Como fui preparando-o para o meu jogo de dominação
Foi numa tarde morta, dessas em que o corpo pede barulho embora a casa esteja em silêncio, que decidi ter chegado o momento de retomar um jogo que havia deixado pela metade. Não era um capricho novo. Havia meses que ele rondava minha cabeça, crescendo com calma, tomando forma cada vez que eu me lembrava da expressão que ele fez na primeira vez em que me obedeceu de verdade.
Desde aquele encontro, soube que ele não era um homem a quem bastasse sexo correto, limpo, previsível. Podia se deitar com quem quisesse, podia conseguir atenção com um sorriso e uma conta bancária bem abastecida, mas, por baixo daquela segurança, tinha fome de outra coisa. Fome de que alguém lhe tirasse o controle e o obrigasse a se mostrar como realmente era.
Na primeira vez, não fui longe. Apenas o provoquei. Marquei um encontro com ele num hotel discreto, disse que roupa vestir e determinei, desde a porta, o tom que comandaria aquela noite. Ele obedeceu nervoso, curioso, com aquele medo excitado de quem acredita que ainda pode desistir, embora, na realidade, já esteja metido até o pescoço.
Fiz com que se ajoelhasse. Fiz com que sustentasse meu olhar enquanto eu lhe explicava as regras mais básicas: não interromper, não negociar no meio do jogo, não fingir uma coragem que ainda não tinha. Naquele dia, eu só quis lhe dar uma amostra. O suficiente para excitá-lo. O suficiente para que, depois, nenhuma foda convencional tirasse da cabeça dele o que havia experimentado comigo.
E funcionou.
Soube disso pelo modo como ele desapareceu por algum tempo. Homens como ele fogem quando alguma coisa os atinge fundo demais. Precisam se convencer de que continuam mandando, de que nada mudou para eles, de que podem voltar à rotina e continuar sendo os mesmos. Mas eu sabia melhor do que ninguém que ele já não era.
Depois, ele falhou. Marquei um segundo encontro e ele chegou atrasado, cheio de desculpas, achando que poderia compensar com charme. Deixei que falasse por dois minutos antes de mandá-lo de volta para o carro sem sequer tocá-lo. Aprendeu mais com aquela rejeição do que com qualquer carícia. Se eu marcava um dia e uma hora, eles seriam cumpridos. Sem perguntas. Sem condições. Sem aquele hábito dele de achar que o mundo se ajustava à agenda dele.
Então o soltei.
Deixei-o passar vários meses com a lembrança cravada no corpo. Imaginei-o buscando alívio em outras camas, tentando repetir sensações, fracassando. Porque, para ele, não se tratava apenas de gozar. O que precisava era da mistura de vergonha, desejo e obediência. Não precisava de uma mulher que o elogiasse, mas de uma que o observasse se desarmar e lhe ordenasse exatamente como fazê-lo.
Quando decidi reaparecer, não fiz isso com dramaticidade. Enviei uma mensagem breve, seca, sem cumprimento.
—Hoje à noite, onze em ponto. Sozinho. Quero um vídeo de um minuto seu se masturbando diante do espelho. Devagar. Sem gozar.
Ele respondeu cinco minutos depois.
—Sim.
Não perguntou mais nada. Foi aí que soube que finalmente estava pronto para aprender.
O vídeo chegou às onze e sete. Deixei-o suar por meia hora antes de abri-lo. Ele aparecia no banheiro do apartamento, com a camisa aberta e as calças na metade das pernas. Tinha o pau duro na mão, a respiração entrecortada, o olhar fixo no próprio reflexo. Tocava-se devagar, obedecendo a contragosto ao impulso de apertar mais, acelerar, gozar. Parou quando chegou à beira. As coxas tremiam. Gostei daquilo.
Respondi com outra ordem.
—Amanhã quero a mesma coisa, mas nu. E, dessa vez, você vai abrir o cu com os dedos enquanto se olha. Quero ver se realmente aprendeu a se preparar para mim.
Ele demorou mais para responder.
—Entendido.
