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Relatos Ardientes

O desconhecido que me ensinou os meus limites

4.3(13)

A primeira vez que li a mensagem dele, não respondi. Guardei-a numa pasta que chamei de «pendentes» e a ignorei por três dias. Havia algo consciente demais na forma como ele escrevia, calibrado demais, como se cada frase tivesse passado por um filtro antes de chegar a mim.

Ele não era insistente. Não era vulgar. Fazia perguntas estranhas, como o que eu pensava enquanto esperava o ônibus ou se alguma vez tinha tomado uma decisão que contrariasse completamente a imagem que os outros tinham de mim. Não pedia nada. Só observava e esperava a resposta.

Não sei por que comecei a responder.

Fiz isso no quarto dia, quase sem perceber. A partir daí, a conversa encontrou seu próprio ritmo. Ele perguntava, eu respondia. Eu perguntava, ele pensava antes de responder. Havia algo naquele espaço entre pergunta e resposta que me parecia mais interessante do que qualquer conversa que eu tivesse tido em meses.

Três semanas depois, chegou a mensagem que mudou tudo.

«O que eu te proponho não é um encontro. É um parêntese. Um lugar onde você pode deixar de ser a pessoa que planeja e controla cada coisa e se tornar simplesmente alguém que quer algo. Se sua curiosidade pesar mais do que sua cautela, você já sabe como me encontrar. Se não, continuaremos trocando mensagens e fingiremos que essa mensagem nunca chegou.»

Demorei quase uma hora para responder. Li a mensagem quatro vezes. Andei de um lado para o outro no apartamento. Sirvi um copo d’água que não bebi. Levei a mão por baixo da saia quase sem pensar e descobri que já estava molhada, o cuzinho úmido só de ler as palavras dele, a calcinha grudada nos lábios inchados. Tirei os dedos brilhantes e os levei à boca. Tinha gosto de decisão tomada.

— Tudo bem — escrevi por fim—. Mas não prometo nada do que vier depois.

A resposta dele chegou em menos de um minuto, como se tivesse ficado esperando com o telefone na mão.

— Nem eu. Só venha com fome.

***

O prédio era exatamente o que eu imaginava: sem porteiro, sem enfeites, com um elevador que demorava mais do que o razoável. Subi os quatro andares com a bolsa colada ao corpo e os passos mais lentos do que o normal, repetindo para mim mesma em silêncio que eu podia ir embora a qualquer momento, que aquilo era só curiosidade, que não significava nada.

Repeti isso algumas vezes. Não serviu para muita coisa. Em cada degrau eu sentia o atrito das minhas coxas e a umidade que se acumulava entre minhas pernas, um calor que avançava sem pedir licença, como se meu corpo tivesse aceitado o convite muito antes da minha cabeça.

Quando cheguei à porta dele e ergui o punho para bater, fiquei suspensa naquele instante exato entre a sanidade e o que vinha depois. O corredor cheirava a madeira antiga e estava em silêncio.

A porta se abriu.

Eu não tinha tocado a campainha. Não tinha feito barulho. Ainda assim, ele estava ali, encostado no batente com a mesma calma que havia nas mensagens dele. Camisa azul-escura, desabotoada até o segundo botão, o cabelo levemente desgrenhado como se estivesse acordado havia horas.

— Eu sabia que você viria — disse ele.

— Isso é muita confiança — respondi.

— É atenção, não confiança. — Ele se afastou para me deixar entrar—. Entra.

***

O apartamento cheirava a café fresco e a algo mais difícil de nomear, uma mistura de livros e madeira antiga. Era um espaço pensado, com estantes até o teto, uma mesa comprida cheia de papéis organizados e um abajur de chão lançando luz quente sobre o sofá de couro escuro. Não era um lugar de quem vive de passagem.

— Você sempre deixa a porta aberta para quem não chegou a tocar a campainha? — perguntei, largando a bolsa sobre um móvel perto da entrada.

— Só quando sei exatamente a hora em que alguém vai chegar.

— E como você sabia?

— Porque você ficou dez minutos parada em frente ao prédio antes de entrar.

Isso eu não esperava.

Fui até a janela sem responder e olhei a rua. Lá de cima, o barulho da cidade chegava abafado e distante. Eu sentia a presença dele atrás de mim sem precisar me virar para confirmar.

— O café está pronto — disse ele—. Como você pediu.

— Eu não pedi nada.

— Pediu que não houvesse pressa. O café é o meu jeito de cumprir isso.

Virei-me. Ele estava mais perto do que eu esperava.

