O motel onde minhas fantasias ganharam vida
Damián sabia que precisava sair da cidade antes de enlouquecer. Quatro reuniões numa manhã, doze e-mails sem resposta, um chefe que confundia urgência com pânico. Aos vinte e sete anos, fazia três que trabalhava como analista numa consultoria no centro, e a rotina tinha virado um cinto apertado demais. Sua fuga favorita sempre fora a mesma: uma vez por mês, às vezes duas quando o escritório o esmagava mais do que o normal, dirigia até algum motel discreto nos arredores e se permitia algumas horas que ninguém mais conheceria.
Não era falta de oportunidades. Damián era um homem atraente, com um corpo trabalhado na academia do bairro e um sorriso tímido que costumava funcionar nos bares do centro. Mas dividia apartamento com dois amigos do trabalho, as paredes eram finas e a ideia de brigar com o silêncio para não ser ouvido tinha tirado sua vontade fazia tempo. No motel, tudo era diferente: pagava em dinheiro, ninguém perguntava, ninguém lembrava. Era sua pequena cerimônia privada.
Nessa tarde particularmente cinzenta, depois de seu chefe pedir pela sexta vez que ele modificasse o mesmo relatório, Damián fechou o notebook sem salvar e pegou as chaves do carro. Dirigindo pela rodovia, sentiu os ombros irem baixando a cada quilômetro. Ele tinha lido resenhas enigmáticas num fórum sobre um lugar novo: «El Mirador del Silencio», um motel reformado com um toque retrô que prometia discrição absoluta. Pegou a saída na indicação quarenta e sete e seguiu por uma estrada ladeada de pinheiros até chegar à placa de neon vermelha e branca.
O recepcionista, um homem mais velho de óculos pequenos e barba malfeita, mal ergueu os olhos quando Damián deslizou as cédulas sobre o balcão.
— Quarto 217 —murmurou o homem, entregando-lhe uma chave de metal antiga com um chaveiro de couro gasto—. Aproveite.
Subiu as escadas que rangiam até o segundo andar. O corredor estava iluminado por lâmpadas amareladas que zumbiam suavemente, com um carpete vinho gasto no centro. Encontrou o 217 no fim, girou a chave e empurrou a porta devagar.
A primeira coisa que o atingiu foi a luz: um brilho quente entre vermelho e marrom que parecia respirar vindo de luminárias embutidas nas paredes. As sombras caíam em ângulos suaves sobre uma cama enorme, vestida com lençóis escuros de um material que parecia seda até mesmo da porta. Não era o motel barato que ele imaginara. Cheirava levemente a madeira velha e a um perfume floral que ele não soube identificar.
Deixou a mochila no chão e caminhou pelo quarto como quem revisa um palco antes da apresentação. Num canto, sobre uma cômoda de madeira escura, encontrou o que mais tarde lembraria como o verdadeiro motivo de sua surpresa: uma central audiovisual com três tipos de suporte. Fitas VHS antigas com etiquetas douradas alinhadas numa pequena prateleira; DVDs reluzentes empilhados com cuidado; e uma tela sensível ao toque que se acendeu com um zumbido suave quando ele se aproximou, oferecendo links para transmissões privadas. As resenhas do fórum o haviam descrito como «equipado para prazeres privados», mas aquilo parecia um achado pessoal, quase um segredo guardado pelo motel para os clientes certos.
Despediu-se da roupa devagar, aproveitando o processo. A camiseta primeiro, depois o cinto, o jeans caindo no chão com um baque surdo. Quando tirou a cueca boxer e se viu refletido no espelho grande da parede oposta, sentiu aquela mistura familiar de poder e vulnerabilidade. O corpo definido, os pelos aparados, as veias leves nos antebraços. Seu membro já estava semiereto antes mesmo de ele se tocar.
Deitou-se na cama e os lençóis o receberam como uma carícia. Pegou o controle da central e começou a explorar. Inseriu uma fita VHS ao acaso e a tela piscou até encontrar a imagem. A qualidade granulada o divertiu, aquele chiado de fundo característico das fitas velhas. Mudou para um DVD: nitidez perfeita, ângulos caprichados, o tipo de produção que fingia ser cinema. Tocou num link na tela sensível ao toque e abriu-se um menu dividido por temas, com miniaturas prometendo cenários específicos.
A mão esquerda desceu pelo abdômen quase sem pensar, encontrou seu pau e começou a se mover num ritmo lento, suave, sem pressa. Ele queria esticar o prazer o máximo possível.
