A tímida que o vento despiu na praia
Ela levantou uma toalha entre as portas do carro para se esconder de todos. Não contava com o vento, nem com a quantidade de olhos que já a observávamos.
Ela levantou uma toalha entre as portas do carro para se esconder de todos. Não contava com o vento, nem com a quantidade de olhos que já a observávamos.
Aprendi que o prazer não estava no mar nem na paisagem, mas no instante exato em que um desconhecido percebia que eu não usava nada por baixo.
Desliguei o celular com sessenta chamadas perdidas do meu namorado, acendi as velas e esperei no alto da escada até a campainha de baixo tocar.
Eu o imaginei por anos do outro lado da parede. Naquela noite, sozinha na casa da minha tia, foi ele quem apertou a campainha.
Eu estava com a janela aberta e a mão onde não devia quando ouvi sua voz a três metros. Ao abrir os olhos, ela já estava me olhando.
A cento e cinquenta metros da minha sombrinha, ela o acariciava sem disfarçar. Soube que voltaria pelas dunas para não perder nada do que viria depois.
Essa noite o desafio era simples e insano ao mesmo tempo: atravessar o terreno nua, de quatro, passando bem em frente à janela de vidro onde qualquer um podia me ver.
Daniel dormia no banco da frente enquanto, a um metro dali, o tio e a namorada compartilhavam a cama estreita do caminhão. E Noelia já não queria dormir.
Eu tinha vestido a saia mais curta que tinha, e quando aquele universitário apoiou a mão na minha coxa, soube que a viagem seria muito mais longa do que dizia a passagem.
Ele trouxe aguardente num galão sem rótulo e embriagou meu namorado em uma hora. Quando Sergio começou a roncar, o tio dele me olhou e eu soube que o jantar tinha sido só o começo.
Quando saiu do banho e o viu esperando por ela com a renda preta vestida, Bianca sorriu: sabia exatamente o que ia acontecer naquela noite.
Eram seis da manhã e ele me olhava pelo retrovisor como se já soubesse o que eu ia permitir. Isso aconteceu de verdade e eu não me arrependo de nada.
Atravessei o condomínio para levar um recado e acabei cercada por quatro homens mais velhos que me olhavam como se eu fosse o prato principal da tarde.
Baixei a guarda assim que ele entrou na cocheira. Não fui buscar nada daquilo, mas sua voz mandou que eu me ajoelhasse, e já não soube dizer não.
Eu o tinha visto só uma vez e não consegui esquecer o corpo dele. Quando soube que ele também me procurava, esperei minha mãe sair para trabalhar e o deixei entrar.
Eu tinha me acostumado a ser observada, mas naquela tarde, sozinha na cachoeira, decidi que dessa vez não ia me cobrir quando o descobrisse escondido entre as árvores.
Ele fechou a porta do quarto com toda a minha roupa nas mãos e me deixou de joelhos, nua, com uma única ordem: «Te espero no carro».
Achei que controlava tudo em casa, até que a mulher com quem me casei deixou claro quem mandava de verdade entre nós três.
Toda semana olhávamos as fotos da entrada sem ousar entrar. Na noite em que cruzamos a porta, descobri até onde eu era capaz de ir com ele me olhando.
Ela baixou o zíper do vestido diante do espelho da entrada e, ao se ver nos braços dele, soube que naquela noite não haveria como voltar atrás.