Meu enteado soube desde o primeiro dia quem eu era
Sou Valeria. Aos quarenta anos, eu achava que tinha encontrado a equação exata da felicidade: um homem estável, uma casa organizada, uma vida sem surpresas. Ernesto é um bom homem. Sério, pontual, generoso com o dinheiro. Ele me ama à sua maneira, que é uma maneira silenciosa e previsível. Não há fogo entre nós, mas, depois de uma juventude que foi um incêndio constante, a ausência de chamas me parecia um privilégio que nem todo mundo tem.
Olho para mim no espelho do closet e reconheço a mulher que construí com esforço e com o dinheiro de outro homem. O corpo que vejo não é exatamente o que eu tinha aos vinte anos, mas é o corpo que Ernesto escolheu manter. Os peitos novos, altos e firmes, a bunda levantada pelo bisturi, a cintura marcada. Intervenções boas, discretas, bem-feitas. Às vezes me pergunto se esse corpo consertado realmente me pertence ou se é apenas um investimento que ele cuida como cuida do carro, e que não fode há tanto tempo que quase se esqueceu dele.
Depois tem o Bruno.
O filho de Ernesto tem vinte anos e uma calma que me desconcertava desde o primeiro dia. Não é o típico garoto problemático. Não quebra coisas, não chega atrasado, não levanta a voz. O problema dele é mais sutil. Ele me olha com uma atenção constante que atravessa minhas poses, meus tons de autoridade, minhas regras da casa. Como se enxergasse algo que eu tento manter escondido. Como se soubesse exatamente qual é o muro que construí e só estivesse esperando o momento certo para tocá-lo com um dedo.
Sou eu quem mantém a ordem nesta casa. Dito tudo com precisão cirúrgica: horários das refeições, política de visitas, volume da música. Bruno obedece na aparência e desobedece no fundo, e faz isso com uma elegância que me deixa sem argumentos. Sempre que consigo encurralá-lo, ele me oferece um sorriso tranquilo e muda de assunto. O sorriso de alguém que sabe que o tempo está a seu favor e que tem toda a paciência do mundo.
***
Na terça-feira surgiu a primeira rachadura.
Eu estava com uma enxaqueca que partia minha cabeça ao meio. Ernesto tinha me pedido para coordenar o jantar de negócios dele na quinta-feira, e o peso dos preparativos havia se instalado nas minhas têmporas. Eu precisava de silêncio. Só uma hora, nada mais.
A música do Bruno era perfeitamente audível do corredor. Aquele pulso baixo e repetitivo que vibra nas paredes e se instala no esterno sem pedir licença.
Subi as escadas sem pensar muito no que ia dizer. Não bati. Na minha própria casa, eu não tinha por que bater. Empurrei a porta do quarto dele de par em par.
—Bruno! Quantas vezes eu tenho que pedir para você abaixar isso? Tem gente tentando descansar e…
As palavras morreram na minha garganta.
Ele saía do banheiro anexo. O cabelo molhado, a água ainda escorrendo pelos ombros e pelo peito. Sem toalha. Sem vergonha. Sem o menor gesto de se cobrir ou pedir desculpas.
Fiquei imóvel na soleira.
Desvie os olhos. Agora mesmo. Desvie.
Meus olhos não me obedeceram. Desceram devagar, sem a minha permissão, e pararam onde não deveriam.
Eu vi. Vi o pau dele, inteiro, longo, grosso, pendendo pesado entre as coxas, ainda meio adormecido e já maior do que o de Ernesto havia sido no auge. A ponta rosada aparecendo sob o prepúcio, as bolas densas, a moita de pelos escuros aparada apenas pelo vapor. Durante dois ou três segundos que pareceram muito mais longos, nada mais existiu no mundo. Nem o quarto, nem o casamento, nem a enxaqueca, nem o certo ou o errado. Apenas aquele pau. Um pau que eu não esperava encontrar e que meu corpo registrou antes que minha cabeça pudesse intervir.
Senti um calor repentino entre as pernas, uma pulsação úmida que reconheci imediatamente porque fazia meses que não a sentia. A boceta se contraiu sozinha, a calcinha grudou nos lábios já molhados. Mordi o lábio inferior com força para não emitir nenhum som.
