Para ficar, ele teve que deixar de ser homem
O silêncio que se seguiu foi mais pesado que qualquer palavra. Diego, de joelhos entre os restos de uma noite que não lhe pertencia, não sentia raiva. Sentia o vazio frio de quem compreende, pela primeira vez, que perdeu algo que nunca poderá recuperar.
O medo era simples e preciso: perder a casca da sua vida. O respeito da família, seu cargo na agência de comunicação, a imagem que durante anos construíra com tanto cuidado. Esse medo era maior que o amor-próprio. Maior também que a dignidade.
—Não faz isso —sussurrou, com a voz quebrada—. Não peça o divórcio. Eu aceito o que for. Serei o que você quiser. Mas não me destrua.
Elena, que já limpava a maquiagem diante do espelho com movimentos lentos e deliberados, parou. Olhou para ele através do vidro. Um sorriso tranquilo, quase compassivo, surgiu em seu rosto. Ainda tinha as coxas brilhantes de sêmen seco, dois rastros esbranquiçados descendo pela parte interna até o joelho, e a boceta inchada e vermelha da sessão que Diego interrompera ao chegar cedo demais. Não se deu ao trabalho de fechar as pernas.
—Para ficar —disse—, você tem que deixar de ser meu marido. Você passa a ser minha responsabilidade.
Virou-se no banco e abriu as pernas por completo, apoiando um pé descalço na beirada da cama. A boceta se abriu como uma flor molhada, com o sêmen de Rodrigo pingando devagar sobre o lençol.
—Vem aqui —ordenou—. Se vai ficar, começa agora. Me limpa com a língua. Tudo. Quero que você engula até a última gota do que ele deixou dentro de mim.
Diego, ainda de joelhos, avançou de quatro sobre o carpete. Enfiou o rosto entre as coxas da mulher e mostrou a língua. Tinha gosto de outro homem, denso, salgado, com aquele cheiro de pau alheio que gruda na garganta. Chupou devagar, percorrendo cada dobra, engolindo o que lhe caía na boca. Elena agarrou seu cabelo com as duas mãos e afundou o rosto dele ainda mais contra a boceta, esfregando-se sem pressa.
—Mais fundo, querido. Enfia até o fim. Quero sentir você limpando por dentro o que outro me encheu.
Diego obedeceu. A língua dele se meteu tão fundo quanto pôde, buscando o sêmen morno que restava dentro da boceta da esposa. Elena gemia baixinho, com uma risada entrecortada, enquanto montava no rosto dele até gozar de novo, apertando as coxas ao redor das orelhas de Diego e encharcando-o inteiro de secreção misturada com a porra de Rodrigo.
—Bom menino —murmurou, dando-lhe um tapa na bochecha molhada—. Esse vai ser seu lugar agora.
***
A capitulação formal aconteceu no dia seguinte, no escritório de Rodrigo. Elena chegou com um vestido justo que deixava os ombros à mostra, e Rodrigo, o diretor da agência e amante de Elena desde meses antes, tirou debaixo da mesa uma maleta de couro preto. Diego a conhecia: era de uma marca cara que ele nunca poderia pagar.
Lá dentro não havia documentos.
—Um detalhe —disse Rodrigo, dando um tapinha na bochecha de Diego com uma intimidade que queimava—. Para que toda vez que você a olhar, entenda como isso funciona agora.
A máquina de tatuagem levou quase duas horas. Diego teve de segurar a pele da lateral da esposa enquanto Rodrigo, com uma precisão que revelava prática, gravava cada linha. O zumbido da agulha atravessava o escritório e ricocheteava nos diplomas nas paredes. No meio da sessão, Rodrigo baixou a calça sem dizer nada, tirou o pau — grosso, escuro, com veias salientes — e o enfiou na boca de Elena enquanto continuava tatuando com a outra mão. Ela chupava em silêncio, de olhos fechados, sem parar de oferecer a lateral para a agulha. Diego segurava a pele. Via o pau de Rodrigo entrar e sair da boca da mulher, ouvia o estalo úmido da língua contra a glande, e não soltava a pele.
—Aprenda a olhar sem desviar os olhos —disse Rodrigo, sem parar de tatuar—. Você vai olhar muito a partir de agora.
Quando terminou a tatuagem, Rodrigo gozou na boca de Elena, segurou-lhe a mandíbula para que ela não engolisse e a fez cuspir o sêmen na palma aberta de Diego.
—Engole —ordenou.
Diego lambeu a própria mão até deixá-la limpa. Elena trazia no lado direito uma marca fresca e inflamada: as letras HW no centro de um coração de tinta preta, ladeadas por duas linhas finas. Um código que qualquer um pertencente àquele mundo saberia ler sem precisar de explicação.
