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Relatos Ardientes

Uma aventura secreta que começou sob a chuva

Sofía Villanueva estava casada com don Ernesto havia dez anos, e passara três deles aprendendo a viver sem esperança.

A casa era grande, de pedra escura, com vista para o vinhedo que descia pela encosta até o rio. Tudo cheirava a ordem e ausência. Don Ernesto viajava toda semana a Logroño ou até Pamplona por negócios que nunca chegavam a ser explicados direito. Quando estava em casa, presidia tudo: a mesa, a conversa, o silêncio.

Tinha cinquenta e dois anos e a voz de quem nunca precisa levantá-la porque ninguém ousa contradizê-lo. Com Sofía era correto. Frio e correto. Às sextas-feiras, se não tivesse viajado, cumpria como se cumpre um protocolo: luz apagada, camisola erguida até a cintura, três investidas secas com a pica meio endurecida e uma gozada silenciosa dentro dela que não a molhava nem lhe arrancava um suspiro. Depois se virava e dormia, deixando-a de pernas abertas, o sêmen escorrendo entre as coxas e um vazio entre os quadris que ela já se acostumara a preencher sozinha com dois dedos quando o ouvia roncar.

Sofía tinha trinta e três anos. O corpo ainda firme e cheio, os seios grandes e ainda altos, os mamilos grandes e escuros que endureciam só de pensar, o cu espesso e peludo que há anos pedia o que ninguém lhe dava, os olhos escuros que se acostumaram a olhar sem que ninguém os encarasse de volta.

Ela descobrira algo sobre o marido três anos antes, numa tarde em que voltou antes do esperado de um recado na vila. A porta do escritório estava entreaberta. Don Ernesto tinha Remedios, a moça que vinha limpar às quintas-feiras, inclinada sobre a escrivaninha com a saia erguida até a cintura, a calcinha nos tornozelos e a bunda branca e redonda já marcada de vermelho. Ele, sentado na poltrona, a repreendia em voz baixa enquanto lhe marcava as nádegas com uma régua de madeira, com uma calma que resultava mais perturbadora do que qualquer grito. Entre uma pancada e outra, enfiava dois dedos grossos no xoxota dela e depois os levava à boca. Remedios chorava, mas não se mexia, e tinha as coxas brilhando de tão molhada que ele a deixava.

Sofía fechou a porta sem fazer barulho e nunca disse nada. Nem a ele nem a ninguém. Naquela mesma noite, na cama, meteu a mão entre as pernas pela primeira vez em anos e gozou pensando no rosto de Remedios, na régua, na calma do marido, em qualquer coisa que não fosse ela mesma.

Desde então entendeu por que com ela tudo era sempre tão breve: don Ernesto buscava outra coisa. O medo, a entrega, o choro, uma xoxota encharcada de humilhação. Com uma mulher da posição dela isso não era possível. Com ela era um móvel. Com Remedios, ou com quem fosse, era ele mesmo.

***

Marcos chegou em abril, contratado como diarista para os trabalhos da primavera no vinhedo.

Tinha vinte e seis anos, costas largas, mãos grandes e endurecidas de quem trabalha com o corpo desde os dezesseis. Era de um povoado do outro lado da serra. Falava pouco, mas olhava muito, e quando olhava para Sofía fazia isso de frente, sem a deferência calculada que os outros empregados usavam diante da senhora da casa. Olhava os seios dela quando ela se abaixava, olhava a bunda quando ela se virava, e não se dava ao trabalho de disfarçar.

No começo eram cumprimentos ao passar. Depois, conversas curtas no pátio enquanto ele guardava as ferramentas ao anoitecer. Depois risadas, às vezes, quando contava alguma coisa da vila com aquela maneira direta e sem enfeites que tinha.

Sofía percebeu quando começou a procurá-lo com os olhos toda manhã, da janela da cozinha. Notou também quando ele passou a esperar aquele momento sem disfarçar muito. E percebeu, sobretudo, a noite em que enfiou a mão entre as pernas pensando nas mãos grandes de Marcos e gozou mordendo o travesseiro para que os criados não a ouvissem.

