente nas pernas.
O que veio depois foi longo e minucioso e bem melhor do que eu lembrava em três dias de insônia, o que já diz bastante. Ele me virou de novo e me fez subir nele, com a pica dele cravada até o fundo e as mãos nas minhas coxas marcando o ritmo. Montei sobre ele olhando nos olhos dele, os seios pulando, os dois ofegantes, até ele se erguer para sentar e me abraçar por trás, me fodendo de baixo enquanto chupava um mamilo e apertava meu clitóris com dois dedos. Gozei outra vez assim, agarrada ao pescoço dele, mordendo o ombro para não gritar. Quando eu já não aguentava mais, ele me jogou de costas outra vez, pegou meus tornozelos, colocou-os sobre os ombros, afundou até o fundo e começou a me arrombar com aquela cadência quebrada, profunda, que avisa que não falta muito.
—Onde? —ele arfou.
—Dentro —eu disse—. Me enche. Dentro, por favor.
Quando terminou, a gozada dele me preencheu por dentro com um calor espesso que me fez fechar os olhos e apertar as coxas, sentindo sair em pulsos enquanto ele ficava cravado em mim por mais um segundo, rosnando contra meu pescoço, os quadris ainda empurrando em espasmos curtos para esvaziar tudo. Quando se retirou devagar, senti o sêmen dele escorrer da xoxota até os lençóis, morno, espesso, dele. Ele baixou a mão e recolheu com dois dedos, levou-os à minha boca, e eu os chupei sem pensar duas vezes, saboreando nós dois. Fiquei olhando para o teto, com o coração ainda martelando minhas costelas, ouvindo o silêncio da casa, enquanto Marcos se sentava na beirada da cama para se vestir.
Ele pegou a camiseta do chão. Vestiu. Amarrou os sapatos sem pressa. Eu o observei em silêncio e pensei que era bastante absurdo algo tão cotidiano me parecer interessante com o sêmen dele ainda escorrendo entre minhas coxas.
—Quando seu marido volta? —perguntou, sem erguer os olhos.
—Uma semana, mais ou menos.
Ele assentiu. Não acrescentou mais nada. Terminou de se vestir e se levantou.
Na porta, antes de sair, se virou.
—Da próxima vez não demora tanto. E toma banho depois, não antes. Quero te encontrar como te deixei hoje.
—Talvez eu não demore nada —eu disse.
—É o que eu espero.
E foi embora.
***
Apoiei-me na porta fechada e levei um minuto para voltar a me mexer. Sentia a gozada dele ainda descendo pela parte interna da minha coxa, as pernas moles, os mamilos doloridos de tanto beliscão. A casa estava igualzinha a sempre: o sofá no lugar, com uma mancha úmida que eu teria de limpar, a luz do meio-dia entrando pelas persianas, o telefone sobre a mesinha com o número de Marcos salvo sob um nome que não era o dele. Tudo exatamente igual e, ao mesmo tempo, completamente diferente.
Rodrigo ligou às sete da noite. Respondi normalmente, sentada no sofá com a calcinha limpa colada numa xoxota ainda inchada, perguntei das reuniões, se faltava muito para ele voltar. Desliguei com carinho e deixei o telefone sobre a mesinha.
Não sei exatamente como chamar o que estou vivendo. Não sei se isso tem um nome preciso, ou se me importa que tenha. O que eu sei é que naquela tarde, depois que Marcos foi embora, fechei os olhos na cama — em lençóis que cheiravam a ele, a sexo, a nós — e dormi quatro horas seguidas. As primeiras desde a festa dos Figueroa. As primeiras em muito tempo, para ser honesta.
Antes de apagar a luz, mandei uma mensagem curta:
«Na semana que vem também vou estar sozinha. E ele ainda está dentro de mim.»
Ele respondeu dez minutos depois. Não com palavras. Só com um horário e o número de um apartamento.
Guardei o telefone, apaguei a luz, enfiei a mão uma última vez entre as pernas para tocar o que ele tinha me deixado, e me permiti, pela primeira vez em três dias, parar de pensar em absolutamente nada.