A ordem que ela cumpriu no banheiro da cafeteria
Eu a chamei às seis com uma única condição: saia curta e a lingerie que eu escolhesse. O resto eu decidiria quando ela cruzasse a porta.
Eu a chamei às seis com uma única condição: saia curta e a lingerie que eu escolhesse. O resto eu decidiria quando ela cruzasse a porta.
Subi de robe, descalça e furiosa, disposta a gritar com ele. Ele abriu a porta, me olhou de cima a baixo e eu soube que era eu quem estava encrencada.
Quatro manchas violáceas nos meus quadris tinham o formato exato dos dedos dele. Vesti-me como uma executiva impecável, mas os dois sabíamos a quem meu corpo já pertencia.
Conectamos durante semanas por uma tela, mas e se, ao vivo, não sobrar nada daquela faísca? Então o vi cruzar o bar e meu corpo respondeu antes da minha cabeça.
Eu era o cara sério do terno e do utilitário. Bastava uma mulher me desafiar com o olhar para o animal despertar, e aquela feira de interior o soltou de vez.
Sentei no centro da sala fingindo ser uma paciente inconsciente. Ninguém sabia que, a cada mão que me imobilizava, eu me desfazia por dentro pensando nele.
Saí decidida a fazer com que ele me visse com outros, mas acabei entre dois carros, numa rua vazia, me deixando usar por alguém que eu mal conhecia.
Saí da academia com a mesma roupa de sempre e todos os olhos em cima de mim. Naquela noite entendi que não queria mais esconder o quanto me excitava ser desejada.
Sei que deveria sentir vergonha, mas, naquela hora, apertada contra corpos que não conheço, deixo de fingir que o roçar é um acidente.
Voltei ao colégio naquela tarde com a desculpa de estudar na biblioteca, mas nenhuma de nós ia abrir um único livro. Íamos por eles.
Eram seis da manhã e ele me olhava pelo retrovisor como se já soubesse o que eu ia permitir. Isso aconteceu de verdade e eu não me arrependo de nada.
Sempre achamos que ninguém nos via. Foi essa mentira que contávamos a nós mesmos o começo de tudo o que veio depois, noite após noite.
Naquela segunda-feira a academia estava quase vazia. Eu só queria tomar banho em paz, mas entrei pela porta errada… e ele já estava lá, me olhando sem dizer nada.
Damián vinha a cada três dias; Adrián apareceu na sexta com sua moto. Nessa semana, descobri até onde eu era capaz de ir quando ninguém me via.
Minha amiga me prometeu uma noite de fantasias e descontrole. Vesti a fantasia mais ousada da sex shop e saí sem imaginar o que me esperava naquele bar.
Ninguém na festa suspeitava de nada: para todos nós éramos só amigos. Mas naquela madrugada Adrián desviou o carro para a fazenda na colina, e eu soube que já não íamos mais fingir.
Sempre disse a mim mesma que meus deslizes eram culpa do álcool. Nessa manhã, sóbria e em plena luz, soube que eu estava me enganando.
Estacionei ao lado do carro dela sem saber que minha tarde livre acabaria com ela subindo no meu, no canto mais escuro do estacionamento.
Juro que é uma história real, daquelas que não se contam em voz alta. Ela surgiu entre os arbustos quase nua, me pediu fogo e o resto veio sozinho.
Sempre tive nojo de banheiros públicos, mas naquele dia não tive escolha. O que eu não imaginava era o que encontraria ao voltar correndo pelo celular que tinha esquecido sobre a caixa d’água.