***

Na última semana de maio, don Ernesto foi a Logroño por quatro dias para uma reunião de bodegueiros.

A manhã do segundo dia amanheceu clara, com aquele sol limpo de primavera que aquecia sem queimar ainda. Sofía encontrou Marcos no pátio antes da chegada dos outros diaristas.

—Você já viu o campo em direção ao rio? — perguntou ela. — Faz semanas que eu queria caminhar até os olmos.

—Se a senhora quiser companhia, posso levar a cesta.

—Você pode parar de me chamar de “a senhora” quando não tem ninguém por perto — disse ela.

Ele sorriu. Foi a primeira vez que ela o viu sorrir de verdade.

Arrumaram a cesta com pão, queijo manchego, algumas azeitonas, duas peras e um odre de vinho da safra anterior. Sofía vestiu um vestido de algodão azul-claro com botões até o pescoço que naquela manhã decidiu não abotoar até o fim. Por baixo, não vestiu sutiã. Disse isso baixinho ao espelho antes de sair, como quem reconhece uma decisão que já estava tomada.

Andaram pela trilha entre as videiras, depois pelo campo aberto até os olmos junto ao rio. Estenderam uma manta à sombra. Comeram devagar, conversando sobre coisas sem importância: a vila dele, os invernos na serra, a natureza do solo em diferentes partes do vinhedo. Sofía cortava o pão e ele servia o vinho. As mãos deles se roçavam ao passar as coisas, e nenhum dos dois fazia nada para evitar isso.

Em certo momento, ele arrancou uma brizna comprida de capim e a passou devagar nas costas do pulso dela. Sofía não recolheu o braço.

—O que você está fazendo? — perguntou, sabendo muito bem o que ele fazia.

—Nada — disse ele, e continuou. A brizna subiu pelo antebraço, entrou por dentro da manga e roçou a base do seio dela. Sofía sentiu o mamilo endurecer de imediato contra o tecido fino do vestido.

Depois ele trançou um colar tosco com hastes de capim entrelaçadas e o colocou em volta do pescoço dela. Os dedos dele roçaram sua nuca por um segundo a mais do que o necessário. Sofía sentiu o calor nascer no ventre e descer direto para a xoxota, que se umedeceu com uma lentidão pesada que ela não sentia havia anos.

—Não vai durar nem dez minutos — disse ela sobre o colar.

—Eu também não preciso de mais — respondeu ele.

Eles se encararam. Sofía foi a primeira a baixar os olhos, e ao fazê-lo viu o volume já formado sob a calça de trabalho de Marcos. Não desviou o olhar de imediato.

***

O céu mudou em vinte minutos. As nuvens vieram do norte, escuras e rápidas, e antes que pudessem recolher a manta já caía água com força.

Saíram correndo pelo campo.

—Ali — apontou Marcos. — Aquela construção junto ao álamo.

Era um velho celeiro de pedra na beira da mata, meio abandonado, com o telhado de ardósia ainda inteiro. Entraram encharcados, ofegantes. A chuva batia do lado de fora com fúria. Lá dentro cheirava a terra úmida e palha velha.

O vestido de Sofía colava ao corpo como uma segunda pele, transparente nos seios, os mamilos grandes e escuros marcando-se crus sob o tecido molhado. A camisa de Marcos se tornava translúcida e deixava adivinhar os pelos do peito colados à pele. Os dois tremiam.

—Com isso a gente vai pegar uma pneumonia — disse ela, e não era totalmente brincadeira.

A manta estava molhada por fora, mas o centro estava seco. Marcos a estendeu sobre o chão de terra batida.

—Temos que tirar a roupa ou não vamos esquentar — disse ele, com a voz rouca.

