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Relatos Ardientes

O que Bianca despertou nele naquela noite de hotel

Adrián ainda estava estendido sobre os lençóis amassados, com a respiração ainda ofegante e o olhar cravado no teto do quarto. Não conseguia acreditar no que acabara de viver. Toda vez que revivia os últimos minutos, sentia um calor subindo pelo peito, uma mistura de vertigem e satisfação que nunca tinha conhecido com ninguém antes.

O que mais o desconcertava era o próprio corpo. Mal tinham terminado e ele já estava duro de novo, pronto outra vez, como se a noite estivesse apenas começando. Com suas parceiras anteriores nunca tinha sido assim. Duas vezes, três no máximo, e depois o desejo se apagava como uma vela. Mas com Bianca era diferente. Era como se ela tivesse encontrado uma chave escondida e a girado sem pedir permissão.

O que está acontecendo comigo?

Ouviu-a se mexer ao seu lado. Bianca se sentou sem dizer uma palavra, com aquela elegância preguiçosa que tinha até para as coisas mais simples, e caminhou descalça até o banheiro. O hotel era daqueles modernos, com uma divisória de vidro separando o chuveiro do resto do quarto, e da cama Adrián podia vê-la inteira.

Ela abriu a água. O vapor começou a embaçar o vidro, mas não o suficiente para escondê-la. Ele a viu jogar a cabeça para trás sob o jato, deixando a água escorrer pelo pescoço, pelos ombros, entre os seios. Ela passava as mãos devagar, lavando cada canto da pele com uma calma deliberada, sabendo que ele a estava olhando.

Adrián percebeu que ficava ainda mais duro. Seria tão fácil levantar, abrir a divisória e entrar com ela, deixar que o desejo decidisse pelos dois. Mas algo o deteve.

Lembrou-se de uma conversa de semanas antes, uma daquelas longas conversas em que Bianca lhe dissera algo que ficou gravado nele: que ele precisava se atrever a fazer o que realmente o fazia feliz, sem medir o que os outros pensariam, sem a voz de juiz que levava dentro da cabeça desde sempre.

Durante anos Adrián viveu como quem caminha por um corredor estreito, sempre com medo de roçar nas paredes. Cada desejo que fugia do molde ele aprendeu a empurrar para o fundo, fingir que não existia. E, no entanto, ali estavam todos, despertos, cobrando sua vez. Naquela noite, pela primeira vez, ele não queria continuar fingindo.

***

Enquanto Bianca continuava sob a água, de costas para o quarto, Adrián se levantou em silêncio. O coração batia contra o peito como se ele estivesse prestes a cometer um delito. Saiu pelo corredor, desceu até o carro no estacionamento do hotel com uma toalha amarrada na cintura e abriu o porta-luvas.

Lá estava o que ele comprara três dias antes e não tivera coragem de confessar. Uma peça de renda preta, apenas a parte de baixo, um fio finíssimo que ele escondera como quem esconde uma carta que não pretende enviar. Tinha olhado para aquilo mil vezes sem se atrever. Nessa noite, pela primeira vez, decidiu que a usaria.

De volta ao quarto, com as mãos tremendo um pouco, ele a vestiu. A renda se ajustava aos quadris e o fio se perdia entre as nádegas. O complicado era a parte da frente: tinha o pau tão duro que o tecido mal o continha, e ele se olhou no espelho sem saber se o que sentia era vergonha ou uma excitação nova, intensa, que arrepiava a pele dos braços.

Não tem volta.

Sentou-se na beirada da cama e esperou.

***

Quando Bianca fechou o registro e saiu do banheiro, envolta apenas em uma toalhinha, a primeira coisa que fez foi parar de repente. Depois sorriu. Um sorriso lento, que nasceu nos lábios e subiu até os olhos.

— E isso? — perguntou, encostando-se ao batente do banheiro com os braços cruzados.

Adrián sentiu a boca secar. Baixou o olhar, tímido, incapaz de sustentar o dela.

— O que... o que você acha? — murmurou.

Bianca caminhou até ele sem pressa. Levantou-lhe o queixo com dois dedos para obrigá-lo a olhá-la.

— Acho que você é louco — disse, com uma ternura que ele não esperava —. E acho que você me deixa a mil.

E então, sem parar de olhá-lo, deixou a toalha cair.

O corpo de Bianca ficou exposto sob a luz morna da luminária. Os seios cheios, ainda úmidos, a cintura fina, e entre as pernas a prova evidente de que ela também o desejava. Adrián engoliu em seco. Longe de incomodá-lo, aquela imagem o acendia de um jeito que ele tinha dificuldade até de explicar para si mesmo.

Bianca o pegou pela mão e o puxou para o canto do quarto, onde um pequeno jacuzzi fumegava em silêncio. Tinham pago a mais por aquela suíte justamente por esse detalhe, e até aquele momento nenhum dos dois o tinha usado.

