O intérprete birmanês que cruzou a linha comigo
No começo do ano, meu escritório de auditoria se fundiu com uma firma britânica com presença internacional. Houve demissões, remanejamentos, contratações novas e até o escritório mudou de andar. Para quem não me conhece: sou consultor financeiro, tenho nove anos de mercado. Trabalho em uma firma madrilenha que passou de quinta maior do país a ter filiais em Kuala Lumpur, Jacarta e Hong Kong. A fusão foi com uma boutique inglesa com clientes na Ásia, Europa e América.
Entre todas as mudanças, coube a mim coordenar os protocolos de compliance entre a matriz local e a internacional. Era preciso unificar critérios, traduzir manuais, ajustar a documentação a várias jurisdições ao mesmo tempo. Trabalho minucioso, de ler mil vezes a mesma coisa até cada vírgula bater.
Isso me valeu uma promoção. Carro da empresa, cartão corporativo sem limite, mais alguns benefícios que eu jamais pensei que teria antes dos quarenta. Falo três idiomas e, segundo vários sócios, eu era o candidato perfeito para passar quarenta e cinco dias no Sudeste Asiático colocando em ordem a nova filial.
Eu não queria nem ouvir falar do assunto. Há alguns anos fui passar férias na Indonésia e não me dei bem. Mas insistiram: desta vez seria na Malásia, a trabalho, com tudo pago, hotel decente, nada daquela aventura mochileira da qual ainda me arrependo.
Arrumei as malas em Madri e fui.
Quando aterrisei, um carro da filial foi me buscar. Recepção em alto nível. Naquela unidade havia só três estrangeiros além de mim: um colombiano, um mexicano e eu. Todo mundo era exageradamente cordial. Segundo o mexicano, em parte isso se devia ao fato de, entre as quinze pessoas que trabalhavam ali, eu ser o único com mais de um metro e oitenta e três, loiro, de olhos claros e musculatura aparente. É algo que eles têm, ele me explicou: certo tratamento diferente quando veem um europeu branco. Soa feio dizer, mas é assim.
Depois de conhecer a equipe, almoçar com eles e fazer videochamadas com Madri e Londres, foi hora de arregaçar as mangas. Parte do material estava em inglês, mas muitos documentos continuavam em malaio. Em uma das reuniões híbridas, pedi que me dessem alguém para me ajudar com o idioma.
Me apresentaram a Kyaw. Birmanês, trinta anos recém-completados, com uma história pessoal complicada: saiu de Myanmar ainda adolescente, trabalhou em qualquer coisa e se virou sozinho. Falava mandarim, malaio, inglês e um pouco de tailandês. Não era advogado nem auditor, era funcionário administrativo, mas o tinham contratado pela facilidade com idiomas. Media um metro e sessenta e dois, era muito magro, com um terno cinza dois números maior do que o dele. Sorria o tempo todo, com uma disposição quase infantil. Queria que eu ensinasse espanhol.
Era um dos poucos naquela oficina que sabia circular entre todos sem travar. Quando caminhávamos juntos pela rua, dois passos meus eram seis dele. A diferença de tamanho era brutal, exceto com o colombiano e o mexicano, que ficavam perto de um metro e setenta.
Um costume da filial era sair para beber ou jantar no fim do expediente. Eu não queria. O hotel tinha academia e eu precisava reorganizar a dieta e a rotina depois de uma semana sem treinar. Prometi ir na sexta.
A semana foi passando entre reuniões e traduções. Kyaw passava metade do dia no meu escritório, me ajudando com trechos do contrato. Eu já tinha me acostumado a tê-lo por perto. Principalmente porque minha cabeça, enquanto ele lia em voz alta tentando pronunciar palavras em espanhol, ia para outro lugar: eu o imaginava nu, de bruços, com aquela bundinha pequena empinada esperando meu pau; eu o imaginava de joelhos mamando nele com aquela boca pequena que mal conseguiria abarcá-lo. Toda vez que ele se inclinava sobre a mesa para me apontar uma cláusula, o volume marcava sob a calça e eu tinha que cruzar as pernas.
Uma tarde, enquanto esperávamos um café, perguntei se ele morava com alguém. Ele me disse que não, que só restavam o pai e o irmão mais novo, que continuavam em uma vila de Myanmar vivendo com muito pouco. O objetivo dele era juntar dinheiro suficiente para trazê-los para Kuala Lumpur. Contou isso com o mesmo sorriso de sempre, sem drama. Não quis se alongar e mudei de assunto.
— Tem namorado? — perguntei.
Ele riu, baixou a cabeça, ficou vermelho e negou com a cabeça devagar.
