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Relatos Ardientes

A despedida de solteira que mudou minha lua de mel

A noite estava fresca, mas não fria, uma dessas do fim de março em que o ar ainda cheira a inverno, mas já promete a primavera. Faltavam exatamente três meses para o meu casamento com Tomás. Dez anos juntos, dez anos de rotinas compartilhadas, de discussões que terminavam na cozinha, contra a bancada, de promessas sussurradas enquanto ele me mordia o pescoço e eu cravava as unhas nas costas dele. Dez anos sendo a noiva perfeita. Mas aquela noite era diferente: aquela noite era a minha despedida de solteira.

Tomás parou o carro em frente à casa de Inés, a mais maluca das minhas três amigas. A fachada de tijolo aparente estava iluminada por um poste de luz amarelado que projetava sombras longas sobre o jardim. Virei-me para ele no banco do passageiro. Eu usava um vestido preto justo que marcava cada curva do meu corpo de trinta e dois anos, o cabelo castanho com mechas solto sobre os ombros nus e, sob o tecido, as calcinha de renda que ele me dera de presente na semana anterior.

—Comporte-se, futura senhora —disse ele com aquele sorriso torto que sempre me acelerava o pulso. A mão dele subiu pela minha coxa até roçar a renda—. Nada de loucuras. Vinho, pizza e filmes melosos. Amanhã você me conta.

Ri, nervosa, e me inclinei para beijá-lo com aquela intimidade de uma década. Quando ele se afastou pela rua, caminhei até a porta com o coração batendo um pouco mais rápido do que o normal. Dez anos. Três meses. Logo eu seria uma mulher casada. A ideia me provocava uma mistura estranha, como se uma parte de mim soubesse que aquela noite podia ser a última chance de sentir algo proibido.

Inés abriu antes que eu batesse. Alta, morena, com um piercing minúsculo no nariz e um pijama curto de cetim vermelho que mal cobria suas pernas intermináveis. Me abraçou forte; cheirava a vinho tinto e perfume caro. Lá dentro, Elena e Lucía já estavam sentadas no sofá enorme em L, taças na mão, velas de baunilha acesas na mesinha baixa.

—Pela futura esposa mais linda do mundo —brindou Inés—. Dez anos com o mesmo cara e vocês ainda transam como coelhos. Você é minha ídola.

Começamos com pizza direto da caixa, sentadas no chão. O primeiro filme foi meloso e previsível. Lágrimas, suspiros, mais vinho. Falamos de como Tomás tinha me pedido em casamento na praia no verão anterior, de como eu chorei feito boba quando ele se ajoelhou com o anel. Falamos de sexo, de tédio, de fantasias. O vinho soltava minha língua e me fazia cócegas entre as pernas. Ainda não era excitação, só aquela coceirinha gostosa que faz a gente cruzar as pernas sem perceber.

Às onze tínhamos terminado o segundo filme e aberto a terceira garrafa. Vieram os shots de limoncello gelado. Um, dois, três. Eu sentia a cabeça leve, as bochechas quentes, a risada fácil.

—Isso está perfeito —disse, recostada no sofá—. Calmo, de meninas, sem surpresas.

Inés piscou para mim.

—Claro que sim, querida. Nada estranho.

O relógio marcou meia-noite. Então a campainha tocou. Duas vezes, forte.

—Quem será a esta hora? —murmurou Inés, levantando cambaleante.

Do corredor, ouviu-se a voz dela, fingindo surpresa.

—Polícia? Sério?

Franzi a testa. Elena e Lucía se olharam com um sorriso que já não me pareceu tão inocente. Inés voltou à sala acompanhada de dois homens altíssimos vestidos com uniformes: camisa azul justa, calças pretas, distintivos brilhantes. Um era loiro, maxilar quadrado, olhos azuis. O outro era moreno, pele azeitonada, barba por fazer e braços que esticavam as mangas.

—Boa noite, senhoras —disse o loiro com voz grave—. Somos os agentes Vega e Solís. Recebemos várias reclamações por barulho.

Cruzei os braços, o coração batendo forte.

—Desculpem, agentes, mas isso é uma despedida de solteira tranquila. Somos só quatro garotas e vinho.

O moreno tirou o boné devagar e o deixou sobre a mesa. Então tudo mudou. A música da sala aumentou de volume: um ritmo grave, sensual, com graves que reverberavam. Vega levou a mão ao primeiro botão da camisa e começou a desabotoá-lo mexendo os quadris.

—Surpresa, vadia! —gritou Elena—. Suas amigas te adoram demais para deixar sua despedida ser chata!

—Polícia sexy, em dobro —acrescentou Lucía, aplaudindo—. Pra você se despedir como Deus manda.