No dia seguinte, fez melhor. Notei desde o primeiro segundo. Havia perdido parte do pudor e ganhado necessidade. Colocou-se diante do espelho completamente nu, com uma mão no pau e a outra descendo entre as nádegas. Separou a carne desajeitadamente no início, depois com mais segurança. Quando enfiou o primeiro dedo, soltou um gemido abafado e inclinou a cabeça. Não tirei os olhos da tela.
Ordenei que repetisse aquilo durante uma semana. A cada noite, uma prova. A cada noite, um novo limite.
***
Na terceira noite, ele já pedia mais sem dizer. No vídeo, isso se percebia no tempo que levava para se abrir, no modo como ficava com dois dedos dentro, respirando de boca aberta, no jeito como acariciava o pau apenas o suficiente para não perder a ereção. Respondi com um áudio. Queria que ouvisse minha voz enquanto obedecia.
—Amanhã você não vai se tocar na frente até eu mandar. Primeiro vai preparar o cu. Um dedo, depois dois. Devagar. Quero ver você mexer a cintura para engoli-los direito. E, se gozar sem permissão, tudo acaba entre nós.
A ameaça o excitou mais do que qualquer elogio. Notei isso no vídeo do dia seguinte. Estava com o pau rijo e brilhante sem quase tê-lo acariciado. Todo o esforço ia para o cu. Abriu-se com dois dedos, depois enfiou um terceiro com um gemido rouco que me fez sorrir. Vê-lo daquele jeito, obediente e necessitado, era exatamente o que eu vinha esperando.
Decidi elevar um pouco o nível.
—Reserve um quarto para sexta-feira —escrevi—. Enviarei o endereço. Você chega antes de mim. Nada de álcool. Nada de gozar até lá. Quero encontrá-lo sensível, carregado e com vontade de suplicar.
Dessa vez não houve atraso, dúvidas nem desculpas. Apenas uma mensagem.
—Já está feito.
Na sexta-feira, cheguei vinte minutos atrasada de propósito. Ele abriu a porta imediatamente, como se estivesse colado a ela, esperando o som do elevador. Vestia uma camisa escura e tinha o semblante tenso. Entrei sem beijá-lo. Deixei a bolsa sobre a mesa, percorri a suíte com um olhar lento e, por fim, olhei para ele.
—Tire a roupa.
Ele fez isso em silêncio. Primeiro a camisa. Depois o cinto, a calça, os sapatos. Quando ficou completamente nu, vi imediatamente que havia obedecido à minha última instrução: estava com o pau duro e pesado, a ponta úmida, os ovos tensos de tanto segurar. Baixei o olhar devagar e voltei aos olhos dele.
—Você gozou esta semana?
—Não.
—Nem uma vez?
—Nem uma vez.
Aproximei-me até ficar a um passo. Segurei seu pau sem delicadeza, apenas para verificar a dureza. Ele soltou o ar pelo nariz e cerrou o maxilar.
—Muito bem. Já está aprendendo.
Fiz com que se ajoelhasse ao lado da cama. Não lhe dei permissão para me tocar. Enquanto ele esperava com as mãos sobre as coxas, tirei a jaqueta, depois a blusa, com a calma precisa de quem sabe que cada segundo de espera é uma forma de controle. O olhar dele ia da minha boca ao meu decote e dali para o chão, como se não quisesse se arriscar a olhar para mim mais do que devia.
—Olhe para mim quando eu falar com você —disse.
Ele levantou a cabeça no mesmo instante.
—Hoje você vai me provar se merece continuar brincando comigo. Quero vê-lo se abrir para mim. Aqui. De joelhos. Sem esconder nada.
Ele tremeu de leve, mas obedeceu. Virou-se e apoiou os antebraços na cama. A posição o deixava exposto da maneira mais crua, as nádegas abertas sob a luz morna do quarto. Passou a língua pelos lábios, talvez de nervosismo, talvez porque soubesse exatamente o que viria.
—Abra-se bem.
Ele levou a mão entre as pernas e abriu o cu com os dedos, oferecendo-se sem elegância, sem pose, exatamente como eu queria. Aproximei-me por trás e cuspi na entrada antes de enfiar um dedo de uma vez. Ele estremeceu inteiro.
