O que vi do armário da minha mãe naquele verão
Guardo essa história há anos e nunca contei a ninguém. Estou escrevendo agora porque acho que é a única forma de me livrar dela. Vou mudar os nomes, até o meu, mas todo o resto aconteceu exatamente assim.
Naquele verão eu tinha voltado do campus para passar as férias com a minha mãe, no hotel que o meu avô nos deixara em frente à praia. Ela cuidava dele sozinha desde o divórcio, e eu, entre provas finais e tardes vazias, já tinha me acostumado a viver entre hóspedes que iam e vinham. Dividíamos o penthouse do último andar: dois quartos, uma cozinha enorme e o velho escritório do meu avô, onde ainda funcionavam os monitores das câmeras de segurança.
Naquela época, minha mãe carregava uma tristeza que tentava disfarçar. Alguns meses antes ela conhecera Marco, um empresário que ficou hospedado uma semana para fechar um negócio. Entre os dois houve algo intenso e breve, daqueles que prometem muito e não sustentam nada. Marco voltou para sua cidade, as mensagens foram ficando cada vez mais espaçadas e, um dia, apareceu nas redes dele uma foto com outra mulher. Minha mãe fingia que não se importava. Eu a conhecia demais para acreditar nela.
— Você ainda fala com o Marco? — perguntei certa noite, sondando o terreno.
— De vez em quando — disse, sem erguer os olhos do celular —. Ficamos como amigos.
Mentia mal pra caralho, igual a mim.
***
No quarto dia da temporada, chegou ao hotel um hóspede diferente de todos os outros. Um agente o enviara: era um artista urbano que andava em turnê pelas praias do litoral e precisava de hospedagem por algumas semanas. Chamavam-no de Damián, embora nos cartazes ele aparecesse com um nome artístico que aqui prefiro calar.
A primeira vez que o vi entrar na recepção, levei um susto. Ele era enorme. Passava folgadamente de um metro e noventa, largo de ombros, com os braços marcados por veias grossas e uma presença que enchia a sala. Tinha uma cara fechada que, no entanto, se desfazia assim que sorria. Usava correntes, uma camisa aberta no peito e um ar de homem acostumado a ser observado. O volume marcava na calça quando ele andava, e não era discreto: era o tipo de homem que sabia o que tinha entre as pernas e exibia aquilo como uma ameaça.
Minha mãe o atendeu pessoalmente. Enquanto negociavam o valor da hospedagem, notei algo que fazia meses eu não via nela: aquele brilho nos olhos, aquela faísca de travessura que eu só tinha conhecido com Marco. Damián também não tirava os olhos dela. Olhava os seios por cima da blusa, o decote, a boca, com uma ousadia que deixava o pescoço da minha mãe vermelho. Ele ficou com o penthouse em frente ao nosso, e desde aquele momento eu soube que o verão ia se complicar.
Nos dias seguintes, ele arrumava qualquer desculpa para cruzar com a gente. Aparecia “por acaso” quando saíamos, sentava no bar na hora em que minha mãe fechava as contas, voltava depois da meia-noite das apresentações e ainda ficava um pouco mais se a via acordada. E ela, que poderia ter cortado aquilo na hora, demorava de propósito alguns segundos a mais no corredor, esperando que ele aparecesse.
— Não é o meu tipo — ouvi ela dizer ao telefone para Renata, a melhor amiga dela, a única pessoa com quem se confessava de verdade.
Do outro lado da linha, Renata ria dela.
— Mentira. Você tá louca pra ele te meter a pica.
— Renata, por favor…
— Admite. Dá pra notar até por telefone. Faz quanto tempo que não te comem direito?
Minha mãe soltou uma risada nervosa e não respondeu. Eu, que tinha o péssimo hábito de ouvir essas ligações do meu quarto, ria por dentro. Minha mãe podia mentir para si mesma, mas a Renata ninguém enganava.