Olhando para o vidro do corredor, pegou um papel da mesa e escreveu alguma coisa. Me passou por cima do teclado. “Gosto de meninos, mas é segredo.” Soltei uma risada curta, me inclinei e escrevi embaixo: “Eu também.”
Ele arregalou os olhos. Ficou sério, sentou-se diante do computador e começou a digitar como se eu o tivesse ofendido. A empresa não via com bons olhos relacionamentos entre funcionários de níveis diferentes. Kyaw, que conhecia as regras melhor do que eu, entendeu na hora que meu bilhete poderia colocá-lo em apuros. Toquei seu ombro com o papel dobrado e sussurrei que agora compartilhávamos um segredo, que nós dois estávamos no mesmo barco. Isso o acalmou. Não totalmente, mas um pouco.
***
Dias depois, o escritório comemorou o aniversário do diretor regional, que comandava todo o Sudeste Asiático, menos o Japão. Um malaio de uns cinquenta anos, bem-educado, sempre vestido como se fosse a um casamento, encantado comigo e com meu trabalho.
Ele me convidou para o jantar de aniversário. A conta era dele, em um restaurante com toalha branca e cardápio sem preços. Por respeito profissional, aceitei. Nos sentaram todos ao redor de uma mesa quadrada enorme. À minha direita estava Kyaw, que desde o episódio do bilhetinho não se desgrudava de mim. À esquerda, o mexicano. O jantar foi tranquilo, com muita gente se aproximando para cumprimentar o diretor. Depois do brinde, apareceram músicos, karaokê, dança, e o vinho correu solto.
Eu tinha de trabalhar no dia seguinte e queria ir embora. Lá fora caía uma chuva fina. Me despedi. Kyaw continuava sentado, olhando tudo com aquele sorriso dele. Disse que estava indo e que, se quisesse, eu o deixava em algum lugar. A cara dele mudou na hora. Pegou as coisas às pressas e saímos juntos para o estacionamento.
No carro, pedi que ele colocasse o endereço no navegador. Morava bem longe do centro, num bairro que, segundo eu tinha lido em algum fórum antes de sair de Madri, não era dos mais acolhedores para alguém branco chegando em um Mercedes corporativo. Perguntei se era seguro entrar com o carro.
Ele fez uma careta, hesitou e me indicou que o deixasse na saída de uma estação de trem, a umas dez quadras de onde morava. Que dali era iluminado e o trem passava a noite toda.
Concordamos. No caminho, falamos do jantar, do diretor, das pessoas que tinham ido cumprimentá-lo. Kyaw mudou de assunto sem transição e perguntou se eu saía com alguém. Achei graça da pergunta, e um pouco de ternura, não vou negar. Disse que não, que desde que tinha chegado a Kuala Lumpur não tinha tido um minuto para conhecer ninguém. Ele sorriu e ficou olhando pela janela.
Chegamos à estação. Ele abriu a porta, se despediu com a cortesia habitual e começou a andar em direção à plataforma. Havia apenas uma luz amarelada acesa e não havia mais ninguém esperando.
Peguei o celular, liguei para ele e disse que voltasse para o carro. Ele veio correndo, abriu a porta e se sentou outra vez. Disse, com a voz mais firme da noite, que aquela estação, àquela hora, não era lugar para ele sozinho. Que íamos para o meu hotel e lá decidiríamos. Ele repetia, nervoso, que estava bem, que podia descer, que até podia ir caminhando. Eu o cortei: hoje você dorme melhor do que amanhã.
***
O quarto do hotel era mais uma suíte: cozinha americana com forno, bancada longa, um sofá grande junto à janela e um dormitório separado com cama enorme. A boca de Kyaw se abriu quando ele entrou. Me contou que morava em um apartamento do tamanho daquele único cômodo, e que aquilo era tudo que ele tinha.
Ele perguntou se podia passar a noite. Eu disse que sim. Para ele, respeitar os costumes era importante, e ele precisava lavar a roupa para o dia seguinte porque não passaria em casa. Mostrei a lavadora-secadora da cozinha. Enquanto ele a examinava como se fosse um eletrodoméstico recém-inventado, eu comecei a me despir para tomar banho. Ele largou a máquina e ficou me olhando sem disfarçar. Quando baixei a calça e o volume ficou visível no cueca boxer, ele soltou um suspiro fundo. Disse, em voz baixa, que um corpo como o meu ele só tinha visto em filmes e em sites na internet. Ri, tirei a boxer diante dele e deixei o pau pendendo pesado entre as coxas, ainda mole mas grosso, apontando com o queixo. Os olhos dele foram direto para lá, sem conseguir esconder. Disse a ele que cuidasse da roupa, que eu tomaria banho primeiro e depois ele.
