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Relatos Ardientes

O que ninguém te conta sobre os cinemas pornô

Faz tempo que guardei silêncio sobre isso. Não porque eu tenha vergonha —já passei dessa fase há muito tempo—, mas porque são daquelas experiências que a gente guarda no íntimo, que fazem parte de uma vida paralela que pouca gente conhece. Mas, há semanas, isso vem rondando minha memória, especialmente depois de ler tantas confissões neste espaço, e senti que era hora de compartilhar.

Esta é a história de como os cinemas para adultos se tornaram uma parte regular da minha vida.

***

Tudo começou na adolescência, como a maioria das coisas importantes. Eu vivia contando os dias para fazer dezoito anos. Meus amigos falavam de outras coisas —de garotas, de cerveja, de tirar a carteira—, mas eu tinha um objetivo claro: entrar em um daqueles cinemas que eu via no centro da cidade, com suas marquises gastas e seus cartazes prometendo filmes que não apareciam em locadora nenhuma.

Eu não sabia exatamente o que acontecia lá dentro. Tinha só uma ideia vaga, construída a partir de comentários enigmáticos que eu ouvia aqui e ali, de piadas que ninguém terminava de explicar direito. O bastante para saber que havia algo mais do que filmes. Eu sabia que lá dentro os caras chupavam uns aos outros no escuro, e só essa ideia me deixava de pau duro há meses toda vez que eu pensava no assunto.

Na manhã do dia em que completei a maioridade, fui.

***

O lugar ficava numa rua lateral do centro, entre uma loja de ferragens e uma copiadora. Por fora parecia inofensivo: uma fachada escura, uma janelinha de vidro fosco, um cartaz com o preço do ingresso. O sujeito da bilheteria me olhou de cima a baixo sem dizer nada e me entregou o bilhete sem perguntar.

Lá dentro era tudo escuridão e um cheiro particular que nunca esqueci: algo entre tabaco velho, mofo e porra seca. A sala tinha umas trinta poltronas, a maioria ocupada por silhuetas que se mexiam quase nada. Na tela, dois caras estavam fodendo a boca e o cu de uma loira que gemia como se estivessem arrancando a alma dela.

Sentei no fundo, o mais afastado possível. Mantive os braços cruzados sobre o peito e os olhos fixos na tela, embora, na verdade, eu não visse nada. Eu estava consciente demais de cada som —os gemidos do filme, o ranger de alguma poltrona, um ofegar abafado em algum canto— e do roçar do tecido da minha roupa contra o estofado de couro. Lá embaixo, meu pau já estava ficando duro sem pedir licença.

Vinte minutos depois, alguém se sentou ao meu lado.

Não havia ninguém mais naquela fileira. Havia pelo menos dez poltronas vazias entre nós quando ele entrou, mas escolheu a que ficava exatamente à minha esquerda. Fiquei rígido. Continuei olhando para a tela.

A perna dele começou a roçar na minha. Mal de leve, como se fosse acidental. Eu não me mexi. O roçar ficou mais deliberado, mais lento, mais consciente. Depois a mão caiu sobre minha coxa, com a palma aberta, e começou a subir devagar até os dedos roçarem o volume duro por cima do jeans. Senti o rosto esquentar e uma descarga na ponta do pau que me fez fechar os olhos.

—Tá gostoso o filme? —disse em voz bem baixa.

Não respondi. Os dedos apertaram meu pau por cima do tecido, medindo, me avaliando.

—Tenho um apartamento perto —continuou, sem pressa—. Um amigo também está lá. A gente podia se divertir melhor os três. Nós dois te chupamos até você não conseguir nem andar.

Levantei e fui para outra poltrona, com o pau pulsando contra o zíper. O sujeito não insistiu.

Saí do cinema quarenta minutos depois, sem que mais nada tivesse acontecido. Mas alguma coisa tinha mudado. Caminhei até a avenida com aquela mistura estranha de alívio e decepção que a gente sente quando evita algo que, no fundo, queria fazer.

