Meu marido quis me ver com dois homens ao mesmo tempo
Fazia quase meio ano que Andrés e eu tínhamos parado de fingir que éramos um casal convencional. Começou como uma brincadeira de palavras na cama, uma fantasia que ele me confessou numa noite, com a voz embargada enquanto me fodía devagar, e acabou sendo a forma como realmente nos desejávamos. Ele se excitava em me ver com outro homem me comendo. Eu me excitava ao saber que ele me olhava enquanto me abriam as pernas.
Marcos havia virado rotina. Ia à nossa casa uma ou duas vezes por mês, sem pressa, como quem visita uma amante que sabe como fazer gozar. Andrés se sentava em sua poltrona ao lado da janela e observava cada gesto, cada respiração, cada vez que Marcos enfiava a rola até o fundo em mim, enquanto eu me entregava a outro homem a poucos metros dele. Depois, quando Marcos ia embora com o sêmen ainda escorrendo entre minhas coxas, meu marido e eu ficávamos acordados até tarde, falando do que eu tinha sentido ao tê-lo dentro de mim, do que ele tinha sentido ao me ver me abrindo para outro.
Numa dessas noites, enquanto eu continuava recostada e sem fôlego, com o cu pulsando ainda depois de Marcos ter gozado sobre minha barriga, Andrés se aproximou por trás e afastou o cabelo da minha nuca para falar baixinho comigo.
— E se, da próxima vez, forem dois só para você? — disse ele. — Quero te ver de verdade. Quero ver até onde você consegue ir. Quero ver duas rolas entrando e saindo de você ao mesmo tempo.
Meu coração deu um salto e senti um puxão quente entre as pernas. Não era uma ideia nova: eu já a tinha acariciado na cabeça muitas vezes, no banho com os dedos enfiados até os nós, no trabalho apertando as coxas debaixo da mesa, nos semáforos mordendo o lábio. Dois homens pendurados só em mim, duas picas duras para a minha boca e o meu cu, e Andrés vendo tudo. Virei-me para ele e sustentei seu olhar.
— Organiza — eu disse, e notei que a minha própria voz me surpreendia. — Mas que sejam dois que saibam o que estão fazendo. Que saibam foder.
Eu não ia voltar atrás. Havia semanas que eu desejava exatamente isso sem ter coragem de nomear.
***
Andrés falou com Marcos no dia seguinte. Marcos não só aceitou: propôs trazer um amigo, um tal de Damián, descrito como tranquilo, discreto e experiente nesse tipo de encontro, e com uma rola, disse textualmente, “que só vendo para acreditar”. Trocaram algumas mensagens, marcaram uma data, e de repente a fantasia tinha dia e hora no calendário. Essa concretização me deixava mais nervosa do que o plano em si, e também muito mais molhada.
Os dias anteriores foram uma tortura deliciosa. Eu me pegava distraída, com a cabeça no que iria acontecer, calculando detalhes bobos: o que vestir, que música tocar, se acendíamos velas ou não. Andrés notava minha agitação e ria, mas ele também não disfarçava: toda noite encontrava uma desculpa para me tocar, para enfiar os dedos no meu cu encharcado e me lembrar do que se aproximava. Numa madrugada ele me acordou com a língua entre minhas pernas, sussurrando contra meus lábios inchados que, em poucos dias, veria como outros dois me fariam gritar.
Na tarde marcada, me preparei com calma. Tirei todos os pelos no banho, com a água quente descendo pelas costas, me imaginando já de joelhos entre os dois. Um conjunto de renda preta que me fazia sentir poderosa, a calcinha já molhada antes mesmo de vestir, os lábios pintados de vermelho escuro, o cabelo solto. Olhei-me longamente no espelho do banheiro antes de sair. Não me reconhecia totalmente, e isso me agradava. Andrés colocou sua poltrona no ângulo exato do quarto, com vista completa para a cama, e diminuiu as luzes até deixar o ambiente numa penumbra quente.
— Você está tremendo — ele me disse, me abraçando por trás em frente ao espelho, com uma mão subindo pelo meu ventre até o peito.
— De nervoso. E de vontade — admiti, roçando em sua ereção por baixo da calça.
— Se em algum momento você quiser parar, a gente para. Uma palavra e acabou.
Assenti. Saber que ele cuidava de mim, que o controle continuava sendo nosso por mais que eu fosse me entregar e deixar dois paus alheios me fodam, soltou algo dentro de mim. Quando a campainha tocou, eu já não tinha medo. Eu tinha fome.