***
Tudo se precipitou numa manhã de provas. Voltei antes do previsto e, ao entrar, vi Damián no corredor de serviço conversando muito de perto com Yésica, uma das camareiras. Sem que me vissem, ouvi quando ele a convidou para o quarto dele “pra passar um bom tempo”, sussurrando no ouvido dela que estava duro desde que a tinha visto agachada arrumando a cama. Ela aceitou quase de imediato, prometendo escapar assim que terminasse a ronda, e passou a mão por cima da calça dele antes de ir embora, apertando o volume com um sorriso.
Não sei o que me levou a fazer o que fiz. Subi correndo, fui para o escritório do meu avô e liguei os monitores, decidida a espiar o encontro. Mas o que aconteceu não foi o que eu esperava.
Antes mesmo de Yésica chegar ao quarto, minha mãe a surpreendeu no corredor e explodiu. Gritou que as funcionárias não estavam ali para entrar nos quartos dos hóspedes e a demitiu na hora. Yésica saiu chorando. Damián, que tinha aparecido meio vestido, devolveu os gritos: chamou minha mãe de ciumenta, disse que ela não comia nem deixava comer. Eu acompanhava o escândalo por uma fresta, sem coragem de respirar.
— Vai embora do meu hotel! — berrou minha mãe, erguendo a mão.
Damián segurou o braço dela no ar. Agarrou seu pulso, sem machucá-la, e baixou a voz até virar um sussurro.
— O problema é que você não aguenta que outra chupe minha rola antes de você — disse.
Ela se debateu. Ele a puxou pela cintura, colou-a no corpo e a fez sentir contra o ventre o que carregava entre as pernas: um volume duro, comprido, impossível de disfarçar. Minha mãe soltou um suspiro ofegante que não conseguiu engolir. E então ele a beijou, abaixando todo o corpo para alcançá-la, sem dar chance de fuga, enfiando a língua até o fundo.
O que veio depois me deixou pregada ao monitor. O beijo começou à força, mas bastou minha mãe sentir a boca dele para parar de resistir. Ela passou os braços pelo pescoço dele, se pendurou nele, e os gritos viraram gemidos abafados contra a língua dele. Damián enfiou uma mão na bunda dela e apertou suas nádegas por cima do vestido, roçando a rola no ventre dela sem o menor disfarce. Entendi tarde demais que a que acabaria de pernas abertas para ele não era Yésica.
***
Corri. Desci um andar pela escada de serviço, atravessei até o penthouse de Damián pela porta que ele tinha deixado aberta e me tranquei no armário do quarto, bem a tempo. Os dois entraram poucos segundos depois, se devorando em beijos, tropeçando nos móveis. Eu sei que não devia ter ficado. Sei que qualquer pessoa com bom senso teria saído dali. Mas eu não me mexi.
Minha mãe tirou o vestido curto com uma urgência que eu nunca tinha visto nela. Ficou de calcinha e sutiã, e ele arrancou o sutiã de um puxão que fez o fecho estalar. Os seios saltaram de uma vez, brancos, pesados, com os mamilos já duros. Damián se abaixou e abocanhou um deles por inteiro, chupando com um barulho molhado que me chegou nítido através do vidro do armário. Minha mãe agarrou a cabeça dele, jogou a própria para trás e gemeu pela primeira vez.
— Chupa meus peitos, porra, chupa — pediu ela, com uma voz rouca que eu não conhecia.
Ele era só músculo, uma massa que a levantava como se ela não pesasse nada. Deitou-a na cama, arrancou-lhe a calcinha de um puxão e abriu-lhe as pernas com um golpe de mão. Enterrou o rosto entre as coxas dela sem preâmbulos. Vi minha mãe arquear as costas, contorcendo-se sobre os lençóis enquanto ele comia sua boceta com uma língua que não descansava. Ele chupava os lábios dela, enfiava a língua dentro, subia para esmagar o clitóris com a ponta e ela, agarrada ao cabelo dele com as duas mãos, empurrava o rosto dele contra o próprio sexo como se quisesse afogá-lo ali embaixo.
— Isso, isso, não para, filho da puta, não para — ela ofegava.