Os olhos dele desceram por um instante até minha boca e voltaram aos meus com uma lentidão que não era descuido, muito pelo contrário. A luz do abajur cortava metade do rosto dele.

— Que decisão eu tomei, na sua opinião? — perguntei.

— Prefiro que me diga você.

***

O café ficou intacto sobre a mesa.

Sentei no sofá porque precisava colocar um pouco de espaço entre nós, embora o espaço que criei fosse mais simbólico do que real. Ele não se sentou. Ficou em pé, apoiado na estante, de braços cruzados, me olhando daquele jeito dele, que não era agressivo, mas minucioso, como se estivesse lendo algo escrito em letra miúda.

— Você escolheu bem a cor — disse depois de um silêncio que durou mais do que o confortável.

— De quê?

— Da blusa. Esse cinza faz seu pescoço parecer mais longo.

Não era um elogio. Era uma observação. Isso o tornava mais difícil de ignorar.

— É só uma blusa — falei.

— Não existe nada que seja «só» na maneira como alguém se apresenta na noite em que decide que não importa mais fingir que não quer alguma coisa.

Ele se afastou da estante e atravessou a sala com passos lentos. Não se sentou ao meu lado. Ajoelhou-se diante de mim, ficando exatamente à altura dos meus joelhos, e a proximidade do rosto dele com meu colo fez meu corpo inteiro enrijecer. Senti a respiração quente dele atravessando o tecido da calça, exatamente onde eu ardia havia uma hora sem admitir.

— Você ainda pode ir embora — disse. Ele falava sério.

— Eu sei — respondi.

— E então?

Minhas mãos, que estavam quietas sobre as coxas, se moveram apenas um pouco na direção dele. Foi o suficiente.

Os dedos dele encontraram os meus e os seguraram por um instante, estudando o tremor que eu tentava disfarçar.

— Você não precisa disfarçar — disse—. Esse tremor é exatamente o que me interessa em você.

***

O que veio depois não foi urgente. Foi o contrário da urgência.

Ele se levantou e me ergueu junto com ele. As mãos dele percorreram meus braços dos pulsos aos ombros com uma lentidão que era quase um mapa, como se estivesse aprendendo o território antes de reivindicá-lo. Ele me beijou no pescoço primeiro, depois na clavícula, com lábios quentes e precisos que se moviam com uma paciência que era, em si, uma forma de tortura.

— Fica quieta — murmurou contra minha pele.

Fiquei quieta.

Ele desabotoou os botões da minha blusa um por um, sem pressa, deixando o ar frio do ambiente tocar minha pele antes das mãos dele. Quando a blusa caiu, deu um passo para trás para me olhar sem dizer nada.

Os olhos dele percorreram tudo sem pressa e sem desculpa. Naquele olhar não havia julgamento, só uma atenção que me aquecia a pele por dentro e me fazia sentir, ao mesmo tempo, exposta e reivindicada. Os olhos demoraram um longo instante entre minhas pernas, onde os pelos estavam colados pela umidade e os lábios se viam inchados, brilhantes, abertos quase contra a minha vontade.

— Encosta no sofá — disse ele, me virando pelos ombros com suavidade.

Inclinei-me sobre o encosto, com as palmas apoiadas na superfície do tecido.

— As mãos para trás — ordenou.

Levei-as às costas sem questionar. Os dedos dele prenderam meus pulsos com firmeza, segurando-os juntos enquanto eu ouvia o som inconfundível de algo se desenrolando sobre si mesmo.

Uma corda.

— Tudo bem? — perguntou. A pergunta era real, não mera formalidade.

— Sim — disse, e minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

A corda envolveu meus pulsos em várias voltas, cruzando-se com uma precisão que denunciava prática. Cada volta apertava o suficiente para que eu sentisse os nós com clareza, sem chegar a doer. Quando terminou, meus ombros ficaram forçados para trás, os seios pendendo pesados para a frente, os mamilos roçando o tecido do sofá a cada respiração, e o bumbum elevado numa postura que não tinha nada de casual.

— Agora sim — disse ele, dando um passo atrás para contemplar o resultado.

Me senti reduzida ao meu próprio corpo, e isso não me assustou nem um pouco.

As mãos dele se fecharam sobre meus quadris e os lábios começaram a descer pela minha coluna, vértebra por vértebra, até chegarem ao bumbum. Ele o segurou com as duas mãos e o abriu com uma firmeza possessiva que arrancou de mim um som que eu não tentei conter. Senti uma lambida longa e achatada subir do cuzinho encharcado até o ânus e voltar a descer, sem nenhuma pressa, sem nenhuma vergonha, como se estivesse reivindicando cada centímetro por direito.

