Meu genro me procurou na cozinha enquanto dormiam
A casa de Marisol sempre fora um refúgio de ordem, mas, desde que sua filha Lucía e seu marido Adrián se mudaram para aguentar a reta final da gravidez, o ar parecia pesado. Naquela noite, o silêncio era quase sólido, quebrado apenas pelo zumbido do umidificador e pelo pingar de uma torneira mal fechada.
Marisol se remexeu entre os lençóis frios. Rubén estava a centenas de quilômetros dali, dormindo na cabine do caminhão. Ela o amava, era um homem bom, mas a relação dos dois tinha se tornado tão previsível quanto as rotas do marido. Aos cinquenta e um anos, sentia que seu corpo — aquela geografia de curvas maduras que ainda arrancava olhares no hospital — estava sendo desperdiçado na rotina dos plantões e na solidão da cama.
Eram três da manhã. Ela se levantou para buscar um copo de água e aliviar o calor da noite. Usava uma camisola de seda cor de pérola, uma peça que comprara com a esperança de acender uma chama em Rubén e que acabou relegada à gaveta. O tecido era fino, quase translúcido, e se moldava aos quadris com uma honestidade que não precisava de espelho.
Ao descer as escadas, uma luz fraca iluminava a cozinha. Adrián estava ali, de costas, bebendo água de uma jarra, vestido apenas com uma cueca boxer escura. Marisol ficou paralisada no umbral. Sob a luz da coifa, o corpo do genro parecia uma escultura de fibra e nervo: o peito definido, a pele morena e lisa brilhando de calor.
—Adrián? —sussurrou, embora sua voz saísse mais rouca do que pretendia.
Ele se virou de repente e largou a jarra sobre a bancada. Seus olhos cansados percorreram Marisol de cima a baixo. A camisola não escondia nada: o volume cheio dos seios, a escuridão dos mamilos sob o tecido.
—Desculpe, não queria acordar ninguém —disse ele, mas não se mexeu.
—Não se preocupe. Eu também não conseguia dormir —respondeu ela, dando um passo para dentro.
A distância se encurtou. O contraste era brutal: a maturidade voluptuosa de Marisol diante da juventude afiada de Adrián. Lá em cima, Lucía dormia alheia à corrente de alta voltagem que atravessava a cozinha.
—Essa cor cai bem em você —soltou Adrián, com uma voz que era uma declaração de guerra ao decoro.
Marisol sentiu um arrepio que nada tinha a ver com o clima. Sabia que devia dar meia-volta, mas os pés não obedeceram. Pela primeira vez em anos, sentiu-se vista. Não como mãe, não como enfermeira, não como a esposa de um caminhoneiro ausente. Sentiu-se desejada.
***
Durante a semana seguinte, a atmosfera da casa ficou elétrica. Cada cruzamento no corredor, cada jantar em que Rubén não estava, era um campo minado. Marisol começou a prestar atenção incomum aos detalhes, a uma lingerie que a fazia andar com uma confiança mais felina.
Na terça-feira, enquanto Lucía dormia uma de suas sonecas pesadas, Adrián trabalhava na sala com o laptop. Marisol entrou com uma cesta de roupa limpa e, ao se abaixar, sua blusa se desprendeu do corpo, revelando a curva do decote. Ele parou de digitar.
—Muito trabalho? —perguntou ela sem olhá-lo, sabendo perfeitamente que estava sendo observada.
—Não consigo me concentrar —admitiu ele com uma franqueza que a fez estremecer—. Faz calor demais nesta casa.
Na quinta-feira a situação escalou. Marisol preparava o jantar com um vestido de tricô que marcava toda a sua voluptuosidade quando Adrián se colocou atrás dela para alcançar um copo no armário de cima. Não pediu licença: esticou-se por cima, prendendo-a por um momento entre o próprio corpo e a bancada.
Marisol se virou lentamente e ficou presa naquele espaço mínimo. Seus seios roçaram o peito firme do jovem.
—Adrián, isso não está certo... —disse, embora suas mãos, em vez de afastá-lo, se apoiassem nos braços tensos dele.
—Eu sei —respondeu ele, baixando a voz—. Mas Lucía já nem me deixa tocá-la. E você... você é tão real.
A mão de Adrián desceu até o quadril dela e apertou de leve a carne macia. Marisol soltou um suspiro entrecortado. Nesse momento ouviram o rangido da cama de Lucía e passos pesados em direção ao banheiro. Separaram-se de repente, como adolescentes flagrados, mas o desejo já não era suspeita: era uma certeza física.
***
O jantar transcorreu em silêncio tenso. Lucía, sentada com as pernas abertas sob a mesa para acomodar a barriga, suspirava entre uma garfada e outra.
