Confesso o que vivi naquele fim de semana de chuva
Acordei com o cheiro de café e soube que aqueles dois dias trancado com ela, enquanto chovia lá fora, ficariam gravados em mim para sempre.
Acordei com o cheiro de café e soube que aqueles dois dias trancado com ela, enquanto chovia lá fora, ficariam gravados em mim para sempre.
Eu não usava nada sob a pollera quando bati na porta daquele vagão enferrujado. Só queria um homem. Não imaginava que o capataz apareceria para impor suas regras.
Quando ela me disse que fazia anos que não sentia prazer no sexo, o normal teria sido me despedir. Em vez disso, levei a mão à perna dela e ela não a afastou.
Daniel dormia no banco da frente enquanto, a um metro dali, o tio e a namorada compartilhavam a cama estreita do caminhão. E Noelia já não queria dormir.
Sempre o evitei por ser calado e estranho. Até que um empurrão no metrô me fez descobrir o que ele escondia sob aquela roupa enorme, e eu nunca mais consegui pensar em outra coisa.
Me usaram de mula e caí por causa de uma mala que eu nem sabia que levava. Lá dentro, descobri que a única moeda que valia alguma coisa era o meu próprio corpo.
Quando ele ficou para praticar algumas posturas, notei o jeito como me olhava. Eu estava há meses sem um parceiro e meu corpo decidiu por mim muito antes da minha cabeça.
A gente se cruzava por acaso havia trinta anos. Naquela tarde chuvosa, na fila da farmácia, ela me olhou de um jeito diferente. E eu também.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Subi para ver por que a moça do quarto do fundo gritava. Não imaginei que ela fosse soltar a toalha e me pedir que olhasse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Elas chegaram ao rancho procurando um colchão para passar a noite. O que não esperavam era a história que os dois irmãos guardavam havia anos, nem a vontade com que iriam contá-la.
O frio quase a matou na montanha. Quando acordou, estava enrolada numa manta diante do fogo, e o homem que a salvou a olhava como se ela fosse a única coisa viva a quilômetros.
Passei doze meses carregando refletores e odiando minha vida. Nessa madrugada, ao lado da fonte, uma desconhecida pediu que eu a fotografasse como ninguém jamais ousou.
Ela passava anos sovando pão com os olhos no chão, até que numa tarde de verão ficou a sós com o homem que a olhava de outro jeito.
Nunca tinha entrado num sex shop, ela me disse. Entramos juntos numa cabine e, entre gemidos na tela, ela me pediu algo que eu jamais imaginei ouvir da sua boca.
Mateo acabava de expulsar a mulher do restaurante quando bateram na porta do escritório. Era a garçonete tatuada, e ela não vinha falar das contas do dia.
Na curva não apareceu um guincho moderno, mas um caminhão enferrujado e um homem enorme que cheirava a campo. E eu soube, antes que abrisse a boca, como ele ia nos cobrar.
Eu lhe ofereci trabalho e um teto, nada mais. Mas naquela primeira noite na casa do rio nenhum dos dois fingiu que aquilo ainda era só um acordo.
O que começou como uma massagem paga num motel de interior virou algo que minha amiga e eu juramos nunca contar a ninguém.
Eu tinha vestido a saia mais curta que tinha, e quando aquele universitário apoiou a mão na minha coxa, soube que a viagem seria muito mais longa do que dizia a passagem.