Ela gozou na boca dele poucos minutos depois, com um grito que engoliu mordendo o próprio braço. Ainda tremia quando ele se ergueu, baixou a calça e mostrou o que tinha ali. Eu quase soltei um som do armário. Ele tinha uma rola enorme. Comprida, grossa, com as veias marcadas, apontando para o rosto dela como um cacete. Minha mãe arregalou os olhos, lambeu os lábios sem perceber e estendeu a mão para agarrá-lo.
— Meu Deus… — sussurrou —. Olha isso…
— Chupa — ordenou ele —. Faz dias que eu espero por isso.
Ela se ajoelhou à beira da cama e o colocou na boca. Primeiro só a ponta, com os lábios apertados, saboreando devagar, olhando nos olhos dele enquanto o chupava. Depois começou a engolir cada vez mais fundo, segurando a base com a mão, fazendo um barulho de saliva que ficou cravado na minha cabeça para sempre. Damián segurava a cabeça dela pelos cabelos e marcava o ritmo, empurrando a boca dela contra a pica, enfiando-a até a garganta até ela tossir e fios de saliva pendurarem do queixo.
— É assim que se chupa uma rola, caralho — dizia ele, ofegante —. Assim, isso, engole tudo, não se segura.
Teve um momento em que ela parou, com a boca vermelha e inchada, e pediu que ele se cuidasse; abriu a gaveta da mesinha de cabeceira à procura de algo. Tirou uma camisinha e colocou ela mesma com a boca, deslizando-a devagar pela rola enquanto o encarava de baixo. Ele riu da prudência dela, mas aceitou, empurrando a boca dela contra a sua verga uma última vez antes de puxá-la para cima.
Ele a deitou de costas, segurou os tornozelos dela e abriu as pernas até encostá-las nas orelhas. Enterrou-se nela de uma só vez, até o fundo. Minha mãe soltou um grito rouco, longuíssimo, e agarrou os lençóis como se caísse de um penhasco.
— Ai, Deus, que grande, que grande que você é… — choramingava entre arfadas.
— Tá sentindo? Tá sentindo tudo? — ele perguntava, empurrando cada vez mais forte —. Me diz que tá sentindo.
— Tô sentindo, tô sentindo, não para, me fode, me fode forte…
Depois não houve mais palavras coerentes. O que se seguiu foi longo, barulhento e, para mim, impossível de encarar e ao mesmo tempo impossível de deixar de encarar. A cama rangia como se fosse partir. Ele a transava com toda a força do quadril, recuando para voltar a enterrá-la inteira a cada investida, e os seios da minha mãe quicavam com cada golpe, brancos, marcados de vermelho onde ele apertava com as mãos. Ele a colocou de quatro, montou por trás e a puxou pelos cabelos enquanto a penetrava com golpes de quadril que faziam a bunda dela bater no ventre dele com um som seco e molhado ao mesmo tempo. Depois a ergueu no colo, sentou-se na beira da cama e a empalou sobre ele, segurando-a pela cintura enquanto ela se movia sozinha, cavalgando-o, com os peitos balançando contra o rosto dele.
Minha mãe, que com Marco mal suspirava, desta vez gemia sem se conter. Dizia coisas no ouvido dele, chamava-o por nomes que eu jamais tinha ouvido, confessava entre arfadas que o desejava desde o primeiro dia, desde que o viu entrar na recepção.
— Você tinha que me foder assim, filho da puta — mordia a orelha dele —. Assim, sem parar, até eu não aguentar mais.
— Eu sabia — ele respondia, com a voz destruída —. Sabia que você era uma puta safada por dentro. Dava pra ver nos seus olhos.
— Isso, isso, sua puta, goza dentro de mim, não para…
Damián respondia que o lance com Yésica tinha sido só um empurrão para que ela parasse de fingir, e a cravava com mais raiva, castigando-a a cada palavra. No fim, deitou-a de novo de costas, dobrando as pernas dela contra o peito para enterrá-la até os testículos. Vi o momento exato em que o rosto da minha mãe ficou branco, a boca aberta sem som, e todo o corpo dela se contraiu. Ela gozou com um tremor longo, agarrando-se a ele com as unhas, marcando as costas dele. Ele aguentou mais alguns segundos, com os dentes cerrados, e então se enterrou por completo, gemendo grave, gozando dentro da camisinha enquanto continuava a penetrá-la devagar, prolongando o orgasmo até o último tremor.