—Abaixe a música —disse. Minha voz saiu sem peso, sem autoridade, pela metade. O sussurro de alguém que acabara de perder uma batalha que nem sabia estar travando.
E fui embora. Desci as escadas quase correndo e me tranquei no quarto. Fiquei de pé no centro do cômodo durante um tempo, com o coração golpeando o peito e a calcinha encharcada contra a pele.
Isso não significa nada. Não muda nada. Você não vai pensar mais nisso.
Naquela noite dormi mal. E, pior: enquanto Ernesto roncava ao meu lado, enfiei a mão sob os lençóis e toquei a boceta pensando naquele pau. Gozei em silêncio, com dois dedos enterrados e o polegar no clitóris, mordendo o pulso para não fazer barulho. Foi o primeiro orgasmo de verdade que eu tinha em semanas, e não foi meu marido quem me deu.
***
Três dias depois eu estava na banheira.
A água quente era o único lugar onde eu conseguia me desligar por completo. Coloquei sais, apaguei a luz do teto e deixei acesa apenas a velinha na prateleira. Olhos fechados. Os ombros relaxados pela primeira vez em semanas. Um remanso de paz que durou exatamente o tempo que a porta levou para se abrir.
Não precisei olhar para saber quem era. Há pessoas cuja presença aprendemos a reconhecer antes de vê-las.
Abri os olhos. Bruno estava no batente da porta, com uma toalha na mão, olhando para mim com a mesma calma de sempre. Como se entrar no banheiro da madrasta enquanto ela tomava banho fosse algo perfeitamente normal. Seus olhos desceram sem pressa até meus peitos, que apareciam acima da espuma, os mamilos duros por causa do ar e daquilo que ele sabia que já havia acontecido.
—Saia daqui. —Minha voz soou firme. Ou tentou.— Agora mesmo.
Ele não respondeu.
Soltou a toalha.
Desta vez não foi surpresa. Foi confirmação. O pau que eu tinha visto três dias antes, agora de novo, e desta vez diferente: já semiereto, já engrossado, apontando para mim com um peso evidente. Ele inchava diante dos meus olhos, as veias se destacando no tronco, a ponta escurecendo. Já não havia qualquer ambiguidade possível na situação ou no que ela significava.
—Bruno, você está me ouvindo. Isso não pode…
—Eu sei —disse ele. Só isso.
Aproximou-se devagar. Contornou a banheira. Parou diante de mim, tão perto que eu podia sentir o calor da pele dele através do vapor. O pau, já quase totalmente duro, ficava exatamente na altura do meu rosto.
Levante-se. Saia. Diga alguma coisa que soe como uma ordem de verdade.
—Não posso fazer isso —sussurrei.
Mas não me mexi. Meu corpo havia tomado suas próprias decisões sem me consultar. A boceta pulsava sob a água quente, batendo no ritmo do pulso, tão inchada que eu sentia os lábios se abrirem sozinhos.
Ele estendeu a mão e roçou minha mandíbula com os nós dos dedos. Um contato mínimo, quase nada. E aquele gesto pequeno me desfez de uma maneira que as palavras não haviam conseguido em muito tempo.
Inclinei-me para a frente. Um centímetro. Dois.
E enfiei o pau dele na boca.
***
O que veio depois não foi suave nem foi um acidente. Foi exatamente o que era: uma mulher de quarenta anos, ajoelhada em sentido figurado diante de um pau que não deveria desejar e que desejava com uma intensidade que não se lembrava de ter sentido em muito tempo.
Chupei-o com atenção. Com concentração. Com uma vontade que me envergonhava em tempo real e não me deteve. Abri a boca até o fundo, engoli-o até onde consegui, senti a ponta empurrar meu palato, a garganta se fechar ao redor dele. Engasguei uma vez e, em vez de me afastar, enfiei-o mais fundo, com os olhos marejados, saboreando o cheiro de sabonete misturado ao gosto salgado do líquido pré-ejaculatório que já brotava da ponta. Passei a língua por baixo, por aquela veia grossa que corria desde a base, e subi devagar até chupar a cabeça como se fosse uma fruta madura. Babei nas bolas dele. Coloquei-as na boca uma de cada vez, puxando-as com os lábios, enquanto segurava o pau com a mão e o punheteava lentamente contra minha bochecha, deixando a linha úmida marcada no meu rosto.