Ficaram de costas um para o outro. Sofía desabotoou o vestido com dedos desajeitados de frio, as alças da combinação. Tudo caiu no chão com um ruído pesado de tecido encharcado. Ficou nua, a pele arrepiada, os mamilos endurecidos, a xoxota peluda e escura entre as coxas apertadas. Ouviu ele tirar a camisa, a calça, e não pôde evitar olhar de soslaio. Viu as costas largas, a bunda firme e branca, e quando ele se virou um instante para deixar a roupa, viu a pica: grossa, já meio endurecida, pendendo pesada entre as pernas. Secou-se-lhe a boca.

Quando se sentaram juntos sobre a manta e ele a cobriu com a parte seca do tecido, o calor dos dois corpos começou a voltar.

Sofía sentia o peito dele contra suas costas, os pelos ásperos roçando-lhe as omoplatas. A respiração quente na nuca. Sentia também, contra a fenda do cu, a pica de Marcos, que já não estava meio dura, mas completamente, pulsando contra ela cada vez que ele respirava fundo.

Ela tentou não se mexer. Durou pouco.

Estava com o estômago embrulhado dos nervos e do frio que chegara de repente. Sentiu a pressão se acumulando no ventre, apertou como pôde, mas a vontade voltou com mais força. O rosto já queimava antes de abrir a boca.

—Marcos — sussurrou, morrendo de vergonha. — Sinto muito, mas não aguento mais. Preciso... preciso soltar um peido.

Ele não se mexeu. Quando falou, foi perto do ouvido dela, com uma calma que ela não esperava.

—Solta. Aqui não tem ninguém.

Sofía levantou um pouco a manta e deixou sair: suave, prolongado, audível. O alívio foi imediato. O cheiro se dissipou logo no ar frio do celeiro.

Ela esperava que ele se afastasse. Que o momento se quebrasse, como sempre acontece com essas coisas.

Mas ele a abraçou mais forte, passou uma mão pela frente e agarrou um seio inteiro, apertando-o sem pressa, e pousou os lábios por um instante na nuca dela.

—Não tem problema — murmurou.

E o corpo dele não mentiu: a pica de Marcos se cravou ainda mais dura contra a bunda dela, empurrando sozinha entre as nádegas de Sofía como se procurasse lugar.

Foi aquele abraço que desmoronou tudo.

Sofía se virou para ele. Olhou-o na penumbra do celeiro, a chuva lá fora, o cheiro de terra e de corpo quente. Beijou-o. Primeiro com cuidado, como quem verifica se algo é real. Depois sem cuidado, enfiando a língua inteira, chupando-lhe o lábio, mordendo-o.

As mãos dele percorreram seus ombros, seu flanco, os seios: agarrou-os inteiros, um em cada mão, apertando a carne macia, beliscando-lhe os mamilos duros entre os dedos até arrancar dela um gemido baixo. Ela o agarrou pela nuca e o puxou mais para perto. Ele abaixou a boca e chupou um mamilo dela, primeiro um, depois o outro, com a língua toda, com os dentes, com a boca inteira, enquanto uma mão se enfiava entre as coxas dela.

—Você está encharcada — disse ele contra o peito dela, e passou dois dedos pela fenda da xoxota de cima a baixo. — Puta merda, como você está.

—Cala a boca e me toca — ela ofegou, abrindo mais as pernas.

Os dedos de Marcos encontraram o clitóris inchado e o esfregaram em círculos lentos, e ela arqueou o corpo contra a mão dele gemendo sem se controlar. Ele desceu a cabeça pelo ventre dela, pelos pelos escuros, e abriu-lhe as coxas com as mãos grandes.

—Deixa eu ver — disse ele, e, sem esperar resposta, abriu os lábios da xoxota com os polegares.

A primeira lambida foi longa, plana, de baixo para cima, e de Sofía escapou um grito abafado que arranhou sua garganta. Ninguém jamais fizera aquilo com ela. Nem uma vez em dez anos. Marcos ficou ali, chupando-lhe a xoxota devagar, enfiando a língua dentro, subindo até o clitóris para chupá-lo entre os lábios, voltando a descer. Passou as mãos por baixo da bunda dela, ergueu-lhe os quadris, e a comeu inteira como se estivesse com fome atrasada de anos. Ela cravou os dedos no cabelo dele, apertou o rosto dele contra a xoxota, e gozou com a boca aberta e sem voz, tremendo dos pés à cabeça, ainda sentindo a língua dele cravada dentro quando passou a primeira onda.