—Minhas costelas estão ardendo, mãe. Sinto que o bebê não me deixa nem respirar —queixou-se, afastando o prato pela metade.
Marisol assentiu com aquele sorriso mecânico que usava com pacientes difíceis. Naquele momento, o celular vibrou: uma videochamada de Rubén, com o rosto redondo iluminado pela luz amarelada de um posto de gasolina.
—Oi, linda —disse ele, soltando um suspiro—. Tô aqui, acabado. Amanhã sigo pro norte, vamos ver se o corpo aguenta.
Enquanto ele reclamava da digestão, Marisol sentiu o olhar de Adrián cravado nela, comparando inconscientemente a decadência de Rubén com a plenitude que ela ainda exalava. Desligou rápido.
Lucía se retirou cedo, vencida pela dor nas costas. No quarto, quando Adrián roçou a coxa dela, ela se afastou como se queimasse.
—Não, por favor. Estou me sentindo pesada, estou com dor em tudo —disse, virando-se de costas.
Adrián ficou olhando para o teto, com o pulso acelerado. A rejeição de Lucía, somada à imagem de Marisol lá embaixo, o havia levado ao limite. Levantou-se e saiu para o corredor.
Marisol já estava pronta para ir ao hospital. Sob o uniforme branco, como um segredo culpado, havia colocado um conjunto de renda preta que nunca usava para trabalhar. Estava fechando a jaqueta quando viu Adrián descer, apenas com a calça do pijama.
—Ela dormiu —disse ele, com a voz carregada de frustração—. Ou finge que dormiu.
—É a gravidez. Tenha paciência —respondeu ela, embora o olhar descesse inevitavelmente.
—Não é só a gravidez. Eu me sinto sozinho nesta casa, e vejo você... e enlouqueço. —Deu um passo, invadindo o espaço dela.
—Eu tenho que ir, vou chegar atrasada para o plantão —murmurou ela, mas não abriu a porta.
O hálito de Adrián roçou sua orelha. A mão firme e quente dele pousou por um instante sobre a dela, no puxador. Marisol não a afastou. Saiu para o ar frio da noite com o coração martelando, sabendo que, ao voltar, com Lucía na consulta médica e a casa em silêncio, o fio se romperia para sempre.
***
O amanhecer trouxe uma calma enganosa. Marisol voltou do hospital às oito, com o corpo moído, mas a mente acesa. O silêncio confirmou que o plano havia se cumprido: Lucía saíra cedo para a revisão e Rubén continuava na estrada.
Adrián estava na cozinha, sentado, com uma xícara entre as mãos e apenas uma calça de moletom cinza.
—Eles foram embora —disse ele. Sua voz era um rugido baixo.
Marisol não respondeu com palavras. Deixou a bolsa sobre uma cadeira. A luz da manhã realçava a transparência do uniforme, sob o qual a renda preta se adivinhava como uma sombra.
—Estou exausta —sussurrou, embora os olhos o desafiassem a poucos centímetros.
—Não parece que você queira dormir —replicou ele.
Adrián se levantou e envolveu sua cintura, empurrando-a contra a bancada de granito frio. Ela arquejou quando os dedos dele buscaram o zíper do uniforme.
—Passei a noite inteira pensando nisso —rosnou, enterrando o rosto em seu pescoço—. Em como você me olhava enquanto Rubén falava ao telefone.
O uniforme caiu aos pés dela e a deixou vestida apenas com a renda preta. Adrián a ergueu com uma força que Marisol já não lembrava existir num homem e a sentou sobre a bancada; as pernas dela se enlaçaram em torno da cintura dele.
Ele afastou a peça de renda para o lado e a penetrou de uma só vez. O impacto arrancou de Marisol um gemido profundo que ecoou no silêncio da cozinha. Ela arqueou as costas e cravou as mãos nos braços dele, buscando apoio. Adrián impôs um ritmo frenético, tomado por uma urgência que não entendia espera, e o corpo maduro dela absorvia cada golpe, envolvendo-o num calor que ele jamais conhecera.
—Marisol... —ele arfou, enterrando o rosto entre os seios dela.
O vai e vem sobre a bancada se tornou insuficiente. Ele a obrigou a se virar; ela apoiou as mãos no granito e inclinou o tronco, e Adrián voltou a possuí-la com um impulso ainda mais fundo.
—Não para... —implorou ela num sussurro quebrado.
Marisol sentiu o clímax se formar em sua barriga como uma onda pesada e elétrica. Justo quando o prazer os transbordava, o som de um motor foi ouvido na entrada.