Senti uma onda de raiva misturada com surpresa. O vinho me deixava acesa, os shots me faziam cambalear.

—Porra, meninas! Eu disse que queria algo tranquilo. Vocês me prometeram!

Inés se aproximou por trás e me abraçou, os peitos grandes pressionando minhas costas.

—Vai, olha como eles são gatos. Relaxa. Bebe mais um.

Ela colocou um copinho na minha mão. Hesitei. Virei de uma vez. O calor se espalhou pelo meu peito e desceu até a vagina, que começou a pulsar suavemente, traidora.

Os strippers já estavam no meio da apresentação. Vega tirou a camisa: peitoral definido, abdômen em gomos, uma linha fina de pelos descendo até desaparecer sob o cinto. Solís fez o mesmo. A pele morena brilhava sob as luzes baixas. Eles se moviam sincronizados, roçando os volumes já marcados sob as calças. As calças caíram quase ao mesmo tempo. Por baixo, tacinhas pretas minúsculas que mal continham os volumes pesados.

—Olha pra eles, noiva —sussurrou Lucía com o celular já erguido, gravando—. Dez anos olhando só um. Hoje à noite você tem dois na sua frente.

As tangas desapareceram. Engoli em seco. Eu estava com o rosto vermelho, os mamilos duros contra o vestido, a calcinha encharcada sem saber muito bem como.

—Porra, meninas… isso já é demais.

Mas eu não me levantava. Não conseguia desviar o olhar.

Inés sussurrou no meu ouvido, com a voz rouca:

—Vai, Mariana. Uma última vez. Toca neles. Se despede antes de passar o resto da vida só transando com o do Tomás. Ninguém vai ficar sabendo.

Estendi a mão direita, trêmula. Os dedos se fecharam em torno do membro quente de Vega. A pele era surpreendentemente macia sobre a dureza que pulsava por baixo. Um arrepio elétrico percorreu meu braço e desceu direto para o clitóris. Quase sem pensar, a esquerda foi para Solís. Comecei a movê-las ao mesmo tempo, devagar, explorando, sentindo cada veia, cada relevo.

Inés deslizou uma mão por baixo do meu vestido e afastou a calcinha. Dois dedos suaves encontraram meu clitóris já inchado. Dei um sobressalto.

—Você está pingando, sua safada —sussurrou—. Seu corpo sabe perfeitamente o que quer.

Ela virou meu rosto e me beijou na boca. Profundo, úmido, com gosto de vinho e limoncello. Gemia dentro do beijo enquanto minhas mãos continuavam trabalhando nas duas rolas. Elena e Lucía gravavam com os celulares, incentivando.

—Olha a noiva perfeita!

—Faz ela gozar enquanto chupa esses dois.

Meus quadris se moviam sozinhos, empurrando contra a mão de Inés. Quando o orgasmo chegou, apertei as duas rolas com força, minha vagina se contraindo violentamente em torno dos dedos da minha amiga. Gritei dentro do beijo, o corpo convulsionando, as pernas tremendo.

—E isso é só o começo —sussurrou Inés quando eu recuperei o fôlego.

***

Não sei como terminei ajoelhada no tapete, alternando entre os dois paus com a boca. O vestido tinha escorregado até a cintura, um peito de fora, os lábios inchados de chupar. Vega era comprido, levemente curvo. Solís era grosso, intimidador. Eu aprendia a engolir a cada minuto, os engasgos se misturando com os gemidos.

Então meu celular tocou. A melodia romântica que havíamos escolhido juntos. «Tomás ❤️» iluminado na tela.

Todas nós congelamos. Eu tinha naquele momento quase oito centímetros de Vega na boca. Tentei tirá-lo, mas ele manteve a mão na minha nuca com suavidade.

—Continua chupando —murmurou—. Não para.

Inés pegou o telefone com uma frieza surpreendente.

—Alô? Oi, Tomás! Tudo bem por aí?

Do outro lado, a voz dele, carinhosa, levemente preocupada.

—Oi, Inés. Só liguei pra ver como está a noite. A Mariana está por aí? Me passa pra ela?

Inés me olhou diretamente. Eu estava com a boca cheia, os lábios esticados em torno do membro inchado, a cabeça se movendo devagar.

—Está tudo ótimo, Tomás —respondeu, sem um tremor sequer—. Estamos vendo um filme e bebendo vinho. A Mariana está no banheiro, tomou um shot a mais e o estômago não caiu bem. Está vomitando um pouco, coitada.

Soltei um gemido abafado contra o pau de Vega. Inés tossiu forte para disfarçar. Tomás riu baixinho, confiante.

—Coitadinha da minha menina. Diz pra ela não beber tanto. Me passa quando ela sair?