***

Voltei uma semana depois.

Dessa vez fui com um pouco mais de informação. Nos dias anteriores, eu tinha passado a tentar entender, discretamente, o que exatamente eram aqueles lugares e como funcionavam. O que encontrei foi suficiente para ir preparado: eu sabia que a escuridão era uma permissão tácita, que quem se aproximava fazia isso porque queria, que ninguém te obrigava a nada.

Sentei no mesmo lugar do fundo. Esperei.

O ritual foi quase idêntico: alguém se sentou perto, o contato começou por cima da roupa, a mão avançou devagar sobre minha coxa. Dessa vez eu não me levantei. Fiquei quieto, respirando mais rápido do que o normal, com os pés bem apoiados no chão, e simplesmente deixei acontecer.

O cara —cinquentão, cheiro de colônia barata— abriu minha braguilha sem me olhar. Os dedos entraram por dentro da cueca com uma destreza que me surpreendeu, procuraram e tiraram meu pau para o ar da sala. Senti o frio na pele e depois o calor de uma palma que o envolveu por inteiro. A mão começou a subir e descer lentamente, apertando forte na base e afrouxando na ponta, espremendo uma gota de líquido pré-seminal que ele usou para lubrificar o resto da glande.

Não disse nada. Eu não conseguia. Só respirava pela boca, com os olhos cravados na tela onde uma morena gemia enquanto era penetrada, enquanto um desconhecido me punhetava com uma paciência de artesão na poltrona do fundo de um cinema. Gozei poucos minutos depois, em silêncio, mordendo o lábio, sentindo o sêmen cair quente sobre os dedos dele e manchar o punho. Ele continuou apertando até a última gota, depois se limpou com um lenço que tirou do bolso, guardou meu pau de volta com cuidado e se levantou sem dizer uma palavra.

Quando saí para a rua, a cidade me pareceu diferente. Maior. Mais cheia de possibilidades que eu não tinha considerado até então.

***

Com o tempo, o medo desapareceu por completo.

Fui perdendo o hábito de cruzar os braços e enrijecer os ombros ao entrar. Aprendi a ler os gestos dos homens que chegavam: os que queriam só olhar, os que queriam algo mais, os que se sentavam com uma determinação que não deixava dúvidas. Comecei a distinguir os frequentadores dos que vinham pela primeira vez, tão nervosos quanto eu tinha ficado no início.

Virei um dos frequentadores.

Não ia toda semana, mas ia com frequência. Às vezes à tarde, quando o lugar estava quase vazio e a luz filtrada pela porta criava sombras longas nos corredores. Às vezes à noite, quando havia mais gente e o ambiente ficava carregado de alguma coisa elétrica, quase palpável. Nesses meses eu descobri algo que não esperava: os homens daqueles lugares sabiam exatamente o que estavam fazendo. Não havia falta de jeito nem pressa. Tudo era lento, pausado, silencioso. As mãos se moviam com uma precisão que eu não encontrei facilmente em outros contextos: sabiam quando apertar a base do pau para retardar a gozada, quando passar o polegar no freio, quando descer a mão até as bolas e massageá-las enquanto continuavam punhetando com a outra.

E então veio a primeira vez que alguém se ajoelhou.

***

Foi numa quarta-feira à tarde. O cinema estava quase vazio —quatro ou cinco pessoas distribuídas em poltronas diferentes— e o cara que se sentou ao meu lado já estava havia um bom tempo com a mão dentro da minha calça, sem pressa, me punhetando devagar enquanto sussurrava no meu ouvido o quanto eu estava duro, o quanto eu era gostoso, o quanto ele estava com água na boca. Quando ele desceu ao chão com uma naturalidade que me deixou sem palavras, entendi que eu tinha chegado a outro nível de tudo isso.