***
Marcos e Damián chegaram juntos, recém-saídos do banho, com aquela mistura de colônia e nervos contidos que os homens têm quando sabem para que vieram. Damián era mais alto do que eu imaginava, de ombros largos e mãos enormes; sorria pouco, mas quando sorria, todo o gesto ia para os olhos. Marcos, por outro lado, já conhecia minha casa e meu corpo, e isso lhe dava uma confiança que me tranquilizava.
Eu os fiz entrar no quarto. Andrés já estava em sua poltrona, sereno, observando. Apresentei Damián com uma naturalidade absurda, como se fôssemos tomar um café, e os três rimos do quão estranha era a situação. Aquela risada quebrou o gelo melhor do que qualquer outra coisa.
Marcos foi o primeiro a se aproximar. Ele me beijou devagar, com a familiaridade de quem já esteve ali, enquanto suas mãos percorriam minha cintura por cima da renda e desciam direto para apertar minha bunda. Damián demorou um pouco mais; sentou-se na beira da cama e me puxou para si, e seu beijo foi diferente, mais lento, mais exploratório, a língua entrando na minha boca como se estivesse me avisando de outra coisa. Ter duas bocas diferentes me reivindicando ao mesmo tempo me tirou o fôlego, e senti a calcinha encharcar de vez.
— Olha só você — murmurou Marcos contra meu pescoço enquanto abaixava uma alça —. Andrés tem muita sorte. Você já está toda molhada, sua puta.
Procurei meu marido com o olhar. Ele estava inclinado para a frente, os cotovelos nos joelhos, sem perder um detalhe, com a mão direita já pressionando o volume da calça. Sustentei seus olhos enquanto quatro mãos me desfaziam do conjunto, me arrancavam o sutiã e me deixavam os seios à mostra para a boca dos dois, e vi no rosto dele uma mistura de orgulho e desejo que me empurrou de vez para o outro lado. Marcos chupou um mamilo com fome, mordendo, enquanto Damián cuidava do outro com a língua plana, devagar, arrancando de mim um gemido longo.
Ajoelhei-me na cama, entre os dois, e baixei as calças deles ao mesmo tempo. Eles se despiram sem pressa, e eu fui descobrindo os corpos com as mãos antes de ir com a boca. Eram corpos diferentes, e as rolas também: a de Marcos, a que eu já conhecia, fibrosa e muito dura, curvada para cima; a de Damián, mais grossa, mais pesada, já pendendo inchada contra a coxa. A boca me encheu d’água. Fechei os dedos em torno das duas ao mesmo tempo e as observei por um segundo, pesando-as, antes de abaixar a cabeça.
Comecei por Marcos, porque sabia como ele gostava. Enfiei-a inteira na boca de uma só vez, até sentir a glande batendo na garganta, e ele soltou um palavrão me agarrando pelo cabelo. Chupei para cima e para baixo, lambuzando-a de saliva, enquanto com a outra mão continuava masturbando Damián devagar, apertando forte na base como ele me pedia sem palavras. Depois troquei: soltei a rola de Marcos com um som úmido e engoli a de Damián, que era tão mais grossa que tive de abrir muito a boca. Ela chegou até o fundo, me arrancando uma ânsia breve, e o ouvi gemer grave.
— Caralho, que boquete você faz — disse Damián com a voz grave, acariciando minha bochecha quase com ternura no meio de tudo aquilo, enquanto empurrava minha cabeça um pouco mais contra sua pica.
Alternei os dois por um bom tempo, passando de uma rola para a outra, chupando, cuspindo, subindo com a língua dos ovos até a glande. Eu me deixava usar e gostava de ser usada. Senti os dedos de Marcos abrindo caminho entre minhas pernas por trás, experientes, encontrando exatamente o ponto do clitóris e depois afundando dois dedos no meu cu encharcado. Ele me enfiava e me tirava os dedos com um ritmo brutal enquanto eu seguia com a boca ocupada, e gozei quase sem aviso, com a pica de Damián ainda dentro da minha boca, mordendo o lábio para não gritar cedo demais, mas tremendo da cabeça aos pés.