Entrei no chuveiro e deixei a porta entreaberta, caso a curiosidade o vencesse. Pelo reflexo do espelho, vi quando ele espiou umas duas vezes, mordendo o lábio, sem se atrever a mais. Ensaboei meu pau devagar, deixando-o inchar um pouco de propósito, sabendo que ele estava ali espionando. Saí com a toalha cruzada na cintura e disse que era a vez dele. Ele, enrolado em uma toalha que cobria até as axilas, praticamente voou para o banheiro e trancou a porta com a trava. Incrível o pudor que ele tinha.
Peguei o celular, olhei as mensagens, deixei carregando e me joguei nu na cama. Achei que ele dormiria no sofá, que também se abria como cama. Eu quase dormia quando o vi na soleira do quarto, outra vez envolto na toalha, me dizendo que a roupa ainda estava úmida e que não tinha o que vestir. A minha lhe serviria sete números maior. Levantei da cama sem me cobrir, e meu pau balançou grosso na altura do rosto dele. Kyaw arregalou os olhos, a boca secou e ele engoliu em seco sem conseguir desviar o olhar da minha vara. Ele gaguejava: o que eu ia fazer, como dormiria, o que vestir.
— Cala a boca e vem — eu disse.
Tirei a roupa dele da secadora, estendi sobre o encosto de uma cadeira e disse que pela manhã estaria perfeita. Ele podia dormir comigo, com a toalha se se sentisse estranho, ou usar o sofá. Mostrei como ele se abria para que visse que era mesmo uma cama.
Olhando para o chão, sério, ele escolheu o sofá. Dei boa-noite e apaguei a luminária.
***
Voltei para a cama. Eram quase onze. Caí num sono profundo depois de um dia longuíssimo.
A questão é que, meu vício noturno de sempre, em algum momento da madrugada meu pau fica duro sozinho. E quando fica duro, há pouco o que negociar. No meio da noite ouvi movimento no colchão. Abri os olhos e vi Kyaw, ainda com a toalha, me dizendo que o sofá não era confortável e que preferia a cama. Eu disse: tudo bem, deita, descansa.
Alguns minutos depois senti o corpo dele colado ao meu. Em proporção, parecia um bichinho de pelúcia ao lado de um boxeador. Virei-me e o abracei por trás, para ver o que ele faria. Não demorou muito para reagir. Senti uma mão pequena deslizando pelo meu ventre, descendo, passando pelo púbis, até encontrar meu pau, que já começava a inchar por puro instinto. Ele o envolveu com os dedos e soltou um gemido baixo ao notar o tamanho. Não fechava totalmente a mão em volta dele. Começou a me masturbar devagar, apertando, puxando a pele para cima e para baixo, descobrindo a glande grossa e cobrindo-a de novo. Eu fingia estar dormindo e sentia a respiração acelerada contra meu pescoço, o coração disparado, e o pau pequeno dele duro, cravando-se na minha anca por cima da toalha.
Me deitei de barriga para cima, mais confortável, e meu pau ficou teso, erguido contra o umbigo, grosso e com a ponta já molhada. Ele voltou a procurá-lo com a mão, segurou pela base e se inclinou para observá-lo de perto na penumbra, como quem examina algo que não acredita totalmente ser real. Baixou a cabeça. Poucos segundos depois, senti o calor da língua dele passando pela minha glande, lambendo a gota de líquido que surgia, contornando a coroa. Depois abriu a boca e tentou engoli-lo. Ficou pela metade, engasgando, com os olhos marejados e as bochechas estufadas ao redor do meu pau. Tirou, respirou e tornou a colocar, agora usando as duas mãos na base para poder cuidar do que sobrava para fora. Chupava com fome, com o barulho úmido da saliva escorrendo pelo queixo e pingando nos meus ovos. Com a mão livre, acariciava meu peito, descia até os testículos, pesava-os na mão e subia de novo. Ele se esforçava, sugava, arfava baixinho entre um engasgo e outro. Eu já estava há dias sem me tocar e tive que morder os dentes e o lábio para não gozar na boca dele em dez minutos.
Pousei a mão em sua nuca e o guiei, marcando o ritmo. Ensinei-o a descer até onde conseguisse e tirá-lo todo, para lamber meu freio por alguns segundos e depois enfiá-lo de novo. Quando via que ele estava engasgando, eu mesmo o tirava, deixava que limpasse a baba com o dorso da mão e ele, sem precisar de instrução, começava a chupar meus ovos, um por um, enfiando-os inteiros nessa boca pequena. Deixava meu pau brilhando de saliva, pulsando contra a cara dele.