***
Escolheu primeiro uma cena ambientada em Tóquio. A protagonista era uma mulher de pele pálida e cabelo negro longuíssimo, com um quimono entreaberto revelando mais do que escondia. A câmera demorava nos gestos dela: como mordia o lábio, como deixava o tecido cair de um dos ombros, como deslizava a mão pelo pescoço do homem que a acompanhava. Não havia pressa em nenhum enquadramento. Damián pensou que aquela lentidão era exatamente o que precisava depois de uma semana de correria absurda.
O casal se movia sobre um futon vermelho, as luzes de neon filtrando-se pela janela e pintando a pele com tons de fúcsia e azul. Ela se ajoelhou diante dele com uma lentidão insolente, afastou a roupa com os dedos e, sem tirar os olhos dele, levou-o à boca. Damián engoliu em seco; a língua da atriz percorria a glande em pequenos círculos úmidos, e depois descia devagar pelo comprimento, chupando, sugando, engolindo cada centímetro com um som obsceno de lábios molhados e respiração contida. O homem da cena segurou a cabeça dela com uma mão, sem apertar, guiando-a apenas um pouco, enquanto ela cuspia duas vezes na palma para lubrificar de novo o movimento. Damián ajustou a mão sobre seu próprio pau, copiando o ritmo que via, e um gemido baixo escapou quando a imagem mostrou ela abrindo mais a boca para recebê-lo até o fundo, a garganta se tensionando a cada investida lenta.
Trocou de cena. Agora um balcão parisiense, a Torre Eiffel iluminada ao fundo. Uma mulher deixava cair um vestido de seda enquanto uma taça de champanhe repousava no parapeito. O acompanhante a beijava com uma calma estudada, percorrendo suas costas com dedos pacientes. Damián fechou os olhos por um instante para se imaginar naquele balcão, cheirando o perfume floral, sentindo o frio do mármore sob os pés. Quando os abriu de novo, o casal havia mudado de posição e ela apoiava as mãos no parapeito enquanto ele a segurava pelos quadris. Ergueu a saia até a cintura, afastou a calcinha de lado e enfiou a porra no cu dela de uma só vez, decidido. Ela soltou um arquejo brusco, delicioso, e arqueou as costas enquanto ele começava a fodê-la com estocadas profundas, secas, de pelve contra pelve. A câmera não cortava: mostrava o vai-e-vem das nádegas, a carne se molhando ao redor do pau, o brilho da umidade na entrada enquanto ele metia e tirava a rola num ritmo cada vez mais rápido. Damián sentiu os abdominais se tensionarem e bufou, apoiando o polegar na ponta do membro para esfregar ali onde mais ardia.
— Porra —sussurrou Damián, com a voz rouca.
Pulou para uma praia grega ao entardecer. A areia era dourada e as ondas quebravam em espuma branca contra os pés de um casal que se beijava com desespero. Óleo brilhando na pele oliva dela, sal e sol e desejo em cada plano. Damián sentiu o calor se acumular no baixo-ventre com uma intensidade nova. Apertou um pouco mais o ritmo.
A garota da cena se deitou de costas sobre uma toalha e abriu as pernas, encharcada pelo óleo que escorria pelas coxas. Ele se ajoelhou entre elas e mergulhou o rosto primeiro entre os seios dela, lambendo e chupando os mamilos até ficarem duros, antes de descer com fome até o sexo brilhante. A língua do homem entrava e saía com voracidade, marcada pelo som úmido da carne se abrindo; ela se contorcia e agarrava o cabelo dele, pedindo mais. Quando ele substituiu a boca pela mão, enfiou dois dedos de uma vez, e depois três, bombeando dentro com uma paciência cruel que a fez gemer mais alto. Damián observou a coluna da atriz arquear e as coxas se abrirem mais, mostrando sem pudor a vulva aberta e rosada. Tocou-se com mais força, lambuzando a palma com seu próprio pré-sêmen, e deixou escapar um rosnado quando o homem da tela começou a fodê-la por trás, o impacto de cada entrada fazendo o corpo inteiro dela tremer.
A cena seguinte o levou a um loft em Nova York, jazz suave ao fundo, uma mulher descalça dançando sobre o parquet enquanto o parceiro a observava de um sofá de couro. A câmera captava o ritmo perfeito entre a música e os movimentos do corpo, e Damián percebeu que respirava na mesma cadência da canção. Quando ela se ajoelhou diante do homem, o enquadramento se fechou sobre os gestos, deixando o resto para a imaginação. Ele gostava daquela elegância. Pornografia demais caía no grito gratuito; ali havia paciência.