O que veio depois foi paciente e sem concessões. A língua dele percorreu cada canto com uma devoção que me fazia tremer as pernas, afundando entre as dobras, girando em torno do clitóris sem chegar a tocá-lo por completo, subindo até o ânus e pressionando ali também, com a ponta, até eu sentir que ele se abria só um pouco para ele. Os polegares dele pressionavam pontos exatos e meus joelhos cederam um pouco, obrigando-me a me agarrar ao encosto do sofá com o que eu podia. Ele enfiou a língua inteira na minha boceta e a retirou coberta de mim, e depois dois dedos, três, bombeando num ritmo enquanto a boca subia ao clitóris e o chupava com força, com fome de verdade, sem nenhuma delicadeza.

— Não se mexe — ordenou, com a voz rouca e o queixo brilhando.

Tentei. Não consegui. Empurrei o bumbum para trás em busca de mais e ele me deu um tapa seco na nádega direita que me fez contrair inteira ao redor dos dedos dele.

— Fica quieta — repetiu—. Ou eu paro.

Fiquei quieta à força, mordendo o couro do sofá.

***

Ele me virou quando decidiu que tinha terminado com aquela parte. Me colocou de pé de frente para ele, com as mãos ainda amarradas nas costas.

Me beijou na boca. Foi o primeiro beijo da noite, e carregava o peso de tudo o que tinha acontecido antes. Eu tinha gosto de mim mesma na língua dele, do meu cuzinho e da minha boceta misturados na saliva dele, e eu recebi isso sem me proteger, chupando a língua dele como se ele estivesse me alimentando.

Ele me segurava pela cintura para que eu não perdesse o equilíbrio. Quando se afastou, me conduziu de volta ao sofá com cuidado, me ajudando a sentar sem que eu pudesse usar as mãos.

Uma vez sentada, ele se ajoelhou diante de mim e abriu minhas pernas com uma calma que me deixou maluca. Olhou minha boceta escancarada por segundos longuíssimos antes de aproximar a boca, e aquele olhar parado, avaliador, me fez fechar as coxas por instinto contra os ombros dele. Ele as abriu de novo com as mãos, sem pressa, e cravou os polegares na parte interna para me manter separada.

A língua dele encontrou o centro exato da minha sensibilidade na primeira tentativa, e não foi exploração, mas reivindicação direta. Ele sabia exatamente o que estava fazendo e fazia sem se desculpar nem pedir permissão. Envolveu o clitóris inteiro com os lábios e o sugou como se quisesse arrancá-lo de mim, soltando-o justamente quando eu começava a arquear as costas, para torná-lo a prender um segundo depois.

Ele sugava num ritmo que aumentava quando minha respiração acelerava e interrompia pouco antes do limite, me deixando suspensa naquele ponto de máxima tensão por mais tempo do que eu achei que conseguiria suportar. Cada vez que eu me aproximava, ele recuava um milímetro. Cada vez que eu me rendia, ele voltava com mais intensidade. Enfiou dois dedos na minha boceta e os curvou procurando o ponto áspero da parede frontal, e começou a acariciá-lo por dentro enquanto a língua continuava trabalhando meu clitóris com lambidas curtas e rápidas.

— Por favor — falei, e não reconheci a minha própria voz.

— Pede direito — disse ele, erguendo um pouco o rosto. Os lábios brilhavam com o meu gosto.

— Por favor, me faz gozar — falei, e as palavras queimaram minha boca ao sair—. Por favor.

— Ainda não — respondeu contra minha pele, e voltou a descer a boca.

Mais um minuto inteiro à beira. Senti as veias pulsando nas têmporas, o suor descendo pelo esterno, os mamilos tão duros que doíam.

Quando finalmente me deixou chegar, o orgasmo foi tão repentino e intenso que minhas coxas se fecharam ao redor da cabeça dele e os nós da corda se tensionaram contra meus pulsos enquanto eu me arqueava para frente sem conseguir me agarrar a nada. Ele não tirou a boca. Permaneceu ali, com a língua achatada contra o clitóris e os dedos afundados em mim, extraindo cada contração até eu sentir o jorro morno da minha própria boceta encharcando o queixo e o peito dele. Ele ficou ali também para isso, engolindo o que podia, deixando o resto escorrer pelo pescoço, até minhas pernas pararem de tremer.

***

Ele se pôs de pé e me observou recuperar o fôlego. Limpou a boca com o dorso da mão sem tirar os olhos de mim. Desceu o zíper da calça devagar, na minha frente, e tirou a pica dura, grossa, inchada, com a ponta já brilhante. Segurou-a por um instante com a mão fechada na base para que eu a visse direito.