—Vem aqui — pediu ela com a voz quebrada. — Vem para cima, quero provar você.

Ele subiu e ela lhe empurrou os ombros para deitá-lo de costas sobre a manta. Olhou a pica dele de perto pela primeira vez: grossa, longa, a ponta brilhante de líquido pré-ejaculatório, o prepúcio já totalmente retraído. Pegou-a com as duas mãos e a enfiou na boca até onde conseguiu. Marcos gemeu e pôs uma mão na nuca dela sem apertar. Sofía chupou com vontade, com saliva, subindo e descendo, tirando-a para passar a língua nos ovos e enfiá-la de novo até a garganta. Lambia a ponta, mordia de leve, arrancando dele rosnados de cão espancado.

—Para — disse ele depois de um tempo, puxando-lhe o cabelo com delicadeza. — Para ou eu gozo na sua boca e quero gozar dentro.

Deitaram-se. Ele se colocou entre as pernas dela e ela agarrou a pica, guiando-a até a xoxota encharcada. Ele entrou devagar, centímetro a centímetro, alargando-a, e Sofía fechou os olhos e soltou um som longo e rouco que guardava havia anos em algum lugar que já nem lembrava. Sentiu-o inteiro dentro, apertando-lhe por dentro cada recanto que o marido jamais alcançara.

—Me fode — sussurrou ao ouvido dele. — Me fode forte, por favor, me fode.

E Marcos a fodeu. Mexeram-se no ritmo da chuva batendo no telhado de ardósia, primeiro devagar, fundo, tirando-o quase por inteiro e voltando a cravá-lo até o fundo, e depois mais rápido, mais forte, batendo-lhe os ovos na bunda a cada investida. Ela cravou as unhas nas costas largas dele e ele a beijou no pescoço, nos seios, mordeu-lhe os mamilos sem medo. Levantou-a pelos quadris para enfiá-la de outro ângulo, e de Sofía escapou um gemido tão agudo que ela cobriu a boca com o dorso da mão.

—Fica de quatro — pediu ele com a voz quebrada.

Ela obedeceu sem pensar. Pôs-se de joelhos sobre a manta, apoiada nas mãos, a bunda erguida, a xoxota aberta. Marcos se colocou atrás, passou a pica pela fenda encharcada algumas vezes e a enfiou de novo de uma vez até o fundo. Sofía deu um grito. Ele a agarrou pelos quadris com as duas mãos, com aquelas mãos grandes de diarista, e começou a fodê-la de verdade, cada investida um golpe seco de carne contra carne, os seios dela balançando sob o corpo, o celeiro inteiro se enchendo com o barulho do sexo e dos gemidos deles e da respiração rouca dele contra a nuca dela.

—Assim — ofegava ela. — Assim, não para, não para.

Ele passou uma mão pela frente, procurou o clitóris e o esfregou no ritmo da pica que entrava e saía. Sofía sentiu o segundo orgasmo subir desde os pés, maior que o primeiro, e quando explodiu os braços lhe cederam e ela ficou com o rosto contra a manta e a bunda no alto, apertando a pica dele por dentro com espasmos que ele sentiu e que o terminaram de romper. Marcos se enterrou até o fundo, agarrou-lhe os quadris com força e gozou dentro dela com um rosnado longo, enchendo-a de jatos quentes que ela sentiu um a um, bem no fundo.

Os dois desabaram sobre a manta, ofegantes, a pica dele ainda dentro, o sêmen começando a escorrer pelas coxas dela.

Depois ficaram quietos, ouvindo a tempestade amainar, a mão dele acariciando distraidamente uma nádega marcada de vermelho.