***
Me deitaram de costas e abriram minhas pernas. Marcos se posicionou entre minhas coxas, passou a glande pelos lábios da boceta para lambuzá-la no meu fluxo e entrou devagar, deixando-me sentir cada centímetro até o fundo, enquanto Damián se acomodava de lado e me oferecia sua rola para que eu continuasse chupando. A sincronia foi desajeitada no começo, os três procurando o ritmo, até que de repente encaixamos e o quarto se encheu de respirações pesadas, do choque úmido do quadril de Marcos contra a minha boceta e do som obsceno da minha boca chupando Damián.
Marcos começou a me foder rápido, com investidas curtas e precisas, sabendo exatamente em que ângulo entrar para me tocar por dentro. Eu abria mais as pernas, arqueava as costas para me oferecer melhor, e o ouvia ofegar cada vez que se enterrava até os testículos.
Andrés ofegava na poltrona. Tinha aberto a braguilha e tirado a rola para fora, e a masturbava devagar sem desviar o olhar. Cada vez que eu virava a cabeça, o encontrava com os olhos cravados no ponto exato onde a rola de Marcos entrava e saía da minha boceta. Saber-me observada, saber que meu marido estava se masturbando vendo outro me foder, multiplicava tudo o que eu sentia. Não era só prazer físico: era o prazer de ser desejada por três homens ao mesmo tempo, cada um à sua maneira.
Eles se revezaram sem que eu precisasse pedir. Marcos saiu de mim com um rosnado, a rola brilhando com a minha lubrificação, e Damián ocupou seu lugar. A entrada dele foi diferente, mais contundente, mais lenta, e ele teve de empurrar com paciência para que aquela pica tão grossa entrasse inteira. Ele me preencheu de um jeito que me arrancou um gemido longo, gutural, e tive de me agarrar aos lençóis enquanto ele marcava um ritmo profundo, balançando meus quadris com as mãos, me tirando quase toda e me cravando de novo até o fundo. Eu sentia cada centímetro dele me abrindo por dentro, me tensionando, e minha boceta se apertava sozinha ao redor dele, pedindo mais.
Marcos, enquanto isso, subiu em meus peitos e me aproximou sua rola da boca. Eu lhe mostrava a língua para lamber a glande, ele me batia com ela no rosto, nos lábios, nas bochechas, e eu a colocava de volta na boca até me fazer lacrimejar. Ele me beijava entre uma investida e outra, sussurrando safadezas no meu ouvido que eu devolvia multiplicadas.
— Conta pro seu marido — pediu Marcos, com a voz rouca, apertando meu pescoço com a mão aberta. — Fala na cara dele. Que ele saiba como você gosta.
Virei a cabeça para Andrés, com a voz quebrada, com a rola de Damián ainda me perfurando a boceta:
— Amor... é isso que você queria ver... olha como estão me fodendo... estão enfiando até o fundo... olha como ele me abre...
Meu marido respondeu com um gemido abafado, sem desviar os olhos, a mão se movendo mais rápido sobre a própria rola, e eu soube que ele estava no limite, igual a mim.
Damián saiu de repente, me virou com um gesto firme e me pôs de quatro. Enfiou a pica por trás com uma única estocada brutal e começou a me foder como se quisesse me quebrar, com as mãos apertando meus quadris, os testículos batendo no meu clitóris a cada investida. Marcos se colocou na frente e me agarrou pelo cabelo para que eu continuasse chupando sua rola, e fiquei exatamente como queria: enfiada pelos dois lados, servindo aos dois ao mesmo tempo, com os seios balançando no ritmo das estocadas.
***
A posição que me desmontou foi a última. Marcos se deitou de costas e me fizeram sentar sobre ele, com a rola entrando no meu cu até a raiz. Ele me abraçou contra o peito para que eu arqueasse as costas, e Damián se acomodou atrás de mim, e pela primeira vez senti os dois ao mesmo tempo, colados, com as duas picas empurrando juntas pelo mesmo buraco, nessa vertigem em que já não se sabe onde um começa e o outro termina. No começo doeu, um ardor quente que me fez cerrar os dentes, mas Damián ia cuspindo saliva e empurrando milímetro por milímetro, e Marcos mordia meus mamilos para me distrair, e depois de um tempo a dor virou outra coisa, uma plenitude que eu nunca tinha sentido. Eles me sustentavam pelos quadris, pelos ombros, me manejando com um cuidado que contrastava com a intensidade de todo o resto.
