O que fizemos com o namorado da minha melhor amiga
Eu ainda não sei como contar isso para alguém sem parecer uma personagem saída de um pesadelo. Mas o que eu escrevo aqui é real, tão real que eu ainda guardo o dildo na primeira gaveta da cômoda, como se fosse um troféu que eu não tenho coragem de jogar fora.
Minha melhor amiga Valeria e eu tínhamos cruzado a linha fazia quatro meses. Tudo começou quando ela caiu da bicicleta descendo pelo parque e quebrou os dois braços. Colocaram gessos até os ombros e ela ficou sem conseguir prender o cabelo nem baixar a calça para mijar. Eu me ofereci para ficar na casa dela naquela primeira semana, porque o namorado que ela tinha naquele momento tinha virado fumaça assim que a viu sair do hospital.
De tanto banhá-la, secá-la e ajudá-la a trocar de roupa, uma noite acabei com a mão entre as pernas dela. Não foi premeditado: eu estava passando a esponja pelas coxas dela, subi mais do que devia, senti os pelos macios do púbis contra a palma e a mão ficou ali, parada, esperando uma reação que me desse permissão ou me mandasse tomar no cu. Ela, em vez de se afastar, abriu um pouco mais as coxas e me olhou com um sorriso que eu não via havia dez anos de amizade. Enterrei dois dedos no cu dela sem deixar de olhar nos olhos dela, e descobri que ela estava encharcada, que já fazia dias que esperava que alguém tomasse coragem. Comi ela com a mão ali mesmo, sentada na beira da banheira, com os braços engessados apoiados nos meus ombros como um fantoche quebrado, enquanto eu mordia o pescoço dela e ela gozava sem poder me tocar.
Desde aquela noite, tudo mudou. A gente se via duas ou três vezes por semana. Às vezes só ficávamos conversando abraçadas, vendo uma série com vinho barato. Outras vezes passávamos horas inteiras nuas, testando brinquedos que comprávamos pela internet, fazendo tesourinha até gozar ao mesmo tempo e depois rindo como adolescentes culpadas. Eu chupava o cu dela até a língua doer e ela me devolvia o favor com aquela boca de lábios finos que sabia exatamente onde apertar. Aprendemos a gozar juntas, a ler a respiração uma da outra, a saber quando a outra estava prestes a explodir e segurá-la na beira para fazê-la implorar. Eu tinha me apaixonado um pouco, admito. Ela, suponho, também, embora nunca tenha dito isso em voz alta.
Aquele sábado de maio começou como qualquer outro. Valeria chegou ao meio-dia, almoçamos massa, esvaziamos uma garrafa entre nós e, antes das cinco, já estávamos na minha cama. Fizemos o de sempre: eu de bruços entre as pernas dela, chupando o clitóris inchado dela até ela puxar meu cabelo e me pedir, por favor, que parasse; depois ela em cima de mim, 69, a língua enfiada até o fundo do meu cu enquanto apertava minha bunda com as duas mãos. Depois veio mais: testei com ela um consolador grande que vibrava e que tinha chegado pelo correio na segunda-feira. Enfiei devagar, olhando para a cara dela enquanto a borracha ia abrindo caminho, e encostei o vibrador no clitóris ao mesmo tempo. Ela gozou três vezes seguidas, a última com um jorro que me molhou o punho até o cotovelo. Quando terminou, suada, com o cabelo colado na testa e as pernas ainda tremendo, ficou em silêncio olhando o teto e me disse que estava com vontade de provar algo diferente.
—Quão diferente? — perguntei, ainda com a respiração entrecortada.
—Um ménage.
Levantei uma sobrancelha. Apoiei-me no cotovelo e a encarei, esperando que ela risse ou explicasse a brincadeira. Não riu.
—Com quem? Com outra garota?
—Com o Sebastián.
Sebastián era o cara novo, o que tinha aparecido um mês antes na aula de spinning a que ela ia às terças. Eu tinha visto uma foto dele: alto, costas largas, braços como troncos, aquela cara de bonito que sabe muito bem o quanto é bonito. Tinha trinta e três anos, sete a mais que a gente.
—Ele sabe sobre nós? — perguntei.