—Isso é errado —eu dizia entre gemidos, e, enquanto dizia, minha boca voltava a se fechar ao redor dele.— Eu não deveria… Bruno, isso não pode…
—Cale a boca e chupe —disse ele, sem elevar a voz.
E obedeci. Sem resistir. Chupei-o mais rápido, mais fundo, com as duas mãos agora na bunda dele, puxando-o para o meu rosto como se tivesse medo de que escapasse.
Ele tinha uma mão no meu cabelo. Não empurrava. Apenas segurava, com uma calma que era mais perturbadora do que qualquer urgência. De vez em quando fechava o punho, puxava um pouco, obrigava-me a manter o ritmo. Eu gemia com a boca cheia, os olhos fechados, a baba escorrendo pelo queixo até o pescoço, até os peitos.
Parei de repente. Afastei-me. Um fio de saliva ainda unia meus lábios à ponta do pau dele. Apoiei as mãos na borda da banheira para me levantar. O pânico havia voltado com clareza.
—Basta. Você tem que ir embora. Agora mesmo.
Bruno deu um passo para trás. Apenas esperou.
—Tente —disse, com uma calma que me deteve mais do que qualquer gesto físico poderia ter feito.— Se quer ir embora, vá. Não vou impedi-la.
Olhei para a porta. Olhei para ele, para o pau duro, brilhante de saliva, apontado para mim. E soube, com uma lucidez incômoda, que minhas pernas não me levariam a lugar algum. Não porque ele impedisse. Porque eu não queria que elas me levassem.
Fiquei parada.
—Fora da água —disse ele.— Fique de pé. Mãos na borda. Bunda para trás.
Obedeci sem pensar. Saí da água pingando, apoiei-me no mármore frio como ele pedia, arqueei as costas e ofereci a bunda molhada, as nádegas ainda firmes por causa das cirurgias, a boceta aberta à vista e o ânus já pulsando de antecipação.
—Não se mexa —disse.— Fique exatamente como está.
***
A primeira palmada veio sem aviso.
O som ressoou no espaço revestido de azulejos. A dor foi aguda e limpa, e o que veio depois foi uma onda de calor que se espalhou da nádega até a base das costas e desceu direto para a boceta, que se contraiu sozinha, expelindo um jato de lubrificação pela parte interna das coxas.
Soltei um som que não reconheci como meu.
—Por que você é tão difícil, Valeria? —A voz dele era baixa, quase neutra.— Por que é tão difícil admitir que você baba pelo pau do seu enteado?
Outra palmada, agora na outra nádega. O gemido que escapou desta vez foi mais longo e mais honesto do que qualquer coisa que eu tivesse dito naquela tarde.
—Pare! Eu sou sua madrasta. Isso é uma loucura, Bruno. Você não pode…
—Eu já sei o que você é —disse ele, sem irritação, sem crueldade. Apenas como um fato. E enfiou dois dedos de uma vez na minha boceta, até os nós.— E também sei o que é isto. Você está encharcada. Escorrendo. Olhe como está sua boceta, Valeria.
Ele tirou os dedos brilhantes e passou-os pelos meus lábios. Chupei-os sem pensar. Engoli meu próprio sabor de boca aberta e língua para fora, e ele sorriu pela primeira vez em toda a tarde.
As palmadas continuaram. Medidas, ritmadas, cada uma em um lugar diferente, construindo um mapa de calor na minha pele que não se dissipava. Entre um golpe e outro, os dedos dele voltavam a afundar na boceta, procurando aquele ponto que Ernesto sequer sabia que existia, encontrando-o de primeira, apertando ali até eu começar a tremer e então retirando a mão e me dando outra palmada, deixando-me à beira sem me permitir chegar lá. E a cada golpe, a cada dedo, a cada retirada, algo em mim cedia. Não o corpo: algo mais profundo. O muro de autoridade que eu havia erguido naquela casa, tijolo por tijolo, ano após ano, ia se desfazendo no vapor do banheiro.