Senti quando ele subiu até a altura do meu rosto, devagar, e aproximou a boca da minha em busca de um beijo. Deixei que chegasse perto e retribuí com força, mordendo o lábio inferior, enfiando a língua até o fundo, segurando sua nuca com uma mão. Ele deu um sobressalto, surpreso, ainda convencido de que eu continuava dormindo. Peguei o rosto dele entre as mãos e o devorei sem disfarçar. Quando se afastou, quase pedindo desculpa com o olhar, eu disse que relaxasse, que aproveitasse, que não havia ninguém olhando. Arranquei a toalha num puxão e ele ficou nu sobre mim, com o pau pequeno, mas duro como pedra, apertando meu ventre. Tentou me abraçar e não alcançou minhas costas. Expliquei como eu gostava que me chupassem e o coloquei para trabalhar de novo. Ele aprendia rápido, admito, embora a metade do meu pau ficasse sempre de fora da boca dele.
Fiz ele se virar. Coloquei-o de quatro, com o rosto colado no colchão e a bunda levantada. Tinha a bunda exatamente como eu imaginava: pequena, redonda, sem pelos, duas nádegas macias divididas por uma fenda apertada. Abri-a com as duas mãos e vi o cuzinho: rosa, franzido, virgem à primeira vista. Baixei o rosto e passei a língua inteira de cima a baixo, da base dos ovos até o buraquinho do cóccix. Kyaw deu um sobressalto, engoliu um grito contra o travesseiro e arqueou as costas. Voltei a lambê-lo, agora me concentrando no buraco, ensalivando bem, pressionando com a ponta da língua contra o músculo fechado até ele começar a ceder. Eu o lambia com movimentos longos, enfiando quando abria, chupando seus ovos entre uma lambida e outra. Ele gemia com a boca contra o lençol, cerrando os punhos, sacudindo a bundinha para trás em busca do meu rosto.
Molhei um dedo na saliva e o empurrei devagar. Entrou inteiro. Mexi lá dentro, procurando o ponto dele, e ele soltou um gemido rouco que não conseguiu conter. Enfiei o segundo dedo. Aí já custou mais, ele apertou, mordeu o antebraço. Mexi-os em tesoura por um tempo, abrindo o buraco, enquanto com a outra mão me masturbava devagar com toda a saliva dele. Perguntei se ele me deixaria transá-lo. Ele negou com a cabeça, se virando assustado, e me disse que nunca tinha estado com um pau tão grande, que estava com medo, que não ia caber. Vi os olhos dele realmente assustados e não insisti. Disse que tudo bem, que ficasse tranquilo, que a gente faria depois.
Virei-o de barriga para cima e me ajoelhei sobre o peito dele, com o pau apontado para o rosto. Segurei a cabeça dele com as duas mãos e fui enfiando eu mesmo, no meu ritmo, fodendo a boca com cuidado, mas sem parar. Entrava até a metade e ele, com os olhos fechados e as lágrimas escorrendo pelas têmporas, chupava com tudo o que tinha, enchendo as bochechas, pondo a língua para fora sob a glande toda vez que eu a tirava para deixá-lo respirar. Encostei a ponta nos lábios e cuspi na boca dele; ele a abriu mais e mostrou a língua pedindo mais. Fodi a boca dele assim por um bom tempo, ouvindo-o engolir saliva e se arquear cada vez que eu tocava o fundo da garganta.
Quando percebi que ele não aguentava mais, me joguei para trás, me ajoelhei sobre ele e bati meu pau com a mão sobre o rosto dele, apertando os ovos com a outra. Kyaw pôs a língua para fora, fechou os olhos e esperou. Eu o pintei inteiro. O primeiro jato caiu na testa e no cabelo, o segundo cruzou o olho e o nariz, o terceiro e o quarto encheram a boca aberta e o queixo, e os últimos escorreram pelo pescoço até o peito. Ele ficou com uma máscara inteira de sêmen. Esfreguei a glande contra os lábios, untando o que restava, e ele chupou com os olhos ainda fechados.
Ele se levantou num salto, foi ao banheiro se lavar e voltou como uma criança que acabou de terminar a brincadeira. Se encolheu contra mim, ainda nu, com a bundinha apertada contra minha coxa e a cabeça apoiada no meu peito, e adormeceu na mesma hora.
Eu o abracei como se fosse um bichinho de pelúcia. De manhã, ele estava nervosíssimo para chegar cedo ao escritório e, principalmente, para que ninguém nos visse juntos.
Deixei-o duas ruas antes do trabalho. Entrei eu com o carro, como sempre. O dia seguiu normalmente. Em um papel dobrado, antes do café da manhã tardio, deixei escrito sobre o teclado que eu não voltaria de Kuala Lumpur para Madri sem provar o que naquela noite ele não tinha querido me dar.
Continua.