A noite em que saí à rua vestido de mulher
Me olhei no espelho com a lingerie dela, os saltos e os lábios pintados, e soube que não podia ficar em casa. Eram duas da manhã.
Me olhei no espelho com a lingerie dela, os saltos e os lábios pintados, e soube que não podia ficar em casa. Eram duas da manhã.
Fazia meia hora que eu o olhava de soslaio quando ele me falou. Atrás das rochas, nenhum dos dois tinha intenção de voltar a se vestir no resto da tarde.
Subi para o segundo andar do ônibus achando que dormiria as sete horas seguidas. Trinta minutos depois, um rosto surgiu entre os assentos e me perguntou para onde eu ia.
Quando o biquíni dela escorregou na beira da água e os homens da praia começaram a olhar, ela não o ajeitou. Só passou a andar mais devagar.
Sandra tirou a calcinha no banheiro do bar e a colocou na minha mão. Úmida, quente. Naquele instante, soube que não haveria volta.
Eu a vi surgir ao fundo da rua e soube que aquela noite não seria como as outras. Ela não tinha vindo para conversar.
Marcos era voyeur e passava anos querendo vê-la com outro homem. Na tarde em que tentaram pela primeira vez, dois desconhecidos no restaurante mudaram tudo.
Caminhei sozinha por ruas escuras, com a raiva de quem acabara de ver o namorado com outra. Não procurava nada. E, ainda assim, encontrei algo.
Ele voltou da corrida no fim da tarde e a encontrou nas dunas. Ela não estava sozinha. Nunca esteve.
Nunca paguei por sexo, ou era o que eu pensava. Naquela noite, no terreno abandonado, aprendi que o desejo não pergunta antes de agir.
Foi a noite em que fui mais longe sozinha e sem uma peça de roupa. Cães, homens, motos e o parque central: vi tudo com a pele nua.
Foi quando ela me pediu que eu abrisse o vestido. Só isso. Depois tranquei a porta, e tudo mudou.