Adrián se enrijeceu ao máximo e se enterrou uma última vez com um gemido abafado. Então, o bater da porta de um carro quebrou o feitiço.
—Mãe! Já cheguei! —ecoou a voz de Lucía no jardim.
O pânico e o êxtase se misturaram no ar.
—Vai para cima... rápido! —sussurrou Marisol, tentando fechar o zíper com dedos trêmulos.
Adrián atravessou a sala em silêncio e desapareceu escada acima poucos segundos antes de a chave girar na fechadura.
***
Lucía entrou com seu andar pesado, balançando o corpo para compensar o peso da barriga, e se deixou cair numa cadeira.
—Ufa, que calor faz aqui. Tem um cheiro estranho... como de lugar fechado.
—Fiz algo frito no café da manhã, querida. Como foram os exames? —A voz de Marisol saiu um pouco mais aguda do que o normal, mas a filha estava absorta demais no próprio mal-estar.
—Bem, o bebê está perfeito, mas eu não aguento mais. E o Adrián?
—Está lá em cima. Acho que estava tomando banho —mentiu Marisol, sentindo o coração dar um salto.
Lucía soltou um suspiro com uma amargura que a mãe conhecia bem. —Ultimamente ele está insuportável. Nem me toca. Sei que estou horrível, mas ele nem me olha com carinho. Ainda bem que tenho você. É a única pessoa em quem posso confiar.
Aquela frase atingiu Marisol mais do que qualquer insulto. Ela olhou para a filha —inchada, vulnerável, enganada— e sentiu uma fisgada de culpa real. Mas, ao pôr a mão no ombro dela, o cheiro de Adrián subiu de seu próprio pulso e a retirou como se tivesse se queimado.
—É uma fase difícil. Os homens nem sempre sabem lidar com essas coisas —disse, com a culpa mordendo seu estômago.
***
Chegou a noite. Lucía tinha se recolhido cedo. Marisol estava na sala, fingindo ler, quando Adrián desceu. Não houve palavras. Ele se sentou ao lado dela, perto o suficiente para que suas coxas se roçassem, e começou a erguer a barra da saia com uma lentidão torturante.
—Não consegui parar de pensar no que aconteceu hoje de manhã —sussurrou—. Em como você me apertava.
Marisol fechou o livro. Sabia que cruzar aquela linha pela segunda vez, com Lucía dormindo a poucos metros, era uma loucura sem volta. Mas quando os dedos dele roçaram a seda da calcinha, só conseguiu jogar a cabeça para trás.
—Ela está dormindo —continuou ele, beijando seu decote—. E eu preciso de você.
O risco, longe de amedrontá-los, agia como combustível. Adrián a despiu e a sentou sobre ele, deixando que a gravidade fizesse o trabalho. Marisol sentiu a invasão dele, expandindo seus limites de um jeito que Rubén jamais conseguira, e enterrou as unhas nos ombros dele para não gritar.
Ele segurou sua nuca e a obrigou a encará-lo enquanto a possuía com um ritmo implacável. O prazer foi escalando, uma maré de calor que o risco de serem descobertos tornava ainda mais intensa. Por fim, o clímax a atingiu com uma violência inédita, agarrada ao pescoço dele enquanto ele se afogava contra seu ombro.
Então se ouviram, lá em cima, os passos trôpegos de Lucía em direção ao banheiro, e o som da descarga. A margem de manobra se reduzia a segundos.
—Mãe? Ainda acordada? —A voz de Lucía já vinha no meio da escada.
Adrián pegou a própria calça e desapareceu pela porta dos fundos, que dava para o jardim, em absoluto silêncio. Marisol agarrou a manta do sofá e se enrolou nela, cobrindo a nudez, no exato momento em que a figura cansada da filha apareceu no umbral, acendendo a luz.
—O que você está fazendo aqui no escuro? —perguntou Lucía, segurando as costas.
—Fiquei dormindo enquanto lia, filha —conseguiu dizer, com uma voz que era mistura de sufoco e falsa calma.
Lucía franziu o nariz. —Tem um cheiro estranho. Você estava limpando?
—Deixei cair desinfetante do hospital quando larguei a bolsa. Você me conhece.
A ironia era cruel: Lucía sofria com a falta de atenção do marido enquanto Marisol, sob a manta, trazia grudado na própria carne o rastro do pecado.
—Vai para a cama, querida. Eu termino de arrumar e subo —disse com urgência.
Quando Lucía desapareceu, Marisol soltou o ar que prendia. Olhou-se no espelho do aparador: havia um brilho selvagem nos olhos que ela não reconhecia. A traição era total, mas o prazer tinha sido real demais para que se arrependesse.