Começaram a se mover alternados, num balanço hipnótico: um avançava enquanto o outro cedia, repetidas vezes, meu cu esticado ao redor das duas rolas ao mesmo tempo, o atrito de uma contra a outra enlouquecendo os dois. Eu já não conseguia falar. A baba me escorria pelo canto da boca, meus olhos estavam vidrados, e só saíam de mim gemidos partidos, pedidos incoerentes para que não parassem, para que me comessem mais forte. Parei de pensar por completo. Não havia nada na minha cabeça além da sensação pura, de duas picas se movendo dentro de mim, latejando. Gozei de um jeito que nunca tinha conhecido, uma onda longa que me convulsionou inteira, apertando os dois dentro de mim com espasmos que eu não podia controlar, me deixando trêmula e sem voz, agarrada ao pescoço de Damián enquanto Marcos me sustentava por baixo.
— Ela está gozando — disse Damián, quase com orgulho, sentindo como eu me contraía ao redor dele. — Olha para ela. Olha como ela goza com as duas.
Andrés se levantou da poltrona pela primeira vez a noite inteira, com a rola ainda na mão, vermelha e inchada. Aproximou-se da beira da cama, não para participar, mas para me ver de perto, para não perder minha cara naquele momento. Procurei sua mão e a apertei com força enquanto o segundo orgasmo me atravessava. Damián foi o primeiro a chegar lá: soltou um rugido, tirou a rola e gozou em jatos sobre minhas costas e minha bunda, em dois golpes grossos que deixaram minha pele ardendo. Marcos empurrou mais algumas vezes por baixo, segurando meus quadris para me cravar forte, e também me encheu, dessa vez por dentro, com um gemido entrecortado. Senti seu sêmen quente inundando minha boceta, e o meu próprio saindo ao redor da rola dele enquanto ele se retirava.
***
Quando os três relaxamos, ficamos um tempo amontoados, ofegantes, rindo por pura descarga nervosa. Eu estava um desastre glorioso: o sêmen de Marcos escorrendo entre minhas coxas, o de Damián secando nas minhas costas, a maquiagem borrada, o cabelo colado ao rosto. Marcos e Damián foram cavalheiros até o fim: trouxeram água, me ajudaram a sentar com cuidado, passaram uma toalha úmida para me limpar, recolheram suas coisas sem pressa, mas sem invadir o espaço que agora voltava a ser só nosso. Despediram-se com um beijo na testa e a promessa, meio brincadeira, meio séria, de repetir algum dia.
Quando a porta se fechou, Andrés e eu ficamos sozinhos na penumbra do quarto. Ele se deitou ao meu lado e me abraçou por trás, e durante um bom tempo nenhum de nós disse nada. Não era necessário. Eu sentia seu coração batendo contra minhas costas, ainda acelerado.
— Você está bem? — ele me perguntou por fim, com aquela ternura que só aparece quando ninguém mais está olhando.
— Melhor do que bem — eu disse, me virando para beijá-lo. — E você? Era o que mais estava olhando.
— Nunca te desejei tanto quanto esta noite — confessou, e senti sua rola duríssima outra vez contra minha coxa.
Ele se colocou sobre mim sem dizer mais nada, abriu minhas pernas com o joelho e se enterrou devagar na boceta que ainda estava cheia do sêmen de Marcos. Soltou um gemido longo ao sentir aquele calor escorregadio o abraçando, e eu me arqueei para recebê-lo inteiro. Foi diferente de tudo o que veio antes: mais lento, mais fundo, sem plateia, recuperando o que era nosso. Ele me fodía olhando nos meus olhos, sem desviar a vista nem por um segundo, empurrando contra aquela boceta usada por outros com uma posse silenciosa que me arrepiou. Passei as pernas ao redor da cintura dele e o apertei para que não saísse. Ele me beijava a boca enquanto me estocava suave, misturando-se dentro de mim ao que os outros haviam deixado, marcando seu território à sua maneira. Entendi que aquilo não nos afastara, muito pelo contrário. Ele gozou dentro de mim com um gemido longo, enterrando o rosto em meu pescoço, e me encheu pela terceira vez naquela noite.
Nessa noite aprendi algo sobre nós que nenhum manual de casal explica. Há desejos que, em vez de quebrar, unem, se forem nomeados sem medo e vividos com cuidado. Andrés e eu atravessamos uma última fronteira e voltamos mais unidos. Não sei se vamos repetir; talvez sim, talvez não. Mas naquela madrugada, abraçada ao meu marido numa cama ainda quente e molhada, com o sêmen dele e o dos outros dois se misturando devagar dentro de mim, soube que confiar nele daquele jeito era a coisa mais íntima que jamais fizemos.