—Agora —disse Elena, puxando o vestido para baixo com calma, com os lábios ainda brilhantes—, toda vez que você me cuidar, vai ver isso. É o lembrete de que não há volta.
Diego assentiu. Não disse nada.
***
Os meses que se seguiram tinham sua própria lógica. Diego cozinhava quando Elena trazia visitas, recolhia os copos, trocava os lençóis manchados de gozos alheios, esperava. Aprendeu a distinguir o som dos passos de Rodrigo no corredor, a calibrar o volume da música que Elena colocava conforme a noite que planejava. Tornou-se um homem invisivelmente presente, indispensável nos detalhes domésticos e dispensável em todo o resto.
Era organizado em sua resignação. Mantinha o telefone no silencioso desde as nove da noite. Aprendeu a não entrar no quarto sem bater, mesmo sendo o quarto dos dois. Quando entrava para levar toalhas, via a mulher com as pernas abertas, o rabo erguido, dois paus dentro ao mesmo tempo, e deixava as toalhas dobradas sobre a cômoda sem fazer barulho, como quem põe um cesto de frutas na cozinha.
Até que Elena propôs as férias.
—Zahara —disse, com aquele tom que já não admitia resposta—. Uma semana. Só nós dois.
Só nós dois. Diego repetiu essas palavras durante o trajeto pela estrada, durante a descarga do carro diante da casa alugada, durante o primeiro jantar com vista para o Atlântico. Talvez o mar pudesse fazer o que ele não soubera: limpar alguma coisa.
A casa era branca, térrea, com uma varanda da qual se via o oceano entre as dunas. Diego deixou as malas no quarto sem comentar que trouxera o travesseiro dela, o que tem a fronha azul que a ajuda a dormir.
Nos dois primeiros dias, Elena foi diferente. Não completamente, mas sim nas bordas: deixou que ele escolhesse o restaurante numa noite, adormeceu apoiada no ombro dele diante da televisão. Diego se permitiu uma esperança pequena.
Não reparou que ela passava as sestas no quiosque da praia. Não viu o biquíni que usava, o mínimo de tecido verde que deixava a tatuagem completamente exposta ao sol e aos olhos de qualquer um que soubesse o que procurar.
***
No terceiro dia, Diego decidiu sair para correr ao entardecer. Era um ritual antigo, de quando ainda acreditava que o movimento físico podia organizar os pensamentos.
—Volto em uma hora —disse da porta.
Elena estava lendo. Não ergueu os olhos.
Correu pela beira-mar por quarenta minutos, com a água fria respingando nos tornozelos e o sol afundando atrás dele. As dunas do parque natural formavam um labirinto de areia branca e pinheiros anões, e Diego tomou o caminho de volta por dentro, longe da água, onde a trilha se tornava estreita e o barulho do mar se amortecia entre as árvores.
A trilha cheirava a resina e sal. A areia entre os pinheiros era mais fina, mais fria que a da beira-mar. Diego já tinha corrido ali antes, anos atrás, com outro casamento e outra versão de si mesmo.
Foi nesse trecho que ouviu.
De início pensou no vento. Depois em animais. Mas o ouvido reconhece certos sons sem precisar que o cérebro os processe: o ritmo particular dos corpos, as expirações curtas do esforço, o estalo úmido de um pau entrando e saindo de uma boceta encharcada, a voz grave de alguém que não consegue se conter.
Diego diminuiu o passo.
A duna estava a uns trinta metros da trilha, atrás de uma fila de pinheiros que cortava a brisa. Bastou espiar entre dois troncos.
***
Elena estava de quatro na areia, com os joelhos afastados e as costas arqueadas, o rabo bem alto oferecido ao ar da tarde. O biquíni verde tinha desaparecido em algum momento da tarde. A tatuagem HW brilhava em sua lateral sob o último sol do dia, ainda vermelha, como se nunca acabasse de cicatrizar de todo. A boceta e o cu, os dois buracos, estavam abertos, inchados e brilhantes de saliva e sêmen.
Havia quatro homens. Talvez cinco. Diego parou de contar.
Um a comia por trás, segurando-lhe os quadris com as duas mãos, enfiando até os ovos com um ritmo brutal que fazia toda a carne do rabo de Elena tremer a cada investida. Outro tinha o pau na boca dela, tão fundo que seus olhos estavam vidrados e um fio espesso de saliva e pré-gozo escorria do queixo até os seios. Um terceiro, ajoelhado ao lado, tinha pegado a mão dela e a usava para se masturbar contra a palma. Um quarto esperava de pé, com o pau duro na mão, olhando para Diego, que seguia imóvel entre os pinheiros, sem ter tomado ainda nenhuma decisão.
