O comandante que quebrou meus votos naquela noite
Eu estava no convento de São Cipriano havia seis anos quando voltei a vê-lo. Seis anos rezando para esquecê-lo, jejuando para que o desejo secasse dentro de mim como uma flor entre as páginas de um livro. Seis anos fingindo que minha vocação tinha sido um chamado do céu e não uma fuga.
O convento ficava na encosta de uma serra coberta de mata, longe da vila mais próxima. As paredes eram de pedra cinza e as janelas tão estreitas que mal deixavam passar a luz da lua. Minha cela tinha um crucifixo, uma cama estreita, um pequeno altar com uma vela e uma janela que dava para o pátio interno.
Nessa noite eu tinha rezado até tarde. Era outubro, e o ar entrava gelado por baixo da porta. Eu, ajoelhada diante do altar, vestia o hábito negro até os pés e o véu branco sobre o cabelo castanho. Tinha as mãos juntas e os olhos fechados, mas o rosário tremia entre meus dedos.
Eu sabia que ele viria.
Ele me tinha escrito três semanas antes, num envelope sem remetente que a madre superiora me entregou sem fazer perguntas. Apenas uma linha, em letra grande e firme: «Em outubro passo pelo convento. Espere-me». E eu, em vez de queimar a carta como deveria, guardei-a sob o colchão e a li todas as noites antes de dormir, enquanto entre minhas coxas despertava uma umidade morna que nenhuma reza conseguia secar.
A porta rangeu. Não precisei me virar para saber que era ele.
—Irmã Lucía —disse com aquela voz grave que eu lembrava em cada um dos meus pecados.
Damián entrou fechando a porta atrás de si. Ele ocupava o espaço inteiro. Media quase um metro e noventa, ombros largos, com o corpo sólido de um homem que mandou em outros homens por anos demais. Tinha a pele morena, o bigode espesso com alguns fios grisalhos, os olhos escuros sob sobrancelhas cerradas. Usava o uniforme de gala do partido: jaqueta cáqui com botões de bronze, calça escura e botas ainda úmidas do sereno do pátio.
—Eu sabia que você viria —murmurei sem me levantar.
—E ainda assim reza.
—Pelas duas coisas.
Damián riu baixo, um riso quase um rosnado. Deu três passos e parou atrás de mim. Senti o roçar do tecido de sua calça contra meu ombro, o calor do corpo dele contra minha nuca coberta pelo véu. Ele pousou uma mão grande sobre minha cabeça, por cima do linho branco, como se fosse um pai abençoando a filha. A mão ficou ali. Não se moveu.
Eu fechei os olhos. Que ele não me toque mais, Senhor. Ou que me toque inteira de uma vez. Mas não isso.
—Levante —disse em voz baixa.
Eu me levantei. Quando me virei para ele, a diferença de tamanho me atingiu como nas duas vezes em que o vira antes. Eu era pequena, magra, com a cintura que ele uma vez havia cercado com uma só mão e rido. Ele me olhava de cima como se eu fosse algo frágil que poderia se quebrar só de ser encarado com força demais.
—Há quanto tempo? —perguntou.
—Sete anos desde o funeral. Seis anos, dois meses e onze dias desde que entrei aqui.
—Você contou.
—Cada um deles.
Ele me pôs dois dedos sob o queixo e ergueu meu rosto. Tinha as mãos ásperas, calejadas nos nós dos dedos, mãos de homem que fez muitas coisas que jamais me contaria sendo freira. Me encarou em silêncio por muito tempo. Eu sustentei o olhar porque sabia que, se o desviasse, começaria a chorar.
—Sua boca é exatamente como eu imaginei —disse.
—Minha boca nunca beijou ninguém. Nunca.
—Eu sei. Foi por isso que vim.
Damián me beijou.
Não foi um beijo suave. Foi um beijo que carregava sete anos de espera, os dele e os meus, um beijo que cheirava a tabaco, rum envelhecido e ao pinheiral da subida. Ele enfiou a língua inteira até o fundo da minha boca, sem pedir permissão, e a enroscou na minha até eu deixar de saber respirar. Agarrou minha cintura por cima do hábito e me apertou contra ele, e eu senti o que o hábito vinha escondendo de mim o tempo inteiro: que meu corpo ainda sabia exatamente o que fazer com o dele, mesmo sem nunca tê-lo tocado antes. Contra meu ventre, através das camadas de lã e algodão, cravou-se a rola dura de Damián, grossa e quente mesmo por cima da roupa, e de mim escapou um gemido que foi direto para a boca dele. Minhas mãos subiram sozinhas até o peito dele. Por baixo da jaqueta cáqui, o coração batia forte e rápido, como o meu.