***

A chuva parou tão de repente quanto começara. O sol surgiu tímido, molhado. Vestiram-se com a roupa ainda úmida e caminharam de volta pelo caminho de barro sem falar muito, mas também sem o silêncio tenso de antes. Sofía sentia o sêmen de Marcos escorrendo por dentro da coxa a cada passo, e gostou disso.

Ao chegar em casa, Sofía esquentou água no aquecedor da cozinha.

—O banho — disse simplesmente, e ele a seguiu.

Encheram a banheira grande do banheiro. Despiram-se olhando um para o outro, sem o pudor do celeiro. Sofía ajoelhou-se diante dele antes de entrar na água e mamou a pica dele outra vez, devagar, olhando nos olhos dele, chupando até deixá-la dura de novo. Entraram juntos. A água fumegante, o sabão escorrendo pela pele. Lavaram-se um ao outro devagar, aprendendo com as mãos o que ainda não sabiam do corpo do outro. Ela ensaboou a pica dura dele com as duas mãos, deslizando o punho para cima e para baixo. Ele ensaboou-lhe os seios, o ventre, enfiou três dedos ensaboados na xoxota dela e os moveu dentro até fazê-la gemer de novo, apoiada na borda da banheira.

Ele tinha uma cicatriz no quadril esquerdo de uma queda na adolescência. Ela tinha uma pequena marca sob a omoplata direita que nunca fora vista por ninguém além da mãe. Ele a beijou devagar.

O segundo encontro foi contra os azulejos brancos da parede. Ele a tirou da água, colocou-a de costas contra os azulejos frios e a ergueu pelas coxas. Ela envolveu a cintura dele com as pernas e ele lhe cravou a pica de uma só investida, sustentando-a contra a parede com todo o peso. A água espirrando para fora da banheira, os azulejos batendo-lhe nas costas a cada investida, os seios molhados saltando diante do rosto dele, que se abaixava para chupá-los entre um gemido e outro. Mais urgente que o primeiro, mais despido de qualquer dúvida. Ela lhe cravava os calcanhares na bunda, empurrando-o mais para dentro a cada golpe, as unhas nos ombros, a boca na boca dele, mordendo-o, chupando-lhe a língua, ofegando na cara dele sem nenhum controle.

—Goza de novo dentro — pediu ela. — Outra vez dentro, quero sentir você de novo.

E ele gozou de novo dentro dela, com o rosto enterrado no pescoço dela, enquanto Sofía gozava ao mesmo tempo, apertando-lhe a pica com a xoxota em espasmos longos que arrancaram dele até a última gota. Deixaram-se cair os dois no fundo da banheira, ainda grudados, e ficaram abraçados na água morna até o relógio da cozinha bater seis horas.

***

Ao entardecer, enquanto ele vestia a roupa já quase seca, Sofía o observava da soleira do banheiro, ainda nua, com o sêmen dele ainda escorrendo pelas coxas.

—Meu marido volta na quinta-feira — disse ela.

—Eu sei.

Houve um silêncio longo.

—Isso não pode continuar — murmurou ela.

—Eu sei — repetiu ele.

Beijaram-se na porta da casa, um beijo lento e sem pressa, o último do dia. Ele foi embora pelo caminho do vinhedo sem olhar para trás. Sofía o viu se afastar da janela da cozinha, a mesma janela da qual o procurara toda manhã sem confessar a ninguém, nem mesmo a si mesma.

Pensou em don Ernesto. Em Remedios sobre a escrivaninha com a bunda marcada de vermelho. Na régua de madeira e na própria raiva quieta e acumulada durante anos.

Que ele chegasse agora, pensou. Que abrisse essa porta e nos encontrasse juntos. Que me visse enfim fodida como nunca me fodeu, com a xoxota cheia de outro homem, com o sêmen de um diarista escorrendo pelas minhas pernas. Que me visse enfim.

Mas don Ernesto estava em Logroño e não havia ninguém que a castigasse pelo que ela fizera.

Somente ela, a casa grande e silenciosa, e a lembrança da tempestade que naquele dia mudara tudo.

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