—Você gosta disso, não gosta?
—Sim.
—Não ouvi.
—Sim, eu gosto.
Movi o dedo dentro dele devagar no início, reconhecendo a tensão, a maneira como seu corpo tentava se contrair e se entregar ao mesmo tempo. Depois enfiei um segundo dedo e o fiz gemer de verdade, um som mais grave, menos contido, que saiu direto da garganta. Comecei a alargá-lo com paciência e firmeza, entrando e saindo, girando o pulso, sentindo como ele ia relaxando para mim.
—Isso. Relaxe. Se souber obedecer, tudo entra melhor.
Seu pau pendia duro sob ele, balançando de leve a cada movimento da minha mão. Ele não ousava se tocar. Acariciei seus ovos por um segundo com a outra mão e o fiz ofegar.
—Não tire as mãos de onde mandei.
—Sim.
—Sim, o quê?
—Sim, farei o que você mandar.
Retirei os dedos e cuspi nele outra vez, desta vez mais. Depois deslizei o terceiro. Ele reclamou com um som abafado, mas não se afastou. Pelo contrário, empurrou-se de leve para trás, pedindo. Aquilo me excitou mais do que eu esperava. Segurei-o pelos cabelos e o obriguei a levantar um pouco a cabeça.
—Olhe como você está se abrindo para mim. Há meses achava que podia impor condições. Agora está de quatro, esperando que eu enfie a mão. Aprenda a diferença.
—Eu sei.
—E o que você é aqui?
Ele engoliu em seco.
—O que você quiser.
Soltei seus cabelos e sorri. Aquela resposta me servia.
Baixei sua roupa íntima e me acomodei atrás dele. Tirei da bolsa um pequeno lubrificante e o abri devagar, deixando que ouvisse o clique da tampa. Derramei um jato frio entre suas nádegas e outro sobre um plug fino que havia levado para aquela noite. Quando o viu, ele gemeu antes mesmo que eu o tocasse.
—Está com medo?
—Não.
—Ótimo. Porque você vai engoli-lo inteiro.
Encostei-o na entrada do cu e comecei a pressionar. Ele entrou aos poucos, esticando-o com uma resistência deliciosa. Respirava entrecortado, agarrando o lençol com força. Quando a parte mais larga passou, soltou um grunhido e virou a cabeça para o lado. Enterrei-o até o fundo e dei um tapa seco numa nádega.
—Fique assim.
Coloquei-me diante dele e levantei seu queixo com dois dedos. Seu rosto estava vermelho de excitação, a boca entreaberta, os olhos brilhantes.
—Agora sim. Toque-se. Devagar.
A mão dele foi para o pau como se estivesse esperando por aquilo a noite inteira. Envolveu-o e começou a se masturbar num ritmo curto, mal controlado. O plug dentro do cu o obrigava a apertar, a se mexer, a buscar alívio. Eu o observava enquanto acariciava minha buceta por cima da saia, desfrutando do espetáculo.
—Mais devagar —ordenei—. Não dei permissão para você gozar.
Ele se obrigou a diminuir o ritmo. A mão tremia. O líquido transparente na ponta ficava cada vez mais abundante. Enfiei dois dedos na boca dele e ele os chupou sem pensar, com uma obediência que já não era pose, mas pura necessidade.
—Chupe-os direito. Isso. Quero essa mesma boca depois na minha buceta.
Enfiei-os mais fundo e ele os recebeu até a metade, gemendo ao redor deles. Arranquei o plug de uma vez. O cu se contraiu, vazio. Antes que pudesse processar aquilo, empurrei-o até a beirada da cama e sentei em seu rosto.
—Coma.
Ele não precisou de mais nada. Agarrou minhas coxas e enfiou a língua entre meus lábios com fome, com uma concentração desesperada que me arrancou um gemido. Lambia profundamente, devagar embaixo e rápido em cima, procurando o clitóris com precisão. Apoiei-me na cabeceira e comecei a mover a cintura sobre sua boca, usando a língua dele como queria, apertando seu rosto entre minhas pernas.
—Assim, seu puto. Não pare. Enfie-a direito.