—Você não devia estar aqui —sussurrei contra os lábios dele.
—Você também não devia ter me escrito.
—Eu não escrevi.
—Você me escreveu toda noite, irmã. Eu ouvia.
Damián ergueu meu hábito com uma só mão, arregaçando-o até a cintura, e enfiou a outra entre minhas coxas por cima da calcinha grossa do convento. Ali ele parou por um instante. Encontrou a mancha encharcada no algodão e soltou um rosnado baixo, satisfeito, quase cruel.
—Você está pingando, irmã. Debaixo de todo esse luto, está pingando por minha causa.
—Não fale assim, pelo amor de Deus.
—Vou falar pior, menina. Vou dizer tudo o que passei sete anos querendo te dizer.
Ele afastou minha calcinha para o lado com dois dedos e enfiou um dedo inteiro num só impulso. Eu dei um salto e me agarrei às lapelas da jaqueta dele. Nunca ninguém tinha enfiado nada em mim, nem eu mesma tinha ousado me tocar ali na escuridão. O dedo grosso de Damián me abriu por dentro, explorou devagar, encontrou um ponto que me fez dobrar os joelhos.
—Fechada como uma virgem —murmurou no meu ouvido—. Porque isso você é, não é? Ainda.
—Sim.
—Diga direito.
—Sou virgem. Ninguém me tocou. Só você.
—Boa menina.
Ele tirou o dedo encharcado e levou-o à boca na minha frente, chupando-o inteiro, sem desviar os olhos dos meus. Eu senti um vazio se abrir entre minhas pernas onde estivera o dedo dele. Eu o queria de novo. Queria tudo. Queria ele inteiro dentro de mim, ainda que me partisse ao meio e me condenasse para sempre.
Damián se sentou na beirada da cama estreita. As cordas velhas rangeram sob seu peso. Eu fiquei de pé diante dele, as mãos caídas ao lado do corpo, o véu ainda perfeitamente no lugar e o hábito abaixado de novo, como se nada tivesse acontecido. Ele tirou o boné e o deixou no chão. Depois me fez um gesto com um dedo: venha aqui.
Ajoelhei-me diante dele. A pedra do chão doía em meus joelhos por baixo do hábito, mas eu não liguei. Damián acariciou meu véu com uma ternura que me desmontou.
—Não vou tirá-lo —disse—. Quero me lembrar de você assim. De joelhos e de véu, chupando meu pau como a freira mais puta do mundo.
Meus dedos tremeram ao ouvir aquela palavra na boca dele. Mas não desviei o rosto. Desabotoei o cinto com dedos desajeitados. Eu passara a vida inteira sem desabotoar nada que não fosse meu e, ainda assim, minhas mãos sabiam o que fazer. Desci a calça até os joelhos e a roupa de baixo de algodão, e ele apareceu diante de mim, já desperto, grosso, escuro como toda a pele dele, com as veias marcadas ao longo do tronco e a glande larga e brilhante de uma gota pendurada na ponta. Olhei para aquilo por um segundo e meus olhos se encheram de lágrimas que ele não entendeu.
—Não chore, menina —disse baixinho.
—Não é tristeza. É não conseguir acreditar. É ser maior do que eu tinha rezado.
—Você rezava por isso?
—Rezava por isso. Todas as noites. Me perdoe.
—Perdoada.
Segurei-o com a mão e abaixei a cabeça. Beijei primeiro a ponta, devagar, como se fosse algo sagrado, e provei aquela gota espessa e salgada que me deixou a língua queimando. Damián fechou os olhos e jogou a cabeça para trás. Ouvi-o soltar o ar entre os dentes.
—Irmã… —disse ele, e a palavra se partiu na garganta.
Lambi todo o pau dele da base até a glande, devagar, aprendendo cada veia com a língua. Beijei os testículos pesados, um e outro, e os coloquei na boca alternadamente porque ele, com a mão sobre o meu véu, me guiou até lá sem dizer uma palavra. Damián respirava forte, de boca aberta, e de vez em quando deixava escapar uma palavra suja entre os dentes que apertava alguma coisa no meu ventre.