Ele baixou meu jeans até a metade das coxas, tirou meu pau e minhas bolas por cima do elástico da cueca, e ficou olhando para o meu pau por um segundo, como se estivesse calibrando o que tinha à frente. Depois abriu a boca e engoliu tudo, até o fundo, até eu sentir a garganta fechando contra a glande. Não tossiu, não engasgou. Ficou assim, com o nariz contra minha pelve, engolindo saliva ao redor da minha carne, e depois começou a se mexer.

Chupava como se fosse um ofício. Subia devagar, apertando os lábios contra o tronco, deixando um rastro de saliva morna por toda a pele, e quando chegava à ponta, envolvia com a língua, lambia em círculos, brincava com o freio até eu tremer as pernas. Depois descia de uma vez, sem aviso, e me engolia outra vez até o fundo. Uma mão segurava a base do meu pau, a outra acariciava minhas bolas, apertando com delicadeza, puxando-as só um pouco para baixo cada vez que sentia que eu estava prestes a gozar.

O anonimato completo, a escuridão, o som do filme ao fundo enquanto alguém me dedicava toda a atenção sem pedir nada em troca: essa combinação eu não tinha previsto. Não havia nada a provar, nenhum papel a cumprir, nenhuma história a sustentar. Só a poltrona, a escuridão e aquele homem que sabia exatamente o que estava fazendo. Peguei a cabeça dele sem pensar e comecei a foder, empurrando para cima, enfiando meu pau na boca dele no ritmo da minha respiração. Ele não resistiu. Pelo contrário: gemeu com o pau dentro, e essa vibração acabou de me arrebentar.

Terminei com a nuca apoiada no encosto, olhando para o teto, com os pulmões completamente vazios e uma gozada grossa escorrendo na garganta do cara. Ele engoliu tudo. Depois limpou a ponta com a língua, com duas ou três lambidas suaves, acomodou meu pau de volta na cueca e subiu para a poltrona ao lado como se nada tivesse acontecido. Nunca vi o rosto dele com clareza.

Saí para a rua com as pernas que não me obedeciam direito. O sol da tarde me pareceu quase indecente.

***

Mas o que mais lembro daquela fase não é uma visita só, e sim um hábito que desenvolvi quase sem perceber: comecei a ir com roupa íntima feminina.

Não sei exatamente quando começou. Acho que foi aos poucos, como tudo o que tem a ver com desejo: primeiro uma ideia que você descarta, depois uma imagem que volta, depois uma decisão que você toma quase sem pensar. Numa manhã abri a gaveta e escolhi algo diferente. Assim de simples, assim de complicado.

A primeira vez que fui com uma calcinha debaixo do jeans, tinha certeza de que ia me arrepender. Sentei no meu lugar habitual com aquela sensação particular de usar algo que não deveria, algo que roçava de forma diferente a cada movimento, que me deixava mais consciente do próprio corpo. O pau apertado contra a renda, esmagado de lado, endurecia sozinho com o atrito de cada passo.

Quando o homem da vez meteu a mão dentro da minha calça e encontrou o elástico de renda, ele parou.

Houve um segundo de silêncio total.

Depois, com uma calma que me deixou completamente desconcertado, ele continuou. Mas agora com outra atenção. Os dedos exploraram com mais cuidado, seguiram a borda da calcinha ao redor do quadril, desceram por trás até entrar entre as nádegas, apalparam meu cu por cima da renda. Ele demorou. Abriu meu jeans, me fez levantar o quadril o suficiente para baixá-lo alguns centímetros, e ficou olhando na penumbra a calcinha preta esticada ao redor do meu pacote duro. E então me beijou o pescoço sem que eu esperasse. Os lábios quentes, úmidos, mordiscando de leve a pele abaixo da orelha.

— Que gostoso, puta —ele sussurrou.

Isso não tinha acontecido antes. Nem o beijo, nem a palavra.

