A piscina da Carolina e a sunga que eu esqueci
A Carolina dizia que estava cansada dos homens. Mas quando baixei a calça ao lado da piscina dela, os olhos dela não saíram de mim nem por um instante.
A Carolina dizia que estava cansada dos homens. Mas quando baixei a calça ao lado da piscina dela, os olhos dela não saíram de mim nem por um instante.
Tenho a bochecha colada ao azulejo frio e não me lembro do rosto dele, só do ritmo com que entra e sai de mim enquanto as mãos dele me seguram a cintura.
Três dias na praia, cinco amigas e um celular que nunca desligou. Eu achava que estava entre risadas inocentes; outros viam um espetáculo.
Dirigia à noite transformada em outra mulher e ninguém sabia. Bastou um descuido numa parada para que ele descobrisse quem eu era de verdade.
Naquela manhã raspei as pernas, calcei as plataformas brancas e saí do carro sabendo que todo mundo na rua ia me olhar. E olharam mesmo.
Sou casada. Sou hétero. Era isso que eu era quando entrei no banheiro do shopping. O que eu era quinze minutos depois, já não tenho tanta certeza.
Mandei «Quer brincar?» do meu provador. Cinco segundos depois, me enfiei no dela, pronta para fazê-la gozar em silêncio antes que a atendente percebesse.
Encontrei-a mordendo o lábio diante do espelho, de biquíni e com a virilha já molhada. Eu não ia esperar ela ficar pronta.
Entrei no banheiro como um homem e saí com um minivestido e plataformas. Minha namorada me esperava na sala com três desconhecidos e um sorriso que dizia tudo.
Usava minissaia, meias pretas e óculos de sol que me impediam de saber quando ela me flagrava. Até que parou de disfarçar e começou a brincar comigo.
O recepcionista piscou para ele ao entregar a toalha. Aquele gesto foi só o começo: em cada sala, um corpo diferente e uma tesão nova o esperavam.
Desci do ônibus com a cabeça quente e as calças apertadas. Sabia por que ia ao baldio, mas não que sairia fodido três vezes seguidas.
Quando Diego fechou a porta da van e desapareceu em direção às luzes do supermercado, eu soube que tinha meia hora para fazer tudo o que vinha imaginando havia meses.
Mateo fez um gesto com a cabeça e subiu as escadas. Eu o segui sem pensar, sabendo que a namorada dele era minha melhor amiga e que nada mais podia nos deter.
Desceu para o restaurante sem calcinha e sem sutiã. Dizia que não sabia o que estava acontecendo com ela, mas eu começava a entender: naquele dia, iria cruzar todos os limites.
Cheguei cedo à piscina com um biquíni que deixava pouco à imaginação. Queria saber se a garota do sorriso safado topava algo a mais.
Meus amigos passeavam rindo entre vitrines. Eu parei diante da dela e, pela forma como me devolveu o olhar, soube que aquela noite não era para eles.
Subi na van de um grupo de gringos sem pensar duas vezes. Meu namorado levaria dez minutos para voltar do supermercado. Eu só precisava de um.
Quando chegamos naquela noite, minha mulher já estava com o plug enfiado. O que não esperávamos era cruzar com um garoto de dezenove anos que mudaria a rotina.
Quando me inclinei pela janela do carro para ver se minha irmã ainda estava acordada, descobri ele na janela, fumando. E soube que não ia desviar o olhar.