—Abre mais, menina. Coloca tudo. Toda essa boca de virgem é minha.
Eu o levei à boca. Devagar no começo, depois com mais confiança, deixando o ritmo ser marcado pela respiração dele. Uma mão subia e descia junto com meus lábios; a outra apoiei na coxa grossa dele, sentindo-a se tencionar sob o tecido. Damián colocou a mão sobre o meu véu. Não apertou, não forçou ainda. Só acariciou minha cabeça como se acaricia algo que se ama e se sabe que vai perder.
—Devagar… assim, menina… —murmurou—. Aprende sem pressa.
Atrevi-me a ir mais fundo. A ponta tocou o fundo da garganta e me fez tossir. As lágrimas me saltaram e a saliva escorreu pelo meu queixo até cair sobre o hábito negro, mas eu não recuei. Desci de novo. E outra vez. Damián soltou um palavrão baixinho e apertou meu véu com mais força.
—Porra, irmã. Porra. Quem diria que Deus guardou essa boca para mim.
Eu estava encharcada sob o hábito negro. Ele não me tinha tocado, eu não precisava. A voz de Damián, as mãos de Damián sobre meu véu, o gosto de sal e pele que enchia minha boca: aquilo era suficiente. Apertei as coxas e senti o meu sexo pulsando sozinho contra o tecido áspero. Bastou isso. Isso e o gosto amargo dele na língua. Quando ele endureceu as pernas e apertou um pouco mais a minha cabeça, guiando-me, marcando meu ritmo pela primeira vez, soube que eu estava à beira. Eu também estava, sem que ninguém tivesse me tocado, só com o atrito das coxas fechadas sob o hábito e os mamilos duros contra o linho da camisola de baixo.
—Engole tudo, menina —ofegou—. Tudo. Não derrama nada.
Damián gemeu fundo, grave, um som que bateu nas paredes de pedra e que eu escondi dentro do véu como se pudesse apagá-lo. O pau dele inchou uma última vez contra minha língua e explodiu. O primeiro jorro me atingiu o céu da boca, quente e espesso; o segundo, a garganta, e eu engoli obediente, engoli tudo o que pude, enquanto a saliva continuava escorrendo pelos cantos da minha boca. O calor dele me encheu a boca e a garganta. Eu o recebi por completo, sem recuar, enquanto meu próprio corpo tremia como um junco. Apertei as coxas, mordi o lábio inferior para não gritar, e gozei ali, de joelhos, com a boca cheia dele e sem ter me tocado uma única vez. Meu sexo pulsava sob o hábito como um segundo coração. A vela do altar pareceu oscilar.
Depois houve um silêncio longo. Damián respirava com a cabeça jogada para trás. Eu tinha a testa apoiada na coxa dele, os olhos fechados, ainda tremendo, com um fio branco escapando pelo canto da boca que limpei com o dorso da mão e levei à língua sem pensar.
—Venha aqui —disse afinal, com a voz rouca.
Ele me fez levantar e me sentou sobre suas pernas como se eu fosse uma menina. Beijou minha testa por cima do véu, depois o nariz, depois os lábios. Não ligou para o gosto. Sugou minha boca devagar, procurando a si mesmo em minha língua, e gemeu baixo quando se encontrou.
—Ainda não terminei com você, irmã —murmurou ao meu ouvido—. Isso foi só para eu me acalmar. Agora vou comer você inteira antes de entrar em você.
***
—Tem água quente neste lugar? —perguntou.
—Tem uma pia no fim do corredor.
—Alguém passa por aqui a esta hora?
—Ninguém passa por aqui desde as matinas.
Ele me levou no colo até o lavabo comum, sem se importar que eu ainda pesasse muito menos do que ele podia carregar. A sala tinha uma banheira velha de ferro fundido e uma torneira que demorava a dar água quente. Damián abriu a torneira e esperou, me abraçando por trás, com o bigode roçando minha têmpora e uma mão enfiada por baixo do hábito, apertando um seio pequeno por cima da camisola.
—Prometi a mim mesmo que nunca mais iria atrás de você —murmurou.
—Eu prometi o mesmo.
—Duas promessas quebradas numa noite. Estamos começando mal.