O que a comia por trás rosnou, cerrou os dentes e afundou o pau até o fundo. Diego viu com clareza como o cu do homem se contraiu no momento de gozar, como Elena empurrava o quadril para trás para recebê-lo inteiro, e como, ao sair o pau, um jato grosso de sêmen escorria da boceta aberta até a areia.
—Caralho —disse o homem que olhava para os pinheiros, sorrindo devagar—. Acho que temos plateia.
Os outros pararam. O que tinha o pau na boca de Elena se retirou devagar, deixando um rastro de saliva sobre os lábios dela. Elena ergueu a cabeça e passou o dorso da mão pela boca, sem deixar de sorrir.
Diego não fugiu. Esse foi seu primeiro erro, ou talvez o único momento de honestidade absoluta que teve em toda aquela história: não fugiu. As pernas não lhe obedeceram ou seu corpo decidiu sem consultá-lo.
Outro dos homens se levantou e caminhou na direção de Diego com aquela confiança de quem passa a tarde inteira ganhando. Era moreno, com os ombros largos de quem treina de verdade e a pele tostada de alguém que passa muito tempo ao ar livre. Tinha o pau duro e brilhante, apontando para Diego enquanto caminhava. Parou a dois metros.
—Calma —disse, num tom que não tinha nada de tranquilizador—. Ninguém te obriga a nada. Mas, se você vai ficar olhando, pelo menos chega perto para que ela veja sua cara.
Diego desceu para a areia.
***
Depois ele não soube por que fez aquilo. Talvez tenha sido o impulso de estar presente na própria humilhação, de não ser o personagem que se esconde atrás de uma árvore na história de outra pessoa. Os homens o receberam com tapinhas nas costas e aquela linguagem física dos vestiários masculinos que funciona igual entre desconhecidos.
—Olha como estão comendo ela —disse um—. Essa não para. Está assim desde as seis. Já engoliu três gozos e ainda quer mais.
—E no cu também —acrescentou o moreno, com orgulho profissional—. Enfiamos dos dois lados ao mesmo tempo. Nem piscou.
Diego se colocou diante de Elena. Ela demorou alguns segundos. Estava concentrada em outra coisa: o homem que a comia por trás tinha voltado ao seu lugar, empurrando o pau para dentro devagar, até o fundo, e Elena movia o rabo em círculos para recebê-lo. Um quarto se ajoelhou ao lado dela e enfiou o pau na boca dela por cima, puxando-lhe o cabelo. Ela os recebia aos dois com uma fluidez de anos, a garganta e a boceta trabalhando ao mesmo tempo.
Então ergueu os olhos para Diego, sem tirar o pau da boca.
Não se assustou. Não gritou. Não demonstrou vergonha.
Sorriu com a boca cheia.
Quando o homem tirou o pau da boca dela, um fio longo de saliva ligou a glande ao lábio inferior de Elena. Ela passou a língua pelos lábios com calma, engoliu e respirou fundo. O sorriso continuava ali, exato, calculado ao milímetro, dizendo tudo o que vinha dizendo havia meses sem palavras: que aquilo era exatamente o que ela queria, que ele estava exatamente onde ela esperava que estivesse, e que a única surpresa era ele ter demorado tanto para aparecer.
—Meninos —disse Elena, com a voz um pouco rouca, mas completamente dona de si, enquanto o que estava atrás continuava a lhe arrombar a boceta com golpes secos que faziam seus seios tremerem—, vou apresentar alguém.
Os homens pararam, curiosos. O que a penetrava diminuiu o ritmo, mas não saiu: ficou ali, metido até o fundo, com as mãos nos quadris de Elena.
—Este é Diego. —Fez uma pausa perfeita—. Meu marido. O que paga o aluguel desta casa.
O silêncio durou exatamente dois segundos.
Depois veio a risada. Não totalmente cruel, mas tampouco inocente: era a risada de quem recebe uma informação que reorganiza tudo e a encontra exatamente no lugar. O homem mais alto se curvou para a frente. Outro sacudiu a cabeça como quem ouve uma história impossível. O que a tinha enfiado até os ovos soltou uma gargalhada e deu em Elena um tapa sonoro no rabo, deixando a marca vermelha da mão.
—Sério? —disse o moreno, olhando para Diego com uma expressão que oscilava entre incredulidade e algo parecido com compaixão—. Cara. Você passou a semana inteira pagando o quiosque onde ela vem recrutando a gente.