—Assim que melhorar, ela te liga, tá? Não se preocupa com nada.

—Tá, obrigado, Inés. Você é um anjo. Cuida bem dela.

Desligou. As três explodiram em risadas perversas e baixas.

—Caralho, Inés, que cara de pau —murmurou Elena, tapando a boca—. Você estava falando com o namorado enquanto a Mariana estava de boca cheia.

Tirei o pau de Vega com um som úmido e obsceno. Eu ofegava forte, o rosto vermelho, saliva escorrendo pelo queixo.

—Vocês estão completamente loucas —sussurrei com a voz quebrada. Mas não me levantei. Abri a boca de novo e dessa vez ataquei a de Solís, escancarando-a ao máximo para abarcar a cabeça grossa. A culpa da ligação, em vez de me deter, me empurrou mais fundo. Chupava com uma fome nova, escura, que eu não reconhecia.

***

Os dois se acomodaram no sofá. Tiraram de mim o que restava do vestido. Montei primeiro em Vega, agarrando o pau longo dele e guiando-o para dentro de mim. Desci devagar, sentindo como ele me preenchia centímetro por centímetro, chegando a lugares que o de Tomás nunca tinha sequer roçado. Cavalgava com a bunda batendo nas coxas dele. Minha mão direita se esticou sem pensar em direção a Solís, masturbando-o para mantê-lo duro.

Depois troquei. O pau grosso de Solís me abriu de um jeito que eu não achava possível. Era menos profundo, mas a grossura me deixava sem ar. Cavalguei com movimentos curtos, o clitóris roçando o púbis dele a cada descida, os seios batendo um no outro.

—Me fode com esse pau grosso… —escapou num gemido que eu já não controlava.

Me puseram de quatro no tapete. Vega entrou por trás com um único empurrão profundo. Soltei um grito agudo. Ele me fodia com estocadas brutais, alternando tapas secos em cada nádega. Solís se colocou na frente e encheu minha boca. Eles me comiam ao mesmo tempo, me sacudindo entre os dois como uma boneca.

—Aproveita o que puder —sussurrou Inés no meu ouvido, puxando meu cabelo—. Porque ainda falta a dupla penetração. E a cara cheia no final.

***

Solís se deitou no chão. Coloquei-me de cócoras, guiando o pau grosso dele para dentro de mim. Quando o tive até o fundo, Inés me empurrou para a frente sobre o peito dele. Vega se ajoelhou atrás. Passaram lubrificante generosamente. Nunca tinha feito aquilo. Tomás nunca tinha me tocado ali.

—Relaxa, noiva… respira fundo —murmurou Vega.

A glande pressionou. O esfíncter resistiu, depois cedeu aos poucos. A dor ardente se misturou a um prazer estranho, profundo, que eu nunca tinha sentido. Quando os dois paus estavam dentro ao mesmo tempo, senti uma pressão brutal, indescritível. As paredes estavam separadas apenas por uma membrana fina e eu sentia os dois membros se roçando dentro de mim.

Começaram a se mover sincronizados. Devagar no início, depois acelerando. Meu corpo se sacudia entre os dois como uma boneca empalada e usada sem piedade.

Então meu celular tocou de novo. Tomás outra vez, como as safadas tinham planejado antes.

Inés atendeu no viva-voz e aproximou o telefone do meu rosto. Vega e Solís não pararam: apenas diminuíram o ritmo, permanecendo dentro de mim, movendo-se alguns centímetros.

—O... oi, meu amor —disse com a voz entrecortada.

—Oi, minha vida. Já melhorou do estômago? Como está a noite?

Uma estocada mais funda de Solís arrancou de mim um gemido que disfarcei como uma pigarreada.

—S... sim, já estou melhor... foi só uma tontura boba...

—Você está soando muito estranha. Tem certeza de que está bem?

—Sim, é que bebi umas taças a mais. Estou deitada no sofá, ainda um pouco tonta.

—Tá bom, meu amor. Descansa. Eu te amo muito.

—Eu te amo... tchau.

Assim que Inés desligou, soltei um grito longo e animalesco. Os dois aceleraram sem piedade. As amigas gravavam, aplaudiam, riam.

—Isso, vadia. Fala com seu namorado enquanto leva dupla. Que noiva mais depravada!

Gozei outra vez, selvagem, os líquidos escorrendo ao redor do pau grosso, respingando nas coxas de Solís e no tapete.

***

O final eu recebi de joelhos no centro da sala, a boca aberta, alternando entre os dois paus para terminá-los. Vega rugiu primeiro. O primeiro jato me atravessou o rosto até a testa. Solís rugiu depois, ainda mais abundante, enchendo minha boca até transbordar, cobrindo meus seios, meu pescoço, mechas do cabelo. Engoli o que pude entre tosses, os olhos fechados, uma máscara espessa e quente escorrendo pelo queixo.