—Contei para ele na semana passada. Não se incomodou. Pelo contrário.
Eu deveria ter estranhado aquilo. Mas eu não estava pensando com clareza, estava pensando com a boceta, e a ideia me acendeu.
—Liga pra ele — eu disse.
Ele chegou quarenta e cinco minutos depois. Abri a porta enrolada num robe curto de seda preta e me senti ridícula e poderosa ao mesmo tempo. Ele entrou, tirou a jaqueta, me analisou de cima a baixo sem disfarçar e me estendeu a mão como se estivéssemos numa reunião de trabalho. Aperto firme. Firme demais.
—Então você é a outra — disse, com um meio sorriso de que eu não gostei nada.
—A outra o quê.
—A que come minha namorada.
Valeria saiu do banheiro nesse momento, de calcinha e sem sutiã, com os seios à mostra e os mamilos já duros, e mandou um beijo para ele pelo corredor. Ele riu, uma risada curta e seca, e começou a desabotoar a camisa ali mesmo, na sala, sem esperar que o levássemos para outro lugar.
Fomos para o quarto. Quando ele abaixou a cueca, eu não consegui evitar arregalar um pouco os olhos. Era enorme. Uma rola grossa, comprida, cheia de veias, com a glande arroxeada e já meio inchada, pendendo entre as pernas com um peso que dava para sentir. Maior do que tudo que eu já tinha tido até então com qualquer homem. Valeria me olhou e riu baixinho.
—Você vai primeiro — me disse, dando tapinhas na minha bunda —. Eu quero ver.
Sebastián se deitou na cama, de barriga para cima, com as mãos cruzadas atrás da nuca. Não disse nada, esperou. Eu subi em cima dele devagar, segurando a rola com a mão para guiá-la. Estava quente, dura como ferro, e eu mal conseguia abraçá-la com os dedos. Passei a cabeça dela pelos meus lábios do cu, molhando-a com meu tesão, procurando a entrada. Quando comecei a me abrir para deixá-lo entrar, sentindo a glande esticando a carne, ele agarrou minhas nádegas com aquelas mãos enormes, abriu minha bunda de uma vez, e com um único movimento me desceu inteira sobre ele, até a base.
Eu gritei. Não de prazer, de surpresa, de uma dor que se misturava com algo que eu não sabia se era tesão ou medo. Senti a rola me bater contra algo lá dentro que não devia ser batido, e as lágrimas saltaram sem pedir permissão. Ele começou a me mover para cima e para baixo, me usando como se eu não pesasse nada, sem perguntar, sem esperar, me cravando até o fundo a cada vez, me fazendo quicar naquela rola como se eu fosse uma boneca. Cada descida me tirava o ar. Cada subida me deixava com o cu aberto, pulsando, faminto apesar da dor. Valeria, ao lado, apertava meus seios com uma mão e se tocava com a outra, com dois dedos metidos no próprio cu e o polegar girando no clitóris, sem tirar os olhos de mim.
—Come ela, come ela com força — ela sussurrava para ele, a voz rouca —. Arrebenta ela.
Aguentei assim por uns minutos. Meu corpo, traidor, começou a ficar realmente molhado, a relaxar, a aceitar o tamanho. De repente, sem aviso, Sebastián me tirou de cima, ficou de pé, me ergueu do chão segurando minhas nádegas e me cravou contra a parede. Minhas costas bateram no armário. Ele enfiou a rola de uma vez só, com minhas pernas abertas, penduradas no ar, e começou a me foder com uma violência que eu não entendi. Não era sexo. Era outra coisa. Era como se ele estivesse me cobrando algo que eu não tinha feito com ele. Cada estocada me sacudia inteira, me fazia bater a nuca na madeira, arrancava de mim um gemido que eu não sabia se era protesto ou pedido. Eu o abraçava com as pernas e deixava ele fazer, me molhando cada vez mais apesar de mim, porque meu corpo respondia, porque o cu se contraía ao redor daquela rola que me partia ao meio, enquanto minha cabeça, em algum canto, já começava a fazer contas.
Ele me enfiou tão fundo que senti a glande pulsando contra meu útero. Agarrou meu cabelo com uma mão e virou meu rosto para que eu olhasse para ele.