Quando terminou, os dois ficaram jogados, sem ar, com a pele brilhando de suor. Ela acariciava a barba dele com um sorriso que eu não via desde o inverno. Ele, com a rola ainda meio dura colada à virilha, falava de um futuro que ela ouvia pela metade, repetindo em voz baixa que tinha namorado, que aquilo tinha sido um impulso e não se repetiria. Mas nem ela mesma acreditava nisso: enquanto dizia, passava um dedo pela verga mole dele, brincando com a camisinha usada, como se custasse soltá-lo.
— Vou te esperar até você se cansar dele — disse Damián, enquanto amarrava a toalha na cintura.
Minha mãe o beijou mais uma vez, tempo demais para ser despedida, e saiu para se arrumar no escritório, ainda com as pernas bambas. Eu permaneci no armário, com o coração retumbando, até ter certeza de que o penthouse estava vazio.
***
Saí do quarto e quase tive um troço: Damián estava à porta, me esperando, ainda com a toalha e um sorriso de canto. Ele me tinha visto entrar antes deles. Neguei tudo, tentei inventar uma desculpa, mas ele foi me encurralando com perguntas até eu acabar confessando que estivera escondida no armário e tinha visto tudo.
Pensei que ele ia ficar bravo. Em vez disso, riu. Me fez entrar na sala, me serviu um refrigerante e, com uma tranquilidade que me desmontou, disse que não tinha problema, que de onde ele vinha espiar os mais velhos era quase um rito de passagem. Perguntou pela minha mãe, pela vida dela, por Marco. E foi aí, sem que eu tivesse planejado totalmente, que começou a ser cozido o que de verdade mudou aquele verão.
Porque eu também estava cansada de ver minha mãe apagada por causa de um homem que já a tinha esquecido. Contei a Damián tudo o que sabia: que Marco não respondia, que estava com outra, que minha mãe fingia ser forte e por dentro estava morrendo. Disse que, se ele realmente gostasse dela, tinha que provar que era diferente. Que um buquê de flores, uma palavra gentil, um gesto, valiam mais do que toda a sua corpulência.
— Você me ajuda a fazer ela largar ele — ele disse, já cúmplice —, e eu cuido do resto.
Fechamos o trato como dois conspiradores. Eu plantaria dúvidas sobre Marco; ele daria a ternura que faltava à minha mãe. Desci para a recepção e fingi que acabara de chegar da faculdade, encenando uma inocência que eu já tinha perdido naquela mesma tarde.
***
O plano funcionou melhor do que eu imaginei. Naquela tarde chegou à recepção um buquê enorme de rosas vermelhas com um cartão assinado por Damián. Vi o rosto da minha mãe mudar: primeiro a esperança, depois uma decepção mal disfarçada ao perceber que não era de Marco, e por fim um sorriso tímido, lisonjeado apesar dela mesma.
— Gosto muito do Damián — soltei, num tom inocente —. Ele sempre pergunta por você.
Ela me olhou surpresa. Achava que eu tinha medo daquele homem gigantesco. Assegurei que ele era um amor comigo, que até me prometia um sorvete se eu me comportasse. E, como quem não quer nada, mostrei a última foto de Marco: ele, num restaurante, beijando a garota dos stories dele. O sorriso da minha mãe sumiu na hora.
Ao meio-dia, sentamos nós três para almoçar no bar do hotel. Fiz de ponte, falando qualquer coisa para quebrar o gelo, e quando percebi que eles estavam à vontade inventei uma vontade de sorvete e os deixei sozinhos. Me escondi atrás de uma coluna, com os fones nos ouvidos e o celular gravando sobre a mesa.
— Obrigada pelas rosas — minha mãe dizia —. Foi um gesto lindo. Mas aquilo não pode se repetir.