—Não… —eu repetia, e o som da minha própria voz confirmou que aquele “não” já não significava o que costumava significar.
Senti a pressão. A cabeça do pau dele, quente e firme, não contra a boceta. Um pouco mais acima. Contra o olho do cu.
—Não, por favor —sussurrei, mas meus quadris fizeram um movimento involuntário para trás. Traiçoeiro. Definitivo. A ponta afundou apenas um pouco, empurrando o anel, abrindo-o um milímetro, e o gemido que saiu de mim foi mais agudo do que eu esperava.
—Não sou eu quem está se mexendo —disse ele.
Ele tinha razão. Era eu. Meus próprios músculos, minha própria bunda procurando aquilo que minha cabeça ainda se recusava a pedir em voz alta. A humilhação de reconhecer isso foi o que me rompeu de vez.
—Me fode —disse, com a voz rouca, vinda de um lugar muito profundo.— Não aí. Na boceta. Enfia na minha boceta, Bruno, por favor. Me fode agora.
—Peça melhor.
—Enfia. Enfia tudo. Me come como você está querendo me comer há semanas.
***
O que veio depois foi uma demolição ordenada.
Ele baixou o pau um centímetro e o enterrou de uma só vez, até o fundo. Gritei. O grito ricocheteou nos azulejos. A boceta se abriu ao redor dele com uma ardência limpa, um estiramento que Ernesto nunca me havia dado porque Ernesto não tinha nada parecido com que pudesse dá-lo. Senti-o bater no fundo, chocar-se contra algo que ninguém tocava havia anos, e meus joelhos tremeram.
—Porra —sussurrei.— Porra, porra, porra…
—O quê? Grande demais para você?
—Sim. Sim. Continue. Não pare.
E ele não parou.
Cada estocada me empurrava contra o mármore frio da banheira. A água respingava nas bordas e caía no chão num ritmo que marcava o tempo. Minhas mãos escorregavam sem encontrar onde se agarrar. As mãos dele nos meus quadris, firmes, sem violência gratuita, mas sem qualquer concessão, puxando-me para trás para me encontrar a cada golpe. O som de pele molhada contra pele molhada, espirrando no vapor, era obsceno e perfeito.
Ele me agarrou pelo cabelo. Puxou minha cabeça para trás, arqueando minhas costas, obrigando-me a me olhar no espelho embaçado do outro lado do banheiro. Lá estava eu: a mulher de Ernesto, a senhora da casa, dobrada sobre a banheira com o pau do filho enterrado até as bolas e a boca aberta, gritando em silêncio.
É isso que você é quando ninguém está olhando.
O pensamento atravessou minha cabeça e, em vez de me assustar, libertou-me.
—Você gosta? —perguntou.
—Sim —respondi, e a palavra saiu inteira e sem desculpas.
—Diga. Diga do que você gosta.
—Eu gosto do seu pau. Gosto dele dentro de mim. Adoro quando você enfia.
—Ernesto lhe dá isso?
O nome do meu marido naquele contexto foi como água fria e gasolina ao mesmo tempo. Bruno aproveitou para enfiá-lo com mais força, para bater a bunda dele contra mim, para me lembrar onde eu estava e com quem.
—Não —disse.— Ernesto não me toca assim. Ele não me fode desse jeito há muito tempo. Não sabe. Não consegue. Não tem com o que.
A confissão ficou suspensa no vapor. Uma verdade que eu vinha ignorando havia meses e que acabara de pronunciar em voz alta, na situação menos apropriada que eu poderia imaginar, com o pau do filho dele destruindo minha boceta enquanto eu dizia aquilo.
—Você tem um amante? —perguntou, sem parar de se mover.
—Não.
—Tem certeza?
—Tenho. Você é o primeiro pau em meses que realmente me deseja. O primeiro pau em meses, ponto final.