Ri pela primeira vez em seis anos. Um riso pequeno, contido, quase um suspiro. Damián sorriu contra meu cabelo e beliscou meu mamilo entre dois dedos, sem parar de rir também, até ele endurecer como uma pedrinha e eu arrancar dele um gemido com a mordida que dei na mão livre.
Quando a água saiu quente, ele desabotoou meu hábito. Fez isso com uma paciência que me doeu no estômago. Botão por botão, fita por fita, até o hábito negro cair no chão como um saco vazio. Depois o escapulário, o cíngulo, a camisola branca que eu vestira por baixo durante anos. Por último, com um cuidado quase religioso, tirou meu véu. Meu cabelo castanho caiu até os ombros. Fazia seis anos que ninguém o via.
—Deus —disse Damián. E não disse como blasfêmia, mas como reza.
Ficou me olhando nua por um longo tempo, sem tocar, como se eu fosse um quadro. Os seios pequenos com os mamilos escuros e eretos, o ventre côncavo de tanto jejum, a mata de pelos castanhos entre as coxas, molhada e colada à pele. Passou um dedo pelo meu esterno, desceu pelo umbigo, parou justamente antes do púbis.
—Nunca ninguém te viu assim.
—Ninguém.
—Seja bendita.
Me colocou na banheira. A água estava quente demais, mas ele misturou até ficar boa. Arregaçou a camisa cáqui até os cotovelos e se ajoelhou ao lado da banheira. Com um pedaço de sabão duro e áspero, lavou minhas costas, meus braços, meus seios pequenos, o ventre plano, as coxas finas. Me lavou com a concentração de um homem que teve pouquíssimas oportunidades na vida de fazer as coisas direito. Quando chegou entre minhas pernas, não fingiu que era só mais uma parte. Abriu minhas coxas com a mão livre, deixou o sabão de lado e passou os dedos ensaboados pelos lábios da minha boceta, para frente e para trás, devagar, até um gemido me escapar e bater nos azulejos.
—Psiu. Vão ouvir você, freirinha.
—Não me importa.
—A mim importa. Ainda tenho muito que te fazer e não quero que ninguém nos interrompa.
Enfiou dois dedos dentro de mim, desta vez sem a barreira da roupa, e os curvou procurando aquele ponto de antes. Eu me agarrei à borda da banheira com as duas mãos. A água se mexia nas minhas costas toda vez que ele movia o pulso. Com o polegar, procurou meu clitóris e o encontrou sem hesitar, como se conhecesse de cor um mapa que eu mesma acabara de descobrir.
—Você está mais magra do que da última vez.
—O convento não é famoso pela cozinha.
—Vou fazer você ser alimentada. E agora vai gozar na minha mão, irmã. Aqui, na água, sem fazer barulho.
—Eu não consigo…
—Consegue. Olhe para mim.
Olhei para ele. O bigode estava úmido de vapor e os olhos negros cravados nos meus. Os dedos dele me abriam por dentro num ritmo lento e firme, enquanto o polegar girava no clitóris como se o lustrasse. Comecei a tremer. A água chacoalhava entre meus seios. Mordi o lábio até sentir gosto de ferro.
—Boa menina. Assim. Agora.
Gozei na mão dele com uma sacudida longa que arqueou minhas costas dentro da banheira. Não fiz barulho. Só abri a boca e cravei as unhas no antebraço dele enquanto o orgasmo subia dos meus pés até o topo da cabeça, e ele continuava pressionando e curvando lá dentro até o último tremor. Quando finalmente tirou os dedos, levou-os ao nariz, cheirou-os e sorriu como um lobo.
—Posso fazer qualquer coisa, irmã. Faz vinte anos que faço o que me dá vontade. A única coisa que não consegui foi vir te buscar antes.
Chorei sem fazer barulho, debaixo da água. Damián fingiu que não percebeu e continuou passando a esponja pelos meus ombros.
***
De volta à cela, ele mesmo me secou com uma toalha grande que tirou da mochila. Me vestiu com uma camisola branca limpa, fina, macia, que não era minha. Meus mamilos marcavam o tecido e ele demorou um instante olhando para eles, passando o polegar por cima até endurecerem outra vez. Depois se despiu sem pudor, ficando apenas com a roupa de baixo, e eu vi pela primeira vez o corpo inteiro daquele homem: as costas largas com duas cicatrizes antigas, os pelos negros do peito, o ventre firme e uma ereção nova empurrando o tecido da roupa íntima como se ele não tivesse terminado meia hora antes.