— Mais — disse eu. Não era uma pergunta.

Ele assentiu com a cabeça, como se tivesse esperado exatamente aquilo.

Me colocou de pé de novo, me empurrou pelos ombros e me fez ajoelhar no tapete à sua frente. Com as mãos amarradas nas costas eu não tinha como tocá-lo. Só a boca.

— Abre — disse ele, segurando a pica e passando a ponta pelos meus lábios, lambuzando-os com o líquido pré-seminal.

Abri. Ele a enfiou devagar da primeira vez, medindo até onde podia ir, apoiando uma mão na minha nuca. Senti o peso da verga na língua, o gosto salgado, o cheiro de pele limpa e de sexo. Chupei como se o ar tivesse me faltado durante horas, fechando os lábios apertados ao redor do membro, subindo e descendo com a cabeça, com a saliva começando a escorrer pelo meu queixo.

— Assim — murmurou—. Isso, exatamente assim.

Ele empurrou um pouco mais fundo. Senti a ponta bater no fundo da garganta e as lágrimas se acumularem nos olhos, mas não afastei o rosto. Ele também não teve piedade. Com uma mão na minha nuca, marcou um ritmo próprio, entrando e saindo com investidas curtas no começo, mais longas depois, até a pica inteira desaparecer na minha boca e voltar a sair brilhante.

— Olha pra mim — disse. Levantei os olhos marejados—. Boa garota.

Ele se retirou antes de terminar, com a respiração pesada.

Me colocou de pé de novo, me virou e me inclinou sobre o encosto do sofá. Ouvi quando ele tirou o resto da roupa atrás de mim, e cada som era algo que eu sentia no estômago antes de acontecer. Senti os dedos dele voltarem a conferir entre minhas pernas, e o estalo úmido com que saíram. Senti a ponta da pica escorregar entre as nádegas, para cima e para baixo, parando só um instante contra o ânus antes de descer para a boceta, brincando, medindo.

A primeira pressão foi deliberada e lenta. Uma entrada progressiva que me obrigou a me expandir centímetro a centímetro, sem pressa, até eu ficar completamente preenchida, com a ponta empurrando contra um limite interno que me arrancou um longo suspiro. Soltei o ar que estava prendendo sem perceber.

— Isso — disse ele, com uma mão aberta nas minhas costas—. Toda dentro.

O ritmo começou suave e foi ganhando peso a cada investida. Os quadris dele batiam nos meus com uma cadência regular que eu sentia até a nuca, com um barulho cada vez mais obsceno entre nossos corpos, e as cordas nos meus pulsos se tensionavam a cada movimento meu, me lembrando o tempo todo que eu não tinha para onde ir, exceto para ele. Ele me puxou pelo cabelo com a outra mão e jogou minha cabeça para trás, arqueando-me, obrigando minhas costas a se curvarem ainda mais, e as investidas ficaram mais profundas, mais secas, cada uma chegando até o fundo com um baque surdo dos ovos dele contra meu clitóris.

— Assim você gosta? — perguntou, e não era uma pergunta gentil.

— Sim — ofeguei—. Mais forte.

— Mais forte como?

— Me fode mais forte, por favor.

Ele me obedeceu. Cada investida empurrava o sofá um centímetro contra a parede. Cada investida me fazia abrir a boca sem som.

O segundo orgasmo veio sem aviso, no meio de uma investida mais profunda que as anteriores. Meus músculos se contraíram ao redor dele com tanta força que ele parou por um segundo, deixando a pica afundada até o fundo enquanto eu tremia inteira ao redor dele.

— Não para — eu disse.

— Não pretendo parar.

Ele acelerou. O terceiro foi uma extensão do segundo, sem espaço entre os dois, uma onda que ainda não tinha terminado quando a seguinte começou. Perdi a conta das contrações. Perdi o fio do que era voluntário e do que simplesmente acontecia com meu corpo sem me pedir licença. Senti o polegar dele pressionar contra o ânus, só um pouco, e depois entrar até a primeira falange enquanto a pica continuava martelando minha boceta, e me abri mais para ele sem conseguir evitar, com um gemido que eu não reconheci.

— Olha pra você — murmurou atrás de mim, segurando meus quadris com as duas mãos—. Percebe do que você é capaz.