— Eu sei — respondeu Damián —. E, ainda assim, vou te esperar. Mesmo porque, toda vez que te vejo, penso em como você gemia de manhã com a minha rola dentro de você.
Minha mãe ficou vermelha até as orelhas e olhou para a cozinha para se certificar de que eu não voltava.
— Não fala isso aqui…
— Por quê? Tá molhando a boceta de novo?
Ela fechou os olhos por um segundo, engoliu em seco e não respondeu. Depois se inclinou e lhe deu um beijo pequeno, rápido, nos lábios. Não precisava de mais nada. Para uma mulher que jurava que aquilo não se repetiria, era uma rendição completa.
***
Naquela noite, do meu quarto, voltei a ouvir a ligação dela com Renata. Minha mãe chorava, amaldiçoava Marco, confessava que se sentia idiota por ter rejeitado Damián dizendo que tinha namorado. Renata, fiel ao estilo, foi direta.
— Você gosta dele ou não gosta? — perguntou.
— Gosto — admitiu minha mãe, por fim —. Gosto desde o primeiro dia. E não sei como tirá-lo da cabeça.
— E o que ele tem de tamanho?
— Renata, porra…
— Me diz. O que ele tem de tamanho?
— Enorme — sussurrou minha mãe, com a voz tremendo —. Enorme e duro e me fez gozar três vezes hoje de manhã.
— Então para de se torturar. Sobe e descobre logo isso. Sobe agora mesmo e deixa ele te meter na garganta de novo.
Ouvi ela desligar, levantar-se, arrumar o cabelo diante do espelho. Saí correndo antes dela, atravessei o corredor e avisei Damián. Depois me enfiei, pela última vez, no meu posto dentro do armário, enquanto ele deixava a porta entreaberta e fingia estar dormindo.
Minha mãe entrou sem bater. Encontrou-o deitado na cama, com o lençol enrolado na cintura, e sem dizer uma palavra começou a se despir no centro do quarto. Tirou a blusa, a saia, a calcinha. Ficou nua aos pés da cama e esperou que ele abrisse os olhos. Quando ele abriu, foi ela mesma que puxou o lençol dele. Ele já estava duro. Ela subiu em cima dele, agarrou a rola com a mão e a colocou devagar, se deixando cair centímetro por centímetro até enterrá-la inteira. Soltou um longo suspiro quando chegou ao fundo.
— Dessa vez sem camisinha — pediu, com a voz quebrada —. Quero sentir você de verdade.
— Tem certeza?
— Me fode. Me fode como hoje de manhã. Não me faz pensar.
Dessa vez não houve discussão, nem desculpas, nem traço de Marco. Só duas pessoas que vinham adiando o inevitável há dias. Ela se moveu sobre ele com as mãos apoiadas no peito dele, cavalgando devagar no começo, depois cada vez mais forte, deixando cair o peso de todo o corpo para cravá-la até o fundo. Damián agarrava os seios dela, apertava-os, chupava-os sempre que ela se inclinava para a frente. Depois a virou, colocou-a de bruços com os quadris erguidos, e a penetrou por trás, tão fundo que ela precisou morder o travesseiro para não acordar o andar inteiro.
Eu a vi se render de um jeito diferente do da manhã: não por surpresa, mas por decisão. Ela chorou um pouco, não de tristeza, mas de alívio, como quem enfim solta algo que vinha carregando demais. E quando ele terminou de gozar dentro dela, apertando-a contra o colchão, minha mãe sussurrou, mordendo os lábios:
— Isso você não conta pra ninguém. E não para de fazer isso comigo.
Saí do armário quando os dois dormiam, exaustos, com os lençóis encharcados e o cheiro de sexo tomando o quarto. Voltei para o meu quarto na ponta dos pés, sentei na cama e fiquei pensando no que eu tinha feito. Não me sentia culpada. Minha mãe tinha recuperado aquela faísca, e eu, de um jeito torto, tinha ajudado a acendê-la.
Aquele foi o verão em que parei de ver minha mãe apenas como mãe e comecei a entendê-la como mulher. O que vi daquele armário eu nunca contei a ninguém. Até hoje.