Ele obedeceu, alternando língua e lábios, sugando, roçando-me exatamente onde eu mais precisava. Eu o sentia excitado sob mim, o pau preso entre o abdômen dele e o colchão, o cu ainda aberto e sensível. Cada som molhado de sua boca me empurrava cada vez mais para o alto.
Gozei com um espasmo forte, apertando a cabeça dele entre as coxas enquanto soltava um gemido longo e sujo. Não me afastei imediatamente. Deixei-o respirar meu calor por alguns segundos antes de me levantar. Seu rosto estava molhado e ele tinha uma expressão de fome quase humilhante. Adorei.
—Fique de pé.
Ele se levantou no mesmo instante. Virei-o, empurrei-o contra a parede e cuspi em sua boca antes de beijá-lo. Dessa vez, sim, eu o beijei com força, enfiando a língua, deixando-o provar na própria boca o sabor do que acabara de fazer. Ele gemia contra meus lábios. Mordi seu lábio inferior e segurei seu pau outra vez.
—Quer gozar?
—Sim.
—Ainda não.
Levei-o de volta à cama e fiz com que ficasse de quatro. Abri suas nádegas e vi como o buraco se fechava e se abria de leve, sensível, avermelhado, pronto. Passei mais lubrificante e enfiei dois dedos de uma vez. Ele empurrou-se para trás descaradamente, já incapaz de esconder o quanto desejava aquilo.
—Olhe como ele pede —murmurei—. Seu cu já sabe para quem se abre.
Enfiei três dedos e comecei a fodê-lo de verdade com a mão, entrando fundo, saindo e tornando a enfiá-los num ritmo cada vez mais brusco. Ele ofegava, dizia meu nome, engolia os gemidos no lençol. Dei-lhe outro tapa e depois mais um, alternando dor e penetração, vendo como cada golpe o deixava mais duro.
—Diga o que você quer.
—Quero mais.
—Isso não diz nada.
Ele virou a cabeça o suficiente para que eu pudesse ouvi-lo bem.
—Quero que você foda o meu cu. Quero que me use.
Finalmente.
Tirei da bolsa o arnês que havia levado enrolado e o deixei cair sobre a cama, para que ele o visse. A respiração dele mudou bruscamente. Era aquilo. Era isso que vinha esperando desde o início, embora não tivesse ousado dar nome. Vesti-o sem pressa, sustentando o olhar dele enquanto ajustava as tiras à cintura e entre as pernas. O pau de silicone, grosso e liso, ficou apontado para ele.
—Agora você vai entender para que eu estava preparando você.
Alinhei a ponta e a encostei na entrada do cu. Ele estava bem aberto pelos dedos, mas, ainda assim, a pressão o fez gemer. Empurrei pouco a pouco, deixando que a cabeça o vencesse primeiro. Suas costas se arquearam.
—Respire.
Ele agarrou os lençóis e obedeceu. Fui entrando centímetro a centímetro, sentindo a resistência ceder. Quando metade já estava dentro, ele soltou um gemido longo, mistura de incômodo e prazer bruto. Não recuei. Continuei empurrando até enfiá-lo quase por completo. Então fiquei imóvel, deixando-o sentir o peso, a invasão, a certeza de estar cheio.
—Olhe para você —disse, puxando seus cabelos para que levantasse a cabeça em direção ao espelho lateral do armário—. Quero que veja como eu o tenho.
Os olhos dele se fixaram no reflexo. Eu atrás, segurando-o pelos quadris, o arnês colado à minha pélvis, ele aberto para mim e tremendo.
Comecei a me mover devagar. Saía um pouco e voltava a entrar, cada investida mais profunda que a anterior. O som molhado do lubrificante e sua respiração entrecortada preencheram o quarto. Não demorou para que começasse a empurrar para trás em busca de mim, desesperado por mais atrito, por mais fundo.
—Quieto —adverti, dando-lhe um tapa mais forte na nádega.
Ele gemeu, mas ficou onde estava. Aproveitei para assumir o ritmo que eu queria. Investidas longas, firmes, golpeando seu cu com a pélvis do arnês. Cada vez que entrava até o fundo, ele soltava um gemido que já não tentava esconder. Baixei uma das mãos e comecei a masturbá-lo ao mesmo tempo.