—E o aluguel da casa onde vocês dormem hoje à noite —acrescentou outro, com um certo tom de admiração na voz, como se a situação o superasse.
—E ainda por cima ela nos convidou para subir depois —completou o que estava atrás, tirando o pau da boceta com um som úmido e enfiando de novo com um empurrão, arrancando de Elena um gemido longo—. Disse que tem uma cama grande e que quer testar com seis ao mesmo tempo.
Diego não respondeu. Não tinha resposta.
O homem que a penetrava acelerou o ritmo, ofegando, e gozou dentro com um rosnado, apertando-lhe os quadris até marcar seus dedos na pele. Ao sair, outro jorro de sêmen desceu da boceta de Elena. O moreno tomou seu lugar sem esperar, enfiando num golpe seco, e Elena arqueou ainda mais as costas. Olhava fixamente para Diego enquanto a comiam.
—Olha direito —disse ela, entre as investidas, com a voz entrecortada, mas sem perder o fio—. Olha como minha boceta está cheia. Olha como sai de mim.
Um dos homens se afastou do grupo e se aproximou de Diego. Pôs a mão em seu ombro e o empurrou para baixo, sem violência, com a naturalidade de quem distribui tarefas.
—Vamos lá, marido. Ajoelha ali atrás e lambe o que estiver caindo. Não vamos fazer nada com você, mas alguma coisa você tem que contribuir.
Diego se ajoelhou na areia, atrás de Elena, bem debaixo do rabo erguido que o moreno continuava a arrombar. Mostrou a língua. O sêmen caía em sua boca morno, espesso, misturado ao gosto da boceta encharcada da esposa. Engoliu. Mostrou a língua de novo. Toda vez que o moreno tirava o pau até a glande e o tornava a afundar, salpicava uma gota a mais de gozo alheio, que Diego recolhia com a língua sem fechar os olhos.
—Bom menino —murmurou Elena de cima, apertando o rabo para lhe espirrar mais sêmen no rosto—. Este é o seu lugar. Sempre foi o seu lugar.
Quando o moreno terminou, Diego teve de lamber também o pau dele, limpando-o até a base enquanto o homem lhe segurava a nuca com a mão aberta. Depois foi a vez do seguinte. E do seguinte. Elena não deixou de receber paus na boca e na boceta durante o que a Diego pareceu uma hora, e ele ficou de joelhos atrás dela, engolindo gozos que não lhe pertenciam, com o queixo brilhando e a boca cheia do gosto de outros homens.
Ao terminar, um dos homens colocou o telefone na mão de Diego com um gesto mecânico, como quem entrega uma ferramenta ao ajudante da obra.
—Grava as últimas —disse—. Pelo menos para alguma coisa você serve.
Diego olhou para o telefone. Olhou para Elena, que agora estava sentada sobre a cara de um dos homens, com a boceta aberta e o sêmen descendo pelas coxas, enquanto outro lhe chupava os peitos. Olhou as dunas brancas que se estendiam em direção ao mar na última luz. O som do Atlântico vinha abafado do outro lado, constante, indiferente a tudo.
Aceitou o telefone. Ligou-o. Começou a gravar.
Filmou a esposa gozando sobre uma boca alheia, com a língua de um desconhecido metida no cu e os dedos de outro na boceta. Filmou como ela se inclinava para trás para receber mais um pau entre os lábios, como engolia cada gota. Filmou o momento em que Elena, olhando diretamente para a câmera — diretamente para ele — abriu a boceta com os dedos para mostrar todo o sêmen que levava dentro, e sorriu.
***
Naquela noite, sob as estrelas de Cádiz, Diego entendeu que não existia o divórcio que imaginava, porque já não havia dentro dele o homem que poderia pedi-lo. Era só uma presença. Uma testemunha permanente. A pessoa que fecha a porta quando todos os outros vão embora.
Voltaram para a casa alugada às onze. Os cinco homens subiram com eles, como Elena havia prometido. Diego abriu a porta para eles, tirou as cervejas da geladeira, preparou as toalhas limpas sobre a cama grande. Depois sentou-se na poltrona do canto, com o telefone na mão, enquanto a mulher se ajoelhava de novo no centro do quarto e começava outra vez.
Filmou até quatro da madrugada. Quando os homens foram embora, Elena tomou banho, vestiu uma camiseta comprida e dormiu em cinco minutos, com a boca ainda vermelha e um fio de sêmen seco no canto dos lábios.
Diego sentou-se na varanda e ficou olhando o mar até amanhecer.