Mas a cena não demorou a deixar de insinuar. Ele segurou o rosto dela com uma mão, abriu sua boca com o polegar e a enfiou até a ponta do pau roçar a garganta. Ela babou, os lábios esticados em volta do membro, e começou a mover a cabeça de frente para trás com uma dedicação brutal, engolindo-o inteiro de novo e de novo. As bochechas se afundavam cada vez que a rola entrava, e o som da saliva caindo sobre os dedos do homem enchia o quarto do motel com um eco sujo, quase íntimo. Damián gemeu baixinho, vendo a mulher tirar o pau da boca para cuspir um fio de saliva no eixo antes de voltar a engoli-lo até o fundo. A imagem atingiu seu corpo inteiro; ele se ergueu um pouco na cama e acelerou a mão, mais brutal, mais escorregadia, até se sentir à beira do abismo.
Trocou outra vez. Uma cabana sobre a água numa ilha do Pacífico, o som das ondas como trilha sonora, uma mulher de pele dourada untando óleo tropical no peito do acompanhante. A rede balançava com eles, o sol caindo em ângulos impossíveis, os corpos brilhando como se fossem feitos de luz. Damián pensou que pagaria uma fortuna para passar três dias num lugar assim.
Ela se sentou sobre ele e desceu devagar, deixando o pau abrir o cu dela centímetro por centímetro. A câmera acompanhou o exato momento em que a pele se esticava ao redor da grossura, em que a umidade transbordava pelas coxas, em que ambos soltavam um suspiro trêmulo ao ficarem completamente unidos. Depois ela começou a cavalgar com força, os seios saltando, o óleo misturado ao suor escorrendo pelo ventre. Ele agarrou os quadris dela e a fez quicar mais rápido, golpeando por baixo até arrancar gritos curtos e quebrados. Damián cravou os olhos naquela entrada brilhante, no vai-e-vem obsceno da carne, e passou a língua pelos lábios secos enquanto continuava se esfregando com fúria.
O convés de um cruzeiro, depois. Um casal sobre uma espreguiçadeira, as estrelas formando um teto infinito e as ondas sussurrando contra o casco do navio. A pele morena dela refletia a lua, e o ritmo das investidas se misturava ao balanço do mar. A câmera girava lentamente, deixando o espectador quase sentir o movimento do barco sob o corpo.
Ele a pôs de lado, ergueu uma perna dela até a cintura e enfiou a rola com violência contida, uma e outra vez, batendo no fundo do sexo num ângulo que a fez gritar contra o travesseiro. Ela se agarrou à barra da espreguiçadeira com os dedos esbranquiçados de tanto apertar, enquanto ele abria ainda mais suas pernas e cravava o pau até que o som úmido de cada entrada se tornasse uma martelada constante. Quando a volta do navio inclinou a cena, a mulher respondeu com um gemido mais alto e gozou primeiro, sacudindo-se em espasmos pequenos, o rosto escondido entre o braço e a almofada. Damián sentiu aquela convulsão como se fosse sua. Sua mão escorregou de vez; estava encharcada do próprio fluido e de suor.
E por fim, uma cena mais próxima, mais visceral: um motel de beira de estrada em algum lugar quente da América Latina, um casal no chuveiro, vapor preenchendo tudo, água caindo sobre dois corpos que se procuravam com urgência. A pele morena dela reluzindo sob o jato, as mãos escorregadias traçando caminhos conhecidos, o som da água se misturando aos arquejos contidos. Aquela foi a que o quebrou de vez.
Ele a empurrou contra a parede azulejada, segurou-a pela nuca e a beijou com fome enquanto ela lhe puxava a calça aos trancos. O pau saiu duro, vermelho, brilhando de água, e ela se ajoelhou sem hesitar no chão molhado. Pegou o membro com as duas mãos, lambeu de cima a baixo e então o enfiou inteiro na boca, deixando a água escorrer pelo rosto enquanto o chupava com entrega obscena. Quando se levantou, o homem a virou de costas e abriu seu cu com uma mão, enfiando dois dedos primeiro, depois três, até levá-la ao limite da respiração. Ela arquejou, apertando as coxas contra a parede, e então ele mudou a entrada e a penetrou por trás, empurrando devagar no começo, depois com mais raiva, com a rola enterrando-se entre nádegas e cu, a água batendo nos corpos, o vapor colado na pele. Damián sentiu um espasmo brutal na base do abdômen e entendeu que não havia mais volta.