As garotas me limparam só o suficiente. Queriam que eu levasse a lembrança física, grudenta, da noite. Quando saí para a rua às seis e meia da manhã, minhas coxas doíam, meu traseiro ardia, e eu ainda tinha restos secos no cabelo. Mandei uma mensagem para Tomás: «Tudo bem, amor. Já estou voltando pra casa. Te amo.»

***

O casamento foi cinco meses depois. Uma fazenda cercada de jacarandás, céu azul perfeito, meu vestido branco de corte sereia. Tomás me olhava com aquela adoração inabalável de sempre. Quando o padre nos declarou marido e mulher, senti um nó no estômago: amor genuíno, felicidade real e uma culpa quente que ainda me espetava cada vez que eu me lembrava da sala de Inés.

No banheiro da fazenda, depois da primeira dança, Inés entrou atrás de mim e fechou a porta.

—Você está linda demais, senhora casada —sussurrou—. Ainda dói um pouco quando você se senta?

Fiquei vermelha até as orelhas. Não consegui evitar um sorriso nervoso, culpado.

—Cala a boca, sua puta. Nem pense em mencionar isso nunca mais.

A lua de mel na Riviera Maya foi um sonho: águas turquesa, pores do sol intermináveis, sexo lento e romântico. Tomás me amava com aquela intimidade terna de sempre. Mas mais de uma vez, enquanto ele me comia com carinho na cama com vista para o oceano, minha mente voava sem permissão para aquela noite: os dois paus me abrindo ao mesmo tempo, a ligação telefônica, as gozadas espessas cobrindo meu rosto. Nesses momentos eu gozava mais forte, e ele acreditava que era por causa do romantismo do lugar.

***

Quatro meses depois do casamento, numa sexta-feira, Tomás teve que viajar a trabalho. Fiquei sozinha no apartamento. Preparei um banho longo, me servi de uma taça generosa do mesmo vinho tinto que bebemos naquela noite e me sentei no sofá com o notebook sobre as pernas.

Eu sabia perfeitamente o que ia fazer. Tinha passado semanas resistindo.

Abri a pasta oculta que Inés me passara discretamente dois dias depois da despedida. Pra você lembrar, se quiser, de como foi puta, dizia a mensagem dela.

Apertei play em um dos vídeos mais longos. A imagem em alta definição me atingiu como um soco. Lá estava eu, de joelhos, completamente nua, chupando com fome o pau comprido de Vega. O áudio era nítido: meus gemidos abafados, as risadas das minhas amigas, os rosnados dos strippers.

Senti o calor imediato entre as pernas. Levei a mão para baixo do pijama. Comecei a me tocar devagar, em círculos lentos sobre o clitóris.

Troquei para o arquivo da dupla penetração. Meu rosto de prazer absoluto, os gemidos transformados em gritos, minha voz implorando: «mais forte... me fode nos dois buracos». E então a parte que mais me excitava: a ligação de Tomás. Minha voz entrecortada disfarçando enquanto os paus continuavam dentro de mim.

Enfiei três dedos na minha vagina. Me fodendo enquanto me fodiam na tela. Troquei para o vídeo final: as gozada. O primeiro jato me cruzando o rosto, fechando um dos olhos. Minha voz murmurando: «que gozada... me encheram a cara toda».

O orgasmo me atingiu com violência. Arqueei as costas, gemi longo e abafado, os olhos fixos na imagem congelada do meu rosto destruído.

Quando passou, fiquei ofegante, profundamente culpada. Eu era uma mulher casada agora. Tinha jurado fidelidade eterna. Mas a excitação não desaparecia. Aquela noite tinha despertado em mim algo escuro e viciante que dez anos de sexo monogâmico nunca tinham tocado.

Fechei o notebook, tomei banho com água muito quente tentando apagar os vestígios. Mas as imagens continuavam vivas.

Entrei na cama sozinha, olhei a foto do casamento no criado-mudo e sussurrei na escuridão:

—Desculpa, amor... foi só uma noite. Não vai acontecer de novo.

Mas, no fundo, eu sabia que isso não era totalmente verdade. Sabia que, de vez em quando, quando estivesse sozinha, voltaria a abrir aquela pasta. Sabia que o segredo me acompanharia pelo resto da vida como uma cicatriz quente, privada e perigosamente excitante.

Eu já não era exatamente a mesma mulher fiel e inocente que tinha entrado na casa de Inés pedindo uma despedida tranquila. Era uma esposa. E, no mais fundo e secreto de mim, eu também continuava sendo a safada que tinha descoberto o quanto gostava de ser assim.

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