***
Na manhã seguinte, enquanto tomavam café em uma normalidade dolorida, o estrondo de um motor pesado e o chiado dos freios a ar romperam a paz da vizinhança: o caminhão de Rubén acabara de estacionar na porta.
Ele entrou como um vendaval de cansaço e bom humor, com a barriga esticando os botões da camisa xadrez e aquele cheiro de diesel. Deu um beijo sonoro em Marisol e outro na filha. Ao lado da lembrança da pele firme de Adrián, a de Rubén parecia mole e descuidada.
—Oi, Adrián! Como vai esse trabalho? Dá um aperto de mão no seu sogro —disse Rubén, devorando umas torradas.
Adrián apertou a mão dele com uma cortesia fria. E então Marisol sentiu algo na perna: sob a toalha da mesa, o pé do genro havia encontrado o seu e subia pela panturrilha com uma ousadia que lhe tirou o ar.
—Está acontecendo alguma coisa? Você está muito calada —disse Rubén, olhando-a com seus olhos bondosos.
—Não, nada... Fico feliz que tenha voltado —conseguiu dizer, sentindo o pé de Adrián chegar à parte interna da coxa.
Adrián sorriu levemente por cima da borda da xícara, sabendo que naquela casa a ordem estabelecida acabara de morrer para sempre.
***
O meio-dia avançava com uma calma fictícia. Rubén tinha se trancado no banheiro para um de seus longos banhos e, lá em cima, Lucía reorganizava o quarto do bebê. Marisol lavava a louça quando sentiu o calor de um corpo jovem colando-se às suas costas.
Adrián não se aproximou com sigilo, mas com a prepotência de quem se sabe dono da situação. Através do fino pijama de cetim, ela sentiu a pressão da ereção dele se encaixando entre suas nádegas.
—Meu Deus... Rubén está aí do lado, ele vai ouvir —murmurou, embora seu corpo traidor arqueasse em busca do contato.
—Não me importa —rosnou ele em seu ouvido—. Passei a manhã inteira vendo você se mexer na frente dele.
Com uma ousadia suicida, enquanto se ouvia a água do chuveiro a poucos metros, Adrián puxou de uma vez a calça do pijama dela, procurou a entrada mais proibida e empurrou.
—Não! Aí não! —ela exalou, com um gemido de dor e surpresa.
Mas as reclamações dela eram combustível. Ele a segurou pelos ombros, obrigando-a a se apoiar na pia, e se enterrou nela com determinação brutal. Marisol mordeu o pano que tinha ao lado para abafar um grito. A dor inicial foi engolida por uma perversão escura: estava sendo possuída da forma mais proibida enquanto o marido se ensaboava do outro lado do corredor.
A invasão não durou muito. O ritmo frenético e a tensão do risco levaram Adrián ao limite em poucos minutos. Ela sentiu o corpo dele se enrijecer, os dedos cravados em seus ombros, e o derramamento dentro dela em várias descargas que a fizeram tremer dos pés à cabeça.
—Cuidado! —conseguiu dizer ao ouvir a água do chuveiro ser cortada de repente.
Com a mesma rapidez com que havia atacado, Adrián subiu a calça e recuperou sua máscara de indiferença. Afastou-se para a sala justamente quando a porta do banheiro se abria e Rubén saía enrolado numa toalha, totalmente alheio ao fato de que sua mulher ainda tremia apoiada na bancada.
—Ai, que maravilha! Fiquei novo em folha —exclamou Rubén, aproximando-se por trás e pondo uma mão na cintura dela, a mesma que Adrián havia apertado segundos antes—. Você está tensa, querida.
—É o cansaço. Só isso —conseguiu articular, com a voz vazia.
Adrián entrou já vestido, com uma naturalidade que a Marisol pareceu aterradora. Pegou uma garrafa d’água e bebeu, observando por cima do recipiente enquanto Rubén abraçava a esposa.
—Espero que, quando você chegar na minha idade, minha filha cuide de você assim —disse Rubén, soltando uma gargalhada.
Adrián abaixou a garrafa e dedicou ao sogro um sorriso gelado, carregado de um significado que só Marisol podia decifrar.
—Não se preocupe, Rubén. Sei perfeitamente o que tenho em casa e o que é preciso para tudo funcionar.
Rubén deu um beijo barulhento na têmpora dele e foi para a sala, cantarolando uma música do rádio. Marisol e Adrián ficaram sozinhos outra vez, no silêncio da cozinha. Ao olhar de canto para o genro, ela viu nos olhos dele que aquilo não passara de um começo: o risco de serem descobertos parecia ter acendido nele uma ambição ainda mais perigosa.
CONTINUARÁ