Ele enfiou a mão por baixo da renda, tirou meu pau pelo lado da calcinha e começou a me punhetar sem parar de morder meu pescoço, enquanto com a outra mão apertava um peito por cima da camiseta, beliscando meu mamilo até me fazer arquear as costas. Me fez gozar assim, com a língua no lóbulo da orelha e o sêmen escorrendo pela mão dele e pela renda da calcinha, deixando uma mancha morna que eu senti pegajosa contra a pele até chegar em casa.

***

Repeti. Claro que repeti.

Com o tempo fui testando combinações diferentes: meia arrastão, cinta-liga, cores e texturas distintas. Cada vez que eu entrava no cinema com alguma coisa por baixo, havia algo diferente no ar, como se eu mesmo gerasse uma carga que os outros conseguiam perceber sem entender exatamente por quê.

As reações dos homens que percebiam isso variavam muito. Alguns se levantavam e iam embora, sem drama; simplesmente não era o que procuravam. Outros ficavam, mas com uma atenção nova, mais cuidadosa, como se de repente o encontro tivesse mais camadas do que eles tinham imaginado. E havia um tipo de homem —não eram muitos, mas existiam— que, quando encontrava a calcinha segurando o que havia por baixo, perdia a compostura de um jeito impossível de fingir. Começavam a respirar forte, me chamavam no ouvido de puta, cadela, princesa, pediam para eu virar, para eu ficar de quatro na poltrona, para mostrar a bunda.

Esses eram os encontros que valiam a pena.

Lembro-me de um em particular: um homem grande, de mãos largas, que depois de achar minha cinta-liga passou vinte minutos lambendo meu pescoço e meus peitos por cima da camiseta, enquanto enfiava dois dedos babados no meu cu, um primeiro, depois o segundo, me abrindo devagar no ritmo da música do filme. Ele nunca tirou minha roupa. Nunca baixou meu jeans por completo. Só abriu o suficiente para poder me trabalhar por baixo do tecido, com a mão enfiada até o pulso pelo vão da cinta-liga, me fodendo com os dedos até eu gozar tremendo, com a boca aberta contra o ombro dele para não gritar. Quando terminei, ele limpou os dedos na própria calcinha, com toda a calma do mundo, e me deu um beijo na boca que tinha gosto de saliva e de alguma coisa mais ácida.

Um homem que te beija o peito na escuridão de um cinema, com o filme ao fundo e o resto da sala completamente alheio ao que acontece na sua poltrona, é uma das experiências mais estranhas e intensas que eu conheço. O anonimato torna isso possível. A escuridão dá permissão para tudo. E a roupa íntima é, de alguma forma, a chave que abre algo diferente nas pessoas.

***

Já se passaram anos desde aquela primeira entrada nervosa. Ainda vou, embora com menos frequência do que antes —a vida muda, as prioridades também, os horários ficam complicados—. Mas, de vez em quando, quando preciso desse tipo particular de alívio que você não encontra em nenhum outro lugar, eu sei exatamente para onde ir.

Há algo nesses espaços que o mundo de fora não oferece: a possibilidade de ser alguém sem história, sem nome, sem nada a provar nem a explicar. Apenas um corpo no escuro, presente e disponível, com o pau para fora e a boca pronta, sem as camadas de contexto que carregamos em todos os outros encontros.

Compartilhei momentos de uma intimidade física estranha com homens cujo nome eu não sei, que eu não voltaria a reconhecer na rua. Já me chuparam até secar, me meteram os dedos, gozei na boca deles e na calcinha, e eu também retribuí mais de uma vez, ajoelhado no chão grudento dessas salas, com um pau desconhecido na garganta e o gosto do sêmen alheio na língua. Aprendi coisas sobre o desejo que não teria aprendido de outra forma. E entendi que há formas de prazer que existem justamente porque acontecem em silêncio, na escuridão, sem testemunhas e sem consequências.

Esta é só uma das histórias. Há muitas outras, e talvez um dia eu as conte também.

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