—Olha pra mim quando eu gozar dentro de você — disse, entre os dentes.
Gozei dentro de mim com um rosnado animal, jorros quentes de sêmen que senti subindo até as tripas, e ele me deixou cair na cama como quem larga um pano. Vi o volume da gozada escorrendo pela parte interna da minha coxa assim que ele me soltou. Ele riu baixinho e foi para o banheiro.
—Você está bem? — sussurrou Valeria.
—Sim — eu disse.
Não estava bem. Eu estava calculando.
Ele voltou do banheiro com um comprimido azul na mão. Viagra. Engoliu com um copo d’água e se deitou outra vez. Enquanto esperava fazer efeito, abriu as pernas de Valeria e começou a chupar o cu dela com uma delicadeza que não tinha tido comigo. Passava a língua inteira de baixo para cima, chupava os lábios um por um, enfiava dois dedos e os retirava brilhando para lambê-los. Ela agarrava o cabelo dele e suspirava baixinho, arqueava as costas, os peitos se moviam no ritmo da respiração, e para mim ele já nem olhava mais.
Quando ficou pronto, com a rola outra vez dura e pingando, Valeria se deitou de barriga para cima e ele se meteu entre as pernas dela. Penetrou com força, sim, mas com outra força, uma que respeitava o corpo que tinha embaixo dele. Enfiou devagar, centímetro por centímetro, olhando nos olhos dela. Falava baixo, beijava o pescoço, mordia devagar o lábio inferior, chupava os seios um por um sem parar de se mexer. Fodia o cu dela com um ritmo longo, profundo, quase a tirando inteira e voltando a enfiar até a base, enquanto ela cravava as unhas nas costas dele e gemia no ouvido dele. Eles eram namorados. Eu não era nada.
Quando ela gozou, o corpo inteiro se arqueou, ela gritou alto, e eu a vi apertar a rola dele com o cu até ordenhar uma segunda gozada que ele vazou dentro dela sem tirá-la. Enquanto os via foder, terminei de montar o plano na cabeça.
***
Esperei que terminassem. Sebastián goza dentro dela e se jogou para o lado, satisfeito, com aquela cara de macho que acredita ter comido bem duas garotas numa tarde. Eu me levantei da cama enrolada num lençol, com o sêmen dele ainda escorrendo devagar pela minha coxa.
—Vou buscar mais vinho — disse.
Desci para a cozinha. Peguei uma garrafa na prateleira, três taças, e da gaveta dos talheres saquei o blister de remédios para dormir que minha mãe tomava quando dormia em casa. Triturei dois no pilão até virarem pó. Joguei dentro de uma das taças, mexi com o dedo, servi vinho por cima e agitei com cuidado até não sobrar nenhum grumo. Subi.
Entreguei as taças para eles. Sebastián virou a dele de uma vez, sem notar nada, ainda se exibindo. Conversou por alguns minutos, gabou-se de quanto aguentava, de como eu era apertada, de alguma viagem ao litoral que planejava fazer com Valeria. E, aos poucos, as palavras começaram a arrastar. Bocejou. Piscou demoradamente. Murmurou algo que nenhuma de nós entendeu. E caiu de lado.
Valeria me olhou com os olhos arregalados como dois ovos fritos.
—O que você fez com ele?
—Dormi ele. Não se assusta, são dois comprimidos, ele vai roncar por três horas e vai acordar inteiro.
—E pra quê?
Contei o plano para ela. Mostrei o que tinha na bolsa, no bolso interno com zíper: o maior dildo que eu já tinha comprado, um preto, grosso, com base de ventosa, comprado meses antes e ainda sem uso. O frasco de lubrificante. As algemas acolchoadas para punhos e tornozelos que eu tinha comprado com Valeria numa loja em Once, rindo. Uma mordaça de bolinha.
Valeria cobriu a boca com as duas mãos. E então começou a rir, primeiro uma risada nervosa, depois uma risada franca, livre, sem culpa, como se pela primeira vez naquela noite se sentisse dona de alguma coisa.
—Você é uma filha da puta — disse, pegando o dildo pelo meio e pesando-o na palma da mão.
—Eu sei.