***
Damián já não conseguia se conter. Sua mão se movia rápida, lubrificada pelo próprio fluido, e o prazer se acumulava no baixo-ventre como uma tempestade prestes a soltar o primeiro raio. Sentia cada músculo do corpo se tensionar numa espera que se tornava insuportável.
Quando gozou, foi com uma violência que quase lhe pareceu ridícula. A primeira contração foi tão profunda que lhe roubou o ar, uma pulsação que subiu da pelve até o peito. O primeiro jato saiu alto, salpicando quente sobre o esterno, quase chegando à clavícula. O segundo e o terceiro aterrissaram em linhas brancas sobre o abdômen, pesados, espessos, escorrendo devagar para os lados. Ele continuou movendo a mão lentamente, espremendo cada espasmo residual, sentindo como cada onda arrancava dele um suspiro diferente.
Seu corpo se convulsionou em pequenos tremores involuntários, as pernas vibrando contra o lençol, o abdômen se contraindo em ondas cada vez mais curtas. Um som rouco escapou de sua garganta e se transformou, no fim, em algo parecido com uma risada baixa, exausta, surpreendida de si mesma.
Permaneceu imóvel por vários minutos, ofegante, o peito subindo e descendo como se tivesse corrido um sprint. O sêmen esfriava sobre a pele, deixando rastros pegajosos que se prendiam aos lençóis. A central continuava reproduzindo, sons suaves de uma cena que ele já não via mais, mas o áudio parecia distante, como se viesse de outro quarto. Ele estava envolto naquela manta quente e pesada que chega depois de um orgasmo grande.
Olhou para o teto e descobriu, com um sorriso, que havia um espelho. Não tinha reparado antes. Ali estava seu reflexo: o rosto avermelhado, o cabelo colado na testa pelo suor, o torso brilhando, o membro ainda pulsando em pequenos espasmos finais. Ficou se olhando por um bom tempo, sentindo uma mistura estranha de poder, vergonha e satisfação.
Porra, isso é exatamente o que eu precisava.
— Porra —murmurou de novo, agora em voz alta, quase com ternura.
***
Não se apressou em se limpar. Queria deixar o corpo baixar no próprio ritmo. Passaram-se dez minutos, talvez quinze, antes de se erguer e procurar os lenços que estavam sobre o criado-mudo. Havia vários pacotes, organizados com discrição, como se o motel soubesse exatamente para que as pessoas iam ali e preferisse não fazer perguntas.
Limpo-se com calma, aproveitando até mesmo o próprio ritual posterior. A pele ainda formigava nos lugares onde o prazer havia explodido com mais força. Vestiu-se devagar: cueca boxer, jeans, camiseta. Enquanto colocava a jaqueta, lançou um último olhar pelo quarto. As fitas com etiquetas douradas continuavam brilhando, os DVDs refletiam sua silhueta, a tela sensível ao toque zumbia em espera paciente, como se soubesse que ele voltaria.
Desceu as escadas, devolveu a chave ao recepcionista com um «obrigado» discreto e saiu para o estacionamento. O ar frio da noite lhe bateu no rosto como um tapa gentil. Ficou um instante apoiado no carro, olhando a placa do motel piscar em vermelho e branco. Sabia perfeitamente que voltaria. Talvez em duas semanas, talvez antes.
Talvez da próxima vez pedisse uma suíte maior, ou testasse as transmissões ao vivo que tinha visto no menu. Talvez se permitisse gozar duas vezes seguidas, sem pressa, deixando o corpo se reconstruir entre uma e outra. A ideia por si só lhe devolveu um formigamento lento, quase tímido, entre as pernas.
Ligou o motor e entrou na estrada escura. Enquanto dirigia de volta à cidade, já pensava na data exata de sua próxima escapada. Aquilo não era simplesmente um alívio, entendeu com clareza naquela noite. Era uma pequena cerimônia privada que o mantinha são de semana em semana, um espaço onde por algumas horas não havia chefes nem reuniões nem paredes finas, só ele e a quietude vermelha de um quarto que parecia conhecê-lo melhor do que ninguém.
E ele faria isso. De novo e de novo, até que o motel fizesse parte do calendário íntimo que ninguém jamais conheceria.