—Tire você —disse.
Eu tirei. Baixei a roupa de baixo dele com as duas mãos e deixei o pau dele exposto outra vez, ainda mais grosso nessa luz cinza, apontado para mim. Damián se enfiou na minha cama estreita, que era pequena para nós dois mas aceitou o peso dele sem reclamar, e me puxou para cima dele. Eu me aninhei contra o peito dele como havia sonhado tantas noites, com a camisola levantada até a cintura e o pau duro cravando-se em meu ventre. A pele agora cheirava a sabão e ao suor de antes. O bigode fazia cócegas na minha testa.
—Abra as pernas —sussurrou.
Eu abri as pernas sobre ele e fiquei quieta, montada em seus quadris, com a boceta encharcada apoiada na base do pau dele. Damián agarrou minhas nádegas com as duas mãos e começou a me mover para frente e para trás, deslizando-me por cima dele, sem me enfiar ainda. Cada vai e vem arrastava meu clitóris por toda a extensão quente e dura, e eu tive de morder o ombro dele para não gritar.
—Devagar —murmurou—. Vou ser seu primeiro, irmã. E vou fazer isso devagar, mesmo que eu morra.
—Enfia logo. Por favor. Damián, por favor.
—É assim que você pede?
—Enfia. Me fode. O que quiser. Mas logo.
Ouvi-o rir baixo, satisfeito, contra meu pescoço. Ele me ergueu alguns centímetros, segurou o próprio pau com uma mão e me guiou até a glande grossa tocar exatamente na entrada. Eu desci um dedo com o quadril. Ele parou. Desci mais um. A cabeça me abriu devagar, larga, insuportável, e soltei um gemido longo que se quebrou na garganta.
—Psiu. Desça você. No seu ritmo. Eu não mexo.
Desci mais. Ardendo por dentro. Me sentindo rasgar. E ainda assim continuei descendo, um centímetro e outro, enquanto Damián cravava as unhas em meus quadris e respirava entre os dentes sob mim, tenso como uma corda. Quando cheguei ao fundo e senti os pelos dele contra os meus, fiquei quieta por alguns segundos, tremendo, com ele enterrado até o fundo.
—Boa menina. Menina bendita. Pronto.
—Dói.
—Eu sei. Vai passar. Respire.
Respirei. Aos poucos, a dor virou outra coisa. Comecei a me mexer, com as mãos apoiadas no peito dele, subindo e descendo devagar, redescobrindo cada centímetro a cada vez. Damián me olhava de baixo com a boca entreaberta, sem me tocar além dos quadris, deixando-me fazer, deixando-me aprender. A cela se encheu do som úmido dele entrando e saindo de mim, da minha respiração cortada e do ranger da cama contra a pedra.
—Olhe para você —murmurou—. Olhe para você, irmã Lucía. Cavalgando em mim como se tivesse nascido para isso.
—Damián…
—Diga.
—Nasci para isso. Nasci para você.
Ele me agarrou pela nuca e me deitou de costas sem sair de dentro de mim. Num movimento, fiquei por baixo, com as pernas abertas e ele em cima, apoiado nos cotovelos, me encarando de cima com os olhos negros brilhando. Começou a se mover agora, devagar no começo, depois mais fundo, depois com mais força, marcando cada investida contra a parede com um golpe seco da cama. Eu o enlaçava pelas costas com os braços e pelos quadris com as pernas e deixava que ele fizesse o que quisesse comigo.
—Aperta —ofegou—. Me prende lá dentro.
Apertei o máximo que consegui. Damián xingou contra meu pescoço e cravou mais fundo. Cada empurrão me afundava a cabeça no travesseiro, e eu sentia como ele me preenchia inteira, como ocupava centímetro por centímetro um espaço que havia sido só meu durante seis anos. Ele subiu uma mão pela lateral do meu corpo, agarrou um seio, beliscou o mamilo com os dedos ásperos.
—Outra vez, menina. Goza outra vez para mim. Com meu pau dentro desta vez.
Bastou isso. Com aquelas palavras sujas no meu ouvido e ele enterrado até o fundo, golpeando lá dentro um ponto que eu nem sabia que existia. Gozei gritando baixo, com a boca colada no ombro dele para engolir o grito, e minha boceta se contraiu inteira ao redor dele. Damián gemeu como um animal.