Colocamos ele de quatro no meio da cama, abrimos bem as pernas dele, levantamos os quadris até o ânus ficar exposto, rosado, fechado, virgem. Algemamos os pulsos aos ferros da cabeceira, os tornozelos às pernas da cama. Enfiamos a mordaça com cuidado para não sufocá-lo. E, por via das dúvidas, colocamos outro comprimido azul debaixo da língua dele e esperamos que engolisse por reflexo. Eu não ia perder a imagem.
Enquanto dormia, o pau dele começou a endurecer. Uma ereção lenta, alheia, como se o corpo seguisse ordens de outro lugar. A rola foi se erguendo sozinha entre as pernas, inchando até ficar dura contra o abdômen, e uma gota transparente brotou da ponta. Valeria tirou com o dedo, colocou na boca e piscou para mim.
—Espera ele acordar — eu disse —. Quero que ele esteja acordado.
***
Demorou quase três horas. Já entrava luz pela janela quando ouvimos ele gemer diferente, um gemido confuso, ainda colado ao sono. Abriu os olhos. Levou alguns segundos para entender a posição. Tentou se mexer e descobriu que não podia. Tentou falar e descobriu a mordaça. E aí sim os olhos dele se abriram de verdade, redondos, totalmente acordados, e a respiração acelerou até ele bufar pelo nariz como um touro assustado.
Subi na cama por trás, nua, com o dildo bem lubrificado na mão. Eu tinha passado uma camada grossa de lubrificante até ele ficar brilhando inteiro, e tinha colocado um arnês de couro preto que Valeria me passou da bolsa, com o consolador já encaixado no anel da frente, pendendo entre minhas pernas como uma rola própria. Valeria estava ao lado, numa cadeira, com um robe meu, tomando café, observando o espetáculo com as pernas cruzadas como se fosse dona de um circo particular.
—Oi, campeão — sussurrei no ouvido dele, colando em suas costas para que sentisse o peso da borracha apoiada entre as nádegas —. Agora é a sua vez.
Passei a ponta do dildo várias vezes no buraquinho dele, besuntando bem, dando tempo para que entendesse o que vinha. Vi o corpo inteiro se contrair, o músculo fechar em reflexo, inútil. Coloquei a mão esquerda na cintura dele, a direita na base do consolador, e apoiei a ponta. Esperei. Dei tempo para ele sentir medo de verdade. E empurrei.
Entrou com resistência. A cabeça do dildo afundou à força, abrindo o cu dele, e ele gritou por baixo da mordaça, um grito abafado, agudo, diferente de qualquer som que eu tivesse ouvido ele fazer antes. Vi os nós dos dedos ficarem brancos, agarrados às correntes das algemas. Empurrei mais. Agarrei a cintura dele com a mão livre, como ele tinha me agarrado, e comecei a me mover no mesmo ritmo brutal com que ele tinha me cravado na parede. Sem trégua. Sem perguntar. Sem esperar. Enfiei o dildo até a base, até as correias do arnês baterem nas nádegas dele, e fiquei um segundo ali, parada, deixando que ele sentisse o que era estar cheio de algo que não escolheu.
Depois comecei a foder ele. De verdade. Tirando o dildo quase inteiro e enfiando de novo de uma vez só, agarrando os quadris dele, puxando-o para trás contra mim a cada estocada. A cama rangia. O colchão se movia. O cu dele se abria e se fechava em volta da borracha com um som molhado que se ouvia em todo o quarto.
Os primeiros minutos foram de luta. Ele puxava as algemas, sacudia a cabeça, tentava fechar as pernas e não conseguia. O nariz dele escorria, e as lágrimas molhavam o travesseiro. Valeria se levantou da cadeira em algum momento, deu uma palmada forte na nádega esquerda dele e deixou uma marca vermelha em forma de mão. Depois outra. Depois passou a mão pelas costas dele e disse baixinho: “calma, amor, não resiste, já está quase”. Pegou a rola dele por baixo, essa rola que continuava dura por causa do comprimido, e começou a fazer uma punheta lenta no ritmo das minhas investidas, apertando os ovos dele entre os dedos.