Não soube se isso era mais vergonhoso do que admitir um caso. Provavelmente era.
Os golpes dele ficaram mais profundos, mais lentos. Como se quisesse que eu sentisse cada um com clareza. Ele se retirava quase por inteiro, deixava-me vazia por um segundo e voltava a enterrá-lo até o fundo. Passou uma mão por baixo de mim, entre minhas coxas, e procurou meu clitóris com dois dedos. Começou a esfregá-lo em círculos enquanto continuava me comendo, e eu perdi qualquer resto de dignidade que ainda me sobrasse.
—Diga quem você é agora —disse.
Resisti por um segundo. Apenas um. Depois parei de resistir.
—Sou a mulher do seu pai deixando-se comer pelo enteado —disse, e a frase era tão absurda e tão verdadeira que algo dentro de mim se rompeu ao pronunciá-la.— Sou sua putinha. Sou a puta do meu enteado. Agora, sou completamente sua. Goze dentro. Goze dentro de mim, Bruno, por favor, encha minha boceta.
O orgasmo chegou sem aviso. Não foi uma onda que se constrói e rompe devagar. Foi um curto-circuito que começou na base das costas e se espalhou até me apagar por completo. A boceta se fechou ao redor do pau dele em espasmos violentos, espremendo-o, puxando-o para dentro. Todo o meu corpo se tensionou e depois se dissolveu. Um líquido quente saiu de mim com uma força que me surpreendeu, respingando nas coxas dele, na borda da banheira e no chão. Algo que eu só tinha visto em algum filme e sempre havia achado exagerado. Agora eu estava vivendo aquilo, jorrando como uma fonte, com o pau dele ainda dentro de mim, ainda se movendo, ainda me comendo sem me dar trégua enquanto eu gozava.
O grito que soltei não soou humano. Foi puro, sem filtro, sem vergonha.
E ele não aguentou mais. Senti-o inchar ainda mais, senti-o ficar ainda mais duro e, com um grunhido baixo, enterrou-se até as bolas e gozou dentro de mim em jatos longos e quentes que me encheram até o fundo. Jato após jato, com o pau pulsando, com as mãos cravadas nos meus quadris. Quando terminou de despejar dentro de mim tudo o que tinha, retirou-se devagar, e o esperma começou a escorrer pelas minhas coxas, misturado à minha própria lubrificação, até o chão molhado.
Minhas pernas cederam. Segurei-me na borda como pude, com os braços tremendo e os olhos fechados. Ainda sentia a boceta pulsando ao redor do vazio que ele havia deixado.
Bruno ficou imóvel por mais um momento, olhando para mim. Depois se agachou, pegou a toalha no chão e, sem pressa, limpou o pau ainda brilhante diante do meu rosto. Foi embora sem dizer nada.
***
Fiquei na água fria durante um longo tempo, com o esperma do meu enteado escorrendo da boceta para a água.
O reflexo que eu via parcialmente no espelho do banheiro era suficiente: uma mulher com o cabelo molhado grudado no rosto, os lábios entreabertos e inchados, os olhos fixos em lugar nenhum, uma marca vermelha de mão na nádega esquerda ainda visível. Não era uma expressão de vergonha, embora eu tivesse motivos de sobra para que fosse.
Era de reconhecimento.
Ernesto voltaria em algumas horas. O jantar de negócios, o mundo organizado, as regras da casa. Tudo continuaria exatamente igual na superfície. Eu lhe daria o beijo de sempre, perguntaria sobre o dia, serviria sua taça. E ele não perceberia que sua mulher havia passado a tarde com o pau do filho enterrado até o fundo e ainda estava com a gozada dentro.
Perguntei-me se Bruno estaria no quarto naquele momento, com o pau ainda cheirando à minha boceta. Perguntei-me o que sentiria se subisse para procurá-lo. Perguntei-me o que tudo aquilo dizia sobre a mulher que eu achava ser.
Saí da banheira. Enrolei-me na toalha. Senti o esperma continuar escorrendo pela parte interna da coxa e não fiz nenhum gesto para limpá-lo.
Agora já é tarde demais para fazer essa pergunta.