—Porra. Porra, irmã. Você vai me fazer gozar dentro.
—Sim —eu disse, e me surpreendi com a própria voz—. Dentro. Tudo dentro. Deixa em mim.
—Que Deus nos perdoe.
—Que não perdoe nada.
Ele se afundou mais uma vez, até o fundo, até eu sentir os quadris dele contra os meus e os dentes dele no meu ombro. E então gozou dentro de mim com um gemido grave e prolongado, jato após jato, quente e espesso, enquanto me abraçava tão forte que me tirou o ar. Eu o senti me encher, transbordar, escorrer entre minhas coxas ainda pulsando dentro de mim. Fiquei sob ele tremendo, com lágrimas descendo pelas têmporas até o travesseiro, e com um sorriso idiota que não cabia no meu rosto.
Adormecemos assim, abraçados, com a lua entrando oblíqua pela janela estreita, ele ainda dentro de mim por um bom tempo até sair sozinho e deixar um rastro morno sobre os lençóis. A vela do altar se consumiu sozinha em algum momento da madrugada. Sonhei com o mar, embora nunca o tivesse visto.
***
Acordei com a luz cinzenta do amanhecer e com a mão dele desenhando círculos lentos na minha lateral, por cima do quadril. Damián já estava acordado, me olhando. Tinha o bigode despenteado, os olhos um pouco inchados de sono, o sorriso pequeno. A outra mão ele havia enfiado entre minhas coxas, sem pressa, e estava brincando com o que ele mesmo deixara ali na noite anterior.
—Bom dia, irmã linda —murmurou.
—Bom dia, comandante.
—Comandante não mais, faz anos.
—Para mim, sempre.
Beijei o peito dele, por cima do coração, e fiquei um tempo ouvindo-o bater. Damián acariciava meu cabelo solto com uma delicadeza que não combinava com aquele corpo, enquanto com os dedos de baixo continuava espalhando devagar o próprio sêmen na minha boceta.
—Gosto de como você me chama —disse.
—Como?
—Como se eu ainda mandasse em alguma coisa.
—Você manda em mim.
Damián ficou em silêncio por um longo tempo. Depois me ergueu o rosto com dois dedos, como fizera na noite anterior, e me beijou bem devagar. Sem pressa. Com uma doçura que me partiu em mil pedaços. Depois abriu minhas pernas outra vez, se pôs por cima e me entrou sem dizer palavra. Desta vez não doeu nada. Desta vez encaixou sozinho.
Ele me fodeu devagar, longo, quase sem falar, olhando-me nos olhos o tempo todo como se quisesse aprender meu rosto de cor antes do meio-dia. Eu respondia com os quadris, erguendo-os para recebê-lo a cada vez, sentindo o bigode roçando meus mamilos, o hálito quente contra a clavícula. A cela estava fria, mas nós queimávamos. A cama rangeu baixo, quase como uma reza. Quando gozei, fiz isso em silêncio, com as unhas cravadas nas costas largas dele. Quando ele gozou, fez sem sair, apertando-me contra o colchão, sussurrando ao meu ouvido palavras que eu não me atrevi a repetir nem dentro da minha cabeça.
Depois ficamos abraçados, com ele por cima, sem nos separarmos.
—Sabe o pior, irmã?
—O quê?
—Que você também manda em mim. E isso, na minha vida, eu nunca tinha deixado ninguém ter.
Afundei no peito dele. Fazia frio na cela, mas ele era um forno humano me cobrindo com os braços. Eu não queria me levantar. Não queria que chegasse o meio-dia. Não queria que voltasse a hora de terça, nem a madre superiora, nem o resto da minha vida sem ele.
—Damián.
—Diga.
—Se Deus existe, o que fizemos é pecado?
—Não faço a menor ideia, menina.
—E se Ele não existir?
—Então não precisamos pedir perdão a nada.
—Então que não exista —murmurei, e fechei os olhos.
Damián beijou meu cocuruto. Cheirava a noite, a pedra molhada, a fumaça distante de um cigarro que ele não acendera. Fiquei ali, abraçada a um homem que eu jamais deveria ter desejado, numa cama em que eu não deveria ter deixado ninguém entrar, num lugar que supostamente era dedicado ao silêncio. E, pela primeira vez em seis anos, dois meses e onze dias, não me arrependi de nada.