E em algum momento, o corpo dele se entregou. Não sei bem quando. Parou de lutar. Parou de gritar. Começou a gemer, primeiro pelo nariz, depois pela boca em volta da mordaça, sons longos e graves que não se pareciam com nada que eu tivesse ouvido nele antes. Os olhos ficaram vidrados. A cabeça dele caiu contra o travesseiro, a boca babando em volta da bola, e ele começou a empurrar também, a procurar minha mão para trás, a levantar a bunda para receber mais, a pedir com os quadris o que não tinha coragem de pedir com a boca.
—Olha só — me disse Valeria, rindo, sem parar de bater uma punheta nele —. Ele gosta. O filho da puta gosta.
Fodi ele assim por uns seis minutos longos, olhando para a nuca dele, medindo a respiração, dando exatamente o que ele tinha me dado horas antes. Enfiei o dildo com toda a força dos quadris, sem ritmo humano, como uma máquina, sentindo o arnês roçar no meu clitóris e me molhar também. Quando o Viagra fez o efeito dele e ele goza, foi uma ejaculação longa, sem que Valeria quase precisasse tocar nele, com o corpo inteiro tremendo dos pés à cabeça, com o cu apertando o dildo em espasmos que me foram transmitidos pelo arnês até o púbis. Jorrou um atrás do outro, branco, espesso, um após o outro, com a rola pulsando no ar. O lençol ficou manchado com uma mancha branca que parecia não caber dentro de um único corpo. Continuei enterrada até a base enquanto ele gozava, sem tirar nada, para que ele sentisse cada contração em volta daquela coisa que o tinha aberto por dentro.
Me retirei devagar. O dildo saiu com um som obsceno, e eu vi o buraquinho dele aberto, vermelho, pulsando, incapaz de fechar de imediato. Soltei as algemas, primeiro os tornozelos, depois os pulsos. Tirei a mordaça com cuidado. Ele ficou largado de bruços, o rosto afundado no travesseiro, sem se mexer, sem falar, com um fio de baba molhando o queixo. Passei uma mão no cabelo dele, quase com ternura. Ele não reagiu.
Trocamos os lençóis. Jogamos os velhos numa sacola preta que depois levei para o corredor. Entramos os três debaixo do edredom limpo e dormimos assim, sem dizer uma palavra, os corpos colados como se nada daquilo tivesse acontecido nunca.
***
Na manhã seguinte, Valeria se vestiu cedo. Me beijou na boca, demorado, com língua, e me disse ao ouvido: “você é a minha favorita” antes de fechar a porta. Sebastián ficou para trás. Quando ela já estava na rua, ele vestiu a calça devagar, sentou na beira da cama e me olhou pela primeira vez sem máscara.
—Eu vim para te quebrar — me disse.
—Eu sei.
—Eu não gostava da ideia de ela transar com outra. Nem com outro, nem com outra. Pensei que, se eu te comesse com força uma vez, você ia entender que ela era minha e que a brincadeira acabava. Por isso eu te fodi daquele jeito.
—Eu sei.
—E você sabia e mesmo assim me deixou fazer.
—Deixei você fazer — eu disse — para depois você não ter nada para alegar.
Ele riu. Uma risada cansada, sem veneno, sem a arrogância do dia anterior.
—Foi a foda mais gostosa da minha vida — disse, olhando para as próprias mãos —. As duas coisas. O que eu fiz com você e o que você fez comigo. Não sei o que fazer com isso.
—Vai para a sua casa — eu disse —. Pensa nisso com calma.
Ele foi embora sem se despedir.
Isso foi em maio. Faz quase um ano. Valeria continua sendo minha melhor amiga e continua sendo, às vezes, minha amante, embora cada vez com menos urgência e mais carinho. Sebastián voltou mais duas vezes, as duas por conta própria, sem ela, para bater na minha porta às três da manhã. Na primeira vez eu abri e fui eu que o fodi de novo, dessa vez sem remédios, sem algemas, com ele ajoelhado na minha cama me pedindo com a boca. Na segunda, não.
O dildo continua na primeira gaveta da cômoda. Às vezes eu olho para ele e penso nele. E em mim. E em como, durante seis minutos exatos, eu fui exatamente o que ele foi comigo, e descobri que isso não me agradava tanto quanto eu imaginava. Mas também descobri que, se for preciso, posso voltar a ser assim sem que minha mão trema.