Ele saiu de repente. Senti o vazio como um tapa. Antes que eu pudesse protestar, ele me virou outra vez, me deitou de costas no sofá com as mãos presas debaixo de mim, abriu minhas pernas de par em par apoiando-as contra o peito dele e voltou a se enterrar até o fundo num único movimento. Deste ângulo, a pica me alcançava outro lugar, e o quarto orgasmo começou a se formar quase de imediato, impulsionado pelo atrito constante do osso púbico dele contra meu clitóris inchado.

— Agora olha pra mim — disse ele, com a mandíbula travada—. Não desvie o olhar.

Olhei. Sustentei os olhos dele enquanto o quarto me atravessava, com a boca aberta e sem ar, sentindo outro jorro morno escapar de mim e encharcar as coxas dele, enquanto ele continuava investindo sem mudar o ritmo, aproveitando cada contração para entrar mais fundo.

***

Quando chegou ao próprio limite, ele parou na máxima profundidade e as mãos se fecharam sobre meus quadris com uma força que deixaria marca por dias. Senti cada contração da pica dele contra as paredes da minha boceta enquanto o esperma quente se espalhava dentro de mim, jato após jato, mais do que eu esperava, até eu começar a senti-lo escorrendo pelo redor do tronco ainda afundado. Ele ficou dentro até o último espasmo, respirando pesado no meu pescoço.

Saiu devagar. Senti o esperma descer logo em seguida entre minhas nádegas, morno, espesso, marcando o caminho pelo couro escuro do sofá. Ele observou aquilo por um instante, passou dois dedos recolhendo parte do que saía e levou à minha boca sem dizer uma palavra. Eu abri e chupei, fechando os lábios ao redor dos dedos dele até que estivessem limpos.

O silêncio que veio depois era diferente do anterior. Era o silêncio do depois.

Com uma lentidão que contrastava com tudo o que havia vindo antes, as mãos dele encontraram os nós da corda e os desfizeram um a um com cuidado. Liberou meus pulsos com uma suavidade inesperada.

— Pronto — disse ele, bem baixo.

O sangue voltou aos meus dedos com um formigamento elétrico. Antes que eu pudesse mexer os braços, ele os tomou e levou meus pulsos à boca. Beijou as marcas deixadas pela corda com uma ternura completamente diferente de tudo o que tinha feito até então, passando os lábios sobre a pele avermelhada com uma lentidão reverente, como se quisesse apagar com a boca o rastro do que tinha construído.

Não disse nada. Ele também não.

Me ajudou a ficar de pé e me sustentou contra o peito por um instante, permitindo que o calor dos dois apagasse o resto da tensão. Senti a pica dele, ainda semiereta e pegajosa, apoiada contra meu ventre, e não me afastei.

— Você está bem? — perguntou.

— Sim — respondi. Era verdade—. Mais do que bem.

***

Ele me ofereceu uma camiseta enquanto procurava minhas roupas, e eu aceitei sem discutir. Nos sentamos no sofá com o café que nenhum dos dois tinha tocado a noite inteira, já completamente frio, e ficamos um tempo em silêncio sem que nenhum de nós fizesse qualquer coisa para rompê-lo. Eu sentia o esperma ainda escorrendo lentamente por baixo da camiseta emprestada, e não me importei de limpar.

— Você sabia que isso ia acontecer — disse eu por fim.

— Eu desconfiava — admitiu ele—. Assim como você.

— Eu não sabia.

— Claro que sabia.

Não discuti, porque ele tinha razão.

Da janela vinha o barulho abafado da rua. O abajur continuava aceso. O café continuava frio. Havia algo estranhamente confortável naquele momento que eu não esperava encontrar depois de tudo o que veio antes.

— E agora? — perguntei.

Ele pensou na resposta antes de dá-la.

— O que você quiser que aconteça.

Foi a primeira vez na noite inteira em que ele me devolveu o controle, e fez isso sem cerimônia, como se sempre tivesse sido meu e ele só o tivesse tomado emprestado por algumas horas.

Juntei minhas roupas, me vesti em silêncio e coloquei a bolsa no ombro. Quando cheguei à porta, me virei.

— Vou escrever — disse.

— Eu sei — respondeu ele.

Desci os quatro andares a pé. Na rua, o ar frio bateu no meu rosto e a cidade era exatamente a mesma de sempre: o mesmo barulho, as mesmas luzes, as mesmas pessoas que não sabiam nada sobre o que tinha acabado de acontecer. Eu, por outro lado, era algo ligeiramente diferente, e ainda não sabia exatamente o quê. Sentia os pulsos latejando sob as mangas, a ardência doce entre as pernas, o rastro pegajoso que ainda escorria por dentro da coxa a cada passo, e soube que escreveria para ele antes de chegar em casa.

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