Entraram devagar na água quente. Adrián sentiu o calor envolvê-lo, afrouxar os músculos tensos, e por um instante fechou os olhos. Quando os abriu, Bianca já estava colada a ele, acariciando-o por cima da renda, apalpando o tecido molhado que se grudava à pele.

— Fica bem em você — sussurrou no ouvido dele, mordendo o lóbulo —. Muito melhor do que você imagina.

Adrián respondeu com as mãos. Procurou-a debaixo da água e começou a tocá-la, primeiro com cuidado e depois com vontade, até senti-la crescer entre os dedos. Bianca soltou um suspiro longo e jogou a cabeça para trás contra a borda do jacuzzi.

Se beijaram. Não foi um beijo suave: foi faminto, profundo, daqueles que deixam a pessoa sem ar. Adrián percorreu o pescoço dela com os lábios, desceu até os seios e parou ali, lambendo e chupando, enquanto os gemidos de Bianca se tornavam cada vez mais roucos e enchiam o quarto.

***

— Quer me sentir? — perguntou ela de repente, olhando nos olhos dele.

Adrián ficou gelado. Não esperava aquela pergunta. Em nenhuma das fantasias que alimentara às escondidas, em nenhuma noite em claro, aquilo tinha aparecido. Sua cabeça, teimosa e velha, começou a se encher de ideias que não eram suas, de rótulos que alguém lhe enfiara dentro anos antes. Isso seria como me tornar outro. Como deixar de ser eu.

Bianca leu tudo isso em seu rosto antes que ele dissesse uma palavra.

— Fica tranquilo — disse, acariciando-lhe a bochecha —. Se você não quiser, não tem problema. Não precisa me provar nada.

E, sem esperar resposta, deslizou para baixo da água e começou a fazer sexo oral por cima e por baixo da peça de renda, afastando-a apenas com a língua. Adrián se agarrou à borda do jacuzzi. O prazer o percorria em ondas, e pouco a pouco a tensão dos ombros foi se dissolvendo no vapor.

Bianca não tinha pressa. Enquanto o tinha na boca, as mãos começaram a explorar mais embaixo, brincando com sua entrada de um jeito que ele jamais se permitira imaginar. Ela passava a língua, provocava, alternava entre a dureza da frente e a curiosidade de trás, e percebeu de imediato como cada um desses roçamentos o incendiava ainda mais.

A água quente subia até o peito e o vapor umedecia seu rosto. Adrián estava de olhos fechados e boca entreaberta, atento a cada sensação, à língua de Bianca traçando círculos, à promessa de algo que seu corpo pedia embora sua cabeça ainda duvidasse. Pela primeira vez ele deixou de se perguntar o que aquilo tudo significava e se permitiu, simplesmente, senti-lo.

Quando deslizou um dos dedos, Adrián se retesou por instinto. O corpo todo ficou rígido por um segundo, a respiração cortada.

— Respira — Bianca murmurou. — Relaxa.

E ele o fez. Pouco a pouco foi cedendo, deixando que ela brincasse no seu ritmo, descobrindo uma sensação completamente nova que o deixava sem defesas. Sentia-se exposto e, ao mesmo tempo, mais livre do que se lembrava de já ter se sentido na vida.

***

Mas naquela noite Adrián não queria ser só quem recebia. O desejo o empurrou a assumir o controle. Com um movimento firme, fez Bianca se virar e a colocou de quatro, com a metade do corpo para fora do jacuzzi.

Os seios ficaram na beirada de mármore, roçando a superfície fria, e o contraste com a água quente endureceu os mamilos dela na hora. Bianca gemeu, arqueando as costas, oferecendo-se.

Adrián a penetrou com força. A primeira investida arrancou dos dois um gemido que rebateu nos azulejos do banheiro. Depois veio outra, e mais outra, cada vez mais fundo, mais urgente, enquanto a água transbordava do jacuzzi e caía no chão sem que nenhum dos dois se importasse.

Bianca empurrava para trás para recebê-lo inteiro, com as mãos agarradas ao mármore e a cabeça pendendo entre os ombros. Adrián a segurava pelos quadris e se enterrava nela sem reservas, deixando-se levar por algo que já não controlava e nem queria controlar.

O clímax os alcançou quase ao mesmo tempo, numa convulsão que os deixou trêmulos, vazios e plenos ao mesmo tempo. Adrián desabou sobre as costas de Bianca, os dois ofegando, a pele escorregadia por causa da água e do suor.

Ficaram assim por um bom tempo, em silêncio, até a água esfriar. Adrián não sabia como nomear o que sentia. Só sabia que algo dentro dele tinha mudado de lugar, uma porta que havia anos permanecia fechada e que naquela noite, sem se propor a isso, ele deixara aberta.

— Você está bem? — perguntou Bianca, virando-se para olhá-lo.

— Melhor do que bem — respondeu ele, e pela primeira vez em toda a noite sustentou o olhar dela sem baixar a cabeça.

Ficaram satisfeitos, exaustos. Mas nenhum dos dois disse isso em voz alta: os dois já pensavam na próxima vez.

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