Aquilo o destruiu.
—Porra... —escapou dele.
—Isso, porra. Era assim que eu o queria. Aberto, duro e sem salvação.
Apertei a mão em seu pau e acelerei o movimento do arnês. Fodia seu cu com investidas secas enquanto sacudia sua pica num ritmo constante, sem lhe dar trégua. Ele já não falava. Apenas gemia, ofegava, dizia “por favor” entre os dentes e empurrava a cintura contra minha mão.
—Não goze até eu mandar.
—Não aguento mais.
—Aguenta, sim. Aguente.
Soltei seu pau exatamente quando ele estava prestes a gozar e continuei apenas por trás. A mudança o fez reclamar de frustração. Segurei-o pela nuca e o obriguei a permanecer de quatro enquanto enfiava o arnês com força, repetidas vezes, fazendo o som de cada golpe contra suas nádegas ricochetear nas paredes. Já não havia nada de elegante na cena. Era exatamente como deveria ser: crua, suada, obscena, real.
Enfiei a mão por baixo do abdômen dele e apertei seus ovos.
—Vai se comportar?
—Sim.
—Vai vir quando eu quiser?
—Sim, por favor.
Voltei a segurar seu pau. Mais três investidas, profundas, duras. Quatro. Cinco. Notei como ele se retesou inteiro.
—Goze.
Ele gozou com um gemido selvagem, manchando o lençol em jatos enquanto eu continuava penetrando-o sem diminuir, prolongando seu orgasmo até torná-lo quase doloroso. Seus braços tremeram e ele terminou com a testa afundada no colchão, respirando como se tivesse acabado de sair da água.
Só então reduzi o ritmo e saí devagar. Seu cu se contraiu, vazio outra vez. Acariciei suas costas com a ponta dos dedos, não por ternura, mas como recompensa. Ele havia obedecido. Havia aprendido.
***
Depois, mandei-o ao banheiro para se limpar, e ele voltou ainda nu, mais dócil do que quando havia chegado. Ficou de pé ao lado da cama, esperando instruções. Aquela imagem me agradou quase tanto quanto o orgasmo.
—Venha aqui.
Ele se aproximou e fiz com que se ajoelhasse mais uma vez, dessa vez entre minhas pernas. Passei a mão por seus cabelos e deixei que descansasse a testa na minha coxa.
—Isso está apenas começando —disse—. Você não vai mais fingir que não quer isso. Cada prova serviu para chegarmos aqui. Para prepará-lo. Para ver se realmente se abriria como eu mandasse.
Ele assentiu sem levantar a cabeça.
—Eu sei.
—Não. Agora você sabe.
Fiz com que levantasse o olhar. Seus lábios estavam inchados, o rosto cansado e satisfeito, a expressão de um homem cujo desejo mais escondido finalmente havia recebido um nome. Não precisava me dizer que voltaria. Já estava viciado muito antes de atravessar aquela porta.
—Na próxima vez —continuei—, você vai chegar com o cu preparado desde casa. Quero que pratique com os dedos e com o plug. Quero disciplina. Quero vídeos. Quero vê-lo aguentar sem gozar até eu decidir.
—Sim.
—E, se falhar de novo, não haverá outra oportunidade.
Ele se inclinou e beijou minha coxa, devagar, com uma mistura exata de respeito e fome.
Eu sorri. Agora, sim, ele estava onde devia estar: não como o homem que achava que podia me tomar ou me deixar quando quisesse, mas como o corpo adulto e ansioso que finalmente aceitara aquilo de que precisava. Um homem de joelhos, com o cu treinado para mim, esperando a próxima ordem.
Quando saí do hotel, enviei-lhe uma última mensagem antes de entrar no elevador.
—Amanhã, diante do espelho. Quero vê-lo de quatro, abrindo-se para se lembrar de a quem pertencem seus desejos.
A resposta chegou antes que as portas se fechassem.
—Sim. Já estou pensando nisso.
Eu também.



